Uma série de áudios vazados atribuídos a integrantes da milícia do Rio de Janeiro expôs um suposto esquema criminoso que continua operando mesmo de dentro do sistema prisional. As gravações revelariam ordens para a execução de um sargento da Polícia Militar, além de detalhes sobre a estrutura hierárquica da organização criminosa que atua em regiões da Zona Oeste e da Baixada Fluminense.
De acordo com o conteúdo divulgado, Anderson Amorim, conhecido como “Bigode”, atualmente preso no presídio de Bangu 8, aparece dando ordens diretamente para um homem identificado como “Sassa do Cesarão”. Nas conversas, o grupo discute a necessidade de obter autorização de uma liderança superior antes de qualquer ação criminosa ser executada.
Em um dos trechos mais fortes dos áudios, é citado o nome de “Jorjão”, apontado como uma das principais lideranças da organização. Segundo os criminosos, nenhuma operação acontece em áreas como Seropédica, Santa Cruz e comunidades da Baixada sem o aval do chefe da facção paramilitar.
As gravações também mostram detalhes que reforçam o nível de organização da quadrilha. Em um dos momentos, os envolvidos falam sobre o descarte de um aparelho celular utilizado em uma “missão”, numa tentativa de dificultar rastreamentos e investigações policiais. Outro trecho menciona ligações feitas para o veículo BMW pertencente ao “Cesarinho” após tentativas frustradas de contato com Sassa.
Além das ordens criminosas, os áudios ainda revelariam conflitos internos e acusações de traição envolvendo o próprio Bigode. O conteúdo sugere disputas de confiança dentro da organização, algo comum em grupos criminosos que movimentam grandes quantias de dinheiro e disputam territórios estratégicos no estado do Rio.
O caso levanta novamente o debate sobre a influência de líderes criminosos que, mesmo presos, continuam exercendo comando sobre atividades ilegais fora das cadeias. A utilização de celulares clandestinos dentro dos presídios segue sendo um dos principais desafios das autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro.
Até o momento, não houve pronunciamento oficial das autoridades sobre a autenticidade dos áudios divulgados nem sobre possíveis novas operações relacionadas ao caso.