EXCLUSIVO: IDENTIFICAMOS O HOMEM QUE TEVE O CARRO FUZILADO, ONTEM, EM CAMPO GRANDE
➡️ Se trata do Alcinei, morador das Casinhas do Tinguí, em Campo Grande. Ontem, a vítima teve seu carro perseguido e fuzilado. O mesmo chegou ser levado para Hospital Rocha Faria, porém, veio a óbito.
O RAPAZ ERA MUITO CONHECIDO NO TINGUÍ E ADJACÊNCIAS.
A ocupação de leitos destinados a pacientes com covid-19 nos hospitais estaduais do Rio de Janeiro registrou a menor taxa desde o início da pandemia, com uma queda de 36% nas unidades de terapia intensiva (UTIs). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (15) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Segundo a secretaria, a taxa, que já foi de 100% para toda a rede nas UTIs, com exceção do Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda, hoje é de 64%. Nas enfermarias, a ocupação é de 57%.
“A fila de espera para transferências pela covid-19, tanto em leitos de UTI quanto de enfermaria, também atingiu o menor patamar nesta pandemia, com apenas 73 pacientes. Deste total, 84% aguardam exames ou melhora do quadro clínico para efetivar a transferência. Nos últimos meses, apenas os hospitais de campanha do Maracanã e o Zilda Arns contavam com leitos livres”, informou a SES.
De acordo com a secretaria, a redução na taxa de ocupação nas unidades é reflexo da ampliação de leitos com hospitais de campanha e criação de leitos exclusivos em hospitais existentes, assim como o impacto do isolamento social determinado pelo governo em março.
Outro dado que representa a queda na taxa de transmissão da covid-19 no estado é o menor número de profissionais de saúde afastados das funções. No início de maio, 1.169 funcionários estavam com sintomas da doença. Hoje são 400.
O tratamento com o corticoide dexametasona reduz em um terço a mortalidade entre os pacientes mais graves de covid-19 – apontam os primeiros resultados de um grande teste clínico anunciados nesta terça-feira.
“A dexametasona é o primeiro medicamento que observamos que melhora a sobrevivência em caso de covid-19”, anunciaram os autores do estudo britânico Recovery.
Após o anúncio, o governo do Reino Unido informou que começará imediatamente a administrar o corticoide aos pacientes com covid-19.
Os pesquisadores liderados por uma equipe da Universidade de Oxford administraram a dexametasona, que tem um potente efeito anti-inflamatório, a mais de 2.000 pacientes em estado grave.
De acordo com os resultados preliminares, entre as pessoas que conseguiam respirar apenas com o auxílio de um respirador, a dexametasona reduziu as mortes em 35%, enquanto a taxa de mortalidade caiu 20% entre os que recebiam oxigênio.
“É um grande avanço na busca de novas maneiras de tratar enfermos da covid-19”, afirma em um comunicado o doutor Stephen Powis, diretor médico do NHS, o Serviço Nacional de Saúde britânico.
“O benefício em termos de sobrevivência é importante entre os pacientes que precisam de oxigênio. Para eles, a dexametasona deveria virar o tratamento base a partir de agora”, disse um dos coordenadores do teste Recovery, o doutor Peter Horby, da Universidade de Oxford.
“A dexametasona é barata, já é comercializada e pode ser utilizada imediatamente para salvar vidas no mundo”, completou.
Ao mesmo tempo, o estudo mostrou que o medicamento não tem nenhum benefício para os pacientes que não precisam de assistência respiratória.
Foram mais de oito horas de uma reunião online, mas ainda há algumas arestas em torno da volta do Campeonato Carioca para ser aparadas. Em Arbitral online que terminou na madrugada desta terça-feira, Ferj e clubes já têm uma data para a volta da competição: no dia seguinte ao aval da Prefeitura do Rio de Janeiro. A tendência é de que o Estadual recomece já nesta quinta-feira, com o confronto entre Flamengo e Bangu. No entanto, o fato de Fluminense e Botafogo se oporem veementemente a um retorno no fim deste mês fez com que o encontro não fosse dado como encerrado e definiu que haja nova assembleia nesta terça-feira, às 20h.
