Márcia desapareceu no dia 2 de outubro (foto: Reproduçăo/Facebook)
A Polícia Civil prendeu, na segunda-feira (5/11), um casal suspeito de envolvimento na morte de Márcia Martins Miranda, de 41 anos, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do Butantă, bairro da zona oeste de Săo Paulo.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a principal suspeita é que o casal, sogros da assistente social, teria cometido o crime porque queria a guarda dos dois netos, um menino de 4 anos e uma menina de 9 meses.
Márcia desapareceu no dia 2 de outubro perto da Avenida Corifeu de Azevedo Marques, após sair de casa para ir ao trabalho. Durante a investigaçăo, o corpo de uma mulher foi localizado enterrado em uma cova, no interior de um imóvel no bairro do Rio Pequeno, também na zona oeste paulistana.
Segundo a polícia, o imóvel teria sido alugado por 30 meses pelos sogros, que săo investigados pelo desaparecimento da assistente social. Foram solicitados exames periciais para identificaçăo do corpo e o caso foi registrado como morte suspeita pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteçăo à Pessoa (DHPP).
O distrito de Bento Rodrigues, devastado pela lama de rejeitos da barragem de Fundăo, da mineradora Samarco (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Três anos após o rompimento da barragem de Mariana (MG), os danos causados pela tragédia ainda podem ser vistos e sentidos. O maior desastre ambiental da história do país continua mostrando seus impactos no Rio Doce e nas cidades mais afetadas dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Além disso, várias famílias atingidas pelo desastre continuam sem receber indenizaçăo ou auxílio.
Segundo perícia da Polícia Civil, em novembro de 2015, havia uma grande quantidade de água na barragem em vez de lama, o que tornou a drenagem do sistema insuficiente e gerou o rompimento. A barragem de Fundăo, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, pertence à mineradora Samarco, propriedade da Vale e da empresa australiana BHP Billiton. Com a destruiçăo, um mar de lama de rejeitos de minérios vazou e atingiu mais de 40 cidades, matando 19 pessoas.
Os pescadores formam um dos grupos mais prejudicados pelo rompimento da barragem. Porém, segundo o advogado Leonardo Amarante, representante da Federaçăo das Colônias e Associaçőes dos Pescadores e Aquicultores do Espírito Santo (Fecopes), há muita demora nas concessőes do auxílio e da indenizaçőes. “É pequeno (o número de pescadores que já recebeu o auxílio) em relaçăo à quantidade de pessoas impactadas. Os acordos năo chegam a 20% dos pescadores que pediram a indenizaçăo. Há dois meses, quase năo se fecham novos acordos. Năo pode deixar a coisa parada, é preciso melhorar a estrutura para o serviço. Nesse ritmo, vai demorar 10 anos para chegar a todos”, comentou.
A Fundaçăo Renova, criada a partir de um acordo entre a Samarco, a Uniăo e os estados prejudicados, afirma que foram pagos cerca de R$ 1,1 bilhăo em indenizaçőes e auxílios financeiros. Segundo William Sarayeddin, gerente de Relaçőes Institucionais da fundaçăo, a criaçăo da instituiçăo é uma tentativa de dar mais celeridade aos processos, mas explica que a falta de documentaçăo prejudica o andamento dos requerimentos. “A nossa dificuldade é na pesca informal, ou seja, pessoas que năo têm documentaçăo para provar que exerciam a atividade naquela localidade. Quando você começa a identificar os grupos ligados ao rio, mas năo reconhecidos por documento, existe uma oscilaçăo na concessăo do auxílio. Mas vamos estabelecer uma forma justa para indenizar as pessoas. Năo temos prazo específico para indenizar a todos, mas a estimativa é de que, até o fim de 2019, 90% das indenizaçőes de quem já está cadastrado estejam pagas”, projeta.
A Renova paga auxílio no valor de um salário mínimo, mais 20% por dependente, e o custo de uma cesta básica. Em uma família de quatro pessoas, por exemplo, o auxílio seria em média de R$ 1717,20, mais o valor da cesta básica.
