O Bradesco está promovendo uma profunda transformação em sua estrutura de atendimento, com o fechamento de centenas de agências e pontos físicos mesmo diante de um cenário de forte desempenho financeiro. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, o banco fechou 324 agências, segundo levantamento divulgado pelo movimento sindical.
O número chama atenção principalmente porque ocorre em um período no qual a instituição financeira apresentou resultados bilionários. Somente no primeiro semestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, crescimento de 16,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado positivo, a estratégia adotada pelo banco aponta para uma redução gradual de sua estrutura física. No início de 2026, o Bradesco havia indicado que pretendia fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento ao longo do ano.
A medida faz parte de um processo de adaptação ao crescimento dos serviços bancários digitais. Com cada vez mais clientes utilizando aplicativos, internet banking e outros canais eletrônicos para realizar pagamentos, transferências, investimentos e demais operações, a presença física das agências vem sendo considerada menos necessária pelo setor.
O Bradesco afirma que aproximadamente 98% das operações realizadas por seus clientes já acontecem por canais digitais. A mudança no comportamento dos consumidores ajuda a explicar por que os grandes bancos brasileiros vêm reduzindo suas redes tradicionais enquanto ampliam investimentos em tecnologia.
Entretanto, a redução da estrutura também provoca preocupação entre trabalhadores e entidades sindicais. O fechamento de agências costuma vir acompanhado de mudanças no quadro de funcionários e pode afetar trabalhadores que dependem dessas unidades para suas atividades profissionais.
A situação evidencia uma transformação que já ocorre há alguns anos no sistema bancário brasileiro. De um lado, os bancos apresentam lucros expressivos e ampliam investimentos em tecnologia. De outro, reduzem progressivamente o número de agências, priorizando modelos de atendimento remoto e digital.
Para os clientes, a mudança pode representar maior rapidez e praticidade em operações simples. Por outro lado, pessoas que ainda dependem do atendimento presencial podem encontrar dificuldades com a diminuição das unidades físicas, principalmente em regiões onde uma agência representa um dos principais pontos de acesso aos serviços bancários.
Assim, a informação de que o Bradesco fechou 324 agências é verdadeira, mas é importante destacar que o número corresponde ao período de 12 meses encerrado em junho de 2026, e não necessariamente a um anúncio único feito recentemente.
O cenário mostra que lucro recorde e redução da estrutura física podem caminhar simultaneamente. Enquanto os resultados financeiros crescem, o banco acelera sua transformação digital e redesenha sua presença nas cidades brasileiras.




