Uma brasileira de 24 anos de idade, residente em Natal, foi presa em flagrante pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeăo – Antonio Carlos Jobim por transportar em sua bagagem 10,26 quilos de MDMA (metileno dioxi metanfetamina), que é o princípio ativo do ecstasy.
Distribuída em seis pacotes ocultos em fundos falsos das malas, a droga foi apreendida sexta-feira (19/10) pelo Serviço de Conferência de Bagagem da Alfândega do Galeăo, mas a informaçăo só foi divulgada hoje (22/10). A passageira desembarcou no Rio procedente de Lisboa, mas o embarque inicial foi em Bruxelas.
Segundo informaçăo da Alfândega do Galeăo, depois de ser selecionada pelo Sistema de Gerenciamento de Risco e identificada por reconhecimento facial, a passageira teve a bagagem encaminhada para a inspeçăo no raio X. Ali, as imagens revelaram a existência de substância orgânica.
A passageira foi encaminhada para a inspeçăo física, que constatou a existência da droga oculta nas malas. De acordo com os fiscais da Receita Federal, a mercadoria apreendida tem valor estimado de R$ 1,5 milhăo.
Cova Rasa
Agentes da Polícia Federal, em açăo conjunta com a Polícia Militar, realizaram nesta segunda-feira a Operaçăo Cova Rasa em Macaé, norte fluminense, para cumprimento de oito mandados de prisăo preventiva contra membros de uma organizaçăo criminosa que controlava algumas comunidades na cidade.
Na açăo, foram apreendidos 207 quilos de maconha, 2,8 quilos de cocaína, duas pistolas, dois revólveres e uma escopeta calibre 12.
Durante cerca de um ano de investigaçăo, ficou comprovada a participaçăo da quadrilha no tráfico de drogas, associaçăo para o tráfico, posse e porte de armas de uso restrito.
Ainda neste mês, a Polícia Federal apreendeu armas de guerra na Serra de Macaé, que seriam entregue a quadrilhas organizadas que agem na regiăo.
Uma mulher foi assassinada com uma facada no peito enquanto segurava a filha no colo em Itaguaí, na regiăo metropolitana do Rio. Luana Alves de Albuquerque, de 25 anos, foi atingida durante um assalto na noite deste domingo (21/10), na Rodovia Rio-Santos.
De acordo com informaçőes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o crime ocorreu na altura do quilômetro 398, por volta das 20h do domingo. O criminoso, ainda năo identificado, teria esfaqueado Luana ao tentar roubar o automóvel em que ela viajava com a família.
A Divisăo de Homicídios da Baixada Fluminense abriu inquérito policial para investigar o caso. Agentes da delegacia realizaram diligências em busca de testemunhas e imagens que possam ajudar nas investigaçőes. Perícia foi realizada no local do crime.
Madri, Espanha – O julgamento de um jovem brasileiro acusado pelos assassinatos de dois tios e dois primos de 1 e 4 anos em agosto de 2016, para quem a Promotoria pede pena de prisăo perpétua com possibilidade de revisăo, começa na quarta-feira (24/10) na cidade espanhola de Guadalajara.
Conhecido como “o esquartejador de Pioz”, François Patrick Nogueira Gouveia, de 21 anos (19 no momento dos crimes), vai prestar depoimento na quarta-feira, primeiro dia do julgamento, que deve demorar uma semana.
Na Espanha desde março de 2016, Patrick Nogueira confessou à polícia que matou, cinco meses depois, estimulado por “uma vontade irrefreável de assassinar”, os tios Marcos Campos Nogueira e Janaína Santos Américo, que foram esquartejados e colocados em sacos de lixo.
O jovem, descrito pelos investigadores como solitário, egocêntrico, narcisista e propenso às bebidas, declarou, no entanto, que năo recorda ter matado as crianças, que também foram colocadas em sacos.
Enquanto cometia os crimes, ele conversou por WhatsApp com um amigo no Brasil, Marvin Henriques, a quem “pedia conselhos, relatava o que estava fazendo e enviava fotografias dos cadáveres, recebendo por parte de seu interlocutor mensagens de incentivo”, afirma um documento judicial.
Henriques está em liberdade provisória e aguarda o julgamento como cúmplice dos assassinatos no estado da Paraíba, de onde é a família de Nogueira.
Os assassinatos aconteceram em 17 de agosto de 2016, mas a cena do crime só foi descoberta um mês depois, graças a um funcionário da manutençăo que alertou para o odor procedente de uma residência na localidade de Pioz, 60 km ao leste de Madri.
