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Cavalos, eternos escravos condenados à prisão perpétua e aos trabalhos forçados

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Condenados à prisão perpétua e aos trabalhos forçados, longe dos campos nos quais selvagemente galoparam por milhares de anos de vida livre, hoje existem como figuras tristes na paisagem urbana, maltratados, famintos, sedentos, cheios de cicatrizes e feridas causadas pelo uso do aparato de ferro e cangas atrelados a seus corpos para que puxem carroças carregadas de humanos que bem poderiam mover-se por suas próprias pernas, levando seus corpos a passearem por onde quisessem, sem precisar maltratar nenhum animal. E o cavalo trabalha todos os dias, a vida toda. Até cair morto, exaurido, ou doente, quando então ninguém mais o vê, e fica sob a tutela daqueles que o exploraram e exauriram a vida toda, o que é sinal de que não receberá cuidados devidos na doença ou na velhice.

Foto: saocarlosdiaenoite.com.br

Sabemos, há milênios, da existência de sensibilidade consciente em todos os animais, algo que acaba de ser confirmado pela Declaração de Cambridge sobre a Consciência em Humanos e Animais, proclamada em 7 de julho de 2012, na Inglaterra. Sabemos que eles têm inteligência, memória e raciocínio. Os filósofos greco-romanos (Ovídio, Sêneca, Plutarco e Porfírio), assim como Aristóteles, reconheciam que um nível não desprezível de racionalidade era próprio dos animais, não apenas dos humanos.

Mesmo assim, por conta da teoria do filósofo francês René Descartes (1596-1650), de que não haveria consciência em animais não-humanos, porque eles não possuiriam uma linguagem, passamos os últimos 400 anos fazendo tudo o que quisemos contra os animais, escravizando-os, explorando seus corpos e experimentando neles todos os venenos inventados ou descobertos pela ciência química. E gabamo-nos de que os animais foram criados por Deus para nosso serviço, porque não teriam nossa inteligência. Não foram. Se o foram, então também devemos ser escravizados, pelos mais fortes ou mais astutos, porque somos igualmente animais, muitas vezes com pouca inteligência, comparada à poderosa inteligência que a tudo escraviza e assombra.

Por conta da inocência de algumas espécies animais, do prazer de conviver com os humanos, nós as domesticamos. Galinhas, porcas, ovelhas, cabras, vacas, éguas e tantas outras fêmeas foram seduzidas pelo calor, abrigo, alimento e companhia de humanos nos últimos dez mil anos. Com o passar do tempo, os humanos construíram formas de deter os animais junto a si, para os usar como podiam, e podem cada vez mais, e tirar deles: força de tração, carnes, peles, couro, lã, leite, ovos, remédio e diversão. Nada escapa à lógica que ordena extrair o máximo de vantagem de qualquer criatura vulnerável, pois os animais são considerados objetos dos quais os humanos podem tomar posse, vender como mercadorias, explorar como escravos e matar.

Os cavalos não são exceção. Nem os usados para atrair turistas, nem os usados para puxar cargas de resíduos sólidos recicláveis pelas cidades. Condenados à prisão perpétua e aos trabalhos forçados, longe dos campos nos quais selvagemente galoparam por milhares de anos de vida livre, hoje existem como figuras tristes na paisagem urbana, maltratados, famintos, sedentos, cheios de cicatrizes e feridas causadas pelo uso do aparato de ferro e cangas atrelados a seus corpos para que puxem carroças carregadas de humanos que bem poderiam mover-se por suas próprias pernas, levando seus corpos a passearem por onde quisessem, sem precisar maltratar nenhum animal. Mas, não.

Os prospectos turísticos da cidade incitam os turistas a usarem o serviço do equino escravizado, como se isso fosse a coisa mais bela que uma cidade pudesse oferecer aos estranhos que a visitam. E os estranhos, seguindo a in-consciência dos nativos, usam o trabalho escravo dos equinos, sem dó nem piedade. Em sua mente, a palavra cavalo é sinônimo de força de tração, força de deslocamento ou meio de transporte. Ninguém pensa de si mesmo que, se tem músculos fortes, então isso quer dizer que nasceu para ser escravizado e puxar cargas alheias. Ninguém pensa que tem músculos fortes para carregar pesos que excedam uma vez e meia o próprio. Ninguém pensa isso de si. E quem pensa faz um contrato de prestação desse serviço.