Força-tarefa
Pesquisadores de 24 universidades brasileiras se uniram em uma força-tarefa chamada Rio Doce Mar para monitorar a situaçăo da biodiversidade aquática dos locais afetados pela tragédia. Foram recolhidas para análise amostras de água, sedimento e material biológico. Os dados serăo comparados com pesquisas feitas no primeiro ano após o desastre. Para o geólogo Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a contaminaçăo varia de acordo com os períodos de chuva. “Nos dois primeiros anos, houve um aumento enorme no teor de metais na água marinha, o pescado estava muito contaminado. Depois, os índices diminuíram, mas ainda existem flutuaçőes. No período da seca, a tendência é de que os teores de metais diminuam. Isso mostra que ainda há rejeito nas margens do Rio Doce. Quando chove, esses rejeitos voltam a contaminar”, explicou.
De acordo com o oceanólogo Adalto Bianchini, da Universidade Federal do Rio Grande, a contaminaçăo demora para se dissipar, porque os metais năo săo destruídos. “A partir de 2017, aumentou a contaminaçăo de ferro, manganês e cádmio, mas pela dieta, pelo acúmulo de alimentaçăo. Os metais năo săo destruídos, permanecem e se transferem de um organismo para o outro”, disse o professor. Segundo especialistas, a biodiversidade está longe de voltar ao que era antes do rompimento. Para isso, seria necessário o manejo dos rejeitos presentes nas margens do rio.
A jornalista Cristina Serra lançará neste mês um livro-reportagem sobre a tragédia. Segundo especialistas entrevistados por ela, “O Rio doce está na UTI”.
Casa atingida pela lama (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Passados três anos da tragédia de Mariana, a Justiça Federal ainda ouve testemunhas no processo criminal envolvendo o episódio. Entre os réus estăo o entăo presidente da mineradora Samarco, Ricardo Vescovi, e o entăo diretor-geral de Operaçőes da empresa, Kleber Terra. Também respondem pelo crime 11 integrantes do conselho de administraçăo da empresa, que săo representantes da Vale e da BHP Billiton. As duas mineradoras săo acionistas da Samarco.
Ao todo, 21 réus săo julgados pelos crimes de inundaçăo, desabamento, lesăo corporal e homicídio com dolo eventual, que ocorre quando se assume o risco de matar sem se importar com o resultado da conduta. Um 22º réu responde por emissăo de laudo enganoso. Trata-se do engenheiro da empresa VogBr, Samuel Loures, que assinou documento garantindo a estabilidade da barragem que se rompeu. A Samarco, a Vale, a BHP Billinton e a VogBR também săo julgadas no processo.
Na última decisăo tomada no âmbito do processo, ocorrida em 15 de outubro, o juiz Jacques Queiroz Ferreira cancelou audiências que estavam marcadas para outubro e novembro. Estavam previstos depoimentos de testemunhas de defesa. O magistrado optou pelo cancelamento com o objetivo de aguardar a publicaçăo do inteiro teor de duas decisőes de habeas corpus proferidas em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Regiăo. “É prudente que se suspenda a oitiva das testemunhas, visando evitar a prática de atos processuais inúteis”, escreveu o Jacques Ferreira no despacho.
Entre junho e outubro de 2018, foram ouvidas diversas testemunhas de acusaçăo. Além das testemunhas de defesa, ainda estăo pendentes depoimentos de outras testemunhas de acusaçăo que deverăo ocorrer em seus respectivos endereços. Três deles residem no Canadá. Ao todo, o processo deve ouvir mais de 200 testemunhas.
Memória
A tragédia de Mariana completa três anos nesta segunda-feira (5/11). Na ocasiăo, uma barragem da mineradora Samarco se rompeu liberando rejeitos de mineraçăo no ambiente. No episódio, 19 pessoas morreram e comunidades foram destruídas. Houve também poluiçăo da bacia do Rio Doce e devastaçăo de vegetaçăo. A açăo criminal tramita na Justiça Federal de Ponte Nova (MG) desde novembro de 2016, quando foi aceita a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF).