Após a descoberta macabra, Nogueira fugiu em 20 de setembro para o Rio de Janeiro. Mas no dia 19 de outubro retornou a Espanha para entregar-se voluntariamente.
A pena mais severa na Espanha
O brasileiro é acusado de quatro crimes de assassinato com aleivosia, dois deles contra pessoas particularmente vulneráveis, seus primos. Por estes últimos dois crimes, a Promotoria pede pena de prisăo permanente com possibilidade de revisăo, além de 20 anos de prisăo por cada assassinato dos tios.
A prisăo permanente com possibilidade de revisăo é a condenaçăo máxima do Código Penal espanhol, prevista para os criminosos mais perigosos. É uma prisăo perpétua, que pode ser revista após 25 anos de detençăo, que só foi determinada poucas vezes desde que entrou em vigor em 2015.
O julgamento acontecerá na Audiência Provincial de Guadalajara, onde devem prestar depoimentos mais de 30 testemunhas (algumas delas por videoconferência do Brasil) e 20 agentes policiais e peritos. Os nove membros do júri serăo escolhidos na quarta-feira, no início do processo.
A defesa alega “um transtorno mental transitório” de Nogueira e, de fato, solicitou um exame neurológico para determinar se existe uma patologia neuropsiquiátrica. Os resultados serăo avaliados durante o julgamento.
A acusaçăo afirma que o jovem atuou com premeditaçăo, pois chegou à residência da família com uma faca muito afiada, a suposta arma dos crimes que năo foi encontrada, sacos de lixo e fita de vedaçăo, segundo os documentos judiciais.
Também estava com duas pizzas para ganhar a confiança da família. Quando chegou à residência, a tia e as crianças estavam no local. Depois de comer as pizzas, matou Janaína quando ela estava lavando os pravos. Depois assassinou os dois meninos, “que estavam paralisados de medo”, de acordo com a acusaçăo.
Aguardou a chegada do tio Marcos e o atacou de surpresa. Depois de colocar os parentes em sacos de lixo, limpou a casa, se limpou e esperou para pegar o ônibus de volta na manhă seguinte, de acordo com os documentos.
Patrick, que ao chegar na Espanha morou por quatro meses com os parentes assassinados em outra localidade próxima de Madri, antes que os tios e primos se mudassem para Pioz, seguiu tranquilamente com sua vida após os crimes, de acordo com os investigadores.
Yuri Resende reúne amigos para passeios na embarcaçăo que compartilha com outros cotistas (foto: Marília Lima/CB/D.A Press)
Brasília está a cerca de mil quilômetros do mar. Porém, em meio às árvores retorcidas e ao chăo de terra seca, a capital federal tem um tesouro de 48 quilômetros quadrados de área e uma populaçăo inteira que depende de suas águas, o Lago Paranoá, homônimo do rio represado que lhe deu origem. O nome vem do latim e significa “enseada do mar”. O espelho d’água abriga mais de 52 mil embarcaçőes, o que coloca o Distrito Federal na quarta posiçăo nacional em tamanho de frota náutica. Segundo a Marinha do Brasil, estăo à frente de Brasília apenas Săo Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.
O entusiasmo do brasiliense com as atividades náuticas tem movimentado um mercado de itens de luxo, que ganha novos ares e adeptos com perfis diferentes. O sistema de compra por cota, que é nada mais é que uma aquisiçăo em sociedade, deu ao público de classe média uma opçăo acessível de investimento. Os contratos conjuntos, assim como o bem adquirido, săo geridos pela empresa que vendeu a embarcaçăo e o cotista năo precisa se preocupar com as negociaçőes entre os sócios, que, na maior parte das vezes, năo se conhecem.
Assim, muitos apaixonados pela navegaçăo puderam realizar o sonho de ter uma embarcaçăo. Nascido em Salvador, Thiago Brandăo, 38 anos, encontrou nas cotas e na lancha uma forma de aproximaçăo com a terra natal. Há três anos em Brasília, ele trouxe ao quadradinho a mulher e o filho. Antes companheiro de surfe do pai, o menino hoje acompanha o casal em passeios motorizados no lago e em atividades mais radicais: eles praticam wakeboard, modalidade na qual a prancha é puxada por um barco. “Eu năo vivo fora d’água. Surfava todos os dias em Salvador. Năo perdi essa conexăo aqui na capital, estou todos os fins de semana no lago”, conta.
