O diabetes mal controlado pode lesionar a visão dos pacientes com DM2. Os números são altos: 40% das pessoas doentes, podem desenvolver sequelas nos olhos.
A visão turva é a queixa mais comum de diabéticos pois a hiperglicemia causa inchaço do cristalino (lente natural), muda a sua forma e flexibilidade, e reduz o foco. Isso é reversível!
Que problemas podem ocorrer nos olhos?
– Glaucoma
– Catarata
– Retinopatia
CATARATA
Sabe-se que pessoas com DM2 são 40% mais propensas a sofrer de glaucoma do que pessoas saudáveis. Além disso, quanto maior o tempo sem controle metabólico maior o risco de complicar.
A doença ocorre quando aumenta a pressão do olho que leva à redução do fluxo de sangue para a retina e nervo óptico e ocorre perda gradual da visão. Quando o endocrinologista te indicar um fundo de olho no oftalmologista, vá🙏🏻.
CATARATA
A doença, que deixa o cristalino (lente natural dos olhos) fosco, diminuindo gradativamente a visão, atinge tb pessoas sem diabetes. Porém, quem tem diabetes descontrolado, são 60% mais propensos a desenvolve-la. Além disso, ela pode afetar público mais jovem apenas pela hiperglicemia.
A boa notícia é que não costuma cegar e tem tratamento paliativo e cirúrgico (minha mãe acabou de fazer e está top).
RETINOPATIA DIABÉTICA
A retinopatia diabética pode afetar a visão para sempre. A retina é o local onde os sinais elétricos da luz são traduzidos em imagens no cérebro. Ela precisa de rica oxigenação, recebido através de microvasos. Com o diabetes sem controle adequado e sem as visitas ao oftalmologista, esses vasos podem ser prejudicados. Tipos de lesões:
1 – Retinopatia de fundo: minúsculas alterações nos microvasos que podem sangrar um pouco, mas geralmente não cegam.
2 – Retinopatia pré-proliferativa: alterações mais graves, com sangramento mais significativa para o olho e piora da visão.
3 – Retinopatia proliferativa: novos vasos são desenvolvidos na retina, mais frágeis e sangram facilmente. Isso pode resultar na perda de visão. Aqui ainda há casos de tratamento que salvam seus olhos.
Mas às vezes o paciente demora demais a buscar ajuda e então falta a luz😞. #endocrinologia #oftalmologia #diabetes #drmarcelotinoco
Por Cardoso jesse
O Campo Grande Atlético Clube vai a Nilópolis, no Estádio Joaquim Flores, campo do Nova Cidade, nesse sábado (07), as 15hs, para enfrentar o CAACBrasil FC, na abertura do Campeonato Carioca de Futebol Série C. Os outros componentes do Grupo B são Paduano AC, Ceres Futebol Clube e São Cristóvão FR. Outras 10 equipes disputam os grupos A e C.
Os comandados do técnico Mainho trabalharam duro durante a semana e vão pro jogo confiantes numa boa estreia. Fábio Saci, centro avante experimentado nas principais equipes do nordeste – Bahia, Náutico, Vitória – é o capitão e a esperança de gol da equipe; o prata da casa Jean, eleito o melhor meia atacante da competição do ano passado, é o responsável pela criação; o volante Yuri, ex – Corinthians Paulista, o zagueiro Paulão também prata da casa com passagem pelo Mesquita, e o goleiro Lucão que já disputou a Série B pelo Barra da Tijuca, formam a espinha dorsal da equipe.
Além do técnico Mainho, ha 14 anos no clube, campeão do Carioca Série B pelo Ceres em 1990, a Comissão Técnica conta ainda com o preparador de goleiros Wagner Doug, sobrinho do Waldir Bigode, ex- jogador do clube que se destacou no Vasco da Gama, com o preparador físico Felipe e com o auxiliar técnico Bell – responsável pela introdução de Wagner Love no futebol – que acumula a função de técnico da equipe Sub 20.
O técnico Mainho considera essa equipe a melhor que já dirigiu no clube e aprova a mistura de jogadores experientes com novos. Mainho deverá mandar a campo nesta partida de estreia a seguinte formação: Lucão, Hebert, Filipe, Paulão e Maicon. Vitor, Yuri e Lucas Mateus. Deivison, Fábio Saci e Jean.
Fábio Saci capitão da equipe e esperança de gol
O antigo Campo Grande está na torcida e apoia a diretoria atual, a luta é o amor pelo Campo Grande continuam
o maior bairro do Rio de Janeiro e que chegou a ser reconhecido como cidade, pelo então governador Negrão de Lima. E por isso vamos contar a história desse lugar rico de história e que é praticamente independente no Rio.
Sua ocupação remonta a 17 de novembro de 1603, tendo esse ano completado 415 anos.
Inicialmente, a extensão de terras que vai do Rio da Prata até Cabuçu, que hoje corresponde à Região de Campo Grande, era habitada por índios Picinguaba. Após a fundação da Cidade, em 1565, foi repartida em sesmarias, para que houvesse a colonização do local, um dos sesmeiro era Manoel Barcelos Domingos. Em 1644, pertencia a Freguesia de Irajá, cuja paróquia administradora, era a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação. Desmembrada desta em 1673, foi criada a Freguesia de Campo Grande, tendo a sua matriz, a Paróquia de Nossa Senhora do Desterro, marco histórico da ocupação territorial da Região.
Antes da Freguesia Rural de Campo Grande começar a prosperar, sua ocupação foi influenciada pela antiga fazenda dos jesuítas, em Santa Cruz. Inicialmente desenvolveu-se na região o cultivo da cana-de-açúcar e a criação de gado bovino. O trabalho dos jesuítas foi de extrema importância para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. Além das obras de engenharia que realizaram, como a abertura de canais e a construção de diques e pontes para a regularização do Rio Guandu, o escoamento dos produtos da Fazenda Santa Cruz, oriundos do cultivo da cana-de-açúcar e da produção de carne bovina, era feito através da Estrada da Fazenda dos Jesuítas, posteriormente Estrada Real da Fazenda de Santa Cruz, que ia até São Cristóvão e se interligava com outros caminhos e vias fluviais que chegavam até o centro da cidade.