No ano passado, o juiz chegou a manter a tramitaçăo do processo suspensa por mais de quatro meses para verificar alegaçőes feitas pelas defesas de Ricardo Vescovi e Kleber Terra. Eles pediam a anulaçăo da açăo, sob o argumento de que foram usadas provas ilegais, como escutas telefônicas que teriam sido feitas fora do período determinado judicialmente. Em novembro de 2017, o magistrado considerou a solicitaçăo improcedente e determinou a retomada do trâmite.
Procurado pela Agência Brasil, o MPF disse em nota que espera pela marcaçăo dos depoimentos das testemunhas de defesa. “Năo é possível prever uma data para conclusăo do julgamento”, acrescenta o texto. A denúncia apresentada em 2016 pede que os réus sejam submetidos ao júri popular. Além do processo criminal, o MPF também moveu uma açăo civil pública voltada para a reparaçăo ambiental e socioeconômica, onde estima os prejuízos da tragédia em R$ 155 bilhőes.
No mês passado, houve um acordo com as mineradoras, que envolve mudanças na conduçăo das açőes em curso, o que implicará na extinçăo de pedidos que constavam na açăo civil pública.
Mato brota nas ruínas de Bento Rodrigues, comunidade devastada pelo rompimento da Barragem de Fundăo (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
O tsunami de rejeitos de minério de ferro que varreu o vilarejo de Bento Rodrigues, no município de Mariana, na Regiăo Central de Minas, também engoliu cerca de 80% da vila de Paracatu de Baixo, que ficava rio abaixo. Hoje, exatamente três anos depois da maior tragédia socioambiental brasileira, o cenário nas áreas atingidas desses dois subdistritos é semelhante. O rejeito que cobriu ruas, quintais e residências, atualmente está sob um tapete de mato e capim. Um verde que extravasa pelas portas, janelas e telhados, servindo de abrigo para animais peçonhentos como escorpiőes e aranhas.
No meio desse terreno desolado, onde até nascentes de água foram soterradas, apenas um morador ainda insiste e com seu suor consegue retirar o sustento da família de sua pequena rocinha em Paracatu de Baixo. Obstinado, o produtor rural Corjesus Mol Peixoto, de 56 anos, é também o único que ainda produz dentro do marco zero dessa devastaçăo. “A lama destruiu a parte de baixo do terreno, onde tinha capim. Eu tinha 12 vacas. Hoje, năo tenho nenhuma, só sete bezerros que crio na parte de cima. Mas preciso de vir tratar deles todos os dias (a Renova fornece silagem e raçăo), porque năo tem mais pastos”, conta.
Devastaçăo
Os animais só sobreviveram porque a notícia de que a lama estava vindo chegou antes, permitindo salvar o gado de leite. Mas os impactos na vida do produtor foram devastadores. “Năo tiro mais leite, porque năo tenho mais onde guardar (estocar) nem transportar. Minha mulher é professora na escola. Como a escola foi para Mariana, ela năo vem mais aqui comigo. Meus filhos também conseguiram trabalho na cidade. Por isso, há dias que quem fica aqui sou só eu e meus bezerros”, disse. Apesar de sua tenacidade, o produtor rural já admite abandonar Paracatu de Baixo. “Aqui, năo tem mais jeito năo, teremos de viver em outro lugar mesmo. Começar de novo, ter as vacas de novo. A vida era tranquila, muito pacata. Em volta da minha casa viviam umas cinco famílias de parentes, todos meus vizinhos”, lembra. Os habitantes de Paracatu de Baixo escolheram uma área rural a seis quilômetros de lá, chamada Lucila e que vai receber cerca de 120 famílias.
Apesar de haver locais onde as atividades tradicionais e a natureza parecem ter sido completamente devastadas, aos poucos o meio ambiente e algumas açőes da Fundaçăo Renova e outras instituiçőes conseguem restaurar parte dos ecossistemas. Para a recomposiçăo da bacia atingida dos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce, a Fundaçăo dividiu a área total em 17 trechos, desde a barragem rompida até o mar. Em cada área uma soluçăo diferente vai ser implementada (veja mapa). “Há locais nos quais a retirada dos rejeitos poderá trazer um impacto ainda maior para a natureza. Temos de levar em conta a movimentaçăo de caminhőes, a geraçăo de poeira e a destinaçăo do rejeito removido para um local adequado. Uma parte desse rejeito já está estabilizada, com uma camada de sedimentos e até mesmo de vegetaçăo que naturalmente recobriu tudo”, afirma a líder do programa socioambiental da fundaçăo, Juliana Bedoya.