A Ferj precisa de um aval das autoridades governamentais e sanitárias do protocolo “Jogo Seguro” nesta quarta-feira. A competição será retomada com jogos sem a presença de público e disputados preferencialmente nos estádios do Maracanã, Nilton Santos e São Januário. A bola está sem rolar no Campeonato Estadual desde 16 de março, quando a competição foi interrompida em virtude da escalada da pandemia.
A recomendação do presidente da Ferj. Rubens Lopes, e aprovada pela maioria, era que os jogos fossem realizados a partir deste sábado. No entanto, houve a permissão que clubes que entrassem em acordo pudessem atuar até dois dias antes do previsto, fato que deu margem para o duelo entre Flamengo e Bangu ocorrer já nesta quinta-feira.
LONGA NEGOCIAÇÃO
De acordo com informações do jornalista Venê Casagrande, de “O Dia”, a longa duração no Arbitral (que começou às 17h45 e teve um intervalo entre 21h40 e 22h40 para nova retomada das tratativas) foi causada pelo desacordo entre os clubes quanto ao dia do retorno. O Flamengo, representado pelos dirigentes Bruno Spindel e Cacau Cotta, indicou que a equipe está em condições de medir forças com o Bangu (outra equipe que também voltou aos treinos rapidamente) o mais breve possível.
O Vasco (que teve Alexandre Campello como representante e enfrentará o Macaé assim que a competição retornar) e os representantes de clubes de menor investimento também manifestaram o desejo de voltar a campo. Contudo, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, manifestou com veemência sua oposição a uma volta neste mês e projetava que a retomada acontecesse em julho. O Botafogo, representado por Nelson Muffarej, também se opôs ao retorno imediato.
Por fim, foi permitido que Flamengo e Bangu meçam forças no dia 18, no jogo que, ao menos segundo a tabela projetada pela Ferj, oficializará a retomada. No dia seguinte, Portuguesa e Boavista entrarão em campo. Embora tenham jogos previstos para o dia 22, tanto Fluminense (que pega o Volta Redonda) e Botafogo (que encara a Cabofriense) fizeram duras críticas à volta neste dia. O Tricolor acenou com a chance de retorno na Taça Rio a partir do dia 29 de junho.
O estado do Rio de Janeiro tem 7.728 mortes e 80.946 casos confirmados de Covid-19, segundo números divulgados na segunda-feira. A taxa de letalidade de 9,55% é a maior do país.
OUTRAS NOVIDADES
Além da sugestão de uma data, o Arbitral oficializou algumas medidas em torno da sequência do Campeonato Carioca:
– está permitido que a cada equipe faça até cinco substituições, com três paralisações para trocas (além do intervalo)
– foi dado o aval para inscrições de até 12 atletas amadores (anteriormente, o limite era quatro para jogadores utilizados nas categorias de base)
– caso um jogador tenha trocado de clube no estado no decorrer desta paralisação, terá aval para disputar o Campeonato Carioca por sua nova equipe.
DATAS PARA OS JOGOS DA RODADA QUE REINICIARÁ A TAÇA RIO
Dia 18 – Bangu x Flamengo
Dia 19 – Portuguesa x Boavista
Dia 21 – Vasco x Macaé e Madureira x Resende
Dia 22 – Fluminense x Volta Redonda e Botafogo x Cabofriense
Na noite desta segunda-feira (15) viralizou um áudio de Latino nas redes sociais, em que ele conta um episódio pra lá de constrangedor que ele diz ter vivenciado na casa de Anitta. De acordo com o cantor, ele passou por uma situação humilhante com a Poderosa, que, segundo ele, falou mal dele publicamente para alguns gringos.
