ADPF questiona uso de relatório da PF em investigação contra André Mendonça

 

 

O uso de um relatório de inteligência da Polícia Federal pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para questionar a atuação de André Mendonça provocou reação da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). O presidente da entidade, Edvandir Felix de Paiva, afirmou que documentos desse tipo são destinados à circulação interna da corporação e não deveriam ser compartilhados com órgãos externos nem utilizados como elemento de acusação em processos criminais.

Segundo Paiva, a divulgação do material causou “estranheza muito grande” entre policiais. O presidente da ADPF também alertou que a exposição de informações de inteligência pode prejudicar investigações em andamento, especialmente quando revela a alvos dados sobre diligências que ainda não foram realizadas.

A manifestação ocorre em meio a uma disputa institucional envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O relatório utilizado por Moraes foi produzido pela PF para analisar a atuação de Mendonça em investigações sob sua relatoria, principalmente nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. O documento reúne questionamentos sobre decisões judiciais, acesso a dados brutos e possíveis interferências na rotina da corporação.

### Documento não teria valor probatório

Um dos principais pontos da controvérsia é a própria classificação do material. Conforme informações divulgadas pelo Poder360, o relatório é identificado como “documento de trabalho – sem valor probatório”. O texto também ressalta que não imputa infração a magistrado ou autoridade, não constitui representação e não substitui a via processual própria.

O documento, de acordo com a publicação, foi elaborado como instrumento de inteligência, com finalidade técnica e prospectiva. A distinção é relevante porque relatórios dessa natureza têm objetivo diferente de peças produzidas para comprovar crimes ou fundamentar acusações formais.

A utilização do material por Moraes, portanto, passou a ser questionada justamente por sua finalidade original e pelas limitações expressas no próprio texto. A discussão envolve os limites entre atividade de inteligência, investigação criminal e atuação judicial.

### Reação da entidade dos delegados

Além de criticar a circulação do documento, Edvandir Felix de Paiva defendeu os policiais responsáveis pela elaboração de outro relatório, produzido a partir de uma ordem judicial relacionada às conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o presidente da ADPF, os agentes apenas cumpriram uma determinação judicial.

A entidade também manifestou preocupação com o uso de informações internas em disputas institucionais. Para a associação, a preservação da confidencialidade dos relatórios é importante para evitar prejuízos às investigações e proteger o trabalho dos policiais.

O episódio amplia a tensão entre integrantes do STF, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. A controvérsia ainda depende de esclarecimentos e de eventual análise pelas instituições competentes.

Observação: a matéria acima apresenta as declarações da ADPF e as informações divulgadas sobre o relatório. A afirmação de que o documento não poderia circular fora da PF é uma posição atribuída ao presidente da entidade, não uma decisão judicial definitiva.