Um estudo inédito realizado pelo Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), revelou dados alarmantes sobre a vulnerabilidade urbana no Rio de Janeiro. Segundo a pesquisa, cerca de 600 mil famílias cariocas vivem atualmente em áreas com alto risco de deslizamentos ou inundações, desastres frequentemente provocados por chuvas intensas.
O levantamento detalhado aponta que uma em cada cinco casas da cidade está localizada em regiões suscetíveis a eventos naturais extremos. O número evidencia um problema estrutural que vai muito além da previsão do tempo: trata-se de uma questão de planejamento urbano, ocupação desordenada e ausência de políticas públicas eficazes de prevenção e remoção das populações mais expostas.
Essas áreas de risco estão espalhadas por diversos pontos da cidade, incluindo comunidades em encostas de morros, margens de rios e canais, zonas de várzea e regiões com solo instável. Durante os períodos chuvosos, especialmente no verão, o perigo aumenta drasticamente. Em muitas dessas localidades, a população convive diariamente com a ameaça de perder tudo — ou até a própria vida — por conta de um deslizamento de terra ou enchente repentina.
De acordo com os especialistas envolvidos na pesquisa, os dados foram obtidos por meio do cruzamento de informações cartográficas, sensoriamento remoto, histórico de desastres e visitas de campo. O estudo também destaca que boa parte dessas moradias foi construída sem qualquer tipo de supervisão técnica, em terrenos inadequados e com infraestrutura precária.
O cenário traçado pelo levantamento serve como um alerta urgente para o poder público. Medidas preventivas, como obras de contenção, melhorias na drenagem urbana, reflorestamento de encostas e, principalmente, políticas de reassentamento com dignidade para as famílias afetadas, são consideradas fundamentais para evitar tragédias como as já registradas em anos anteriores.
Além disso, os pesquisadores chamam a atenção para a importância de investir em educação ambiental e em sistemas de alerta precoce, capazes de salvar vidas em momentos críticos. Com as mudanças climáticas agravando a frequência e intensidade das chuvas, a tendência é que esses riscos aumentem nos próximos anos, caso nada seja feito.
O estudo completo deve ser divulgado nos próximos meses e servirá de base para o desenvolvimento de ações integradas entre os governos municipal, estadual e federal. Até lá, 600 mil famílias seguem vivendo sob ameaça constante da próxima tempestade.