Mas todo mundo que usa charretes puxadas por cavalos, em qualquer cidade do mundo, em qualquer país, acha natural andar de charrete como se fosse da natureza equina puxar charretes. Tão natural que chegam a abarrotar o veículo com sete pessoas, num total de uns 600 kg, somando-se o da carroça e o das pessoas, quando o peso do cavalo pode não passar ou nem chegar aos 500 kg. Ninguém pensa nisso. Todo mundo sobe na carroça (nome chique mesmo é charrete), paga ao boleeiro, não paga ao cavalo nem em alimento, nem em água, não paga hora extra, nem décimo terceiro salário, nem descanso semanal, nem férias.

E o cavalo trabalha todos os dias, a vida toda. Até cair morto, exaurido, ou doente, quando então ninguém mais o vê, e fica sob a tutela daqueles que o exploraram e exauriram a vida toda, o que é sinal de que não receberá cuidados devidos na doença ou na velhice.

 

Foto: saocarlosdiaenoite.com.br

Ao subir nas charretes, nenhuma turista examina atentamente o corpo do animal, seu peso, seu olhar, suas feridas ou cicatrizes de antigas feridas. Ninguém se interessa pelo animal cuja força de tração o puxará cidade acima e abaixo. Os humanos, seguindo a indiferença do boleeiro, do “dono do cavalo”, sobem na charrete e se deixam levar pelo animal, exatamente como há menos de duzentos anos faziam, subindo em liteiras levadas morro acima e abaixo, sob sol forte, seca, vento cortante ou chuva fria, pela força escravizada de homens negros.

Mas esse cavalo puxando charretes é um animal dotado de sensibilidade e consciência de tudo o que fazem ao corpo dele, de tudo o que fazem a ele. Esses cavalos escravizados, como todos os outros animais, são animais dorentes e sofrentes (termos criados por Richard D. Ryder em 1990 para designar a condição dos animais sob o jugo humano e não deixar que a ética perca seu foco).

Tudo o que se faz ao corpo deles, das trelas atadas firmemente com argolas de ferro, do freio atravessado em sua boca, das chinchas que o prendem às hastes da charrete, dos antolhos que os impedem de observar o ambiente para poderem mover-se em segurança, ao chicote com o qual são açoitados para atenderem aos comandos do boleeiro, tudo é fonte de agonia para o animal. Acostumado? Sim. Mas o costume de ser açoitado e amarrado não tira do cérebro do animal, nem do humano escravizado, a sensação dolorosa de privação de liberdade, ou a das inflamações causadas pela brutalidade do homem que o força a puxar a charrete.

Conforme o afirma o médico britânico, Dr. John Webster (Understanding the Dairy Cow), estudioso da dor em animais não-humanos, quanto mais tempo uma dor é infligida a um animal, maior a sensibilidade a ela. Se você tem uma ferida e sobre ela amarram uma corda para lhe fazer puxar uma caixa muito pesada, mais pesada do que seu próprio corpo, essa ferida lhe causará mais dor ainda. Se isso se repetir, a dor ficará cada vez mais intensa.

Mas os cavalos não reagem à dor! Sim, há espécies que não expressam a dor, porque na natureza, se o fizerem serão alvo dos predadores. Ah! Mas o cavalo não relincha de dor! Não mesmo? Mas isso não quer dizer que ele não a sinta. O que quer dizer é que ele sente duas vezes o que está acontecendo com ele: a dor do ferimento e o pavor de virar alvo de um predador, por estar ferido, caso relinche. Bovinos também reagem assim à dor.