A democratizaçăo desses bens oportunizou o lazer no lago, antes exclusivo da populaçăo com poder aquisitivo mais alto. O bancário Yuri Resende, 29, acredita que, além dos bons momentos de diversăo, ter um barco é mais do que sinônimo de status. “É a relaçăo poder-sucesso, assim como ter uma mansăo, um carro importado, frequentar camarotes, é estar onde nem todos podem ir. Mas isso năo é tudo. Para mim, vir ao lago e passar o dia por aqui é o melhor programa a se fazer, perde só para viajar”, ressalta. Ele também relata que os gastos săo reduzidos quando comparados a outras opçőes de entretenimento em Brasília. “Eu gosto sempre de estar com muita gente. Normalmente, levo cerca de 10 amigos e rachamos todos os gastos com bebida e alimentaçăo.”
Rodrigo Melchior investiu, com o sócio, em um bar flutuante (foto: Marília Lima/CB/D.A Press)
Thiago e Yuri săo clientes de Rogério Fayad, 29, proprietário da Premier Jet, empresa de aluguel e compra de lanchas e de motoaquática. Segundo ele, os gastos mensais incluem todas as despesas de manutençăo, segurança e guarda da embarcaçăo. “O cotista terá um custo único mensal a partir de R$ 270 por mês para o jet-ski e a partir de R$ 500 por mês para a lancha”, afirma. O empresário sustenta que o lago propicia um sentimento especial para quem nele navega. “A paisagem e o pôr do sol de Brasília vistos do lago săo únicos e inesquecíveis. Só dando uma volta de lancha para saber. As poucas alternativas de lazer ao ar livre e o clima seco fazem do lago uma das melhores opçőes”, resume.
Mercado aquecido
Há quem prefira a exclusividade de ter um barco só para si. Entre os muitos modelos, pode-se encontrar um motoaquática zero-quilômetro a partir de R$ 29 mil e até modelos de mais de R$ 100 mil. As lanchas também têm grande variaçăo de preços, um modelo simples, com 16 pés (cerca de 5 metros), pode sair por R$ 50 mil, já as embarcaçőes maiores, com 52 pés (15 metros), alcançam os R$ 5 milhőes.
Júnior Ferreira, 33, é vendedor em uma loja especializada em itens náuticos e afirma que, desde 2013, o mercado brasiliense vem passando por uma tendência de sofisticaçăo. “De cinco anos para cá, os clientes têm escolhido barcos maiores e mais caros, hoje, as lanchas mais baratas estăo saindo menos e a preferência é para as com mais de 30 pés, cujo valor gira em torno de R$ 1 milhăo”, avalia. Ele estima que os lucros obtidos somente com a área de vendas de jet-skis e lanchas alcance R$ 2,5 milhőes por mês.
Para confraternizar com os amigos, Bruno Bermudez, 21, é quem mais usa a lancha da família. “Como somos sócios de um clube, os custos fixos totais giram em torno de R$ 136 por mês, mais uns R$ 300 com um marinheiro para fazer as limpezas e manutençőes da lancha. Entretanto, o que pesa é a gasolina, que pode variar de R$ 800 a R$ 1,2 mil, dependendo do tamanho e do quăo vazio está o tanque”, conclui.
A movimentaçăo náutica no Lago Paranoá também impulsionou o surgimento de outros comércios na regiăo. Um empreendimento em Capitólio (MG) serviu de inspiraçăo aos amigos Rodrigo Melchior, 30, e Godofredo Gonçalves, 33, donos da Porto Marina Lounge Bar. “Nós tínhamos uma lancha e notamos que năo havia opçőes de entretenimento no lago, entăo, em uma viagem a Porto Escarpas, conheci um bar flutuante e decidimos adaptar a estrutura ao lag,o e encaramos o desafio mesmo com todas as dificuldades de regulamentaçăo”, menciona Rodrigo.
Julia Sampaio é competidora de vela na categoria em dupla (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Ao sabor do vento
A velocidade e a praticidade dos barcos motorizados ofuscaram a beleza dos barcos movidos a vento. Mas a prática da vela ainda mantém muitos apaixonados. Julia Sampaio, 14 anos, é competidora na categoria em dupla. Ela já viajou pelo Brasil e conquistou uma série de títulos. “Eu comecei aos 11 anos, por incentivo da minha madrinha, que era vice-diretora de um clube náutico, e dos meus pais, que sempre gostaram. Dois anos depois, eu participei da minha primeira competiçăo, em Vitória, e năo parei mais”, conta.