“Foi uma das maiores decepções da minha vida em relação a Anitta. A Kamilla [Fialho] me pediu para ela cantar no meu aniversário. Eu levei ela, o Buchecha e o Sapão e nos meus aniversários sempre vão empresários da música, executivos de gravadoras, contratantes e patrocinadores. Foi na época do lançamento da música ‘Meiga e Abusada’. Deixei ela cantar e ela nunca me agradeceu, nunca foi grata. Nada”, começou Latino no áudio.
“Passaram alguns anos, eu estava em uma boate, o Nego do Borel, que estava começando a fazer sucesso sempre teve um carinho por mim e me disse: ‘Eu vou lá na Anitta fazer um after. Quer ir?’ e aí eu falei que não iria porque ela nunca tinha sido grata. Ela cantou no meu aniversário, não me pediu obrigado e nunca me ajudou em nada’. Mas, ele insistiu: ‘Vamos lá para quebrar esse gelo’. Cheguei lá no condomínio Mansões, isso foi logo quando ela se mudou… Anitta estava conversando com uns gringos, uns caras do hip hop bem famosos, que eu não lembro os nomes. E aí comecei a desenrolar o meu inglês. Morei muito anos fora e sei falar bem e sei falar com todas as tribos. Eu estava desenrolando o meu inglês, mas não estava falando da minha carreira, nem quem eu era. Nada disso. Eu estava simplesmente dando uma atenção para os caras (gringos). Aí ela chega, daquele jeito dela de querer roubar a cena, toda espalhafatosa. Ela começou a falar, deixei ela falar, não falou comigo, fiquei quieto. ‘Oi, oi’, deu um oi assim bem frio, sabe? Eu estava no bar, no canto direito, ela não viu que eu estava falando inglês com o cara, não sabia que eu falava tão bem inglês, que eu tenho essa desenvoltura… aí os caras perguntaram ‘pô, quem é esse cara simpático?’. Aí a Anitta olhou e falou: ‘ah, ele é old school. Ele já fez muito sucesso lá atrás, mas hoje está falido, está quebrado.’ Aí eu tava ouvindo… juro, eu fiquei passado. Fiquei na mesma hora pensando: ‘desmoralizo ela ou fico calado e vou embora?’. Como eu estava na casada dela, eu olhei para o Nego do Borel e fui falar com ele. ‘Vou embora’ e estava com os olhos cheio d’água e disse que não estava me sentindo bem. O Nego quis saber o que tinha acontecido e fui embora. Ela estava me humilhando de uma forma desnecessária. Pra que ela foi falar que eu era velho, que eu já fiz sucesso, que era da geração da mãe dela e já tinha passado? Ela usou esses termos em inglês. Ou ela ficou com ciúmes porque os caras simpatizaram comigo e me deram atenção ou ela queria mesmo me desmerecer para não ficar amigo dos caras, que são produtores. Achei tão cruel da parte dela, tão sujo e feio. Me senti velho e me senti rebaixado. Cheguei em casa chorando e eu fiquei pensado o motivo de um ser humano desmerecer o outro para crescer e sentir superior. Essa coisa dela desmerecer os outros para se sentir poderosa é tão feio. Eu nunca mais quis ideia com ela e se ela estiver do meu lado, eu saio para outro canto…”, contou Latino.
Ouça!
Anitta e sua mania de humilhar os outros conferem os áudios exclusivos do Latino. Essa é a Anitta dos bastidores que resolve pisar em todo mundo pq de alguma forma vem se achando superior por conta de números NÚMEROS ESSES INEXISTENTES PQ TEM MUITO ROBÔ NO MEIO pic.twitter.com/vvyMzvf7gy
A compreensível dificuldade das autoridades e dirigentes das escolas de samba do Rio e de São Paulo anunciarem oficialmente que o Carnaval 2021 não será realizado no primeiro trimestre do ano impede resolver o problema com antecedência. Mesmo com a existência de uma vacina contra o coronavírus, a realização da maior festa popular brasileira é praticamente impossível. Ouvimos em confiança pelo menos seis fontes graduadas que não esconderam a preocupação.