Os cavalos não usam palavras. Nenhum outro animal que não o humano usa palavras. Isso não quer dizer que eles não tenham linguagem. Eles a têm. Sua linguagem é inteiramente corporal. Tudo o que estamos sentindo o cavalo percebe por conta do modo como mantemos nosso corpo ou fazemos movimentos em sua presença. Não precisamos falar com o cavalo para ele saber o que queremos dele. Ele sabe, pelo modo como nos comportamos junto a ele. Ele sabe, igualmente, de si. E, por natureza, não faz coisa alguma contrariando sua própria vontade, pois essa é genuína.

Em estado natural, para ser um equino, basta aprender com sua mãe como conduzir seu corpo no meio da manada, respeitando a hierarquia natural que a põe no posto de alfa, enquanto a jovem ou o jovem precisam aprender a ser aquilo para o qual nasceram. E a natureza, sim, tem um cavalo, mas ela o fez para cavalgar livre pelos campos, por, pelo menos, umas 18 horas por dia. Livres. Sem cargas para transportar. Seus músculos fortes estão ali para impulsionar seus corpos no ar, sim, porque cavalos nasceram, também, para “voar”. Quando galopam, voam pelos campos, crinas ao vento, fortes e velozes, causando inveja aos humanos sem asas e com pouca musculatura de impulso.

A inteligência dos cavalos é tal que eles pensam antes de tomarem qualquer decisão. Fazem muitas coisas no piloto automático, como também o fazemos. Mas sempre que algo novo interfere em seus hábitos, o cavalo raciocina até encontrar a forma mais segura de seguir adiante. Sua linguagem é absolutamente corporal e única. Apenas equinos a usam, como apenas alguns animais marinhos usam a bioluminescência para se comunicarem, e só eles a compreendem, porque nós, humanos, do alto do que consideramos a maior inteligência do planeta, somos tão rígidos em nossa linguagem que ficamos a exigir que os animais a aprendam, mas não envidamos esforços para decifrar a deles e nos comunicarmos com eles. Jane Goodall fez isso com os chimpanzés e Monty Roberts com os cavalos.

Segundo Roberts, cavalos, por natureza, não são animais de luta, são animais de fuga. Duplo tormento, para eles, serem atados a artefatos de guerra ou de cargas, pois qualquer ameaça será sentida como pânico, devido ao fato de não poderem fugir dela. Sua musculatura está evoluída para a fuga, não para o combate. Sua tendência natural, ao ser chicoteado, seria fugir. Mas, atado às correias que o ligam à charrete, cada chicoteada é mais uma fonte de sofrimento, porque está impedido de fugir. É o que ocorre na tortura de humanos.

Não é fácil para qualquer animal estar no polo das presas. E todo animal de fuga está. Humanos podem lutar ou fugir, de acordo com sua consciência da possibilidade de vitória. Cavalos, sabiamente, por conta de sua musculatura que favorece o impulso do galope, são evoluídos para fugir de toda ameaça, e, fugindo, conseguiram sobreviver até serem encontrados pelos humanos e terem sua vontade de fuga “domada”.

A doma é violência. Humanos têm espírito de liberdade. Mesmo se fossem acostumados a viver em uma jaula, sua vontade de movimento livre teria apenas sido quebrada, mas isso não significa que eles seriam felizes no sistema de confinamento completo. Não o são. As prisões estão aí para evidenciar o quanto seu espírito é quebrado. Com os cavalos, dá-se o mesmo.

Segundo Monty Roberts, o maior estudioso da mente de equinos, em seu livro, Violência não é a resposta, contrariamos a natureza do cavalo, ao domá-lo: “… quando estabelecemos parceria com um cavalo estamos lhe pedindo para fazer coisas que ameaçam sua própria natureza e vão contra ela. Selar um cavalo, por exemplo, é provocar a sensação de que ele está sendo atacado por um predador e isto o leva a agir em autodefesa. Infligir dor, para cessar um comportamento que é uma resposta natural, simplesmente confirma os temores do cavalo.” [p. 28].

Infelizmente, Roberts usa seu conhecimento da natureza de equinos para realizar o que chama de conjunção, a aproximação do cavalo com o humano, com a finalidade de obter vantagens para o humano, oferecendo alguma compensação para o animal. Entretanto, no regime escravocrata, também o senhor oferecia “compensações” para os escravos, pois, uma vez sequestrados de seu ambiente natural e social, os escravos não tinham onde obter alimentos e abrigo a não ser justamente na casa senhorial. Os que tentavam prover-se longe dela eram perseguidos e mortos. Poucos escapavam e sobreviviam nos quilombos.

