A cidade de Queimados, na Baixada Fluminense, foi palco de mais um episódio sangrento da disputa entre grupos paramilitares que lutam pelo domínio de territórios. O confronto, ocorrido na comunidade Quebra Coco, resultou na morte de dois homens ligados à milícia do chefe França.
Segundo informações, integrantes da milícia de França teriam invadido a área controlada por Davi, sem autorização do líder local. O grupo rival teria iniciado a cobrança de comerciantes da região, prática comum como forma de arrecadação ilegal. No entanto, a ação não foi tolerada. Milicianos ligados a Davi reagiram de forma imediata e executaram os dois cobradores enviados pela facção rival.
A milícia de Davi é considerada uma das mais antigas da região e teria origem no grupo conhecido como “Quebradores”, também chamados de “matadores de ganso”, em referência a criminosos que roubavam na comunidade. Diferente de outras facções paramilitares, o grupo de Davi é apontado como uma milícia “raiz”, que se apresenta como uma força de contenção contra o tráfico e contra assaltantes. De acordo com moradores, a facção não costuma cobrar taxas de comerciantes locais, o que aumenta o apoio de parte da população.
Já a milícia de França, segundo relatos, vem expandindo seu poder na Baixada e busca novas áreas para explorar financeiramente. A tentativa de impor cobranças no Quebra Coco teria sido o estopim para a execução dos dois enviados.
As autoridades ainda não divulgaram a identidade dos mortos, e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil. O clima de tensão permanece na região, onde moradores relatam medo de novos confrontos entre os grupos rivais.
A disputa expõe, mais uma vez, a força e a violência das milícias que atuam na Baixada Fluminense, consolidando-se como um dos maiores desafios da segurança pública no Rio de Janeiro.