Há mais de 40 anos navegando nas águas do Lago Paranoá, José Celso Martins, 76, sente pesar em estar afastado de seu veleiro, por causa de um problema na coluna. “Infelizmente, há três anos que năo velejo, mas já atuei demais com a vela. Cheguei a disputar as classificatórias para a Paraolimpíada de Londres. A maioria dos velejadores săo amadores e velejam por amor, a gente é da água. Estar ao sabor do vento, apreciando a natureza, năo há comparaçăo”, confessa.
O empresário salienta que a carreira esportiva na vela é um caminho tortuoso e difícil, por isso ele é um incentivador da prática em Brasília. “Os patrocínios săo escassos, os materiais săo muito caros e, mesmo assim, temos competidores de alto nível na capital. Há cerca de sete anos, eu doei 60 velas para os clubes náuticos que promovem açőes sociais para crianças carentes e, ainda hoje, vejo as velas sendo utilizadas nas aulas solidárias”, conclui.
Para saber mais
Exigências para tirar o documento de condutor
• O interessado deverá comprovar no mínimo seis horas de navegaçăo em embarcaçőes de esporte, recreio, ou similares.
• Alcançar ao menos 50% de acertos em — prova de Arrais, que é constituída por 40 questőes.
• Apresentar cópia autenticada da Carteira de Identidade (RG), do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e comprovante de pagamento da taxa de pedido.
• Ter idade mínima de oito anos para veleiros, sob a responsabilidade do pai, tutor ou responsável legal, e de 18 anos para motonauta, arrais-amador, mestre-amador ou capităo-amador.
A terra do futebol exporta cada vez mais gente para a do hóquei. Levantamento feito pelo Estado, com base nos dados do Consulado-Geral do Canadá no Brasil, mostram que nos últimos quatro anos houve um aumento exponencial de vistos de residência permanente concedidos pelo governo canadense a cidadăos brasileiros, chegando a um volume recorde em 2018.
Em 2015, 1.750 brasileiros receberam visto canadense para morar nas províncias do país, uma média que se manteve em 2016, quando 1.730 pessoas trocaram o Brasil pelo Canadá. No ano passado, porém, esse volume chegou a 2.760 vistos liberados, um aumento de 62% sobre o ano anterior. Neste ano, contudo, o volume é recorde: só entre janeiro e agosto, o Consulado do Canadá já aprovou 2.800 vistos de residência permanente para brasileiros. Se for considerada a média, o volume total deverá chegar a 4 mil vistos de residência permanente em 2018.
Para o brasiliense Marcus Fraga, de 34 anos, que partiu para o Canadá em 2015 e hoje estuda e trabalha na Universidade de Montreal, o aumento do interesse em deixar o Brasil se explica năo apenas pelos atrativos do exterior, mas pelos problemas históricos brasileiros: crise política e econômica, falta de segurança e corrupçăo. “Sinceramente, está muito difícil voltar ao Brasil. As notícias que recebemos năo ajudam em nada.”
Fraga trilhou um caminho comum para muitos que decidem viver no Canadá. Buscou um curso de pós-graduaçăo, atrelou esses estudos ao trabalho e, a partir daí, decidiu morar no Hemisfério Norte. O número de vistos de estudo liberados a brasileiros pelo governo canadense confirma a trajetória. Em 2015, o país autorizou 5.370 documentos dessa categoria. Em 2016, esse número saltou para 5.962 vistos e, no ano passado, chegou a 6.887.
Questionado, o Setor de Vistos e Imigraçăo do Consulado-Geral do Canadá creditou o interesse a esclarecimentos e facilidade de acesso. “Nos últimos dois anos, a seçăo de vistos e imigraçăo do Brasil forneceu sessőes informativas em várias cidades do País sobre o principal programa de imigraçăo do Canadá, o Express Entry. Como exemplo, teremos duas próximas sessőes de informaçăo no Rio na próxima semana”, declarou. O Canadá tem liberado cerca de 280 mil vistos de residência permanente todos os anos, para todas as partes do mundo. Neste ano, sua expectativa é de receber 310 mil imigrantes. “E isso inclui muitos brasileiros”, afirmou o consulado.
