BNDES destina R$ 10 milhões ao Instituto Burle Marx

O Instituto Burle Marx vai transferir sua sede de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para a Casa Cavanelas, em Pedro do Rio, distrito de Petrópolis. O BNDES aprovou R$ 10 milhões a fundo perdido para preservar e digitalizar o acervo, além de adaptar o imóvel para receber visitantes a partir de 2028.

Instituto Burle Marx ocupará casa projetada por Niemeyer

Oscar Niemeyer projetou a residência em 1954 para o engenheiro Edmundo Cavanelas. O imóvel tem jardins criados por Burle Marx, estrutura metálica curva sustentada por quatro colunas de pedra, laterais envidraçadas e uma piscina integrada ao paisagismo. A propriedade foi adquirida e doada ao instituto.

Atualmente, a instituição funciona em uma casa no início da Rua Alice, em Laranjeiras, espremida entre dois bares. Na nova sede, o projeto prevê uma reserva técnica e espaços para exposições, biblioteca, auditório, café, ateliê e residência artística. Também haverá áreas de convivência e atividades educacionais.

Ao redor da casa, o jardim e a mata nativa preservada ocupam cerca de 200 mil metros quadrados. Assim, o espaço reunirá áreas de guarda e pesquisa do acervo com ambientes destinados à visitação e a atividades culturais.

Acervo do Instituto Burle Marx terá restauração e digitalização

O projeto prevê restaurar cerca de 700 projetos paisagísticos e digitalizar 14 mil itens. Além disso, o instituto planeja aprimorar a catalogação e ampliar as possibilidades de consulta pública.

As iniciativas incluem a gravação da série de entrevistas em vídeo Memória Oral, a realização do Fórum Arte e Território e a publicação de um livro sobre o material digitalizado. Em conjunto, as ações integram o plano financiado pelo BNDES para preservar e tornar o acervo mais acessível.

O Instituto Burle Marx reúne mais de 150 mil itens produzidos por Burle Marx e seus colaboradores ao longo de mais de sete décadas. A coleção inclui projetos paisagísticos e urbanísticos, croquis, desenhos, fotografias, recortes de jornais, cartas e documentos.

O inventário começou em 2020, mas apenas cerca de 10% do acervo foi digitalizado. Em 2025, a coleção recebeu reconhecimento da Unesco no Registro Regional Memória do Mundo para a América Latina e o Caribe.