Do final do século XVI até meados do século XVIII, a ocupação territorial da região foi lenta, apesar do intenso trabalho dos jesuítas, encerrado quando foram expulsos do país pelo Marquês de Pombal, em 1759. Os religiosos foram responsáveis por importantes obras de engenharia como estradas, pontes e inúmeros canais de captação de água para irrigação, drenagem e contenção da planície, sempre sujeita às enchentes dos rios Guandu e Itaguaí.
Entre 1760 e 1770, na antiga Fazenda do Mendanha, o padre Antônio Couto da Fonseca plantou as primeiras mudas de café, que floresceram de forma extraordinária, com mudas originárias das plantadas em 1744 no convento dos padres barbadinhos. Os historiadores apontam a partir daí o desenvolvimento que a cafeicultura teve em todo o estado no século XIX, espalhando-se pelo Vale do Paraíba aos contrafortes da Serra do Mar, atingindo, em sua expansão, a província de Minas Gerais.
Como a região era uma área nitidamente rural, os aglomerados humanos formados durante quase três séculos ficaram restritos às proximidades das fazendas e engenhos e às pequenas vilas de pescadores, ao longo da costa. Já no final do século XVIII, a Freguesia de Campo Grande começou a prosperar.
Seu desenvolvimento urbano ocorreu a partir do núcleo formado no entorno da Igreja de Nossa Senhora do Desterro, cuja atração era a oferta de água do poço que existia perto da igreja. Em Campo Grande, a exemplo do que ocorreu em toda a cidade, o abastecimento público de água foi um fator de atração e desenvolvimento. Foi tão importante para a região que se firmou um acordo garantindo a venda, pelo povoado de Campo Grande para o de Santa Cruz, das cachoeiras dos rios do Prata e Mendanha, com a condição de que as águas continuassem a abastecer o bairro.
Durante todo o século XVIII a ocupação territorial mais efetiva ocorreu em Santa Cruz, por causa do engenho dos jesuítas, e nas proximidades do centro de Campo Grande, cujas terras compreendem hoje as regiões de Bangu e Jacarepaguá. Essas terras eram atravessadas pela Estrada dos Jesuítas, mais tarde Estrada Real de Santa Cruz- que ia até São Cristóvão – e pelas vias hidrográficas da extensa Freguesia de Irajá. Toda a área, na verdade, era uma única região, um imenso sertão pontilhado por alguns núcleos nos pontos de encontro das vias de acesso, em torno dos engenhos e nos pequenos portos fluviais.
A fazenda dos jesuítas era tão importante para o governo colonial que suas terras não foram postas em leilão, após a expropriação, tendo sido incorporadas ao patrimônio oficial e depois transformadas por Dom João VI em Fazenda Real de Santa Cruz, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Com a chegada da comitiva real, a cidade do Rio de Janeiro modificou-se muito e todas as regiões tipicamente rurais sofreram sua influência. As atividades econômicas e culturais aceleraram-se e a zona rural voltou-se para o abastecimento da cidade e para os benefícios trazidos pela corte. Não houve, porém, uma aceleração do desenvolvimento da região, que continuou a manter suas características rurais.
A partir da segunda metade do século XIX, a área começou a se adensar com a implantação, em 1878, de uma estação da Estrada de Ferro D. Pedro II, em Campo Grande. O transporte ferroviário, ao facilitar o acesso e seu povoamento, transformou esta região tipicamente rural em urbana. Em 1894, a empresa particular Companhia de Carris Urbanos ganhou a concessão para explorar a linha de bondes à tração animal, possibilitando que as localidades mais distantes da região fossem alcançadas, o que favoreceu o seu desenvolvimento urbano interno.
A partir de 1915, os bondes à tração animal deram lugar aos bondes elétricos, permitindo maior mobilidade e integração entre os núcleos semi-urbanos já formados. Este evento acentuou o adensamento do bairro central de Campo Grande e estimulou o florescimento de um intenso comércio interno, de certa forma, independente. O bairro que, historicamente, já era o ponto de atração do crescimento da região tornava-se agora sua mola propulsora, adquirindo características tipicamente urbanas.
Techo de Fragmentos do Rio Antigo – André Mansur e Ronaldo Morais
Para quem chega ao bairro de Campo Grande, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, pela Estrada do Monteiro, logo se depara com a imponente construção de 1917 da antiga Oficina de Manutenção dos Bondes, mais conhecida como Usina do Bonde, que dá as boas-vindas aos visitantes, simbolizando o transporte que ainda está na memória de muita gente na região.
O prédio, tombado pelo Município em 1996, hoje é ocupado pela Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) e ainda mantém trilhos da época em que era usado para o reparo do simpático meio de transporte que durante muitas décadas atravessou aquela região. A primeira linha de bondes de Campo Grande foi criada em 16 de outubro de 1894, ligando o bairro à localidade de Santa Clara, no caminho para a Pedra de Guaratiba. Ainda não era uma linha de passageiros, mas principalmente de transporte de capim para animais, ressaltando que este bonde era movido à tração animal. Somente em 1908, os bondes de Campo Grande começaram a transportar passageiros e, em 1917, eles foram eletrificados, no mesmo ano em que os moradores de Campo Grande passaram a ter luz elétrica em casa.
A partir daí, surgiram as linhas Campo Grande – Pedra de Guaratiba, Campo Grande – Ilha de Guaratiba e Campo Grande – Rio da Prata. O transporte, que era particular, foi municipalizado em 1937, passando a fazer parte do Serviço de Transporte Rural (STR). O Guia Rex do Rio de Janeiro trazia os percursos do bonde de Campo Grande em 1949:
– MONTEIRO: Estação de Campo Grande, Rua Ferreira Borges, Rua Coronel Agostinho, Avenida Cesário de Melo, Estrada do Monteiro e Estrada do Magarça.
– SANTA CLARA: Estação de Campo Grande, Rua Ferreira Borges, Rua Coronel Agostinho, Avenida Cesário de Melo, Estrada do Monteiro e Estrada do Magarça.
– RIO DA PRATA: Estação de Campo Grande, Rua Ferreira Borges, Rua Aurélio de Figueiredo, Estrada do Cabuçu e Praça Mário Valadares (atual Praça Elza Pinho Osborne).
– PEDRA DE GUARATIBA: Estação de Campo Grande, Rua Ferreira Borges, Rua Coronel Agostinho, Avenida Cesário de Melo, Estrada da Pedra, Rua Belchior da Fonseca e Praça Raul Barroso .