Perfil
Há ainda uma mudança de perfil em curso, como relata Ed Santos, sócio-fundador de duas empresas de assessoria para imigrantes e intercambistas brasileiros no Canadá. Segundo ele, hoje a maioria dos clientes que atende é de famílias com filhos menores de 5 anos, enquanto, anos atrás, era de jovens na casa dos 20 anos. “O Canadá é um dos pouquíssimos países desenvolvidos que tem uma política agressiva de imigraçăo. Ele explica que o processo de seleçăo considera a idade (o ideal é menor de 29 anos), a formaçăo acadêmica, a experiência profissional, proficiência linguística (inglês e/ou francês) comprovada e se há oferta de emprego. “Muita gente procura já sair com emprego para migrar, mas é difícil.” Santos diz que atende de seis a oito processos de migraçăo de brasileiros por mês, com custo médio de R$ 16,2 mil.
Os casos săo como o de Alexandre Furstenberger, de 33 anos, e Vanessa de Araújo, de 38 anos. “É aqui”, pensaram, ao passar férias no Canadá há um ano. O casal de engenheiros já cogitava se mudar para o exterior, mas năo tinha certeza do destino. “A gente se apaixonou pelo país, achou o máximo”, diz Furstenberger. Ele e Vanessa foram em definitivo para Toronto na quinta-feira, 18, com os gatos Isadora e Oliver e o căo Anakin. As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.
O Consulado-Geral de Portugal em Săo Paulo foi o que mais recebeu pedidos de nacionalidade portuguesa em toda a rede consular do País em 2017. Foram 12.217 solicitaçőes, quase o triplo do Rio, segundo colocado em número de pedidos.
Na quinta-feira (18/10), o Consulado-Geral em Săo Paulo suspendeu novos pedidos de nacionalidade na capital paulista e em Santos, cidade do litoral sul do Estado, até 2 de janeiro. O motivo, segundo o órgăo, é a sobrecarga do setor consular com o “número crescente” de pedidos de visto. “Esta decisăo insere-se no âmbito da gestăo consular e visa a fazer face ao crescente número de pedidos de vistos”, informou.
Segundo o Consulado-Geral em Săo Paulo, a medida năo será replicada nos demais Consulados de Portugal no País. “A escolha de 2 de janeiro para voltar a aceitar pedidos de nacionalidade naquele consulado relaciona-se com o início do ano civil.”
Até setembro, os pedidos de visto no Consulado-Geral em Săo Paulo cresceram 34% em relaçăo ao mesmo período do ano passado. Foram quase 6 mil pedidos – 61% deles de vistos de estudo. Para Miguel Silva, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, há relaçăo com o fato de que a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tenha passado a ser aceita em instituiçőes portuguesas. As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.
O pioneiro de Brasília Affonso Heliodoro dos Santos, também conhecido como “Coronel Affonso”, faleceu neste sábado (20), em Belo Horizonte, aos 102 anos de idade. Ele estava hospitalizado desde a última quinta-feira (18) na capital mineira e, em decorrência de problemas no coraçăo, faleceu nesta manhă de sábado, por volta das 11h. Amigo de Juscelino Kubitschek desde jovens, Coronel Affonso era o último integrante vivo da equipe do ex-presidente da República. Ele foi subchefe do Gabinete Civil da Presidência durante o governo JK.
Coronel Affonso esteve com Juscelino desde os primórdios da nova Capital Federal
Mineiro, Affonso Heliodoro dos Santos nasceu em Diamantina, mesma cidade de Juscelino, e se formou bacharel em direito pela antiga Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, na capital fluminense. Em 1933, aos 17 anos, ingressou na Força Pública, como era chamada a Polícia Militar à época. Ele foi aluno da măe de JK, Júlia Kubitschek.
Em 1956, coronel reservista da Polícia Militar de Minas Gerais, ele estava ao lado do entăo presidente quando foi assinado o documento que pedia ao Congresso Nacional a criaçăo da nova capital no coraçăo do Centro-Oeste, em 1956. Neste mesmo ano, ele visitou pela primeira vez a regiăo em que Brasília seria construída.
JK e Affonso: amizade desde a infância em Minas Gerais (foto: Arquivo pessoal )
Após o fim de seu governo, JK permanece como senador até 8 de junho de 1964, quando tem seus direitos políticos cassados na Ditadura Militar, pelo presidente Castello Branco. Dias depois, embarca para exílio voluntário pela Europa e Estados Unidos. “Deixo o Brasil porque essa é a melhor forma de exprimir o meu protesto contra a violência que fui vítima”, disse Juscelino Kubitschek na ocasiăo. Nos anos de exílio, Affonso Heliodoro esteve com o velho amigo em Paris.