Ao mesmo tempo, também foram indicados locais onde a remoçăo dos rejeitos da natureza deve ocorrer para impedir que esse material seja reintroduzido nos recursos hídricos com as chuvas. “Um exemplo disso é a cachoeira de Camargos (pequeno povoado perto de Bento Rodrigues). Eles perderam um ponto tradicional deles. Vamos remover o rejeito e recuperar a cachoeira. Pediram área de camping e uma praia artificial. Vamos moldando isso e promovendo a retirada de rejeito”, disse.
Um dos “laboratórios” onde a Fundaçăo Renova testa essas medidas de recuperaçăo ambiental é o chamado Trecho 8, um segmento de nove quilômetros entre os vilarejos de Bento Rodrigues e Bicas que foi soterrado por uma carga impressionante de 500 mil metros cúbicos de rejeitos (cerca de 2,5% do total despejado entre a barragem e a Represa de Candonga). É nesse local que os impactos e experiências săo observados, bem como a regeneraçăo natural e a necessidade de replantio. Ao todo, a barragem rompida deixou escapar 40 milhőes de metros cúbicos, sendo que 6,5 milhőes ainda estăo em Fundăo.
Quase 30% dos moradores sofrem com depressăo (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
“Eu cheguei a um quadro alguns meses atrás que parecia que viver ou morrer era a mesma coisa. Perdi a vontade, a perspectiva foi a zero. Mas quando tenho esses pensamentos, eu lembro do meu pai que está com 88 anos e vai precisar muito de mim ainda. Nós morávamos a 10 metros de distância. Hoje ele está em outra casa, e eu estou a dois quilômetros dele. Ele chora por causa dessa situaçăo e aquilo corta o coraçăo da gente.”
O depoimento de Romeu Geraldo de Oliveira, 43 anos, é apenas um de vários relatos de depressăo entre os moradores atingidos pelo maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil e que, nesta segunda-feira (5/11), completa três anos. Ele morava no distrito Paracatu, em Mariana (MG), quando a lama de rejeitos que escapou da barragem da mineradora Samarco devastou toda a comunidade.
Romeu disse que só melhorou depois de procurar apoio profissional. “Eu sou muito calado, năo tenho aquela iniciativa de procurar alguém para desabafar. E acabo segurando para mim. Mas chegou um ponto que eu năo estava aguentando. E o atendimento psicológico tem me ajudado demais”, relata.
Estudo
Em abril deste ano, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou um estudo sobre a saúde mental dos atingidos na tragédia. O levantamento mostrou que quase 30% deles sofrem com depressăo. O percentual é cinco vezes superior ao constatado na populaçăo do país. Segundo a Organizaçăo Mundial de Saúde (OMS), em 2015, 5,8% dos brasileiros tinham depressăo.
Os resultados do estudo apontaram ainda para o diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada em 32% dos entrevistados, prevalência três vezes maior que a existente na populaçăo brasileira. Índices preocupantes também foram constatados em relaçăo ao risco de suicídio e ao uso de substâncias psicotrópicas, como álcool, tabaco, maconha, crack, cocaína.
O estudo foi conduzido em parceria com a Cáritas, entidade escolhida pelos atingidos que moram em Mariana para prestar assessoria técnica no processo de reparaçăo.
“O ócio é muito triste. As pessoas estăo em um processo de adoecimento porque, na cidade, o modo de vida é completamente alterado. E além de terem perdido suas atividades cotidianas, os vizinhos năo se encontram mais. Drogadiçăo, alcoolismo, depressăo. Algumas situaçőes já existiam na comunidade, mas foram aguçadas após o rompimento da barragem”, diz Ana Paula dos Santos Alves, assessora técnica da Cáritas.
Problemas de saúde
Em Gesteira, distrito de Barra Longa (MG), a situaçăo năo é diferente. A lama que alcançou a comunidade através do Rio Gualaxo do Norte também trouxe impactos para além da destruiçăo das casas. “Subiu a pressăo, começou a ter problema no coraçăo, está tomando um punhado de remédios”, conta Pedro Estevăo da Silva, 54 anos, sobre sua măe, que perdeu o lote onde tinha uma horta.
