Agentes da fronteira do Kuwait, pelo jeito sem ter muita coisa para fazer, começaram a notar que uma pomba de mochilinha estava passando frequentemente por eles. Perceberam eles que ela vinha do Iraque com certos padrões de tempo, e intentaram capturá-la.
Depois de muita dificuldade, conseguiram armar uma emboscada em cima de um edifício. Normalmente pombos são usados pra enviar bilhetes secretos, já que, treinados, eles conseguem entregar coisas a mais de 100 km.
Entretanto, descobriram que o bicho é bom pra transportar drogas. Afinal, se ele for pego, quem vai preso? Essa pomba estava com um carregamento relativamente grande: 178 pílulas de ecstasy.
É claro, ela ‘não disse quem era o patrão’, preferiu ficar de bico calado.
Gilton Santos Pinto, suspeito de ter matado a arquiteta Thayane Nunes da Silva, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, na semana passada, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva nesta segunda-feira. De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), “a vitima não estava na posse de nenhum objeto que pudesse lesionar o autor”.
O TJRJ disse ainda que Gilton agiu com o intuito de matar Thayane, já que o mesmo asfixiou e esganou a vítima.
“Uma vez que, foi confirmado pelo laudo de necropsia que Thayanne morreu após ser asfixiada por constrição de seu pescoço, o que corrobora que a causa da morte é compatível com a versão apresentada pelas testemunhas.
Percebe-se, pois, que a causa da morte foi estrangulamento, de acordo com o laudo de necropsia, e a vítima não teria sido encontrada na posse de qualquer objeto que pudesse representar risco à integridade física do custodiado”, diz a decisão.
O criminoso está internado no Hospital Geral da Japuíba, em Angra dos Reis, sob custódia. O corpo da arquiteta foi enterrado na manhã deste sábado (4) no Cemitério de Jardim da Saudade de Paciência, na Zona Oeste do Rio.
Doze procuradores da República pediram à Justiça Federal, em Brasília, nesta segunda-feira (6), o afastamento do cargo do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ministro de improbidade administrativa, pelo o que consideram “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”. A ação tramita na 8ª Vara da Justiça Federal.
“Por meio de ações, omissões, práticas e discursos, o Ministro do Meio Ambiente promove a desestruturação de políticas ambientais e o esvaziamento de preceitos legais, mediante o favorecimento de interesses que não possuem qualquer relação com a finalidade da pasta que ocupa” afirmaram os procuradores.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) disse, em nota, que “a ação de um grupo de procuradores traz posições com evidente viés político-ideológico em clara tentativa de interferir em políticas públicas do Governo Federal. As alegações são um apanhado de diversos outros processos já apreciados e negados pelo Poder Judiciário, uma vez que seus argumentos são improcedentes”.
O MPF aponta que os atos de improbidade foram praticados em quatro frentes:
Desestruturação normativa
Desestruturação dos órgãos de transparência e participação
Desestruturação orçamentária
Desestruturação fiscalizatória
A desestruturação normativa ocorreu com a edição de decretos, despachos e portarias. Já a desestruturação dos órgãos de transparência e participação ocorreu pelo “desmonte” do Conama, das informações da página do Ministério do Meio Ambiente; pelo constrangimento ao INPE e pela “censura da comunicação institucional” do Ibama e do ICMBio.
A desestruturação orçamentária se deu a partir da redução de recursos para a fiscalização do Ministério do Meio Ambiente. Por fim, a desestruturação fiscalizatória ocorreu pelo “desmonte” da fiscalização ambiental, explicam os procuradores.
No entendimento do MPF, a declaração “escancarou os propósitos de sua gestão e o desvio de finalidade nos atos praticados”.
“Ao alvedrio da legalidade e da lealdade à instituição que chefia, Ricardo de Aquinno Salles está buscando desmontar as estruturas institucionais e normativas dos órgãos federais de proteção ao meio ambiente (MMA, IBAMA, ICMBio), para fazer “passar a boiada”, na expressão utilizada pelo requerido na reunião ministerial de 22/04/2020″, completam.
Os procuradores querem que a Justiça condene o ministro em penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa – entre elas, perda de função pública e suspensão de direitos políticos. Também argumentam que o afastamento de forma cautelar é necessário para evitar o “aumento exponencial e alarmante do desmatamento da Amazônia”.