Obstáculo 1 – Instabilidade Política
O governador do Rio, Wilson Witzel, aliado do Carnaval carioca, está sob fogo cerrado de um processo de impeachment que, dificilmente, ele conseguirá escapar de perder o mandato. Sua mulher, a advogada Helena Witzel, é uma ardorosa amante da festa e, dentro de casa, era a certeza que o marido não a desapontaria e que faria das tripas coração para ajudar na busca de patrocínios. Ambos, agora, estão arrolados também em séria investigação na Polícia Federal
Na capital, se o evangélico Marcelo Crivella vencer, não será o melhor parceiro, até por conta do comprometimento dele na tentativa de amenizar os danos mortais da Covid-19. Se qualquer outro vencer, inclusive o preferido de 20 entre 20 escolas de samba, Eduardo Paes, ele não teria tempo hábil para liberar os recursos necessários para ajudar na montagem do espetáculo.
Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas já disse em conversas reservadas com dirigentes que, se não houver o anúncio de uma vacina viável contra a doença até setembro, simplesmente ele não liberará a realização do Carnaval.
Obstáculo 2 – Recursos da Rede Globo
Uma fonte seis estrelas do Grupo Globo afirmou que a crise sanitária e publicitária são impedimentos reais para sair o apoio ao Carnaval no primeiro semestre. Lembre-se que a parcela de patrocínio da emissora, paga sempre religiosamente em dia, é uma tábua de salvação para as escolas.
“Ora, se estamos com cuidado redobrado quanto ao nosso próprio pessoal, inclusive seguindo o protocolo no que trata de gravações de novelas e shows – justamente para evitar aglomerações – não teremos tempo para vender as cotas do Carnaval. A crise é grave. Sem chances!”.
Obstáculo 3 – Risco de Saúde para os componentes
Em entrevista a Cleo Guimarães do site “Veja Rio”, o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, foi direto ao ponto: “Eu defendo a ideia de que só poderemos fazer quando houver segurança total, mesmo que a gente chegue ao extremo de ir direto para 2022”. “Não consigo pensar em uma coisa que não sei nem quando nem como será”. completou o artista.
Durante o isolamento social imposto pela pandemia, Leandro está se dedicando a escrever um livro falando sobre a abordagem crítica cada vez mais presente nas escolas de samba.
Leandro Vieira não é o único que comunga da mesma posição. O medo de contrair a doença não irá se dissipar em velozes seis meses.
É impossível acreditar que milhares de desfilantes sejam vacinados a tempo. Até porque o Governo Federal teria dificuldades de realizar vacinação em massa, lembrando que nem a distribuição de ajuda emergencial para parte da população ele ainda não conseguiu.
Obstáculo 4 – Liberação de Saúde
As autoridades que cuidam da saúde no Brasil não devem correr o alto risco de liberar uma festa que reúne artistas na pista e plateias lotadas sem que a segurança seja total. “Temos responsabilidade. Fora de cogitação”, comentou um secretário de Saúde.
Obstáculo 5 – Operação Conjunta com estados
O Carnaval não se restringe somente à exibição das escolas nos Sambódromos do Rio e São Paulo, e o de rua. No início do mês o governador da Bahia, Rui Costa do PT, reforçou que, se não houver uma vacina para a Covid-19, não haverá Carnaval em 2021 no Estado. Costa afirmou que o poder público não pode autorizar grandes eventos se há risco de aumentar ainda mais a contaminação pelo novo coronavírus. Segundo ele, seria “desumano e cruel admitir 5 mil, 10 mil mortes” para fazer a festa.
