Homens devem ter atenção à higiene na hora de fazer a barba nos salões

A Vigilância Sanitária aponta os riscos de contágio de doenças como hepatites B, C e Aids devido ao uso incorreto de navalhas

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O cuidado com a higiene nos salões de beleza foi intensificado nos últimos anos. Quem faz as unhas passou a ter mais atenção com a procedência dos equipamentos utilizados para manicure e pedicure, mas as precauções não devem se restringir a esse público. Mais do que cervejas especiais, os homens precisam ter prudência com a higienização dos kits usados nas barbearias – pentes, máquinas e lâminas de barbear – ou podem ficar expostos a mazelas transmitidas por vírus, fungos, bactérias e até parasitas.

O dermatologista da clínica Singular Medicina e Estética, Wesley Ferreira, lembra que todo objeto cortante deve ser descartado ou esterilizado para os clientes não ficarem vulneráveis a doenças transmitidas pelo sangue, como hepatites B, C e Aids.

Os pentes e escovas também precisam ser higienizados ou podem causar doenças provocadas por fungos, bactérias, parasitas e escabiose, como caspa, furúnculos, piolho e sarna. A limpeza recomendada pela Vigilância Sanitária para esses objetos é simples, feita com água e água sanitária.

Ferreira faz um alerta aos pais: “As crianças são as mais propensas à contaminação, pois o sistema imunológico delas ainda não está formado”. Ele reforça a importância de procurar um dermatologista ao se perceber o surgimento de descamações no couro cabeludo ou no rosto, bolhas, crostas e vermelhidão na pele (rubor conhecido como eritema).

O diagnóstico é feito a olho nu, em exames dermatológicos, ou com o auxílio da lâmpada de Wood, uma espécie de luz negra que ressalta infecções com o uso de uma coloração diferente. O tratamento é administrado com antifúngicos ou antibióticos.

Dia a dia no salão
Para Luiz Marcelo, 34 anos, profissional e educador do Instituto Hélio, fazer a barba é um ritual e pode até parecer um procedimento cirúrgico para quem não está acostumado com as normas de segurança. “Faço questão de abrir meus equipamentos aos olhos do cliente. Ele precisa ter essa garantia”, ressalta.

VINICIUS SANTA ROSA/ METRÓPOLES

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Luiz Marcelo

 

Luiz Marcelo atua há 16 anos na profissão e lembra que o uso de luvas é uma exigência recente. “Se você está fazendo uma barba e, por algum motivo, acontece um corte, elas são necessárias para remediar a situação. Antes, os barbeiros colocavam a mão diretamente na pele do cliente para estancar o sangue”, lembra o profissional.

Além disso, ele ressalta a importância de ter várias navalhetes à mão para uso diário. A de metal é a preferida dos barbeiros, pois é higienizada e usada novamente. “A autoclave [máquina que faz a esterilização de alicates e navalhetes] demora em média 50 minutos para completar a limpeza dos equipamentos, então tenho sempre de 12 a 16 navalhetes comigo, para minimizar os riscos para os clientes”, pontua.

Lei trouxe mais segurança aos clientes
A auditora da Vigilância Sanitária Graça Brito lembra que a legislação atual é a mesma para salões de beleza e barbearias, desde 2014, e veio para complementar o Código de Saúde do Distrito Federal.

De acordo com Graça, a menos que as lâminas de navalha sejam acessórios com algum diferencial, como personalização ou de origem importada, elas precisam ser descartadas a cada uso. No primeiro caso, elas devem passar por um rigoroso processo de esterilização.

Atualmente existem duas máquinas que fazem esse trabalho. A autoclave usa pressão por calor e só pode ser aberta ao final da limpeza, ao contrário das estufas. “Estas ainda não estão proibidas, mas, por permitirem a abertura a qualquer momento, não são tão confiáveis”, explica a auditora.

Ela lembra, também, que nem todo objeto quente está esterilizado. “Ele pode não ter chegado à temperatura ideal para acabar com todos os vírus e bactérias”, completa.

VINICIUS SANTA ROSA/ METRÓPOLES

Vinicius Santa Rosa/ Metrópoles

Máquina autoclave

 

Gestora do setor educacional do grupo Hélio, Fabiana Dias recorda como foi a transição da nova lei dentro do salão. Segundo ela, a maioria dos estabelecimentos cumpria as normas, porém informalmente. “Nós trouxemos um técnico em saúde do trabalho para profissionalizar essa parte, inclusive com aulas de microbiologia e doenças transmissíveis”, diz. Todos os profissionais da equipe precisam frequentar um curso de 20 horas-aula presenciais e passam por reciclagem periódica.

Uma das medidas consideradas importantes por ela – e que ajuda a otimizar o trabalho – foi ter designado um encarregado para cada setor. Além disso, técnicos iniciantes ficam responsáveis por trocar o kit dos profissionais a cada cliente: luvas, máscara, pentes, escovas e aparelhos de barbear.

Separamos cinco itens aos quais você deve ficar atento quando se barbear:

1. Lâmina de navalha: é um objeto cortante e deve ser descartável, ou seja, de uso único. Peça ao seu barbeiro para ver a troca;

2. Máquina de cortar cabelo ou barbear: assim como a lâmina usada na navalha, as máquinas podem provocar cortes e transmitir vários vírus. Elas precisam ser bem higienizadas;

3. Pentes e escovas: observar se os pentes estão limpos, sem fios de cabelo;

4. Salão: o ideal é que ele esteja sempre limpo e organizado;

5. Licenciamento RLE: todo salão deve possuir o Registro de Licenciamento de Empresas. Ele assegura que o estabelecimento se encontra dentro das normas da Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis).

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