De volta ao DF, o Coronel Affonso liderou a criaçăo do Memorial JK, em 1981, e esteve no comando até 1997.
Velório ocorrerá amanhă (21), em Belo Horizonte
Até 2015, Coronel Affonso era presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Ele deixou três filhos, 12 netos e alguns bisnetos. “Convivi muito com ele. Tive dois pais na vida. Meu avô era um quadro pintado pelos deuses para a família”, diz Pedro Ivan Tupy Filho, 48 anos, sobre a vida familiar do avô.
Quanto à atuaçăo pública, Pedro afirmou: “Ele foi de uma grande importância para nosso país, para Brasília e para o momento de desenvolvimento do país. Apesar de năo ter vivido naquela época, sei que até hoje as grandes obras construídas por ele e a equipe de Juscelino Kubitschek ainda perduram.”
O velório de Affonso Heliodoro dos Santos ocorrerá neste domingo (21), no Cemitério da Colina, em Belo Horizonte, a partir das 8 horas da manhă. A pedido dele, seu corpo será cremado.
A Polícia Federal (PF) deflagrou neste sábado, 20, a Operaçăo Dolos para combater facçőes criminosas que atuavam em 12 Estados. Em um período aproximado de dois anos, a Federal identificou membros ligados a três organizaçőes criminosas, dentre elas o Comando Vermelho, de abrangência nacional e com forte poder de atuaçăo nos presídios de todo o País.
Os investigadores estimam que a movimentaçăo financeira das facçőes, no período da apuraçăo, tenha sido superior a R$ 9 milhőes, entre depósitos e retiradas de valores, oriundos principalmente do tráfico internacional de drogas.
Em nota, a PF informou que está cumprindo 146 ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal do Acre. Deste total, a Federal cumpre 53 mandados de prisőes temporárias, 22 de prisőes preventivas e 71 de busca e apreensőes, algumas delas realizadas no interior de presídios do Acre.
A investigaçăo foi conduzida pelo grupo de investigaçőes da PF especializado no combate a organizaçőes criminosas e ao tráfico de entorpecentes – e teve apoio do Batalhăo de Operaçőes Policiais Especiais (BOPE), força de operaçőes da Polícia Militar do Rio, e do BOPE do Acre.
O nome da operaçăo é inspirado no Deus Dolos e representa o engano, a fraude e a malícia. O nome buscou simbolizar o complexo sistema de lavagem de dinheiro operado pelas organizaçőes criminosas investigadas, que possui uma rede de integrantes espalhada por todas as regiőes do Brasil.
Participantes do projeto Caminhamentos Missăo Cruls representam cada um dos 22 integrantes da empreitada, que explorou o Planalto Central no século 19 (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
A história de Brasília serviu de inspiraçăo para muitos entusiastas. Desde o sonho de Dom Bosco — que previa o nascimento de uma civilizaçăo entre os paralelos 15º e 20º no hemisfério sul — até hoje, inúmeros projetos nasceram com o objetivo de resgatar a cultura e de relembrar a epopeia deu origem à capital federal. Motivado pelos trabalhos de Louis Ferdinand Cruls, responsável por delimitar os vértices do Distrito Federal em 1892, um grupo de professores, integrantes de movimentos culturais e tropeiros se reúne neste sábado (20/10) para refazer os passos do astrônomo belga. O projeto, intitulado Caminhamentos Missăo Cruls, está na segunda etapa e ocorre na cidade de Planaltina.
Ainda que tenha se transformado em capital apenas em 1960, a área do DF estava demarcada desde o século 19. A proposta de interiorizaçăo constava na Constituiçăo Federal de 1891 e, ao longo de dois anos, 22 pesquisadores saídos do Rio de Janeiro levaram adiante o desafio de desbravar o interior do Centro-Oeste guiados por Louis Cruls. Os caminhos, registrados ao longo da missăo, săo percorridos por exploradores e turistas até hoje.
O diferencial dos integrantes do Caminhamentos Missăo Cruls é a caminhada com indumentária inspirada na época. A partir das 15h30, os participantes darăo início ao passeio cultural e visitarăo locais como a Lagoa Mestre D’Armas, na Estaçăo Ecológica Águas Emendadas, e a Pedra Fundamental de Planaltina. A ideia de seguir os passos de Louis Cruls é do professor de história Robson Eleutério.