“Caso não haja o cautelar afastamento do requerido do cargo de Ministro do Meio Ambiente o aumento exponencial e alarmante do desmatamento da Amazônia, consequência direta do desmonte deliberado de políticas públicas voltadas à proteção do meio ambiente, pode levar a Floresta Amazônica a um ‘ponto de não retorno’, situação na qual a floresta não consegue mais se regenerar”, concluíram.
A polícia está investigando a morte de Silvio Mendes Caetano, de 59 anos, na noite deste sábado, no bairro de Tomás Coelho, na Zona Norte da cidade. Ele foi baleado durante um intenso tiroteio no Morro do Juramento e chegou a ser socorrido ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com a PM, equipes do 41º BPM (Irajá) foram acionadas para comunidade do Juramento após receberem denúncias de tiros na região. Ainda segundo a corporação, não havia operação no momento dos disparos.
No dia do ocorrido, o perfil no Twitter ‘Onde Tem Tiroteio’ (OTT), informou que alguns disparos foram ouvidos próximo ao local em que Silvio morreu. Procurada pelo DIA, a Polícia Civil informou que foi instaurado inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Silvio e que diligências estão em andamento para esclarecer o caso.
O Estado de Santa Catarina se prepara para um novo ciclone extratropical previsto para esta terça-feira, 7. O evento ocorre apenas uma semana após a passagem do ciclone bomba que deixou um rastro de destruição e causou pelo menos 14 mortes nos Estados do Sul.
O novo ciclone deve ser menos intenso e não é classificado como ciclone bomba. De qualquer forma, o fenômeno vai passar por um Estado com estruturas e casas ainda bastante abaladas pelo evento da última semana. Assim segundo a meteorologista da Gilsânia Cruz, da Epagri/Ciram, os ventos nesta terça e quarta-feira devem ficar entre 60km/h e 80km/h, abaixo da média dos 100 km/h registrados anteriormente.
“Está todo mundo querendo saber se esse ciclone é tão intenso quanto o outro. Mas ele não é. A previsão é que seja bem menos intenso”, explicou em comunicado emitido pelo órgão.
O novo sistema deve provocar chuva especialmente nas regiões do oeste ao sul de Santa Catarina, próximas à divisa com o Rio Grande do Sul. Na noite de terça e durante a quarta-feira, o ciclone favorece ventos mais intensos no litoral, com aumento na agitação do mar.
A meteorologista explica que ciclones extratropicais são sistemas frequentes na costa sul do Brasil, causando alagamentos e ressacas, especialmente nos meses entre abril e setembro. Em média, nessa época do ano, dois a três ciclones em cada mês se formam no litoral do Uruguai e Sul do Brasil, influenciando.
A Defesa Civil de Santa Catarina, que é responsável pela emissão dos alertas, informou que o fenômeno ainda está no estágio de observação, o primeiro dos três estágios de acompanhamento de fenômenos climático: observação, atenção e alerta.
Número de mortos subiu em SC
Santa Catarina ainda contabiliza os estragos causados pelos ventos da semana passada. Em Siderópolis, no sul do Estado, os ventos chegaram a 168 km/h, batendo o recorde já registrado na estação.
O número de mortos também subiu em Santa Catarina. Até sexta, o Estado contabilizava nove mortos, mas no fim de semana e nesta segunda, dois corpos que estavam desaparecidos foram localizados em Brusque e em Canelinha. Outras duas mortes que ocorreram em ações de reconstruções, em Garuva e Piçarras, também foram contabilizadas como causadas pelo evento. Em Santa Catarina, foram 13 mortes no total. Uma pessoa morreu na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.
Pelo menos 204, dos 295 municípios catarinenses, relataram danos e 9 mil pessoas chegaram a ficar desabrigadas. Os prejuízos financeiros já somam R$ 277 milhões, segundo relatório mais recente da Defesa Civil.
No sábado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobrevoou áreas atingidas e prometeu a liberação de recursos mediante a apresentação de um levantamento dos estragos.
O vendaval também causou o maior acidente na rede elétrica de Santa Catarina e afetou mais da metade das mais de 3 milhões unidades consumidoras. No domingo, moradores realizaram protestos em diferentes regiões da capital cobrando restabelecimento dos serviços. Nesta segunda, cerca de 7 mil unidades ainda seguem sem energia.
Engenheiro civil que aparece junto com uma mulher constrangendo um funcionário da Vigilância Sanitária após realizar fiscalização na cidade do Rio é cadastrado no programa de auxílio emergencial do governo.