Obstáculo 6 – As Escolas de Samba
As escolas de samba nada decidirão sem autorização dos poderes constituídos, isto é certo. Há semanas, Gabriel David, da Beija-Flor, foi perguntado se teria ocorrido uma reunião de presidentes pelo adiamento: “Não é verdade. As escolas estão mais preocupadas em ajudar suas comunidades, a cidade, o estado, o país”, disse Gabriel David em vídeo. “Pensar em Carnaval vem em segundo plano”, completou o dirigente.
O fato é que, naquele momento, muitos pensavam estar diante de uma “gripezinha” e o que se vê agora, com mais de 43 mil mortos no Brasil, e quando ainda não se sabe quando será o pico da doença, surge a necessidade de um alinhamento de informação
PERSEGUIÇÃO, TIROS DE FUZIL E HOMEM CAÍDOS NO VIADUTO DO EXTRA, EM CAMPO GRANDE
Tudo começou por volta das 18:30 dessa segunda feira na estrada do tingui em Campo Grande na zona oeste do Rio de Janeiro
Dois carros em perseguição começaram a trocar tiros, foram em direção a estrada do campinho. Infelizmente um dos tiros acertou o porteiro de um prédio ( bella vida) no antigo luso brasileiro), moradores o levaram para o hospital Rocha Faria em Campo Grande
Dali seguiram para o viaduto de Campo Grande, aonde um dos carros foi alvejado com varios tiros atingindo o motorista .
Não sabemos o estado de saude do motorista!! Mais informações em instantes em nosso site
O coronavírus se espalha de forma raivosa pelas bordas do Rio de Janeiro, ou seja, pelos morros e favelas administradas por gangues de traficantes de drogas, onde a polícia não ousa ir a não ser em ataques armados.
A ausência de ajuda do estado – o presidente Jair Bolsonaro prometeu esmagar os criminosos “como baratas” – levou à intensificação do trabalho das gangues. Nos mesmos locais onde antes vendiam drogas com armas em punho, traficantes agora também pressionam o toque de recolher, o distanciamento social e a distribuição de alimentos para os mais necessitados.
“Tememos o vírus, não Bolsonaro”, disse Ronaldo, membro de uma gangue que, como a maioria das pessoas entrevistadas, solicitou o anonimato ou deu um nome falso. “Não podemos contar exatamente quantos já morreram. Os hospitais matam mais do que se você ficar em casa e se cuidar.”
Uma quadrilha de traficantes concedeu à CNN acesso a uma das comunidades mais pobres e socialmente isoladas do Rio, para ilustrar como lidou com a Covid-19. É uma área inacessível para os serviços de saúde pública. Álcool em gel, remédios e dinheiro são parte de um sistema que os membros das gangues estavam ansiosos para nos exibir. O Brasil é atualmente o segundo país em número de infecções por coronavírus, só atrás dos Estados Unidos, e onde os casos ainda dobram a cada duas semanas.
Quatro jovens descem de suas motos e começam a descarregar grandes sacos plásticos da traseira de uma caminhonete. O primeiro pacote de compras vai para uma manicure que está desempregada há quatro meses. O segundo para uma vendedora ambulante.
“As coisas estão ficando muito difíceis”, disse a vendedora informal, que pediu anonimato. Ela diz que está tentando montar uma barraca na comunidade, mas não há ninguém para comprar seus produtos.
“Pelo menos estou tentando”, contou. “As crianças e muitas pessoas estão ficando doentes. A comida que eles dão ajuda muito a gente.”
A ambulante conta que seu sogro morreu em abril de Covid-19. Segundo ela, o homem parecia estável, até que foi transferido para o hospital, onde morreu um dia depois.
“Até agora, não mandaram pra gente um relatório completo sobre o que aconteceu, só que era Covid-19″, disse. “Demorou duas semanas para ele ser enterrado.”
A moça conta que agora tem um tio doente e internado depois de pegar o vírus.
A ajuda médica está disponível na comunidade e as hospitalizações são raras.
