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CAMPO GRANDE DE LUTO!! MORRE SR JORGE DA SILBENE

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ADEUS Sr.Jorge Elias – 1932 + 2021
Campo Grande perdeu ontem o visionário Sr.Jorge Elias Antonio dono da inesquecível Silbene. Ele será lembrado por gerações pois o víamos como homem competente, e vocacionado, sempre à frente do seu tempo, um homem de sucesso que respeitava as leis trabalhistas e cuidava muito bem dos seus funcionários, ele circulava pela loja, carregando aquele olhar por baixo dos óculos e tudo via. Chamava minha atenção seu suspensório segurando a calça e ele nem era tão gordo, mania quem sabe. Quando ele fechou a Silbene fiz uma crônica e mandei para administração da loja sugerindo a secretária que entregasse a ele se achasse conveniente pois ele poderia se emocionar. Ela entregou, dias depois pegou meu endereço e ele mandou entregar uma cópia da minha crônica carimbada Silbene, agradeceu, assinou e datou em 31 de março de 2012, nesta postagem eliminei aqui na foto sua assinatura.
Não tenho foto sua que eu tenha feito, até tentei uma entrevista, estava quase conseguindo e aí veio a pandemia. Vou usar uma de arquivo de internet antiga e sua foto do livro Personalicaturas 2 edição 2004 junto com sua biografia para que todos saibam um pouco da sua trajetória.
Fecho esta postagem com um dos parágrafos que escrevi para ele um dia de 2012: Queremos que o senhor descanse um pouco, que o senhor tenha tempo de admirar uma flor, o canto do pássaro, a dança das nuvens, o brilho das estrelas, que o senhor tenha tempo para si. Ficaremos órfãos, não há outra loja como a sua por aqui, pode ser que alguém acorde e se estruture, pode ser que não porém o senhor fez a sua parte e precisa descansar, nós sobreviveremos tendo o que lembrar e contar. Ele se deu este prazer e hoje já não está entre nós e será lembrado com
certeza.
Vai com DEUS Sr.Elias, siga a luz.
Malu Ravagnani
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SILBENE – Texto de março 2012.
Aqui eu comprei sua vela de um ano, os enfeites da festa e isto foi uma constante sempre. Anos depois você foi para a escola e eu comprei seus lápis de cor, sua tesourinha, sua lancheira, sua toalhinha de mão, seu avental. O tempo foi passando e eu comprei seu caderno de 12 matérias, sua régua, compasso, etc. Aí você entrou para a universidade e eu comprei seu fichário, sua caneta e lapiseira com seu nome gravado, papel sulfite para imprimir seus trabalhos, tinta para a impressora, máquina de calcular, papel especial para seus trabalhos, caixinhas para embalar os presentes das suas amigas e amigos, enfeites para nossa casa, você comprou cartão para sua primeira namorada, imprimiu suas fotos, fez muitos lanches em reuniões com amigos ou só. Já se passaram 30 anos filho e fico triste em saber que um dia o filho ou filha que você terá não poderá passar por este processo que você passou ao entrar comigo ou sozinho na SILBENE. Olha que eu já havia comprado aqui meu primeiro caderno de 12 matérias, meu fichário, etc. Vidas tiveram a mesma experiência e ficarão com saudade. Foram 52 anos servindo ao bairro e adjacências sempre na figura do Sr. Jorge Elias circulando entre os balcões, vitrines e funcionários atrás do seu óculos com aquele olhar atento a tudo e a todos como deve ser o dono de uma empresa. Não queremos saber o porquê… queremos que o senhor saiba que muito contribuiu para o desenvolvimento do bairro e pelas vidas das pessoas trazendo para o lado delas o que tinha de mais necessário, o senhor trouxe a modernidade da área de informática, um local onde compramos as tortas dos nossos aniversários, é sua SILBENE hoje é história e acredito que brevemente perderemos também a parte de alimentação. Queremos que o senhor descanse um pouco, que o senhor tenha tempo de admirar uma flor, o canto do pássaro, a dança das nuvens, o brilho das estrelas, que o senhor tenha tempo para si. Ficaremos órfãos, não há outra loja como a sua por aqui, pode ser que alguém acorde e se estruture, pode ser que não porém o senhor fez a sua parte e precisa descansar, nós sobreviveremos tendo o que lembrar e contar.
Malu Ravagnani
SILBENE – parte 2
31 de outubro de 2013, TODAS as portas da Silbene se fecharam, perdemos então a nossa alimentação, nossos pães, doces, bolos de aniversários, salgadinhos de todos os tamanhos, massas prontas, praticidade. Difícil aceitar no momento que a população do bairro cresceu e que não terá nada parecido para saciar a necessidade do dia a dia. Se voltarmos no tempo, poderemos lembrar que era Natal em Campo Grande em setembro justamente na Silbene que acordava com prateleiras repletas de produtos de bom gosto, mais caros porém de qualidade. Outubro está indo embora levando a Silbene, deixando a história que um dia poderemos contar e sentir muita saudade – era uma vez… . Obrigada Sr. Jorge Elias, queremos que o senhor descanse um pouco, que o senhor tenha tempo de admirar uma flor, o canto do pássaro, a dança das nuvens, o brilho das estrelas, que o senhor tenha tempo para si. Ficaremos órfãos, não há outra loja como a sua por aqui, pode ser que alguém acorde e se estruture, pode ser que não porém o senhor fez a sua parte e precisa descansar, nós sobreviveremos tendo o que lembrar e contar.

 


Malu Ravagnani

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