Após denuncia,Prefeitura do Rio remaneja alunos transferidos para escola em Campo Grande

acg

Após denúncias de superlotação, a Secretaria municipal de Educação remanejou parte dos alunos que tinham sido transferidos para a Escola municipal Ginásio Medalhista Olímpica Mayra Aguiar da Silva, em Campo Grande. Cerca de 600 estudantes matriculados na Escola municipal Augusto Vasconcelos, no mesmo bairro, haviam sido deslocados em caráter de urgência após a Defesa Civil apontar riscos estruturais na unidade. Na manhã desta segunda-feira, pais de alunos das duas escolas protestaram contra a medida.

Responsáveis por alunos que foram transferidos reclamaram da redução na carga horária: em vez de as crianças estudarem em dois turnos tendo quatro horas e meia de duração cada, passariam a estudar em três turnos com três horas e meia. Já os pais de estudantes do Ginásio Olímpico alegaram que a estrutura não seria suficiente para acolher a todos. No início da tarde, a prefeitura anunciou que cerca de um terço dos alunos transferidos, que estão na pré-escola, serão remanejados para o Espaço de Desenvolvimento Infantil Elaine Monsores Pires. Os outros alunos continuam no Ginásio Olímpico, usando salas que estavam desocupadas, segundo a secretaria. Desta forma, segundo a secretaria, nenhum aluno terá o horário de aula reduzido.

Na última quarta-feira, quando a unidade estava sendo preparada para receber os novos alunos, uma aluna publicou nas redes sociais uma foto que mostra estudantes sentadas no chão com livros e cadernos apoiados no colo. A imagem, que foi registrada para mostrar a superlotação, foi feita, segundo a autora da foto, durante uma aula de educação física. Ainda de acordo com ela, o professor teria dito aos alunos que não achava justo dar aula daquela forma e sugeriu que os estudantes corressem atrás para resolver o problema.

— Meu medo é prejudicar o andamento de quem já está quase terminando, que é o nono ano. Devido a essa quantidade de alunos que vão chegar no colégio, eu acho que pode prejudicar. A estrutura do colégio, para receber essa quantidade de aluno, não tem condições — desabafou Delson Rodrigues, pai da aluna que fez a foto, em entrevista à TV Globo.

Estudante fez foto de alunos estudando no chão

Estudante fez foto de alunos estudando no chão Foto: Reprodução/TV Globo

Em nota, a Secretaria municipal de Educação afirmou que os alunos que já eram atendidos no Ginásio Olímpico não sofrerão qualquer prejuízo pedagógico, e que cada segmento será atendido e um andar diferente da escola. A pasta informou ainda que há carteiras para todos os estudantes, que o horário será respeitado e que bebedouros da Escola Augusto de Vasconcelos estão sendo reinstalados na nova unidade para atender aos alunos.

‘A parede tremia’

Apesar das insatisfações por parte de alguns, há um sentimento de alívio geral entre os pais de alunos da Escola Augusto de Vasconcelos desde que as crianças foram transferidas. Com rachaduras e goteiras, o prédio onde funcionava a escola foi condenado pela Defesa Civil. Segundo relatos, além dos problemas estruturais, o refeitório da unidade foi fechado há cerca de dois meses e a escola não servia mais refeições para os alunos, apenas lanches.

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— Eles pediam para as crianças já irem almoçadas porque só podiam fornecer lanche desde que o refeitório foi interditado. Além disso tinha muitas rachaduras, a parede tremia, eles diziam que parecia que ia cair a qualquer momento — conta Andrea Manço, de 48 anos, mãe de um aluno do 5º ano.

Andrea é mãe de aluno da E.M. Augusto Vasconcelos
Andrea é mãe de aluno da E.M. Augusto Vasconcelos Foto: Pedro Zuazo

O supervisor de impermeabilização Boaventura Cruz, pai de uma aluna do 2º ano, mudou o horário do trabalho para poder levar a filha à escola por causa da mudança no horário de entrada dos alunos.

— Lá ela entrava às 13h, agora vai entrar às 14h aqui. Ela tinha um transporte escolar, mas com esse novo horário não vai poder ser atendida. Então, transferi meus serviços para a parte da noite para poder trazê-la. É um transtorno, mas realmente o prédio estava todo fissurado, não tinha condições de eles permanecerem lá — diz.

O supervisor Boaventura e a filha, Alice, de 8 anos

O supervisor Boaventura e a filha, Alice, de 8 anos Foto: Pedro Zuazo

Na manhã desta segunda-feira, a Escola Augusto de Vasconcelos estava com as portas fechadas e sem sinal de movimentação de operários. Em nota, a coordenação de Infraestrutura da Secretaria de Educação informou que vai enviar engenheiros da Riourbe e da GeoRio esta semana à unidade para fazer as avaliações necessárias para iniciar a obra de emergência na unidade. “A escola sofreu um deslocamento do solo, criando fendas no piso do pátio da unidade. O problema será corrigido com a maior brevidade possível”, diz a pasta, em nota.

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