Polícia investiga caso de influencers que deram banana e macaco de pelúcia para crianças negras no RJ

 

Polícia instaura procedimento para investigar caso de discriminação racial envolvendo influenciadoras

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) abriu uma investigação para apurar um caso que envolve influenciadoras digitais que protagonizaram um vídeo no qual entregaram uma banana e um macaco de pelúcia para crianças negras. Os vídeos viralizaram nas redes sociais e geraram indignação e repúdio.

Segundo informações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, os vídeos estão sendo analisados e diligências estão em andamento para identificar os envolvidos e esclarecer os fatos. Ainda não foram divulgadas informações precisas sobre o local e a data das gravações, e esses detalhes também serão apurados pela polícia. As influenciadoras em questão são Kérollen Cunha e sua filha, Nancy Gonçalves, ambas residentes no Rio de Janeiro.

A advogada especialista em Direito antidiscriminatório, Fayda Belo, denunciou as duas influenciadoras nesta terça-feira. Ela alega que o vídeo configura o chamado “racismo recreativo”, uma forma de discriminação contra pessoas negras com o intuito de entretenimento.

Nos vídeos em questão, Kérollen aborda um menino negro na calçada e lhe oferece a escolha entre um presente ou R$ 10. O menino opta pelo presente, mas ao receber uma banana como presente, expressa descontentamento e deixa o vídeo. Em outra gravação, a influenciadora aborda uma menina na rua e lhe faz uma proposta semelhante, oferecendo a opção de escolher entre R$ 5 ou uma caixa. A criança escolhe o “presente” e ao abrir a caixa, encontra um macaco de pelúcia. Ela aparenta ficar feliz com o brinquedo, o abraça e agradece à influenciadora.

Fayda Belo ressalta que os vídeos também violaram o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao expor as crianças envolvidas.

“A pessoa pode receber uma pena de até quase oito anos de prisão […]. O artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que a integridade moral do menor é inviolável, e sua imagem deve ser preservada. […] O artigo 18 proíbe a exposição de menores de idade a constrangimento, vexame, humilhação e ridicularização”, explica a advogada.

Esse caso reforça a importância de combater atos de discriminação racial e conscientizar a sociedade sobre a gravidade dessas práticas, especialmente quando envolvem crianças. A investigação em andamento busca responsabilizar os envolvidos e garantir que situações semelhantes não se repitam, visando um ambiente mais inclusivo e respeitoso para todos.