Em 1964, os bondes passaram a ser geridos pela Companhia de Transportes Coletivos (CTC), que mudou a cor verde-escura dos bondes do STR para azul e prata, além disso, fechou a linha Campo Grande – Ilha de Guaratiba em outubro daquele ano, a da Pedra de Guaratiba no ano seguinte e a do Rio da Prata em 1967. O prédio que hoje simboliza solitariamente o transporte de bondes na região, já que todos os bondes foram destruídos, teve um papel importante na última viagem do bonde em Campo Grande, no dia 30 de outubro de 1967, quando o veículo seguiu pela Estrada do Monteiro até a Usina dos Bondes, num percurso triste e melancólico, dando lugar a tempos bem menos românticos no transporte urbano da cidade do Rio de Janeiro.
História da expressão ‘abalou Bangu’
Por Felipe Lucena
Existem expressões que ficam marcadas e entram para a cultura popular. Uma delas é a “abalou Bangu”, que embora já tenha mais de meio século, ainda é usada nos dias atuais.
A expressão é divertida, usada de forma bastante irreverente, mas o que motivou o nascimento da máxima foi um fato que assustou bastante a população na época.
Em 2 de agosto 1958, houve uma grande explosão no paiol das forças armadas no bairro de Deodoro. Como foi algo de muito impacto, as pessoas diziam que o estrondo foi tão grande que “abalou de Deodoro até Bangu”. Com o tempo o “abalou até Bangu”, virou apenas “abalou Bangu”.
“O Estado ainda vivia o clima de euforia gerado pela conquista da Copa do Mundo disputada pouco antes na Suécia, quando, perto da meia-noite, uma grandiosa explosão na direção da serra do Gericinó fez iluminar todo o céu, tremer chão, rachar paredes, além de quebrar vidros, fazendo com que os moradores de Bangu e bairros adjacentes, muito assustados, abandonassem correndo suas casas, e sem saber ao certo o que estava ocorrendo, caminhassem, desesperados, com seus filhos e os poucos pertences que conseguissem amealhar, na direção oposta àquela espetacular e barulhenta tragédia. Outras explosões logo se fizeram sentir, gerando mais comoção popular e aumentando o desespero de todos. Perguntavam entre si… Seria uma nova guerra? Uma revolução? Um acidente nuclear? Ou mesmo o fim dos tempos? Somente no dia seguinte, quando os jornais do Estado noticiaram, é que todos iriam saber. O paiol ou Depósito Central de Armamento e Munição do Exército, localizado na serra do Gericinó, Bairro de Deodoro, havia explodido”, conta o pesquisador Romario Melo.
O complexo de Deodoro, o maior da América Latina à época, era formado por dez paióis e 60 depósitos de armamento bélico. Relatos dizem que sepulturas foram arrasadas no cemitério de Ricardo de Albuquerque, que ficava ao lado do paiol, e restos mortais dos defuntos apareceram boiando na Praia de Ramos, que fica a alguns quilômetros do local.
Tempos depois, Mauro Rasi escreveu a peça teatral“Abalou Bangu”, que conta a história de moradores de Bangu que se mudam para Copacabana. A obra, que ganhou adaptação mais recente de Flávio Marinho, fez muito sucesso, o que ajudou a popularizar ainda mais a expressão.
A frase “Abalou Bangu” também já esteve na TV. O falecido ator Luiz Carlos de Castro Tourinho usava a frase com o personagem Edilberto, o desastrado assistente de Uálber Cañedo (Diogo Vilela), na novela Suave Veneno, em 1999.
Apesar de vir de uma situação bem tensa, a expressão “abalou Bangu”, segundo pesquisadores e usuários da mesma, quer dizer que alguém fez bonito, arrasou, mandou bem.
Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro
Foto – Jornal de época
Este texto foi publicado originariamente no Diário do Rio.
Pesquisa – Guaraci Rosa
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OS PRIMÓRDIOS DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO – Por André Luis Mansur
A zona oeste do Rio de Janeiro, chamada de “sertão carioca” pelo escritor e pesquisador Magalhães Corrêa no livro de mesmo nome sobre Jacarepaguá, foi desde o início uma terra de latifúndios, de senhores e senhoras de engenhos e fazendas, cujos limites na maioria das vezes imprecisos davam origem a conflitos e processos judiciais que podiam se arrastar por anos. Com o tempo, essas grandes porções de terra trabalhadas por muita mão de obra escrava foram sendo fragmentadas, principalmente devido ao declínio da produção dos engenhos e das lavouras, dando origem a fazendas e propriedades menores e daí a bairros e localidades que muitas vezes mantiveram os nomes dos engenhos e fazendas que lhes deram origem. Para Adolfo Morales de los Rios Filho, sertão era “a terra que ficava ao longe”. E esclarece mais: “O sertão começava no limite suburbano das cidades e vilas, nos lugares por onde passavam afastados rios, nas florestas espessas, nos vales cercados por altaneiras montanhas; principiava no desconhecido que tanto se desejava conhecer”. (O Rio de Janeiro Imperial, de Adolfo Morales de los Rios Filho)
A região, na verdade, só passou a se integrar de fato à cidade do Rio de Janeiro com os limites de hoje a partir do Ato Adicional de 1834, que criava o Município Neutro ou da Corte, e que na prática separava a capital da província do Rio de Janeiro (antes, as freguesias mais distantes eram chamadas de freguesias “de fora”). Santa Cruz, por exemplo, freguesia desde o ano anterior, se desligava do Termo (correspondente aos limites do atuais municípios) de Itaguaí para receber o batismo de “terra carioca”. Com a proclamação da República, a região se tornou a zona rural do Distrito Federal, até que, em 1960, com a transferência da capital para Brasília, ela passou a ser a zona oeste do Estado da Guanabara e em 1975, com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, passou a ser a zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. As freguesias e paróquias tinham os mesmos limites e abrangiam respectivamente as jurisdições administrativas e religiosas das regiões (lembrando que até a chegada da República a Igreja Católica era ligada oficialmente ao Estado).
