As empresas de tecnologia te escutam para vender publicidade? É mais provável que elas nem precisem

Polêmica ressurgiu com denúncias de que empresas contrataram funcionários para transcrever gravações de áudio de usuários. Mas prática, segundo empresas, não está relacionada com publicidade digital.

Quem nunca se deparou com uma publicidade no Instagram ou no Facebook sobre algo que tinha acabado de conversar com alguém? Às vezes, a coincidência é tão grande que tem gente que diz que pensou em algo e apareceu uma propaganda daquilo.

Depois que GoogleAppleFacebook Microsoft foram pegos, recentemente, usando funcionários contratados para transcrever áudios de usuários, para muita gente essa foi a confirmação de uma teoria antiga: as gigantes de tecnologia estariam, secretamente, nos escutando para vender publicidade direcionada.

A resposta oficial, no entanto, é que elas não nos escutam sem permissão, segundo porta-vozes de Google e Facebook, as gigantes que dominam o segmento de marketing digital.

“Não fazemos isso. É fascinante que esse mito persista. Recebo essa pergunta o tempo todo”, disse Steve Satterfield, vice-presidente de privacidade do Facebook, que esteve no Brasil no começo do mês e conversou com o G1 sobre a possibilidade de “espionagem” para favorecer algoritmos de publicidade.

Sobre os áudios gravados e transcritos, Facebook e Google dizem que o objetivo era melhorar o funcionamento de inteligências artificiais e aprendizado de máquina. E que as gravações só aconteciam se o usuário optasse por participar de programas de transcrição.

Mesmo assim, após pressão de autoridades e de consumidores, elas decidiram suspender a prática. Em breve, ela deve ser retomada pelo Google.

Dá pra acreditar na resposta oficial das companhias? Alguns testes tentaram “flagrar” uma suposta espionagem via áudio, sem sucesso (leia mais ao fim da reportagem).

Porém, a credibilidade das gigantes de tecnologia tem sido questionada por causa da pouca transparência em relação ao que fazem com o imenso volume de dados que circulam em seus sistemas. E esses dados podem ser a resposta para entender como elas conseguem ser tão eficazes na propaganda direcionada.

Elas precisam ouvir?

Ex-funcionários já negaram publicamente que as empresas estariam nos escutando em segundo plano (quando o microfone não está sendo usado). Justamente porque as companhias têm à disposição uma grande quantidade de dados para usar em publicidade.

Segundo Google e Facebook, é esse tipo de dado on-line — e não nossas conversas — que serve para fazer direcionamento de propaganda.

“Às vezes, é possível que você veja publicidade sobre algo que aconteceu na sua vida, mas é nosso trabalho. Estamos fornecendo publicidade relevante”, afirma Satterfield.

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