



O Brasil acaba de alcançar um marco histórico na saúde pública mundial. A Organização Mundial da Saúde reconheceu oficialmente que o país está próximo de eliminar a transmissão vertical do HIV, aquela que ocorre de mãe para filho durante a gestação, o parto ou a amamentação. A validação da meta brasileira projeta a eliminação desse tipo de transmissão até o final de 2025, colocando o Brasil como o maior e mais populoso país do mundo a atingir esse patamar.
Segundo a OMS, o reconhecimento se dá após a comprovação de avanços expressivos em indicadores considerados essenciais. A taxa de transmissão vertical do HIV no país foi reduzida para menos de 2%, um número considerado compatível com a eliminação do problema em larga escala. Além disso, mais de 95% das gestantes brasileiras têm acesso ao pré-natal adequado e ao tratamento antirretroviral oferecido de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde.
O resultado é fruto de décadas de investimento em políticas públicas de saúde, campanhas de conscientização, testagem precoce e acompanhamento contínuo das gestantes vivendo com HIV. O protocolo brasileiro garante testagem durante o pré-natal, início imediato do tratamento, acompanhamento médico rigoroso e medidas preventivas no momento do parto e após o nascimento, reduzindo drasticamente o risco de transmissão para o bebê.
Outro ponto destacado pela OMS é a capilaridade do sistema de saúde brasileiro, que permite que essas ações cheguem tanto aos grandes centros urbanos quanto às regiões mais remotas do país. Essa estrutura foi fundamental para que o Brasil alcançasse cobertura superior a 95% no acompanhamento das gestantes, um dos critérios mais rigorosos para a validação internacional.
Especialistas apontam que a conquista vai além dos números. Ela representa uma mudança de paradigma no enfrentamento do HIV, reforçando que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível garantir qualidade de vida às mães e impedir a transmissão para as crianças.
Com esse reconhecimento, o Brasil passa a ser referência global no combate à transmissão vertical do HIV, servindo de exemplo para outras nações de média e grande população. O feito consolida o país como líder em políticas públicas de saúde e reforça a importância do SUS como instrumento essencial para a redução das desigualdades e a proteção da vida.