O surgimento da estrada de ferro, no final do século 19, fez com que a concentração populacional e comercial se verificasse próximo às estações de trem. Além disso, a construção de novas estradas, muitas delas atravessando montanhas que só eram percorridas por trilhas e caminhos complicados, integrou mais ainda a região ao restante da cidade. A história da zona oeste começa, assim, por Guaratiba, onde, em 1567, dois anos após a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o capitão-mor Cristóvão Monteiro recebia suas primeiras sesmarias devido aos serviços prestados na luta contra tamoios e franceses pela conquista da cidade. Como se irá perceber, esta é uma história de poucas famílias, quase sempre com algum tipo de relacionamento entre si. Não poderia ser diferente. Naquela época, em que o próprio Brasil ainda era uma terra desconhecida na sua maior parte e ainda se lutava contra os índios e os mistérios da mata, não eram muitos os que se dispunham a vir da Europa para se aventurar pelos sertões.
Pesquisa de imagens- Guaraci Rosa, que dirige a página Santa Paciência.
SILBENE, SÍMBOLO DE UMA ÉPOCA
Por André Luis Mansur
Fechada em março de 2012, a loja Silbene marcou época no bairro de Campo Grande. Situada entre as ruas Coronel Agostinho (o atual calçadão do bairro) e Augusto Vasconcelos, ela se destacou pela qualidade e variedade de seus produtos, desde a papelaria-livraria até a lanchonete, artigos de festas, quadros, produtos de informática etc. Frequentei muito. Lembro que sua banca de jornais trazia periódicos de outros países, os alimentos da lanchonete eram sempre muito bem preparados e, se não me engano, foi a primeira loja a oferecer uso da internet no bairro, o que hoje chamamos de lan house, sem contar a limpeza de toda a loja, que era impecável. Na época de compra de material escolar então, era uma movimentação que jamais se viu em alguma outra loja do ramo em Campo Grande.
A loja foi fundada em 1960 por Jorge Elias, que sempre esteve à sua frente da loja, provocou depoimentos emocionantes quando encerrou suas atividades, como este, da fotógrafa Malu Ravagnani, publicada no Portal Guaratiba em agosto de 2012: “Não queremos saber o porquê, Sr. Jorge. Queremos que o senhor saiba que muito contribuiu para o desenvolvimento do bairro e pelas vidas das pessoas trazendo para o lado delas o que tinha de mais necessário, o senhor trouxe a modernidade da área de informática e um local onde compramos as tortas dos nossos aniversários. Sua SILBENE hoje é história e acredito que brevemente perderemos também a parte de alimentação. Queremos que o senhor descanse um pouco, que o senhor tenha tempo de admirar uma flor, o canto do pássaro, a dança das nuvens, o brilho das estrelas, que o senhor tenha tempo para si.”
A Silbene tinha cerca de 200 funcionários quando fechou, na grande maioria mulheres, e não tinha filiais. Também Bruno Guedes fez um desabafo no blog Bacharel Carioca quando a Silbene fechou, ao ressatar a importância da loja como um símbolo do bairro: “Ela está para o local como o Cristo Redentor para o Rio de Janeiro, a Catedral para Brasília, os pulmões para o corpo humano. E justamente por ali corria o ar que fazia respirar o charme do maior calçadão da cidade”.
Parte da loja da Silbene abriga hoje a loja Requinte Magazine e na outra parte está instalada a universidade Unisuam.
André Luis Mansur é jornalista e escritor- Escreve na Santa Paciência toda segunda-feira.
A ORIGEM DO NOME DA RUA VICTOR ALVES, EM CAMPO GRANDE
Por André Luís Mansur
Sempre temos curiosidade pela origem dos nomes nos bairros em que moramos. Aqui no meu bairro, Campo Grande, não é diferente, e nesta semana conheci Stela Barthel, neta de Victor Alves, nome de uma importante rua no centro do bairro. Ela me contou um pouco da história de seu avô paterno.
Victor Alves era advogado, escritor e jornalista, membro da Academia Carioca de Letras. Nasceu em Guaratiba, no dia 12 de abril de 1894, o mesmo ano em que os bondes, ainda a tração animal, começaram a circular na região em que nasceu, vindos de Campo Grande. Seus pais eram lavradores, a principal profissão da época na região, conhecida então como Zona Rural do Rio de Janeiro. Victor Alves formou-se em Direito e, em 2 de julho de 1929, assumiu a cadeira na Academia Carioca de Letras que pertenceu a Euclides da Cunha, mas depois seria transferido para a cadeira que havia pertencido a José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.
Victor Alves, que fundou com o escritor Othon Costa o Instituto de Artes e Letras. era maçom e seguia a doutrina positivista, muito em voga no Brasil desde o final do século XIX e que inspirou inclusive o lema da Bandeira do Brasil: Ordem e Progresso (O amor como princípio, a ordem como base e o progresso por fim). Escreveu em vários jornais e revistas com o pseudônimo de Heloisa de Borgonha, entre eles O Triângulo, jornal muito conhecido na Zona Rural de então e que fazia referência à região política conhecida como Triângulo Carioca e que abrangia os bairros de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba.
Autor do livro “Oswaldo Aranha e Juarez Távora – os generais da revolução”, Victor Alves foi professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Livre do Rio de Janeiro, que ficava na rua Teixeira de Freitas, 27, centro da cidade. Seu escritório de advocacia também ficava no centro da cidade, na rua da Carioca. Victor Alves estudava Medicina quando morreu, com apenas 39 anos, de tifo, em 8 de fevereiro de 1934, em Jacarepaguá, doença contraída quando trabalhava numa campanha contra o tifo, em São Paulo. Deixou a esposa, Ernestina Salles Ferreira e três filhos: Eneida Victor Alves, Enéas Victor Alves e Virgílio Victor Alves. Foi enterrado no Cemitério de Jacarepaguá. Era filho de Joaquim de Farias Pinto e Antônia Ferreira Pinto. A rua que leva o seu nome, no bairro de Campo Grande, abriga o importante Teatro Arthur Azevedo.
André Luís Mansur é jornalista e escritor- Colabora semanalmente com a página
O gigante da zona oeste está acordando e voltando ao cenário do futebol
O sonho do Campusca de voltar às suas raízes está mais perto de acontecer do que muitos imaginam. Apoiado por Zico, um grupo vem se empenhando para reformar e modernizar o Estádio Ítalo Del Cima e suas dependências, presente que o clube ganhará em seu aniversário de 78 Anos.
O plano tem a reforma da quadra de eventos, a volta do bar, reforma da piscina, da fachada do clube, criar uma secretaria, loja oficial no clube, e liberar o estádio (arquibancada raiz) com capacidade total de 18 mil pessoas.
A ideia, em caso de liberação da quadra de eventos, é fazer uma revitalização para comemorar os 78 anos de fundação do clube, fundado em 16 de maio de 1940.