“Médicos da comunidade estão ajudando voluntariamente os doentes”, afirmou Ronaldo. “As pessoas que têm dinheiro podem ter assistência. Outros simplesmente não podem.”
A comunidade local às vezes ajuda a pagar os enterros, diz Ronaldo.
“O isolamento estava indo bem aqui, mas agora até o presidente – em suas próprias palavras – está desprezando isso”, lamentou. “Mas a gente não pode facilitar. Vimos muita morte. A gente sabe que não é uma coisa pequena.”
Enquanto ele falava, dois adolescentes jogavam sinuca nas proximidades. Muitos aqui violam as regras de distanciamento social, como fazem os moradores da orla abaixo do morro.
“É complicado impor quarentena às pessoas”, disse Ronaldo.
Os traficantes de drogas – jovens armados com velhos rifles semiautomáticos, M4s de cano curto e, no caso de Ronaldo, uma pistola Glock adaptada a um rifle – ficaram tão especialistas em Covid-19 como são de narcóticos.
Quando perguntados se aceitariam uma das duas milhões de doses de hidroxicloroquina que os Estados Unidos concordaram em enviar ao Brasil (apesar de a droga ser considerada ineficaz contra a Covid-19 e talvez perigosa pela Organização Mundial da Saúde), Ronaldo responde:
“Eu não acho que a hidroxicloroquina ajuda. É besteira. Tudo o que vem do exterior para o Brasil já foi contaminado
Neia, cabeleireira até o início da pandemia, passou a fazer máscaras, que vende pela janela da frente, o que lhe permite ficar dentro de casa. Vende por R$ 10 o conjunto de três máscaras, mas não cobra de crianças.
“Eu tenho mais medo do vírus do que de qualquer outra coisa aqui”, confessou. “Um idoso que morava ao lado da minha casa morreu. As pessoas em geral estão respeitando o isolamento.”
O crime muitas vezes separa essa comunidade do resto do Rio. A polícia invade regularmente a área, como parte da repressão de Bolsonaro às favelas – ele disse que um policial que não mata não é um policial de verdade. O aumento dessas operações mortais vem sendo condenada por defensores dos direitos humanos.
O ataque mais recente perto dessa favela ocorreu no início de junho e deixou pelo menos sete mortos. Os sinais de que outro ataque pode estar a caminho estão por toda parte: uma grande pedra bloqueia uma rua e o som de fogos de artifício sai de um telhado – um aviso de que um vigia viu algo estranho, e a polícia pode estar voltando.
Traficantes do Rio distribuem medicamentos nas favelas
Nick Paton Walsh , Jo Shelley, Roberta Fortuna e William Bonnett, da CNN
15 de junho de 2020 às 14:55
O coronavírus se espalha de forma raivosa pelas bordas do Rio de Janeiro, ou seja, pelos morros e favelas administradas por gangues de traficantes de drogas, onde a polícia não ousa ir a não ser em ataques armados.
A ausência de ajuda do estado – o presidente Jair Bolsonaro prometeu esmagar os criminosos “como baratas” – levou à intensificação do trabalho das gangues. Nos mesmos locais onde antes vendiam drogas com armas em punho, traficantes agora também pressionam o toque de recolher, o distanciamento social e a distribuição de alimentos para os mais necessitados.
“Tememos o vírus, não Bolsonaro”, disse Ronaldo, membro de uma gangue que, como a maioria das pessoas entrevistadas, solicitou o anonimato ou deu um nome falso. “Não podemos contar exatamente quantos já morreram. Os hospitais matam mais do que se você ficar em casa e se cuidar.”
Os jovens traficantes, e não as equipes médicas do governo, são os que incentivam medidas contra o coronavírus na favela
Foto: Jo Shelley/CNN
Uma quadrilha de traficantes concedeu à CNN acesso a uma das comunidades mais pobres e socialmente isoladas do Rio, para ilustrar como lidou com a Covid-19. É uma área inacessível para os serviços de saúde pública. Álcool em gel, remédios e dinheiro são parte de um sistema que os membros das gangues estavam ansiosos para nos exibir. O Brasil é atualmente o segundo país em número de infecções por coronavírus, só atrás dos Estados Unidos, e onde os casos ainda dobram a cada duas semanas.
