Entregadores de aplicativos de todo o Brasil iniciaram, nesta segunda-feira (31), uma greve nacional de dois dias para reivindicar melhores condições de trabalho. A principal exigência da categoria é a implementação de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, além do aumento do valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50.
A paralisação afeta serviços de entrega por meio de aplicativos como iFood, Rappi e Uber Eats, e conta com a adesão de milhares de trabalhadores em diversas capitais e grandes cidades do país. A mobilização é organizada por grupos de entregadores que utilizam as redes sociais para coordenar os protestos e divulgar pontos de encontro para manifestações.
Os trabalhadores afirmam que os valores pagos atualmente são insuficientes para cobrir os custos operacionais, como combustível, manutenção das motocicletas e bicicletas, além de não garantir uma remuneração justa. Segundo eles, a defasagem nos pagamentos tem se agravado nos últimos anos, tornando cada vez mais difícil a sobrevivência na profissão.
“A gente sai de casa cedo e roda o dia inteiro para ganhar muito pouco. O custo de vida aumentou, o combustível disparou, mas as taxas que recebemos continuam baixas. Queremos um valor mínimo justo e um reajuste no quilômetro rodado para garantir que nosso trabalho seja sustentável”, afirma Luiz Carlos, entregador de São Paulo e um dos líderes do movimento.
A greve tem apoio de diversas associações e coletivos de entregadores, que reforçam a necessidade de diálogo com as empresas responsáveis pelos aplicativos. Até o momento, nenhuma das plataformas se manifestou oficialmente sobre as reivindicações da categoria.
Especialistas em relações de trabalho apontam que a paralisação pode impactar significativamente o funcionamento dos aplicativos, especialmente em horários de pico. Para os consumidores, isso pode significar atrasos em pedidos e menos opções disponíveis nos próximos dias.
Os entregadores prometem manter a mobilização até que as empresas apresentem uma proposta concreta de reajuste. Caso não haja negociações, a categoria já cogita novas paralisações e manifestações ainda mais amplas nas próximas semanas.
Enquanto isso, o movimento segue ganhando força e apoio popular, com diversos clientes demonstrando solidariedade aos trabalhadores nas redes sociais. A expectativa é de que, com a adesão massiva, as empresas sejam pressionadas a rever suas políticas e oferecer melhores condições para aqueles que garantem o funcionamento desse serviço essencial.