Uma conversa interceptada pela Polícia Federal (PF) revelou detalhes preocupantes sobre um possível plano de fuga em massa de integrantes do Comando Vermelho (CV) no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A gravação envolve o traficante conhecido como Doca ou Urso, apontado como liderança do CV no Complexo da Penha, e um de seus comparsas.
No diálogo, Doca questiona sobre o paradeiro de uma quantia significativa do “caixa da facção”:
— Doca: “Esses R$ 20 mil aí da obra é de quê? Foi pra onde?”
— Interlocutor: “Foi o Samuray que pegou, para fazer obra na cadeia”.
A menção a “Samuray” chamou a atenção dos investigadores. Segundo a PF, trata-se do novo apelido adotado por Naldinho, um dos homens de confiança de Fernandinho Beira-Mar e membro da alta cúpula do Comando Vermelho. A mudança de codinome seria uma estratégia para despistar as forças de segurança, que monitoram seus passos há anos.
A suspeita da PF é que os R$ 20 mil tenham sido utilizados na construção de um túnel dentro do presídio, com o objetivo de facilitar uma fuga em massa de traficantes do CV. A corporação acredita que o valor não foi empregado em reformas convencionais ou melhorias estruturais autorizadas, mas sim em obras clandestinas com propósito criminoso.
“Os indícios são fortes e indicam que esse montante foi usado especificamente para um plano de fuga coordenado. Estamos tratando de uma tentativa organizada, que envolvia recursos financeiros da facção e movimentação interna no sistema prisional”, disse um agente da PF envolvido nas investigações, sob anonimato.
A descoberta faz parte de uma operação mais ampla da PF para desmantelar o esquema de comunicação e financiamento interno da facção, que continua atuando mesmo com seus principais líderes encarcerados. O uso de apelidos, celulares clandestinos e verba do tráfico para financiar atividades dentro e fora das prisões demonstra o alto grau de organização da quadrilha.
O Complexo de Gericinó abriga diversas unidades prisionais de segurança máxima e já foi alvo de outras tentativas de fuga em massa no passado. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que está colaborando com a investigação e reforçou a segurança na unidade, além de iniciar uma varredura para identificar possíveis estruturas subterrâneas.
A PF segue apurando se outros membros da facção estão envolvidos no suposto plano e quais detentos seriam beneficiados pela tentativa de fuga.