Os cavalos escravizados não têm seus quilombos. Sua alforria depende inteiramente de nós, que temos a sensibilidade para estudar sua mente e compreender sua agonia. Se os cavalos continuarem a ser usados por aqueles que se consideram seus donos e por todas as pessoas que encontram benefícios em explorar sua força natural, eles jamais deixarão de ser explorados e escravizados, porque os humanos não se colocam no lugar deles, não se imaginam nunca puxando uma carga superior ao próprio peso, sob sol ou chuva, frio ou calor, por toda uma vida.

Os humanos não olham para as feridas no corpo do cavalo que puxa sua charrete. Não sabem sequer se aquele animal já ganhou comida e água. Não perguntam, ao subir na charrete, em que horário começou a árdua tarefa para o animal. Não querem nem saber se o animal poderá deitar-se para descansar quando for desatrelado da charrete e libertado do peso dos arreios e da tortura dos freios na boca. Não sabem. Não querem saber. Mas essa indiferença custa a vida para o animal.

O preço do prazer de passear em veículos puxados por animais é pago inteiramente pelo animal escravizado. E o dinheiro que dão ao boleeiro é gorjeta que o compensa pela tarefa de escravizar e torturar o animal. Os brancos contratavam um capataz para açoitar os escravos nas lavouras, para que trabalhassem mais e mais. Os turistas contratam um boleeiro para chicotear e maltratar o cavalo que os leva para cima e para baixo. Não há inocência nessa “tradição”. Nem do boleeiro, nem do passageiro. Por Sônia T. Felipe

Sabemos, há milênios, da existência de sensibilidade consciente em todos os animais, algo que acaba de ser confirmado pela Declaração de Cambridge sobre a Consciência em Humanos e Animais, proclamada em 7 de julho de 2012, na Inglaterra. Sabemos que eles têm inteligência, memória e raciocínio. Os filósofos greco-romanos (Ovídio, Sêneca, Plutarco e Porfírio), assim como Aristóteles, reconheciam que um nível não desprezível de racionalidade era próprio dos animais, não apenas dos humanos.

Mesmo assim, por conta da teoria do filósofo francês René Descartes (1596-1650), de que não haveria consciência em animais não-humanos, porque eles não possuiriam uma linguagem, passamos os últimos 400 anos fazendo tudo o que quisemos contra os animais, escravizando-os, explorando seus corpos e experimentando neles todos os venenos inventados ou descobertos pela ciência química. E gabamo-nos de que os animais foram criados por Deus para nosso serviço, porque não teriam nossa inteligência. Não foram. Se o foram, então também devemos ser escravizados, pelos mais fortes ou mais astutos, porque somos igualmente animais, muitas vezes com pouca inteligência, comparada à poderosa inteligência que a tudo escraviza e assombra.

Por conta da inocência de algumas espécies animais, do prazer de conviver com os humanos, nós as domesticamos. Galinhas, porcas, ovelhas, cabras, vacas, éguas e tantas outras fêmeas foram seduzidas pelo calor, abrigo, alimento e companhia de humanos nos últimos dez mil anos. Com o passar do tempo, os humanos construíram formas de deter os animais junto a si, para os usar como podiam, e podem cada vez mais, e tirar deles: força de tração, carnes, peles, couro, lã, leite, ovos, remédio e diversão. Nada escapa à lógica que ordena extrair o máximo de vantagem de qualquer criatura vulnerável, pois os animais são considerados objetos dos quais os humanos podem tomar posse, vender como mercadorias, explorar como escravos e matar.