Com uma capacidade de 18 mil pessoas, Ítalo Del Cima é o quarto maior estádio do município do Rio de Janeiro.
Mais novidades devem chegar ao decorrer do tempo, quando o clube ao certo saberá sé de fato a liberação do estádio será aprovada pelos órgãos públicos.
O grupo responsável pelo projeto de revitalização está empenhado em ajudar na reforma do estádio e suas dependências. Uma delas seria do ramo de eventos que trará de volta os grandes bailes no clube.
O Campeonato Carioca da Série C começa em julho e o Campo Grande enfrenta na estreia o também tradicional Canto do Rio fora de casa. A diretoria do Campusca está empenhada em trazer o maior patrimônio do clube de volta aos torcedores.
O futebol na região se inicia no começo do século XX. Segundo o jornal O Imparcial de 18 de maio de 1924, o antigo Campo Grande Athletic Club foi fundado em 16 de maio de 1908. Em 1920, antes de começar o certame, quando ainda era denominado de Campo Grande Football Club, fez fusão com o Paladino Football Club, surgindo o Campo Grande Athletico Club.
O atual Campo Grande foi fundado com o nome de Club Sportivo Campo Grande por remanescentes do antigo clube da região, o Campo Grande Athletic Club, fundado em 1908, que disputava os antigos campeonatos da Liga Metropolitana. Em meados dos anos 30, o clube foi extinto, permanecendo entre alguns o ideal do futebol. O Sportivo logo deu lugar ao atual time, o único participante do antigo Departamento Autônomo.
Coube ao senhor João Ellis Filho a entrega do pedido de inscrição na Federação Estadual de Futebol do Rio de Janeiro, a 10 de abril de 1961. Já em 1962 o clube estava entre os grandes do futebol. No seu primeiro jogo pelo campeonato estadual, a 1 de julho, no Maracanã, venceu o Botafogo de Futebol e Regatas por 1 a 0, gol de Nelsinho.
O Campo Grande já disputou 580 jogos pela primeira divisão, obtendo 124 vitórias, 173 empates e 283 derrotas. Participou do Campeonato Brasileiro da Série A em 1979 e 1983. No cartel de jogos internacionais, apresenta mais de 20 jogos e duas excursões. Em 1972aos Estados Unidos e 1996 à Suiça.
Fundado em 1940, cresceu assustadoramente no chamado sertão carioca, a zona rural. No Departamento Autônomo participou desde seu primeiro certame, em 1949, até ser incluído para disputar o certame estadual, em 1962. Era o mais estruturado participante do D.A. Foi admitido na Federação, a 6 de julho de 1961 e, na mensagem de seu presidente, João Ellis Filho, um trecho dizia “… desejo reafirmar a todos que acreditam no nosso êxito que faremos o possível e o impossível para nos tornarmos um dos grandes do futebol brasileiro…”
O primeiro título viria no Troféu José Trócoli, disputado entre julho e agosto de 1967, por times que não haviam se classificado para o segundo turno do campeonato estadual. No elenco figurava Dário Maravilha que logo no ano seguinte seria vendido para o Clube Atlético Mineiro. No Campo Grande, ele assinalou 26 gols, de 1966 a 1968, incluindo gols nos juvenis e aspirantes.
O Campusca se orgulha da alcunha de celeiro de novos talentos e o principal ícone desta história é Vanderlei Luxemburgo. Hoje um dos principais técnicos do futebol brasileiro, com 31 anos, ele assumiu o time alvinegro para a disputa da Taça de Ouro (Série A do Brasileirão) de 1983. Entre 44 equipes, o Campo Grande, que já tinha feito parte da elite nacional em 1979, ficou em 24º lugar na classificação final.
O Campo Grande era um clube que tinha, para aquela época, uma estrutura fantástica e um time formado por Zé Carlos, Orlando Lelé, Neném, Pirulito e Jacenir; Israel, Lulinha e Pingo; Tuchê, Luizinho das Arábias e Luiz Paulo. Sob o comando de Décio Esteves, foi campeão da Taça de Prata e fez uma campanha muito boa na Primeira Divisão do Brasileiro.
Além de Luxa, Edu Coimbra, irmão de Zico, encerrou a carreira de jogador e começou a de treinador no Campo Grande, em 1981. Depois, treinou o Vasco e até a Seleção Brasileira. Jair Pereira é outro bom exemplo. Já dentro das quatro linhas, Dadá Maravilha surgiu para o futebol na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em 1967, assim como Vagner Love. Também estiveram no clube, em fim de carreira, em 1991, Cláudio Adão, Elói e Roberto Dinamite. O treinador Paulo César Gusmão, que já dirigiu os 4 grandes no Rio de Janeiro, começou a carreira de goleiro no Campusca.
O estádio Ítalo del Cima foi construído pelo presidente Ilídio Rodrigues da Silveira, empresário do ramo de automóveis e grande empreendedor. Ele conseguiu mobilizar o comércio, as indústrias e a população em torno da ideia de construir uma nova praça esportiva para o clube. As instalações foram ampliadas e surgiu um moderno estádio que seria inaugurado a 29 de outubro de 1978 perante um público de 15.311 pagantes que viram o Flamengo vencer por 5 a 2. O primeiro gol das novas instalações foi de Zico.
Afora o fato de revelar talentos e o título de primeiro carioca a vencer a Série B do Brasileiro, o Campo Grande também se orgulha de possuir um estádio próprio. Situado na Rua Artur Rios, o Ítalo del Cima já teve capacidade para 25 mil torcedores, e hoje comporta cerca de 18 mil. Inaugurado em abril de 1960, o maior patrimônio do clube foi construído em um terreno doado pela família Del Cima. A decisão da Taça de Prata, em abril de 1982, contra o CSA de Alagoas, marcou a história do estádio. O time havia perdido o primeiro jogo, em Maceió, por 4 a 3, e vencido o segundo, em casa, por 2 a 1. Assim, houve a necessidade de uma terceira partida, e, por ter a melhor campanha, o alvinegro voltou a jogar em seus domínios. E desta vez, diante de 16.842 torcedores presentes,[1] não deixou dúvidas de que merecia a faixa de campeão ao golear o rival por 3 a 0 e encerrar a competição com 78% de aproveitamento, obtidos com 11 vitórias, três empates e apenas duas derrotas em 16 jogos. Décio Esteves, herói do Bangu AC na década de 1950 e jogador do Campo Grande 1962-1964, comandou o time na conquista.
