Chega ao fim um dos Big Brothers mais chatos de todos os tempos

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Quando, no início de janeiro, a Rede Globo anunciou os participantes da 19ª edição do Big Brother, os responsáveis pela atração demonstraram que, mais uma vez, apostariam na fórmula das diferenças como combustível para o conflito. E, afinal, quem poderia culpá-los? Em um país polarizado como o Brasil se encontra hoje, por que não bombar ainda mais a audiência do principal reality-show nacional explorando esse contexto… conflituoso?

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Daí, junta-se a designer gráfica, percussionista, negra e bissexual ao barman, vendedor de queijos e hétero. E a bacharel de cinema, youtubere vegana com um empresário e criador de cavalos. E a bacharel de direito de Lagoa Santa (MG) de 28 anos com o cientista social especializado em direitos humanos e dramaturgo carioca de 40. E todos prometendo confronto, força e personalidade forte. Um elenco dos sonhos. O que poderia dar errado?

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Tirando alguns “percalços” logo no comecinho do programa – participante com patrocinador (proibido pelas regras) ou sendo investigado por assédio e um confuso primeiro Paredão envolvendo todos os brothers e sisters –, os planos de Boninho e Cia. pareciam que iriam se realizar e mais uma edição bem-sucedida do BBB estaria garantida.

Dois grupos distintos logo se formaram – Baile da Gaiola e Villa Mix, como apelidados pelo pessoal aqui de fora –, acentuando ainda mais as diferenças de vivências, formas de pensar e ideias dos envolvidos. Algumas lideranças começaram a surgir. Reuniões, conchavos, complôs e tentativas de combinações de votos foram feitas. A promessa de tudo o que o povo gosta!

No entanto, alguns dos participantes com maior potencial de analisar e movimentar o jogo ou com a personalidade mais curiosa e incômoda do reality não tiveram muito tempo de desenvolver seu maquiavelismo e logo se despediram. Daí, as semanas foram se passando e aquelas ideias diferentes nunca entraram em conflito. E quando ameaçavam entrar – com toda sorte de comentário preconceituoso de cunho racial e religioso –, os participantes que poderiam lutar fogo com fogo preferiram o diálogo, a outra face, a ponderação.

A produção do reality bem que tentou contornar a situação de “paz nos estádios” que reinava na casa mais assistida do Brasil: Tá Com Nadas, Monstros, punições, privações, Jogo da Discórdia e até uma dinâmica na qual os participantes foram obrigados a se acorrentar uns aos outros (que, vamos ser justos, rendeu cenas hilárias envolvendo roncos e malhações involuntárias). A resposta: aplausos para o pôr do sol e joguinhos afetuosos, no qual os brothers e sisters diziam o que mais gostavam uns nos outros.

Antes de se render à exasperada situação, se referindo à estratégia dos participantes como um “jogo do amor, do afeto, do respeito”, Tiago Leifert mostrou as suas garrinhas, com vários puxões de orelha, discursos de eliminação que só faltavam dizer “FAÇAM ALGUMA COISA!!!” e até uma analogia a pôquer que terminou com um “talvez o idiota seja você”.

Novamente, nada que injetasse vida no enfadonho elenco do Big Brother Brasil 19. Apesar dos recordes em noites de eliminação, o programa vai terminar com uma das piores médias de audiência de sua história e um engajamento no Google Trends quase 10 vezes pior que o da edição de 2017, como apontou Chico Barney em sua coluna no UOL.

Os motivos para tamanha morosidade? Além de um erro crasso de avaliação dos responsáveis pelo elenco e de um participante ter confessado que não podia se expressar como gostaria por todas as responsabilidades que ele tem lá (agora aqui) fora, especula-se que a resistência ao conflito seja um reflexo dos tempos atuais, nos quais a promessa de uma carreira por meio de uma rede social bombada, com muitos likes – e, logo, baixa rejeição – e possíveis patrocinadores tenha influenciado o comportamento dos brothers.

Não acho que isso seja verdade e, se for, após o fiasco da atual edição, esse pensamento não terá efeito duradouro nos futuros participantes. Para o bem da Globo e para o bem do reality. Afinal, o Big Brother 20 vem aí.

Sobre a possível vencedora do programa? Não se preocupe. Assim como esse texto não se esforçou em citar nenhum dos participantes por nome e você nem sentiu falta, a memória sobre quem foi quem no BBB 19 logo logo se apagará e ninguém também nem vai notar. E nem uma expulsão no apagar das luzes será capaz de deletar quase quatro meses de não entretenimento.

O fogo no parquinho nunca subiu e aquela forma da diferença como combustível para o conflito? Nunca produziu mais do que uma fraca centelha.

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