 

Cavalo maltratado precisou ser retirado do acostamento com a ajuda de um guincho (Foto: Divulgação/Polícia Ambiental)

Os cavalos não são exceção. Nem os usados para atrair turistas, nem os usados para puxar cargas de resíduos sólidos recicláveis pelas cidades. Condenados à prisão perpétua e aos trabalhos forçados, longe dos campos nos quais selvagemente galoparam por milhares de anos de vida livre, hoje existem como figuras tristes na paisagem urbana, maltratados, famintos, sedentos, cheios de cicatrizes e feridas causadas pelo uso do aparato de ferro e cangas atrelados a seus corpos para que puxem carroças carregadas de humanos que bem poderiam mover-se por suas próprias pernas, levando seus corpos a passearem por onde quisessem, sem precisar maltratar nenhum animal. Mas, não.

Os prospectos turísticos da cidade incitam os turistas a usarem o serviço do equino escravizado, como se isso fosse a coisa mais bela que uma cidade pudesse oferecer aos estranhos que a visitam. E os estranhos, seguindo a in-consciência dos nativos, usam o trabalho escravo dos equinos, sem dó nem piedade. Em sua mente, a palavra cavalo é sinônimo de força de tração, força de deslocamento ou meio de transporte.

Ninguém pensa de si mesmo que, se tem músculos fortes, então isso quer dizer que nasceu para ser escravizado e puxar cargas alheias. Ninguém pensa que tem músculos fortes para carregar pesos que excedam uma vez e meia o próprio. Ninguém pensa isso de si. E quem pensa faz um contrato de prestação desse serviço.

Mas todo mundo que usa charretes puxadas por cavalos, em qualquer cidade do mundo, em qualquer país, acha natural andar de charrete como se fosse da natureza equina puxar charretes. Tão natural que chegam a abarrotar o veículo com sete pessoas, num total de uns 600 kg, somando-se o da carroça e o das pessoas, quando o peso do cavalo pode não passar ou nem chegar aos 500 kg. Ninguém pensa nisso. Todo mundo sobe na carroça (nome chique mesmo é charrete), paga ao boleeiro, não paga ao cavalo nem em alimento, nem em água, não paga hora extra, nem décimo terceiro salário, nem descanso semanal, nem férias.

E o cavalo trabalha todos os dias, a vida toda. Até cair morto, exaurido, ou doente, quando então ninguém mais o vê, e fica sob a tutela daqueles que o exploraram e exauriram a vida toda, o que é sinal de que não receberá cuidados devidos na doença ou na velhice. Ao subir nas charretes, nenhuma turista examina atentamente o corpo do animal, seu peso, seu olhar, suas feridas ou cicatrizes de antigas feridas. Ninguém se interessa pelo animal cuja força de tração o puxará cidade acima e abaixo. Os humanos, seguindo a indiferença do boleeiro, do “dono do cavalo”, sobem na charrete e se deixam levar pelo animal, exatamente como há menos de duzentos anos faziam, subindo em liteiras levadas morro acima e abaixo, sob sol forte, seca, vento cortante ou chuva fria, pela força escravizada de homens negros.

Mas esse cavalo puxando charretes é um animal dotado de sensibilidade e consciência de tudo o que fazem ao corpo dele, de tudo o que fazem a ele. Esses cavalos escravizados, como todos os outros animais, são animais dorentes e sofrentes (termos criados por Richard D. Ryder em 1990 para designar a condição dos animais sob o jugo humano e não deixar que a ética perca seu foco).

Tudo o que se faz ao corpo deles, das trelas atadas firmemente com argolas de ferro, do freio atravessado em sua boca, das chinchas que o prendem às hastes da charrete, dos antolhos que os impedem de observar o ambiente para poderem mover-se em segurança, ao chicote com o qual são açoitados para atenderem aos comandos do boleeiro, tudo é fonte de agonia para o animal. Acostumado? Sim. Mas o costume de ser açoitado e amarrado não tira do cérebro do animal, nem do humano escravizado, a sensação dolorosa de privação de liberdade, ou a das inflamações causadas pela brutalidade do homem que o força a puxar a charrete.