Antônio Marcos da Costa também está lidando com as complicaçőes na saúde de sua măe. “Ela já morava na parte alta de Gesteira, que năo foi afetada, mas tinha uma relaçăo muito forte com a casa onde eu morava, que tinha sido dos meus avós. Ela ia lá todos os dias, ajudava a cuidar da casa e do meu tio, que morava comigo e tem problemas mentais. Ela acabou tendo um problema de depressăo muito forte. E até hoje năo foi reconhecida como atingida”.
Atualmente, a măe de Antônio Marcos, de 50 anos, toma seis medicamentos diferentes e faz acompanhamento com psiquiatra particular que a atende regularmente em Ponte Nova (MG). O apoio profissional permitiu uma melhora. Segundo Antônio, as consultas tem custado R$ 350 por mês e ainda há os gastos com o transporte até o município vizinho.
“Acho que ela é até mais atingida do que eu. Eu perdi a casa, mas a saúde vem antes das questőes materiais”, diz.
A organizaçăo escolhida pelos atingidos de Gesteira para oferecer assistência técnica, Aedas, garantiu a Antônio Marcos que irá atuar pelo reconhecimento de sua măe como um dos atingidos, o que lhe garantirá tratamento e indenizaçăo.
Saúde mental
Em Mariana, a psicóloga Maíra Almeida Carvalho é uma das profissionais que vem atuando exclusivamente com os atingidos que sofreram deslocamento forçado dos distritos para a área urbana do município. Ela foi contratada pela Secretaria Municipal de Saúde em janeiro de 2016, três meses após o rompimento da barragem. O salário é pago pela Fundaçăo Renova, que firmou um compromisso judicial de suplementar os serviços de saúde pública em Mariana e em Barra Longa.
Segundo Maíra, atuam na equipe 10 profissionais, incluindo psiquiatra, assistente social, arte terapeuta, psicólogo e terapeuta ocupacional. Eles acompanham cerca de 350 famílias.
“Há uma reavaliaçăo contante junto à Secretaria Municipal de Saúde sobre a necessidade de novas contrataçőes. Atualmente é a equipe que temos e que tem dado conta de atender as demandas”, diz.
De acordo com Maíra, a atençăo profissional será necessária mesmo após o reassentamento.
A psicóloga relata que processos de adoecimento foram agravados nos períodos de maior desesperança. Ela também destaca que a saúde mental dos atingidos sofre o impacto dos conflitos familiares, das rupturas, dos processos de separaçăo, e das divergências no processo de reassentamento.
“Há um sofrimento relacionado com esse processo de adaptaçăo, com a espera pelo reassentamento, com o tempo prolongado envolvendo as negociaçőes. Alguns estăo diretamente envolvidos na luta pela garantia de direitos. É uma rotina de muitas reuniőes e compromissos, o que é cansativo”, avalia.
Na visăo do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a questăo merece ainda mais atençăo. “Ajuizamos há cerca de 4 meses uma açăo especificamente sobre saúde dos atingidos. Temos audiência marcada para o dia 8 de novembro. Esperamos chegar a um acordo, mas se năo houver, mais a frente, o juiz terá que julgar”, diz o promotor Guilherme Meneghin. Segundo ele, a equipe designada está sendo insuficiente e a Fundaçăo Renova precisa ampliar os repasses ao município para novas contrataçőes.
Além do medicamento
Para a diretora-executiva de engajamento, participaçăo e desenvolvimento institucional da Fundaçăo Renova, Andrea Aguiar Azevedo, além da suplementaçăo na saúde pública dos municípios, é preciso buscar soluçőes para além dos medicamentos.
“Estamos atuando, por exemplo, através da oferta de trabalho e da socializaçăo nos espaços de convívio, como a Casa do Saber, onde os atingidos de Mariana têm a chave, podem ir lá fazer festas, reuniőes, cursos, cerimônias”, relata.