Uma rápida busca no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União mostra que Leonardo de Barros, de 43 anos, deu entrada no auxílio em maio e já recebeu a primeira parcela do benefício de R$ 600. Confira:
Após a veiculação da reportagem, a entrevista rapidamente viralizou e gerou revolta de internautas nas redes sociais, assim como outros episódios em que fiscais foram destratados por pessoas que violavam recomendações médicas e sanitárias em áreas nobres da cidade.
Na noite de sexta, pessoas que estavam bebendo na Avenida Olegário Maciel, na Barra da Tijuca, chegaram a cantar música em coro para zombar da fiscalização.
“A TAESA tomou conhecimento do envolvimento de uma de suas empregadas em um caso de desrespeito às leis que visam reduzir o risco de contágio pelo novo coronavírus e compartilha a indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio, sobretudo em um momento no qual o número de casos da doença segue em alta no Brasil e no mundo (…). Diante dos fatos expostos, a TAESA decidiu por sua imediata demissão”, escreveu a empresa.
Contágio no Rio
O Rio de Janeiro tem mais de 10 mil mortes por coronavírus, com a maior parte dos casos concentrados na capital. O índice de letalidade da doença no Estado está em 8,79%. No último final de semana, foram aplicadas pela Vigilância Sanitária 132 multas em estabelecimentos que desrespeitavam as determinações de higiene e distanciamento social.
A partir de 3 de agosto, a gasolina vendida no Brasil deverá seguir novas especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regula o setor.
As mudanças valem para a gasolina tipo C (comum) e premium, aquela indicada pelas fabricantes de carros esportivos.
Na prática, o combustível terá melhor qualidade e deixará os carros mais eficientes – reduzindo o consumo de combustível e as emissões de poluentes.
“Em termos finais de custo, acreditamos que será mais positivo, porque poderá rodar mais com menos”, afirmou Anelise Lara, diretora da Petrobras em uma transmissão da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Ou seja, apesar de o motorista pagar mais pelo combustível, o veículo rodará mais quilômetros com um litro de gasolina.
Para Everton Lopes, mentor de tecnologia em energia da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), a melhoria no consumo do veículo irá compensar o custo mais alto para abastecer. “Há previsões de que os veículos devem ter a performance melhorada, chegando a 3% ou 4% (na economia de combustível)”, disse.
Além disso, a nova gasolina ainda deve ajudar na redução de emissões.
“Cada litro consumido gera uma quantidade de CO2. E, com 4% menos consumo, as emissões também caem 4%”, completou.
O que há de novo
Entre as novidades, estão a introdução de uma massa específica mínima de 715 kg/m³ para a gasolina. A massa específica é a quantidade de uma substância em um determinado volume.
No momento, não há exigência de uma específica mínima, mas Everton Lopes afirma que a gasolina produzida no Brasil já estava próxima dessa marca. “Porém, nas importadas, havia o risco de vir com massa menor”, completa.
Segundo o engenheiro:
“Quando a massa específica é muito baixa, há menor conteúdo energético por litro, então o consumo aumenta”.
Além disso, Silvio Shizuo, professor de Engenharia Mecânica do Centro Universitário FEI, ressalta o benefício de se estabelecer uma densidade para a gasolina. “É importante ter a padronização, saber se está boa ou ruim. Também facilita a fiscalização”, disse.
Outra novidade é a adoção de um novo padrão na contagem da octanagem da gasolina. O octano é o nível de resistência à combustão dentro do motor.
“Quanto maior a quantidade de octanos, mais resistente o combustível é à queima, e mais próximo do melhor nível de eficiência ele vai estar”, diz Lopes.
Na hora que o combustível é comprimido pelo pistão dentro do cilindro, há um ponto ideal para a combustão. Se a octanagem é mais alta, essa explosão acontece em um ponto onde o pistão é impulsionado com mais força para baixo, melhorando, assim, o desempenho do veículo
Por outro lado, se uma gasolina tem pouca octanagem, a explosão acontece de forma precoce, prejudicando o desempenho.
Dois padrões
Atualmente, havia apenas um padrão de medição da octanagem, chamado de MON. com octanagem mínima de 82. Agora, a gasolina também deverá seguir a metodologia RON, mais adequada aos motores modernos, com octanagem mínima de 92.
