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Obrgado Cláudia por você existir….emocionante, leiam

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Por Liane Costa

 

Daí você está pensativa, dentro do carro, refletindo sobre sua vida e sente um arrepio quando olha no retrovisor e se assusta com uma imagem, vindo em tua direção, com um pedaço de pau na mão e sacos pendurados. Ela dá uma batidinha no vidro e num impulso, entre o medo e a coragem, entre a pena e a curiosidade, eu abaixo o vidro e começo a conversar com aquele ser, diante de mim, agora parecendo tão indefeso…
– Oi, você precisa de algo?
– Ahh querida eu preciso de tantas coisas, mas, hoje só queria mesmo era levar as fraldas pra minha filha…
Fiquei surpresa com a resposta. Esperava tantas outras… E não me contive. Comecei a questioná-la… Descobri que aquela frágil, raquítica e minúscula mulher, se chamava Claudia, tinha apenas 39 anos (parecendo 60) e estava “armada” com aquele pedaço de pau com o único objetivo de poder alcançar dentro dos lixos, qualquer coisa que rendesse algo para mantê-la e sua bebê, Maria Eduarda (Madu) de 2 anos, ambas soro-positivo. Ela também perguntou de mim. Sim, me pergunto interessada e eu comentei que eu estava viúva há 4 meses e que adoraria ter tido tb uma menina e que Maria Eduarda seria um nome que provavelmente colocaria nela. Um sorriso desdentado na minha frente, me emocionou. E me fez sentir algo muito especial: carinho. Me encantei com ela. E daí também descobri que ela fôra professora! Sim! Professora!! Era de Torres e foi “exonerada” (palavra dita por ela mesma, já que possui um vocabulário impecável), porque tinha HIV. Percebi que, mesmo muito pobre, catando lixo, estava com roupa limpinha, uma dor imensa disfarçada na alegria daquele sorriso sem dentes… e o que mais me impressionou: um ser lindo, de luz, super espiritualizado. Pedi que colocasse suas coisas no porta-malas e fomos juntas até uma farmácia. Comprei as fraldas especiais para sua menina e uma pomada para assaduras. Disse que a levaria pra casa, mas, por orientação dela, pediu por segurança, a deixasse na entrada do bairro 1º de Maio, porque “eles” podiam confundir minha camionete com da polícia e poderia ter problemas. Ao nos despedir, me presenteou com estas lindas palavras: …
… “Sabe dona Liane, se conforme e se alegre. Seu marido partiu e está bem melhor que nós! Nós ainda estamos aqui, passando trabalho, decepções, tristezas na família e apenas e tão somente “algumas” alegrias. Seu marido cumpriu “os desígnios” de Deus. Sabe né? Dizem que pedimos para vir ao mundo exatamente assim como estamos… mas as vezes me pergunto como fui capaz de pedir tanto sofrimento!?… Enfim, as vezes Deus tem formas muito doidas de nos responder. Hoje eu tinha me prometido não chegar em casa sem as fraldas da “Madu”, seja a hora que fosse! E olha, eu estou com as fraldas! Hoje também eu tinha feito um pacto com Deus e não é que ele me enviou mesmo um anjo? Ninguém passa pela vida dos outros por acaso, acredite. Eu precisava te conhecer hoje para não perder a fé na humanidade. Vou rezar todas as noites pela senhora e também por “toda sua família”, porque sei que tem gente que nem compreende tudo o que a senhora faz e já fez por eles.”
Me agradeceu, me abraçou, beijou carinhosamente meu rosto e eu a vi, subindo a rua, num sorriso terno… e não tive como não chorar por quase meia hora! Decidi adotar ela e sua menina este ano. Vou levar doações, alimentos, roupas, e quem sabe até buscar ajuda para colocar seus dentes, quem sabe um emprego. Hoje, reconheci Jesus, vestido de mulher humilde, sábia, sofrida, ganhando a vida nas ruas e mesmo cansada, esperançosa na fé. Hoje eu fui o anjo dela… mas, ela nem sabe o quanto foi ela quem iluminou meu dia! Obrigada Claudia, por existir!

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