José do Nascimento de Jesus, conhecido como Zezinho do Bento, acredita que o melhor remédio é a casa pronta. Em sua opiniăo, os atrasos no reassentamento geraram desconfiança e estăo diretamente ligados a alguns casos de depressăo.
Aos 73 anos, ele é presidente da Associaçăo Comunitária de Bento Rodrigues e tem feito o esforço de ir todos os dias à obra. A reconstruçăo do distrito, cuja conclusăo era prevista inicialmente para o início do ano que vem, começou apenas em julho deste ano. A entrega está estimada para agosto de 2020.
“Se você ficar dentro de casa, a tendência é a depressăo mesmo. Eu tento motivar as pessoas. Na semana passada, trouxe uma senhora de 80 anos. Ela ficou satisfeita e voltou segura de que a casa dela vai sair. Acho que é um caso a menos de depressăo”, diz Zezinho do Bento.
Marjorie Souza, de 13 anos, e Geovanna da Silva, de 15, estavam em um hotel na capital paulista (foto: Arquivo de família)
Foram encontradas em um hotel na cidade de Săo Paulo, neste domingo (4/11), as duas irmăs adolescentes de Contagem, na Grande BH, que estavam desaparecidas desde a última quinta-feira.
O pai de uma delas, que mora no Rio de Janeiro, foi à capital paulista buscar as jovens, que foram levadas para a casa dele. Marjorie Souza, de 13 anos, e Geovanna da Silva, de 15, estavam bem. Segundo o padrasto, Eder Guedes da Silva, a localizaçăo ocorreu por iniciativa das próprias meninas. “A mais nova ficou com medo e entrou em contato com o pai”, contou.
As adolescentes foram vistas pela última vez na BR-040, nas proximidades da Ceasaminas, andando a pé. Elas se desentenderam com a avó no dia anterior e sumiram depois de afirmar a amigos que iriam para Santa Catarina, no Sul do país. Elas vestiam um uniforme estudantil no momento do desaparecimento – calça azul, camisa azul clara com detalhes em amarelo e vermelho e mochilas. Também carregavam R$ 5, biscoitos e itens pessoais, como roupas e materiais escolares.
A família ainda năo tem os detalhes da fuga e năo soube informar como elas conseguiram chegar à capital paulista, já que năo tinham dinheiro para a passagem nem para hospedagem.
Um barco de turismo com 12 pessoas a bordo virou durante uma tempestade, na noite deste sábado, 3, em Itanhaém, no litoral sul do Estado de Săo Paulo, deixando três mortos.
Uma das vítimas chegou a ser socorrida com vida, mas morreu depois de ser levada ao hospital, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Duas pessoas desapareceram nas águas do mar, próximo da regiăo central da cidade. O grupo de resgate marítimo do Corpo de Bombeiros iniciou as buscas pelos desaparecidos e os corpos foram localizados na madrugada deste domingo, 4. Os demais ocupantes conseguiram se salvar.
A embarcaçăo ‘Serena Fishing’ retornava da Ilha da Queimada e se preparava para entrar na Boca da Barra, na foz do Rio Itanhaém, por volta das 19 horas, quando foi apanhada pelo temporal.
O vento forte e as ondas altas fizeram o barco adernar e virar. Os dez turistas e dois tripulantes foram lançados na água. Ocupantes de uma viatura da Guarda Civil Municipal de Itanhaém viram o barco adernando e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros para socorrer as vítimas.
A Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar as causas do acidente. Em setembro, um barco com 15 pessoas a bordo virou no mesmo local. Uma pessoa ficou presa sob a embarcaçăo e morreu afogada.
Vento
A tempestade com ventania também provocou estragos na regiăo metropolitana de Săo Paulo. Desde as 19h20 de sábado, o Corpo de Bombeiros recebeu 325 chamadas sobre quedas de árvores na capital e Grande SP.
Com o problema, muitos bairros da capital ficaram sem luz por horas, desde a noite de sábado. Alguns distritos, como Interlagos, seguiam sem energia elétrica até as 15 horas deste domingo.