A partir de janeiro de 2022, o índice sobe para 93.
Shizuo acredita que a nova forma de aferição ainda deixa a gasolina brasileira mais próxima da europeia. “Eles divulgavam o MON e o IDA (média entre os dois padrões), enquanto o mais usado lá fora era o RON”.
Só que o aumento nos octanos não deve representar um ganho real no desempenho. No entanto, além da economia de combustível, a octanagem mais alta ajuda vai ajudar a preservar os motores.
A gasolina comum ainda ficará abaixo do combustível premium, que passará de 91 octanos, no padrão RON, para 97. Esse tipo de combustível especial, além de ser mais caro, normalmente é recomendado pelas fabricantes de carros esportivos, que desenvolvem seus motores para essa octanagem mais alta.
Além do maior número de octanos, a gasolina premium também possui menor índice de etanol anidro (sem água). A proporção, inclusive, não sofrerá alterações, e segue em 27% na gasolina C (comum e aditivada) e 25% na premium.
A gasolina aditivada, como o nome já diz, um combustível comum, acrescido de aditivos, seguirá o mesmo padrão de mudanças da gasolina tipo C.
A Anfavea, associação das fabricantes, diz que a nova especificação é “um avanço importante na direção critérios internacionais modernos”.
“Estes critérios permitem que os novos motores possam ser projetados com características mais econômicas, menos poluentes e com melhor desempenho. Sem dúvida, é um passo importante na melhoria do combustível e, consequentemente, dos futuros veículos. Mesmo para os veículos atualmente em campo, a nova gasolina poderá causar menos depósitos no motor, aumentando sua vida útil”, concluiu.
Sari Corte Real, indiciada por abandono de incapaz pela morte de Miguel Otávio Santana, de cinco anos, que caiu do nono andar de um prédio em Recife disse que errou ao não desconfiar do perigo de deixar o menino sozinho em um elevador. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo.
— Eu não achei que seria essa tragédia. Eu acreditei que ele voltaria para o andar, que ele voltaria para o quinto andar, até porque ele sabia o número, eu acreditei que ele voltaria para o andar — disse Sari, que acrescentou: — Eu acho que o meu erro foi fazer igual a eu fazia com o meu filho, de achar que o elevador é seguro.
Sari, que é casada com Sérgio Hacker (PSB), prefeito do município de Tamandaré, argumentou que não se sentia segura para repreender a criança, que saiu do apartamento em busca da mãe, Mirtes Renata de Souza, que tinha a tarefa de passear com o cachorro da família. Imagens de câmeras de segurança mostram que antes de ficar sozinho o menino entrou três vezes nos elevadores social e de serviço e apertou alguns botões nos painéis. Na quarta fez, Sari não o convence a sair.
— O maior contato que eu tive com Miguel foram nesses dois meses, na pandemia, quando, em conjunto, elas [Mirtes e Marta Souza] decidiram ir para lá para casa, que a gente [levou] todo mundo lá. E todas as vezes que precisou ser chamada a atenção dele eu solicitava que ou a mãe ou a avó fizesse isso. Eu nunca me dirigi diretamente a ele para repreender ele em nada, sempre à mãe ou à avó. Eu não me senti segura para isso — afirmou.
No dia da morte da criança, Sari foi presa em flagrante por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, e liberada após o pagar fiança de R$ 20 mil. Ela diz que cumprirá a decisão da Justiça sobre o caso, e acredita que não pode ser julgada por Mirtes ou pela população por conta da tragédia.
— Eu já passei muita coisa na minha vida. Já tive tentativa de sequestro, já perdi meu pai num acidente de avião. Até hoje estou aqui, firme, porque muita gente depende de mim. Se, lá na frente, o resultado for esse [de prisão], eu vou cumprir o que a lei pedir. Eu acho que está na mão da Justiça, não cabe a mim, não cabe à mãe de Miguel julgar, não cabe à sociedade. Cabe à Justiça. Eu vou aguardar o que a Justiça decidir — declarou.
Procurada pelo “Fantástico”, a mãe de Miguel defende que a ex-patroa assumiu um risco e precisa ser penalizada. Para Mirtes, perdoar Sari não é uma opção.
