Artista plástica é atacada nas rede após esculpir vagina de 33 metros na terra

“Em meio a tantas rochas no meio do caminho desse ano distópico, finalmente termino o ano com a obra ‘Diva’ pronta.” A frase em tom de celebração inicia uma postagem no Instagram em que a artista plástica Juliana Notari apresenta ao mundo a sua mais nova criação: uma vulva de 33m de altura, por 16m de largura e 6m de profundidade, recoberta por concreto armado e resina.

Desde que mostrou a obra em suas redes, porém, Juliana viu o trabalho viralizar, recebendo um retorno negativo e ofensivo por parte de usuários de diferentes redes sociais. Nas caixas de comentários de postagens antigas da própria artista no Facebook, por exemplo, não faltam comentários ofensivos e cheios de palavrões.

‘Diva’ foi esculpida no parque artístico botânico Usina de Arte, em Água Preta, no município da Zona da Mata Sul, em Pernambuco. A proposta, conforme escreveu a criadora na postagem no Instagram, é usar “a arte para dialogar com questões que remetem a problematização de gênero, a partir de uma perspectiva feminina aliada a uma cosmovisão que questiona a relação entre natureza e cultura na nossa sociedade ocidental falocêntrica e antropocêntrica”.

No texto, Juliana detalha que mais de “40 mãos” trabalharam na construção da obra, que é fruto de um processo de 11 meses “de muita persistência, convivência e aprendizado”. Segundo ela, mais de vinte homens trabalharam “num esforço hercúleo embaixo do sol a pino, em meio a muita música e piada”. A artista também escreveu que não foi possível usar escavadeira nos trabalho, porque a máquina não permitiria “esculpir com precisão os relevos que precisava”.

Uma das fotos que têm causado polêmica na rede é justamente a imagem em que a artista aparece diante da obra em construção, enquanto trabalhadores negros atuam na construção. “Achei linda sua estética de mulher branca rica com mão de obra de homens negros no background”, ironizou um perfil no Twitter, ao compartilhar a referida foto.

A reportagem entrou em contato com a artista pelas suas redes sociais, mas ainda não obteve resposta. No texto de apresentação, Juliana também afirma que as questões abordadas em “Diva” são cada vez mais urgentes. “Afinal, será através da mudança de perspectiva da nossa relação entre humanos e entre humano e não-humano, que permitirá com que vivamos mais tempo nesse planeta e numa sociedade menos desigual e catastrófica”, escreveu.

Os comentários acerca do trabalho não se restringem às críticas. Na manhã deste sábado, a maior parte dos recados deixados sob a postagem eram elogiosos. “Nossaaaa que criação esplêndida…. Diva é divina e uma das obras mais belas e significativas que vi nascer”, escreveu uma seguidora. “Não vejo a hs de viver de pertinho essa imensidão de obra”, comentou um admirador.