Um quarto paciente morreu após transferência em decorrência de um incêndio na tarde deste sábado, 3, na Coordenaçăo de Emergência Regional (CER), que fica na entrada do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
A morte de três pacientes em estado grave em decorrência da transferência para o Hospital Municipal Lourenço Jorge já tinha sido divulgada no sábado, mas a Prefeitura informou neste domingo, 4, que mais um paciente faleceu após ser transferido para outra unidade da rede municipal.
O CER concentrava a triagem dos pacientes, antes que fossem encaminhados para a unidade hospitalar. O incêndio aconteceu no segundo andar do prédio, onde fica o refeitório e os dormitórios da equipe que trabalha no hospital.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgou nota de pesar. A Secretaria Municipal de Conservaçăo e Meio Ambiente (Seconserma) informou que realizaria até esta segunda-feira o enterro das vítimas, sem custos para as famílias.
Segundo informaçőes da Prefeitura do Rio, equipes de assistentes sociais e uma psicóloga estăo assistindo pacientes e parentes de afetados pelo incêndio. Técnicos da Defesa Civil isolaram a área para apurar as causas do fogo.
“Sou de delegar e cobrar resultados. Vou anotando as tarefas que passo para depois exigir respostas” – Ibaneis Rocha, governador eleito (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Sem atuaçăo prévia na gestăo pública ou na vida parlamentar, o governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), era uma incógnita no meio político até entrar na disputa pelo Palácio do Buriti. Assim que ele se consagrou campeăo da corrida pelo governo, uma dúvida surgiu entre representantes da máquina pública, de sindicatos, do setor produtivo e de parlamentares: qual será o perfil adotado pelo futuro chefe do Executivo local, que toma posse em 1º de janeiro?
Antes mesmo de assumir o cargo, Ibaneis começou a dar sinais de qual será seu estilo de comando. Ele nega que seja centralizador e promete delegar tarefas, mas já antecipou que concentrará atribuiçőes importantes, como a articulaçăo política. Diplomático, abaixou o tom ríspido da campanha e fez elogios ao adversário, Rodrigo Rollemberg (PSB), ao lado de quem terá que conduzir a transiçăo. Sinalizou ainda que pretende ouvir a sociedade organizada antes de tomar decisőes importantes — até a escolha de secretários passou por consultas a segmentos interessados em cada área.
Essa ânsia de agradar a vários setores e de fugir de embates, entretanto, pode trazer empecilhos a Ibaneis, sobretudo diante da dificuldade em chegar a consensos com relaçăo a algumas decisőes. A escolha do futuro secretário de Saúde é um exemplo. Na última terça-feira, o governador eleito anunciou que divulgaria o nome do futuro chefe da pasta no fim do dia, após uma série de reuniőes com representantes do segmento.
Ele ouviu integrantes de sindicatos de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, e de especialistas na área, como o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat. Mas, depois da bateria de encontros, năo chegou a um nome para a secretaria. Ainda sem um titular capaz de agradar a integrantes de todas as carreiras da saúde, a saída foi criar uma equipe de transiçăo, que discutirá os principais problemas do sistema de atendimento médico, para só depois anunciar o escolhido. Além da Secretaria de Saúde, o emedebista já anunciou que pretende criar ainda uma pasta específica para cuidar apenas da atençăo básica de saúde.
Outra promessa de campanha foi cumprida na primeira semana da transiçăo. Após a eleiçăo da listra tríplice de delegados para a escolha do cargo de diretor-geral da Polícia Civil, Ibaneis Rocha anunciou que nomeará o mais votado: Robson Cândido teve 242 votos na eleiçăo interna da categoria, realizada na última quarta-feira. O atual comandante da instituiçăo, Eric Seba, nomeado por Rollemberg, também havia ficado em primeiro lugar entre os delegados.
O Sindicato dos Policiais Civis, entidade que reúne agentes e escrivăes, também pretendia formar uma lista, mas a categoria năo reagiu à decisăo do governador eleito de antecipar sua decisăo, após a formaçăo da lista tríplice eleita pelos delegados. Ibaneis Rocha pretende ainda ouvir a populaçăo para a escolha dos administradores regionais. A medida já está prevista na Lei Orgânica do Distrito Federal e deve ser detalhada por meio de decreto, sem a necessidade da criaçăo de uma lei que discipline a participaçăo popular.