— Ela foi irresponsável com o meu filho. Ela não cuidou do meu filho. Eu agora não tenho mais meu filho. Eu não tenho mais meu neguinho por conta da irresponsabilidade dela, por conta da vaidade dela. Eu não tenho mais meu filho. Ela, hoje, tem dois filhos, graças a Deus. Eu não tenho mais nenhum para dar amor, carinho, atenção. Dar dengo, como eu dava ao meu filho — lamenta Mirtes.
Fotos extraídas do celular de Leandro Gouvêa da Silva, o Tonhão, mostram como uma de suas prováveis vítimas foi monitorada, com uso inclusive de dronas que registravam as imagens. O aparelho foi apreendido em outubro de 2019 e, entre outras provas, as imagens levaram à Operação Tânatos, que na última terça-feira o prendeu. Também foi preso seu irmão, Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, acusado comandar o Escritório do Crime desde a morte do ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega.
Tonhão: preso em operação na última terça-feira Foto: Reprodução
As imagens do celular de Tonhão haviam sido apagadas e foram recuperadas por especialistas com um equipamento israelense conhecido como “chupa-cabras”. O alvo seria o pecuarista Alcebíades Paes Garcia, o Bid, irmão do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Bid foi executado em 25 de fevereiro deste ano, quando voltava da última noite de desfiles das escolas do Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí. De acordo com as investigações, a vítima ficou sob vigilância por quase um ano. Além das fotos e vídeos feitos pelo drone do bando de pistoleiros, havia mapas de localização da casa e os locais frequentados pela vítima. Os pistoleiros também acompanhavam as redes sociais de Bid.
Para extrair os dados do aparelho de Tonhão, especialistas, a pedido do o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Minsitério Público do Rio, utilizaram um equipamento chamado Ufed Touch. A ferramenta foi desenvolvida pela empresa israelense Cellebrite e é popularmente conhecida como “chupa-cabras”.
O celular de Tonhão foi apreendido na “Operação Submersus”, em 3 de outubro de 2019. Nessa ação, o Gaeco tinha como alvo Elaine de Figueiredo Lessa, mulher do sargento reformado Ronnie Lessa. O PM é apontado como executor da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.
Além de Elaine, a Justiça determinou a prisão de três pessoas e a busca e apreensão de imóveis do grupo de Lessa e do bando de pistoleiros.
Segundo a Delegacia de Homicídios (DH) da capital, Lessa tem vínculos com o grupo de pistoleiros conhecido por Escritório do Crime, mas não está integrado à quadrilha. O titular da DH disse que o grupo não teve participação no assassinato da vereadora.
O Gaeco informou que Mad substituiu, no comando do bando, o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na Bahia em fevereiro deste ano. Ainda há dois ex-PMs, que tiveram a prisão decretada na Tânatos, que se encontram foragidos. Os investigadores afirmaram que o bando recebe encomendas de contraventores para matar desafetos, na disputa por territórios.
Falta de respeito, intimidação e agressão verbal, quase física, por parte de alguns frequentadores de bares e restaurantes pela cidade. É o que a Vigilância Sanitária e a Guarda Municipal do Rio têm enfrentado na reabertura desses empreendimentos — que ficaram fechados por mais de três meses na pandemia do coronavírus — nos últimos dias, ao tentar conscientizar, fiscalizar e multar possíveis irregularidades nesses estabelecimentos.
Na noite desse domingo, o “Fantástico”, da TV Globo, mostrou uma inspeção da Vigilância Sanitária, em comércios da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, que terminou em agressão verbal aos servidores da prefeitura. No local, muita gente sem máscara, aglomeração e clientes tentando impedir a fiscalização municipal.
Nesta segunda-feira, ao EXTRA, o superintendente de educação e projetos da Vigilância Sanitária, atacado por um grupo de frequentadores, afirmou que “a atitude deles manchou a imagem do carioca e dos estabelecimentos do Rio”. A fiscalização aconteceu por volta de 21h de sábado, dia 4.
Ao chegarem ao espaço, agentes da Vigilância Sanitária e da Guarda foram hostilizados por frequentadores. Nem mesmo diante das câmeras, um casal de cliente se inibiu. Sem nenhuma cerimônia, a dupla que se apresentou como consumidores do espaço, atacou o médico-veterinário Flávio Graça, superintendente de educação e projetos da Vigilância Sanitária que conduzia a operação.
— Você não vai falar com o seu chefe, não? — perguntou o homem a Flávio, dando a entender que ele pagava o salário do superintendente.
Na mesma sequência a mulher interrompe a conversa e afirma:
— A gente paga você, filho.