Quatro jovens descem de suas motos e começam a descarregar grandes sacos plásticos da traseira de uma caminhonete. O primeiro pacote de compras vai para uma manicure que está desempregada há quatro meses. O segundo para uma vendedora ambulante.
“As coisas estão ficando muito difíceis”, disse a vendedora informal, que pediu anonimato. Ela diz que está tentando montar uma barraca na comunidade, mas não há ninguém para comprar seus produtos.
“Pelo menos estou tentando”, contou. “As crianças e muitas pessoas estão ficando doentes. A comida que eles dão ajuda muito a gente.”
A ambulante conta que seu sogro morreu em abril de Covid-19. Segundo ela, o homem parecia estável, até que foi transferido para o hospital, onde morreu um dia depois.
“Até agora, não mandaram pra gente um relatório completo sobre o que aconteceu, só que era Covid-19″, disse. “Demorou duas semanas para ele ser enterrado.”
A moça conta que agora tem um tio doente e internado depois de pegar o vírus.
As ruas estão mais silenciosas do que o normal, mas ainda assim os únicos servidores do governo que chegam aqui são policiais em ações armadas
Foto: Jo Shelley/CNN
A ajuda médica está disponível na comunidade e as hospitalizações são raras.
“Médicos da comunidade estão ajudando voluntariamente os doentes”, afirmou Ronaldo. “As pessoas que têm dinheiro podem ter assistência. Outros simplesmente não podem.”
A comunidade local às vezes ajuda a pagar os enterros, diz Ronaldo.
“O isolamento estava indo bem aqui, mas agora até o presidente – em suas próprias palavras – está desprezando isso”, lamentou. “Mas a gente não pode facilitar. Vimos muita morte. A gente sabe que não é uma coisa pequena.”
Enquanto ele falava, dois adolescentes jogavam sinuca nas proximidades. Muitos aqui violam as regras de distanciamento social, como fazem os moradores da orla abaixo do morro.
“É complicado impor quarentena às pessoas”, disse Ronaldo.
Os traficantes de drogas – jovens armados com velhos rifles semiautomáticos, M4s de cano curto e, no caso de Ronaldo, uma pistola Glock adaptada a um rifle – ficaram tão especialistas em Covid-19 como são de narcóticos.
Quando perguntados se aceitariam uma das duas milhões de doses de hidroxicloroquina que os Estados Unidos concordaram em enviar ao Brasil (apesar de a droga ser considerada ineficaz contra a Covid-19 e talvez perigosa pela Organização Mundial da Saúde), Ronaldo responde:
“Eu não acho que a hidroxicloroquina ajuda. É besteira. Tudo o que vem do exterior para o Brasil já foi contaminado.”
Incapaz de trabalhar como cabeleireira por causa do coronavírus, Neia começou a fabricar e vender máscaras
Foto: Jo Shelley/CNN
As ruas parecem ocupadas apesar do toque de recolher. Os bares estão fechados, mas os negócios se adaptaram à pandemia.
Neia, cabeleireira até o início da pandemia, passou a fazer máscaras, que vende pela janela da frente, o que lhe permite ficar dentro de casa. Vende por R$ 10 o conjunto de três máscaras, mas não cobra de crianças.
“Eu tenho mais medo do vírus do que de qualquer outra coisa aqui”, confessou. “Um idoso que morava ao lado da minha casa morreu. As pessoas em geral estão respeitando o isolamento.”
O crime muitas vezes separa essa comunidade do resto do Rio. A polícia invade regularmente a área, como parte da repressão de Bolsonaro às favelas – ele disse que um policial que não mata não é um policial de verdade. O aumento dessas operações mortais vem sendo condenada por defensores dos direitos humanos.