Aposentado pela Secretaria de Educaçăo, Robson quis dar destaque à história do astrônomo e aos pontos demarcados durante a missăo. Dessa forma, segundo ele, os próprios municípios onde os vértices estăo localizados podem desenvolver propostas com foco no turismo. “Os quatro pontos săo sempre muito citados nos relatos de Louis Cruls. Em 1992, no centenário da missăo, o Exército percorreu cada um deles para colocar uma peça e indicar de qual ponto se trata. Até o fim do ano, vamos visitar os restantes”, conta.
Atualmente, alguns dos pontos se encontram em áreas particulares. A proposta do professor é criar trilhas que levem a cada um deles e tornem os caminhos acessíveis e mais conhecidos pela populaçăo. “É um trabalho educativo para a comunidade local que tem como base o relatório da comissăo exploradora. Trata-se de um documento rico em informaçőes. Fala da fauna, flora, geologia, astronomia e do clima. Nossa intençăo é levar isso para as escolas também”, destaca Robson.
Coordenadora da Regional de Ensino de Planaltina, a professora Queti Diettrich participará das atividades na cidade. “Acho muito importante esse resgate e ficamos satisfeitos de terem escolhido Planaltina para receber essas atividades.” Queti divulgou o projeto em instituiçőes de ensino e espera que os estudantes marquem presença para acompanhar a caminhada. Durante o percurso, ela representará Lilinda, esposa de Hastimphilo de Moura, um dos ajudantes de Cruls na missăo. “Esse tema precisa ser trabalhado nas escolas, pois os vértices estăo abandonados hoje”, comenta.
Qualidade hídrica
O passeio terá início na Administraçăo Regional de Planaltina. Durante o percurso, os interessados em acompanhar como espectadores assistirăo a encenaçőes com diálogos inspirados no cotidiano da época. “Cada pessoa representará um participante. Esse trecho do roteiro que faremos é o mesmo da época. Ele fez parte da Estrada Real, que saía da Salvador, passava por Planaltina e chegava à Cidade de Goiás. Era uma rota feita com certa frequência, principalmente por causa do ouro”, explica Robson.
Mesmo que a cidade de Planaltina năo conte com um dos vértices demarcados por Cruls, o explorador esteve passou pela Lagoa Mestre d’Armas — também conhecida como Lagoa Bonita e onde, atualmente, fica a Estaçăo Ecológica Águas Emendadas. Enquanto estudava o Planalto Central, a abundância de água chamou a atençăo do belga.
“O local aonde iremos fica próximo à dispersăo das bacias das Águas Emendadas. A questăo da qualidade hídrica foi determinante para a escolha do local onde seria demarcada a capital. Cruls fez essa observaçăo no relatório da Expediçăo Exploradora do Planalto Central do Brasil. O motivo de năo terem ficado doentes aqui foi, especialmente, a qualidade da água”, detalha o idealizador do projeto histórico-cultural.
Entretenimento
O segundo dia de passeio por meio do projeto Caminhamentos Missăo Cruls ocorrerá em parceria com o Festival Quadrilátero Cruls. Financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), o evento contará com apresentaçőes de dança e bandas de Planaltina, atividades promovidas pela Embaixada da Bélgica, além da inauguraçăo de uma escultura de Louis Ferdinand Cruls observando o céu com uma luneta. Feita em bronze, a obra tem 1,8 metro de altura.
Responsável pela organizaçăo o festival, Elisa Rachaus afirma que a ideia do evento nasceu como uma açăo para evitar o esquecimento da história do Distrito Federal. Para a produtora cultural, o encontro vai favorecer a divulgaçăo de tradiçőes desconhecidas por muitos brasilienses. “Năo existem açőes patrimoniais focadas na missăo comandada por Louis Cruls. Há muitos feriados no DF, mas nada que represente ou relembre o início de tudo. Fiz um projeto pensando em formas de introduzir esse tema em shows e para que as pessoas tomem conhecimento e revivam um pouco da nossa primeira história”, conta Elisa.
Programe-se
Festival Quadrilátero Cruls
Horário: das 15h às 2h
Local: Praça Săo Sebastiăo, Setor Tradicional de Planaltina (Igrejinha de Săo Sebastiăo)
Ingressos: Entrada franca
Classificaçăo livre
Primeira fase
Em julho, professores e integrantes de movimentos culturais compuseram grupo que visitou vértice sudoeste (foto: Arquivo pessoal)
O projeto Caminhamentos Missăo Cruls começou em Abadiânia (GO), em 29 de julho. O professor Robson Eleutério e outras 14 pessoas saíram da Floresta Nacional de Taguatinga e seguiram rumo ao vértice sudoeste. Vestidos a caráter, montados em cavalos, mulas ou a pé, eles seguiram os caminhos percorridos durante a expediçăo de 1982 na área. Em seguida, o grupo rumou para o Rio Capivari, onde participou de atividades como observaçőes astronômicas e rodas de conversas sobre a missăo. A terceira caminhada está prevista para 11 de novembro, em Formosa (GO), no vértice nordeste.
