Cantora é condenada a 74 chibatadas após desafiar lei do país em apresentação histórica

 

A condenação da cantora iraniana Parastoo Ahmadi a 74 chibatadas provocou forte repercussão internacional e reacendeu o debate sobre os direitos das mulheres no Irã. A artista foi sentenciada por um tribunal da província de Qom após participar do chamado “Concerto do Caravanserai”, uma apresentação transmitida pela internet em dezembro de 2024, na qual apareceu cantando sem o uso do hijab, o véu islâmico obrigatório para mulheres no país.
De acordo com informações divulgadas por veículos internacionais e organizações de direitos humanos, a sentença inclui não apenas os 74 açoites, mas também a proibição de exercer atividades artísticas e de deixar o território iraniano durante dois anos. O caso rapidamente ganhou destaque em diversos países e passou a ser citado como mais um exemplo das restrições impostas pelo governo iraniano à liberdade de expressão e aos direitos das mulheres.
Embora a apresentação sem o hijab tenha sido o principal fator que desencadeou a ação judicial, as acusações formais foram enquadradas pelas autoridades como ofensa à moral pública e divulgação de conteúdo considerado imoral. Críticos do regime argumentam, porém, que a punição está diretamente relacionada ao descumprimento das rígidas normas que regulam a vestimenta feminina e a participação das mulheres em manifestações artísticas.
Parastoo Ahmadi já havia enfrentado problemas com as autoridades após a divulgação do concerto. Na época, ela chegou a ser detida brevemente, juntamente com integrantes de sua equipe. O episódio ocorreu em um contexto de crescente tensão entre o governo iraniano e setores da sociedade que reivindicam maior liberdade individual, especialmente após os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, em 2022.
Entidades de defesa dos direitos humanos condenaram a decisão judicial e classificaram a pena como desproporcional e incompatível com normas internacionais de proteção aos direitos fundamentais. Organizações também questionam a legalidade da aplicação de castigos físicos em casos relacionados à expressão artística e à liberdade de escolha sobre a própria aparência.
O caso de Parastoo Ahmadi tornou-se símbolo da disputa entre tradição, controle estatal e demandas por liberdade em uma sociedade cada vez mais conectada ao mundo exterior. Enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos da decisão, a cantora passa a representar a resistência de artistas que desafiam restrições impostas pelo regime iraniano