O ataque mais recente perto dessa favela ocorreu no início de junho e deixou pelo menos sete mortos. Os sinais de que outro ataque pode estar a caminho estão por toda parte: uma grande pedra bloqueia uma rua e o som de fogos de artifício sai de um telhado – um aviso de que um vigia viu algo estranho, e a polícia pode estar voltando.
Daniel, que vende comida, diz que a morte está por toda a favela
Foto: Jo Shelley/CNN
Quase todo mundo com quem conversamos tinha uma história de morte ou infecção por coronavírus para contar. Daniel, que tem uma barraca de comida de rua, contou histórias de mortes que ouvira enquanto preparava pastéis.
“Hoje morreu uma garota que mora aqui perto”, relatou, acrescentando que um amigo dele com diabetes e problemas cardíacos também morreu repentinamente em casa. A rua em que ele vive já teve dois óbitos.
“Tem menos movimento nas ruas”, disse. “Eu lavo minhas mãos aqui o tempo todo. Uso álcool em gel nas mãos, máscaras e limpo muito a barraca.”
Ela conta que os traficantes proibiram os restaurantes de colocar mesas.
“O vírus está no controle aqui. Até os traficantes estão com medo. Não é possível controlar todo mundo.”
As motocicletas giram de um lado para o outro, algumas carregando jovens armados, outras levando meninas adolescentes para passear. As ruas fervilham de atividade. Às vezes parece um mundo antes do isolamento.
Mas os moradores dizem que as ruas estão bastante vazias. Os bares, dizem eles, normalmente teriam música e o tráfico de drogas seria mais prevalente.
Áreas como essas serão uma preocupação duradoura para os profissionais de saúde, à medida que a pandemia se espalha. O governo saberá pouco sobre como o vírus se disseminou nessas comunidades. Os moradores daqui podem viver separados dos bairros mais ricos do Rio, mas muitos trabalham lá e podem espalhar o vírus.
De repente, os fogos de artifício estalam novamente, e um olheiro teme que a polícia esteja a caminho.
A Food and Drug Administration (FDA, em inglês), órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos, revogou a autorização para uso emergencial dos medicamentos hidroxicloroquina e cloroquina para o tratamento de casos do novo coronavírus.
Depois de revisar pesquisas disponíveis sobre os medicamentos, a FDA determinou que eles não atendem aos critérios legais para autorização de uso emergencial, pois é improvável que sejam eficazes no tratamento da Covid-19 de acordo com as últimas evidências científicas. A conclusão foi publicada nesta segunda-feira (15) em relatório disponível no site da agência.
“A FDA concluiu que, com base nessas novas informações e em outras informações discutidas no memorando em anexo, não é mais razoável acreditar que as formulações orais de HCQ [hidroxicloroquina] e CQ [cloroquina] podem ser eficazes no tratamento da covid-19, nem é razoável acreditar que os benefícios conhecidos e potenciais desses produtos superam seus riscos conhecidos e potenciais”, escreveu a cientista-chefe da FDA, Denise Hinton, em uma carta a Gary Disbrow, da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédica Avançada (BARDA, em inglês).
“Consequentemente, o FDA revoga a autorização para o uso emergencial de HCQ e CQ no tratamento da Covid-19”, afirmou Hinton na carta. “Após a data desta carta, as formulações orais de HCQ e CQ não são mais autorizadas pelo FDA para tratar a Covid-19”.
A autorização de uso de emergência da FDA para hidroxicloroquina e cloroquina foi limitada em seu escopo e aplicada apenas a pacientes hospitalizados com o novo coronavírus.
Em transmissão ao vivo em suas redes sociais, ele disse que o governo não quer esconder os números das mortes por covid-19. No entanto, afirmou que estão sendo investigadas denúncias de casos de pessoas que morrem por outros males e teriam o registro de coronavírus.