Curiosamente, outra partida memorável disputada no Ítalo del Cima não teve a participação do Campo Grande, e sim a da dupla Fla-Flu. O Maracanã estava fechado devido à queda de parte da grade da arquibancada na final do Campeonato Brasileiro de 1992, entre Flamengo e Botafogo. Assim, no dia 2 de novembro do mesmo ano, o clássico pelo Campeonato Carioca foi realizado na Zona Oeste. O Tricolor levou a melhor e venceu o Rubro-Negro por 1 a 0, gol de Ézio.
E por falar em estadual, o Campo Grande tem história na competição. A estreia na Primeira Divisão foi em 1962. Desde então, o clube esteve presente em 29 edições, tendo obtido como melhor colocação o quinto lugar, em 1991, o Flamengo foi o campeão. Em 1980, o time alvinegro aplicou sua maior goleada pelo Carioca: 6 a 0 sobre a extinta Associação Desportiva Niterói, no Ítalo del Cima. A última aparição na elite ocorreu em 1995. De lá para cá, o time vem oscilando entre as séries B e C do Rio de Janeiro.
Resumo das Campanhas após a Reinauguração do Estadio Italo Del Cima.
Em 1978, o Estadio Italo Del Cima é ampliado de 10 000 para 22 500 lugares – o Primeiro gol do novo Estádio foi de Zico que estava numa tarde muito feliz e ainda faria mais dois gols na vitória de 5×2 do Flamengo sobre o Campusca que naquele ano fez uma campanha somente regular no campeonato Carioca.
Em 1979, Disputa pela primeira vez a Serie A do Brasileiro com uma campanha regular e disputou o estadual com campanha regular e venceu o Torneio Oduvaldo cozzi – torneio disputado pelas equipes que não jogaram o Estadual Especial.
Em 1980, disputou de forma regular o Estadual da primeira divisão e a Série B do Brasileiro
Em 1981, disputou o Estadual da primeira divisão com uma campanha regular e a Serie B do Brasileiro também de forma regular, esse ano também marcou a despedida de Edu Coimbra (irmão de Zico) do futebol vestindo a camisa do Campusca e começando a carreira de treinador onde chegou até a seleção Brasileira.
Em 1982, disputou o Estadual da primeira divisão fazendo uma boa campanha ficando em sexto lugar e foi o grande Campeão da Serie B do Brasileiro (taça de prata ) onde fez uma campanha brilhante eliminando equipes tradicionais do futebol Brasileiro e chegando a grande final contra o CSA-AL – o primeira partida no Rei Pele perdeu por 4×3 (depois de estar vencendo por 3×1) com mais de 12 mil presentes, na segunda partida no Italo del Cima para um público presente de mais de 10 mil espectadores venceu por 2×1 forçando a terceira partida numa noite de gala o Grande Campusca mostrou a sua força e diante de mais de 18.000 torcedores que lotaram o Italo Del Cima venceu o CSA-AL por 3×0 conquistando assim a Taça de prata 1982 (hoje a Série B do Brasileiro) na verdade na época a Taça de Prata era parte do Brasileirão também sendo uma parte da Taça de Ouro (Série A da época).
Em 1983, fez campanha regular no Estadual e Disputou a Serie A do Brasileiro fazendo boa campanha saindo na segunda fase. terminando em 24 lugar num total de 48 clubes(curiosamente o Campusca não foi rebaixado, porém escolheu jogar a Taça de prata 1984 por questões financeiras).
Em 1984, venceu o Torneio Seletivo Carioca disputado por Americano, Goytacaz, Olaria e Volta Redonda – porem acabou rebaixado para a segunda divisão depois de ficar em penúltimo lugar, disputou tambem a Serie B do Brasileiro saindo na fase de grupos.
Em 1985, foi campeão invicto da segunda divisão com uma campanha brilhante.
Em 1986, terminou o Estadual em sexto lugar depois de um começo muito bom onde derrotou America e Botafogo e tendo conseguido no campo classificação para o Brasileiro(torneio seletivo) cedendo a vaga para o Americano F.C a pedido da FFERJ
Em 1987, começou bem a competição e fez um bom primeiro turno porém foi rebaixado para a segunda divisão depois de fazer um péssimo segundo turno.
Em 1988, Disputou a segunda divisão ficando em terceiro lugar e não conseguindo o acesso.
Em 1989, foi vice campeão da segunda divisão conseguindo finalmente o acesso juntamente com o America T.R.
Em 1990, fez uma campanha regular permanecendo na primeira divisão , disputou também o Brasileiro Serie C obtendo o acesso a Serie B.
Em 1991, fez boa campanha no Estadual com um time que contava com Roberto Dinamite, Claudio Adão e Eloi chegando a liderar boa parte do segundo turno e terminou em quinto lugar no geral, disputou também a Serie B do Brasileiro e lutou pela classificação até as ultimas rodadas.
Em 1992, começou bem o Estadual e teve problemas no segundo turno e acabou rebaixado
Em 1993, Disputou o Grupo B da primeira divisão fazendo uma campanha muito ruim no primeiro turno e depois se recuperou e foi campeão do segundo turno conseguindo o acesso.
Em 1994, Fez uma campanha fraca porem o suficiente para se manter na primeira divisão , disputou também a Serie C do brasileiro sendo eliminado na fase de mata mata pelo Esportivo-MG ( 1×1 0x2 ).
Em 1995, fez uma campanha fraca e disputou o torneio da Morte e acabou rebaixado novamente disputou a Serie C do Brasileiro sendo eliminado na primeira fase.
Em 1996, ficou em sexto lugar na Segunda divisão e terceiro colocado no torneio Internacional de Basel na Suiça.
Em 1997, fez campanha Fraca ficando longe do acesso, Disputou a Serie C do Brasileiro e também fez campanha fraca saindo na primeira fase.
Em 1998, Fez ótima campanha ficando em segundo lugar, porem naquele ano somente uma equipe conseguiria o acesso e acabou perdendo a Final para a Cabofriense , disputou a Serie C do Brasileiro e lutou até o fim pela classificação saindo na fase de grupos.
Em 1999,2000 e 2001, disputou a segunda divisão fazendo campanhas fracas ficando longe o Acesso.