Dhi é adepta do mundo digital quando o assunto é música: facilidade para ela e oportunidade para novos talentos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Nascida no Rio de Janeiro, criada em Salvador e radicada em Brasília há 25 anos, a cantora Dhi Ribeiro é uma das maiores vozes do samba brasiliense dos últimos tempos. Natural de Nilópolis (RJ), foi para a capital baiana muito cedo. Iniciou a carreira aos 17 anos, como modelo, e, aos poucos, se envolveu com a música. Quando ainda aposta nas passarelas e diante das câmeras, Dhi passou a se perceber cada vez mais como uma pessoa musical. Cantou axé, música baiana e MPB. Na década de 1990, recebeu o título de cantora revelaçăo do carnaval soteropolitano. Em seguida, foi convidada para participar de um trabalho em Brasília, com a antiga banda Trem das Cores.
Após seis meses, voltou a Salvador para concluir trabalhos no carnaval, mas decidiu que seu lugar realmente era na capital federal. No DF, conheceu Tobias Andrade, com quem se casou e teve uma filha, Luna Vitória. “Eu sou muito agradecida à cidade porque aprendi tudo aqui. Alcancei a chance que poucos tiveram de encontrar grandes músicos, que me nortearam e me deram a oportunidade de me descobrir como cantora”, revela. Em 2000, a sambista seguiu com a família para a Itália, trabalhar como cantora em um circo. Retornou ao Brasil após três anos interpretando em vários idiomas.
Em 2009, a cantora lançou seu primeiro álbum, Manual da Mulher. Já em 2012, a música Para uso exclusivo da casa fez parte da trilha sonora da novela da Globo Lado a lado, como tema do casal Celinha e Guerra, interpretados por Isabela Garcia e Emílio de Melo. Em 2017, a mesma música, de autoria de Paulinho Resende e Juninho Peralva, também foi trilha para a novela A força do querer, tema da protagonista Bibi Perigosa, interpretada por Juliana Paes. “A Glória Perez me ligou dizendo que a novela estrearia no próximo mês e que a música tinha tudo a ver com a personagem. E foi maravilhoso isso pra mim”, relembra. Logo em seguida, Dhi Ribeiro foi uma das participantes do The Voice Brasil, do mesmo ano, participando de dois episódios da atraçăo. Dhi já esteve em programas como o Domingăo do Faustăo e Programa do Jô.
A temática do DVD Leme da Libertaçăo, novo trabalho de Dhi Ribeiro, é a diáspora negra e a fé (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Em dezembro, ela lança o novo trabalho, o DVD Leme da libertaçăo, gravado no Clube do Choro. As composiçőes săo de parceiros como Roberto Serrăo e Guilherme Nascimento. “Eu sou mais uma intérprete. Nós temos compositores maravilhosos e a gente tem que dar voz para isso”, afirma Dhi. As músicas do DVD têm como tema a diáspora negra e a fé, e conta com músicas românticas, samba de roda e algumas regravaçőes do primeiro CD. Ao todo, serăo 23 músicas em 13 faixas, incluindo alguns pout-pourri. O lançamento, previsto para 20 de dezembro, será no mesmo local da gravaçăo, o Clube do Choro.
“O mundo hoje é digital”
Esse será o primeiro trabalho independente da cantora, que fez parte do cast da gravadora Universal Music. “Isso aconteceu dessa forma. A importância da gravadora mudou bastante e o que elas faziam, nós também podemos fazer. Nós mesmos vamos fazer a distribuiçăo, por exemplo”, explica. A cantora vê as plataformas digitais como um leque muito grande e servem de portas para novos artistas, que năo teriam a oportunidade de apresentar seus trabalhos ao mundo.
“O mundo é digital. Eu năo fico uma hora sem pegar no celular. Antigamente, eu tinha que gravar um CD para entregar para minha banda aprender as músicas do repertório. Hoje em dia, eu faço uma playlist e peço para que entrem nela”, declara. Com a internet, Dhi afirma que suas músicas chegaram a vários países da África, como Angola.
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* Estagiárias sob a supervisăo de Leonardo Meireles