A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) confirmou um novo e preocupante capítulo na disputa constante entre o sistema prisional e o crime organizado: o uso de drones para entregar drogas e celulares dentro das unidades. A prática, segundo a secretaria, embora ainda pouco frequente, já demonstra sinais claros de sofisticação e tendência de crescimento nos próximos meses.
De acordo com a Seap, os equipamentos têm sido utilizados para ultrapassar os controles tradicionais de portaria, chegando diretamente em áreas estratégicas dos presídios sem qualquer contato humano. Essa nova modalidade de entrada de materiais ilícitos desafia as equipes de segurança, que historicamente dependem de revistas presenciais e monitoramento físico para barrar esse tipo de crime.
O uso dos drones, segundo especialistas ouvidos pela secretaria, representa uma evolução nas táticas utilizadas por facções criminosas para manter a comunicação e o fluxo de drogas dentro das unidades. Celulares continuam sendo o item mais cobiçado, já que garantem a manutenção de ordens externas, coordenação de crimes e contato direto com comparsas. As drogas, por sua vez, mantêm o comércio interno e fortalecem a influência de criminosos sobre outros detentos.
A Seap afirma estar ampliando a vigilância aérea e investindo em novas tecnologias de rastreamento para tentar identificar os operadores desses drones, que frequentemente atuam em áreas de mata ou regiões com pouca visibilidade ao redor dos presídios. A secretaria alerta que, caso não haja reforço tecnológico e legislativo, essa prática deve crescer rapidamente devido ao baixo custo dos equipamentos e à dificuldade de detecção.
Diante desse cenário, o sistema prisional fluminense se vê diante de um novo desafio: combater um método de entrega silencioso, rápido e praticamente invisível, que ameaça a segurança interna e expõe a fragilidade das barreiras físicas tradicionais. A guerra contra o crime agora também acontece nos céus.