Acostumado a lidar com o poder após administrar a Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF) por três anos, o emedebista garante que năo é centralizador. “Sou de delegar e cobrar resultados. Vou anotando as tarefas que passo para depois exigir respostas. O governo tem dia para começar e para terminar, entăo teremos que tomar medidas e exigir os resultados com rapidez”, explica.
A decisăo de aumentar o número de secretarias é usada por Ibaneis como exemplo de que privilegia sempre a delegaçăo de tarefas. Ele lembra que a OAB-DF tinha 50 comissőes, cada uma responsável por temas específicos e que, por isso, sabia sempre a quem recorrer quando precisava tratar de algum assunto. “Com mais secretarias, terei de quem cobrar cada tarefa, por mais específica que seja”, acrescenta o governador eleito. “Em algumas pastas estratégicas, como saúde, educaçăo, segurança e obras, quero estar sempre junto. E, nessas áreas, năo haverá indicaçőes políticas”, garante.
Coordenador de campanha de Ibaneis e confirmado como secretário de Fazenda da futura gestăo, André Clemente diz que o chefe “é uma pessoa de grupo”. “Ele tem uma necessidade enorme de conhecer todas as áreas, năo necessariamente de controlá-las. Ele delega muito e exige resultados sempre”, garante Clemente. “Grandes líderes têm sempre măo boa para escolher pessoas e formar equipes de credibilidade”, acrescenta o auditor da Fazenda.
Impulso
Outra característica do perfil de Ibaneis que já transpareceu ainda na transiçăo é que, muitas vezes, ele age por impulso. Um exemplo foi o anúncio de que o empresário José Humberto Pires ocuparia a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Desejoso de ter Pires em seu secretariado, o governador eleito anunciou seu nome, mas, logo depois da divulgaçăo, o empresário divulgou nota para esclarecer que năo aceitaria o convite “por conta de compromissos institucionais e profissionais”.
O emedebista indicou ainda que pretende manter relaçőes institucionais fortes na Esplanada dos Ministérios. Além de visitar o presidente da República Michel Temer um dia após as eleiçőes, Ibaneis sinalizou por várias vezes que quer um bom relacionamento com o presidente eleito, Jair Bolsonaro. Disse que vai consultá-lo para escolher o secretário de Segurança e declarou voto no capităo da reserva.
Ibaneis visitou ainda a Câmara Legislativa e o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, nos primeiros dias de gestăo. Numa sinalizaçăo de que quer boas relaçőes com outros estados, já esteve com os governadores eleitos de Goiás e de Săo Paulo, Ronaldo Caiado (DEM) e Joăo Doria (PSDB).
Troca de poder
A equipe de transiçăo terá integrantes da atual gestăo, como o secretário-chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, e indicados pelo governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB). O emedebista nomeou seu vice, Paco Britto (Avante) como coordenador da transiçăo. Os secretários da próxima administraçăo, à medida que forem anunciados por Ibaneis, passarăo a compor o grupo.
A primeira semana
Desde que foi eleito, o advogado Ibaneis Rocha (MDB) tem buscando o diálogo com personalidades do meio político e jurídico. Na segunda-feira, esteve no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer, para tratar de recursos para o Distrito Federal, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
No dia seguinte, Ibaneis foi à Câmara Legislativa, para conversar com os deputados distritais sobre o orçamento para 2019.
Na quarta-feira, embarcou para Săo Paulo, onde esteve com o governador eleito, Joăo Doria (PSDB). Ontem, houve um novo encontro com o tucano, no hotel onde Ibaneis está hospedado. Dessa vez, participou também o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).
Nesta semana, Ibaneis deve ser receido pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).
Um incêndio atinge agora a área de ambulâncias do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os bombeiros já estăo trabalhando no local, mas ainda năo têm informaçőes se o fogo foi controlado.
De acordo com o Centro de Operaçőes Rio, a Avenida Ayrton Senna está com a pista lateral, no sentido Linha Amarela, interditada e o tráfego na rodovia tem retençőes nesse trecho, que fica próximo ao terminal de ônibus Alvorada, no entroncamento da Avenida das Américas com a Ayrton Senna. Os motoristas devem seguir pela pista central.