No momento da confusão, Flávio tentou explicar ao casal que existiam diversas irregularidades no espaço e que os frequentadores não poderiam ficar aglomerados para evitar uma contaminação em massa. Pelo decreto da Prefeitura, cada mesa com as cadeiras devem ficar com pelo menos dois metros de distancia umas das outras. Ao informar a determinação, o cliente alterado disse:
— Cadê a sua trena? Eu quero saber como você mediu as pessoas.
Por fim, ao chamar o homem de cidadão, o ataque por parte da mulher:
— Cidadão, não. Engenheiro civil formado e melhor que você.
Naquele dia, o espaço onde o casal estava foi multado e o dono teve que fechar o bar. Após a veiculação da reportagem, Flávio — que é mestre e doutor pela Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ) — conversou com EXTRA e lamentou a atitude da dupla. Ainda segundo o superintendente, outro homem, que num primeiro momento se apresentou com advogado do estabelecimento, quis parar a inspeção. Não conseguiu. Logo depois, o advogado teria ido aos policiais militares que acompanhavam a ação e teria dito que era ele delegado e que a fiscalização tinha que ser suspensa. No entanto, a ação seguiu.
— Naquele dia, nós encontramos uma grande aglomeração no estabelecimento. Eu sempre registro, com um celular a ação, para dar legitimidade. Quando eu comecei a gravar, as pessoas começaram a se levantar. Não só aquela moça, mas outro rapaz. Eles vieram e disseram quem eu não tinha direito de gravá-los e pediram direito à imagem. Logo em seguida, falaram que iriam anotar o meu nome — afirma Flávio.
— Posteriormente, começaram a falar palavrões, todos muito agressivos. Aquelas agressões não me atingiram, porque ali estou representando o estado para proteger a vida deles. Mas quando um deles chegou com o celular perto do nariz do repórter e iria agredi-los, eu disse que se ele encostasse no jornalista eu iria dar voz de prisão e levá-lo para a delegacia — afirmou o superintendente.
“Ela achou que cidadão é ofensa e não é”
Ainda na confusão, um homem que se apresentou representante do estabelecimento apareceu.
— Um rapaz apareceu e disse que era um dos advogados (do espaço), tentando nos intimidar e disse que era para parar a inspeção. Eu disse que não iriamos parar de fiscaliza. Então, ele foi aos PMs que nos ajudavam e pediu pra me levarem para a delegacia. Naquele instante ele se apresentou como delegado. Os militares disseram que a Vigilância Sanitária não estava fazendo nada de errado e só estava cumprindo a legislação — destacou Flávio.
Indagado se ficou ofendido com os ataques dos frequentadores, o representante da Vigilância Sanitária é categórico:
— Não cabe mais no Brasil o “Você sabe com quem está falando?”. Isso está ficando cada vez mais banido. Todo cidadão contribui com seus impostos para justamente, nós protegê-los. Esse foi o princípio da cidadania que eles não exerceram. Ela achou que cidadão é ofensa e não é. Quando eles falam aquilo, não nos atingem. Todos são formados e com curso superior. Ficou feio para ela, para a imagem do carioca, fica ruim para o estabelecimento, porque ele não representa a maioria dos estabelecimentos que sofreram tanto pela pandemia. Uma classe que foi arrasada e agora muitos tentam retornar e aquilo mancha a classe da categoria. A Vigilância está a postos para proteger a sociedade do mal fornecedor — diz.
As imagens que chocaram o país, segundo a Vigilância Sanitária, têm sido rotineiras nos últimos dias. No entanto, o órgão tem feito uma capacitação em seus agentes para não cair em provocação.
— Temos encontrado, principalmente nos últimos dias, pessoas que não estão entendendo o nosso papel. Estamos ali para defendê-las. Mas, infelizmente, no Brasil a gente não tem a cultura de prevenção. Muitos não gostam da fiscalização e se sentem agredidos. E muitas das vezes vão contra nós. Então, fazemos uma capacitação psicológica e técnica para estabelecer um padrão técnico durante as abordagens. Somos orientados a não responder as agressões. Quem está agredindo não estão agredindo o fiscal. A pessoa por estar errada, ela tenta desvia o foco do problema, tentando desestabilizar o fiscal. Então, dizemos que não é para eles revidar a essa armadilha. Não queremos rebaixar a aquele nível. Quem está errado que fica nervoso — afirmou Graça.