Em 2002, Por discordar do regulamento decide não disputar a Segunda divisão juntamente com mais quatro clubes e acaba rebaixado.
Em 2003, disputa a terceira divisão e termina em terceiro lugar deixando escapar o acesso.
Em 2004,2005,2006 e 2007, disputa a terceira divisão sem conseguir o acesso, o Futebol Feminino conquistou o título Estadual de 2004 no Caio Martins com uma Vitória sobre o Trindade por 3×2.
Em 2008 foi vice campeão da terceira Divisão : venceu o primeiro jogo 1 a 0 sobre o Quissamã Futebol Clube, dia 29 de novembro. e foi derrotado por 3 a 1 no jogo da volta, que custou-lhe o título, mas não o acesso de volta à Segunda Divisão Carioca, conquistou também o Estadual Feminino depois de de dois jogos disputados contra o volta Redonda (1×1 no Italo Del cima e vitória de 3×1 no Raulino de Oliveira)
Em 2009 A agremiação disputou o campeonato estadual da segunda divisão, em 2009, após ser vice-campeã da terceira de 2008, e novamente foi rebaixada, terminando o Campeonato na penúltima posição.
Em 2010, A grande atração foi Valdir Bigode grande artilheiro do Brasil, inicia a carreira de Técnico de futebol na mesma equipe que inicio a carreira de sucesso como jogador de futebol de onde saiu para o Vasco da Gama, fez uma boa campanha e foi eliminado nas quartas de final, ficando em quinto lugar e não alcançando o acesso.
Em 2011, repete a campanha pífia de anos anteoriores e é eliminado na 2ª Fase do Campeonato Carioca da Terceira Divisão, como último colocado de seu grupo. Foram 14 jogos: 3 vitórias, 1 empate e 10 derrotas, sendo que 2 das 3 vitórias foram por WO contra o Canto do Rio que desistiu da competição após o prazo estipulado pela Federação.
Em 2013, disputou o Campeonato Carioca da Terceira Divisão com um time formado nas divisões de base e chegou a brigar pela classificação, porém ficou fora da fase final.
Em 2014, o ano começou com mudança na diretoria, chegada de investidores no futebol, promessa de melhorias no Italo del Cima e confirmação de disputa da Série C do estadual. Contudo, por conta de problemas na inscrição de atletas, o time que vinha na liderança de sua chave, acabou eliminado na primeira fase da competição.
Em 2015, o time pede licença durante o primeiro semestre e retornou no segundo semestre para a disputa da OPG sub23.
Em 2016, o ano começou com a expectativa de reforma do estádio Italo Del Cima para ser utilizado pelos times cariocas da Seria A no Brasileiro que acabou não acontecendo depois disso a equipe ficou impedida pela FFERJ de disputar o Campeonato Carioca da Terceira Divisão juntamente com outros clubes tradicionais e teve que jogar o Torneio Amistoso também conhecido como C2 onde se sagrou vice-campeão da competição perdendo a final para o Itaboraí Profute Futebol Clube
Em 2017, o time retornou as competições oficiais disputando a série C do campeonato carioca, terminando excluído da competição devido a excessivos WO’s.[3]
Apesar de muitos acharem o contrário, Sepetiba não é um Município do Estado do Rio de Janeiro, e, sim um bairro do Município do Rio de Janeiro. Sepetiba não é O Último bairro do Rio de Janeiro, mas sim o primeiro! Com essa afirmação começamos a mostrar um pouco sobre sua história e importância no contexto histórico e arqueológico.
Sepetiba é um bairro localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, banhado pelas águas da comprometida Baía de Guanabara. Faz limite com Santa Cruz, Barra de Guaratiba e Guaratiba, que apesar de serem tão longes e tão afastado do Rio, também são bairros da Urbe Carioca.
Etimologicamente falando, o nome “Sepetiba” tem origem na língua tupi, significando “muito sapê” e tal nome se referia as áreas baixas e planas aonde o sapê crescia em abundância. SIPITIBA, ou “ÇAPE-TYBA”, ou “ÇAPE-TYUA”, significa “sítio dos sapês” ou “sapezal”.
Coreto da Praça de Sepetiba, filmado inúmeras vezes na novela O Bem Amado e que pertencia a Praça XV, em frente ao Paço Imperial (Fotos: Acervo IPHARJ)
As praias de Sepetiba serviam como porto do Rio Colonial para exportação de pau-brasil à Europa. Seus principais acessos eram o caminho de Sepetiba (atual Estrada de Sepetiba), que levava à Santa Cruz, e o caminho de Piahy (atual Estrada do Piaí), que ligava o bairro à Pedra de Guaratiba.
Na região existem três praias principais: a de Sepetiba, a do Recôncavo (antiga Dona Luíza) e a do Cardo. Em 1818, havia três fortes equipados com baterias de canhões: 1) o de São Pedro (que defendia a praia de Sepetiba e as ilhas do Tatu e a Ilha da Pescaria); 2) o de São Paulo (abrangia as praias de Sepetiba e Piahy); e 3) o de São Leopoldo (no morro de Sepetiba).
A antiga povoação foi elevada à segunda província por Dom João VI. De acordo com fontes históricas, Dom João VI foi estimulado pelos padres jesuítas a visitar o litoral de Sepetiba, onde vislumbrou um ponto adequado para a navegação e escoamento de produtos. Nele construiu duas pontes e um molhe na região da lha da Pescaria, utilizando mão-de-obra escrava e seguindo as coordenadas dos portugueses.
Já no início do século XIX, Sepetiba passou a ser frequentada no verão pela Família Real, que utilizava a propriedade para o lazer da elite, como touradas, saraus e danças portuguesas. Com a implantação da “Companhia Ferro Carril”, em 1884, o bonde de tração animal passou a transportar a “mala real” até o cais de Sepetiba, além de cargas e passageiros.
É de amplo conhecimento de que boa parte do litoral fluminense foi ocupado por alguns dos mais antigos grupos humanos que chegaram à faixa litorânea do Estado, na época em que o homem no Rio de Janeiro ainda era nômade e vivia basicamente da coleta de víveres como moluscos, crustáceos e frutas silvestres. Os locais escolhidos eram os que ofereciam condições de estabelecimento temporário e tão logo o ambiente natural se mostrava enfraquecido ou exaurido de recursos alimentares, esses grupos se mudavam para outras áreas. Esses grupos de Paleo-Indios são chamados na Arqueologia Brasileira de Grupos Sambaquieiros. Em determinadas regiões e em áreas próximas ao mar, os chamados Sambaquis mostram em detalhes aspectos da vida e das práticas funerárias de algumas dos mais antigas ocupações no estado.
Mais tarde, a região litorânea foi ocupada por grupos ceramistas agricultores que terminaram por dominar esses grupos mais primitivos. Os indígenas Tupi que transitavam por toda a região, aqui e ali deixando seus vestígios uma vez que existia um fluxo constante de tribos transeuntes de norte a sul (e vice-versa) rumo a locais novos para assentamentos. Guaratiba e Campo Grande se destacaram nas descobertas, apesar de especularmos que a maior parte foram destruídos no processo de ocupação recente.
A Reserva de Guaratiba é composta por ecossistema de mangue, é o filtro da baía de Sepetiba, e considerado o manguezal mais bem preservado do Estado. Existem (ou existiam antes da construção do BRT?) 34 sítios arqueológicos situados em seus limites. Em termos numéricos temos uma estatística cedida pelo Cadastro de Sítios Arqueológicos para a região, como segue: Guaratiba: 34 sítios, Sepetiba: 2, Campo Grande: 3, Senador Camará: 1, Santa Cruz: 3, Bangu 4.
A baía de Sepetiba foi palco de inúmeros acontecimentos da história do Brasil e, até hoje, mantém sua importância como posto de vigília em frente à Base Aérea de Santa Cruz para garantir a soberania nacional. Ligada à pré-história indígena, como atesta a presença de sambaquis na região, Sepetiba foi considerada o “Porto do Ouro” por receber todo o ouro que vinha de Paraty com destino a Lisboa.
No século dezoito, a baía de Sepetiba foi cenário de muitas batalhas entre corsários atraídos pelo ouro e soldados do rei Dom João IV. Além do ouro, os piratas usurpavam o pau-brasil abundante nas matas da região.
Em 23 de Agosto de 2015, a convite da equipe técnica do Ecomuseu de Sepetiba (reunindo Bianca Wild, Silvan Guedes, Telma Lopes, Bruno Cruz, Maria Do Carmo Matos, e Gutemberg Castro) e o arqueólogo do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro estiveram na região de Sepetiba aonde existem locais de interesse histórico e arqueológico ate então não identificados.
A primeira investigação deu-se em uma casa em processo de reforma/ demolição situada na praça principal e verificamos no seu processo de construção a existência de um tipo de argamassa das paredes de pedra aonde são visíveis restos de conchas de sambaquis e ate um possível fragmento de osso humano. Esta descoberta constitui um indicador da existência de sambaquis na região e de seu emprego como material consolidador de um tipo de massa composto de cal, areia e muitas vezes óleo de baleia, em uso no Período Colonial, data em que se especula tenha ocorrido a construção da casa.
Ao longo da extensa caminhada pela faixa litorânea, a equipe se deparou com vários pontos de interesse arqueológico e com artefatos aflorados na superfície. A julgar pelas categorias de artefatos e padrões de sítios, podemos atestar se tratar das seguintes categorias de sítios:
1) Remanescentes de ocupações sambaquieiras com presença de artefatos líticos típicos como batedores e conchas com marcas características;
2) Em outra área verificou-se a existência de sítio contendo material cerâmico pré-histórico, possivelmente remanescente de uma ocupação ou acampamento Tupi-Guarani, com decoração na cerâmica;
3) Em uma outra parte do terreno localizamos material que desceu da parte superior da elevação e continha material histórico como louças e metais, chamando atenção os fragmentos de faiança portuguesa decorada de azul sobre branco, típica do século XVII .
4) Encontramos também um capacete de paraquedista (modelo m1,americano, de 1942). Nesse sentido cabe lembrar o relato de que refugiados da Revolta Armada de Santa Catarina atracaram acidentalmente na praia de Sepetiba, sendo presos e fuzilados na “Ilha da Pescaria” e ali mesmo sepultados. O local passaria a ser chamado de “Ilha dos Marinheiros” pelos moradores mais antigos.
Já realizamos várias ações de importância, como segue:
1) Relatório de apoio (Laudo Arqueológico) à solicitação do ECOMUSEU DE SEPETIBA que pedia o tombamento da area arqueológica. Tal Relatório foi encaminhado ao competentíssimo Vereador William Coelho que encaminhou o PL a Camará Municipal do Rio de Janeiro,
2) Assessoria em Arqueologia a equipe de tecnicos do IRPH nas Vistorias técnicas a região de Sepetiba,
3) Vistorias técnicas e pesquisas de Diagnóstico da Região por toda as regioes de Sepetiba;
4) Participação no Seminário organizado pela BASC com Conferência que teve como tema os aspectos Arqueológicos e Históricos da região;
5) Registro dos sítios arqueológicos no Órgão Federal em 2015;
6) Levantamento detalhado do assunto em forma de um artigo; nos primeiros meses será lançado um Livro com o resultados das pesquisas arqueológicas não interventivas que estão sendo realizadas pela equipe do IPHARJ desde Agosto de 2015;
7) Encaminhamento das pesquisas para o IRPH que também esta envolvido em parte desse projeto e um segmento dele já foi Tombado a Nível Municipal .
No último dia 06, fomos conduzidos pela turismóloga Telma Lopes em visita a uma nova região que ela suspeitava ser de algum interesse arqueológico. Lá encontramos o sítio em processo de destruição, e farto material arqueológico nas proximidades, já impactado e constando da mesma categoria de artefatos como na outra oportunidade, confirmando-se, então, a existência das várias fases de ocupação do território de Sepetiba. Amanhã, dia 08/01/2018, protocolaremos um novo relatório sobre o assunto nos órgãos municipais e federais de interesse, pois o novo sítio detectado no dia 06 está em fase de destruição e carece de cuidados mais do que urgentes!
Após à conclusão esse estudo arqueológico será de fundamental importância para se entender o processo de ocupação do litoral do estado do Rio de Janeiro. Consideramos que a área em avaliação merece todo cuidado e atenção por parte dos Preservacionistas da região.
Claudio Prado de Mello ( Prof.Ms)
Arqueólogo e Historiador
Conselheiro do Conselho Estadual de Tombamento SEC RJ
Conselheiro Municipal de Cultura do Rio de Janeiro
Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do RJ
Museu da Humanidade – IPHARJ
email pradodemello@hotmail.com