Conforme o afirma o médico britânico, Dr. John Webster (Understanding the Dairy Cow), estudioso da dor em animais não-humanos, quanto mais tempo uma dor é infligida a um animal, maior a sensibilidade a ela. Se você tem uma ferida e sobre ela amarram uma corda para lhe fazer puxar uma caixa muito pesada, mais pesada do que seu próprio corpo, essa ferida lhe causará mais dor ainda. Se isso se repetir, a dor ficará cada vez mais intensa. Mas os cavalos não reagem à dor! Sim, há espécies que não expressam a dor, porque na natureza, se o fizerem serão alvo dos predadores. Ah! Mas o cavalo não relincha de dor! Não mesmo? Mas isso não quer dizer que ele não a sinta. O que quer dizer é que ele sente duas vezes o que está acontecendo com ele: a dor do ferimento e o pavor de virar alvo de um predador, por estar ferido, caso relinche. Bovinos também reagem assim à dor.

 Foto, Google

 

Os cavalos não usam palavras. Nenhum outro animal que não o humano usa palavras. Isso não quer dizer que eles não tenham linguagem. Eles a têm. Sua linguagem é inteiramente corporal. Tudo o que estamos sentindo o cavalo percebe por conta do modo como mantemos nosso corpo ou fazemos movimentos em sua presença. Não precisamos falar com o cavalo para ele saber o que queremos dele. Ele sabe, pelo modo como nos comportamos junto a ele. Ele sabe, igualmente, de si. E, por natureza, não faz coisa alguma contrariando sua própria vontade, pois essa é genuína.

Em estado natural, para ser um equino, basta aprender com sua mãe como conduzir seu corpo no meio da manada, respeitando a hierarquia natural que a põe no posto de alfa, enquanto a jovem ou o jovem precisam aprender a ser aquilo para o qual nasceram. E a natureza, sim, tem um cavalo, mas ela o fez para cavalgar livre pelos campos, por, pelo menos, umas 18 horas por dia. Livres. Sem cargas para transportar. Seus músculos fortes estão ali para impulsionar seus corpos no ar, sim, porque cavalos nasceram, também, para “voar”. Quando galopam, voam pelos campos, crinas ao vento, fortes e velozes, causando inveja aos humanos sem asas e com pouca musculatura de impulso.

A inteligência dos cavalos é tal que eles pensam antes de tomarem qualquer decisão. Fazem muitas coisas no piloto automático, como também o fazemos. Mas sempre que algo novo interfere em seus hábitos, o cavalo raciocina até encontrar a forma mais segura de seguir adiante. Sua linguagem é absolutamente corporal e única. Apenas equinos a usam, como apenas alguns animais marinhos usam a bioluminescência para se comunicarem, e só eles a compreendem, porque nós, humanos, do alto do que consideramos a maior inteligência do planeta, somos tão rígidos em nossa linguagem que ficamos a exigir que os animais a aprendam, mas não envidamos esforços para decifrar a deles e nos comunicarmos com eles. Jane Goodall fez isso com os chimpanzés e Monty Roberts com os cavalos.

Segundo Roberts, cavalos, por natureza, não são animais de luta, são animais de fuga. Duplo tormento, para eles, serem atados a artefatos de guerra ou de cargas, pois qualquer ameaça será sentida como pânico, devido ao fato de não poderem fugir dela. Sua musculatura está evoluída para a fuga, não para o combate. Sua tendência natural, ao ser chicoteado, seria fugir. Mas, atado às correias que o ligam à charrete, cada chicoteada é mais uma fonte de sofrimento, porque está impedido de fugir. É o que ocorre na tortura de humanos. Não é fácil para qualquer animal estar no polo das presas. E todo animal de fuga está. Humanos podem lutar ou fugir, de acordo com sua consciência da possibilidade de vitória. Cavalos, sabiamente, por conta de sua musculatura que favorece o impulso do galope, são evoluídos para fugir de toda ameaça, e, fugindo, conseguiram sobreviver até serem encontrados pelos humanos e terem sua vontade de fuga “domada”.

A doma é violência. Humanos têm espírito de liberdade. Mesmo se fossem acostumados a viver em uma jaula, sua vontade de movimento livre teria apenas sido quebrada, mas isso não significa que eles seriam felizes no sistema de confinamento completo. Não o são. As prisões estão aí para evidenciar o quanto seu espírito é quebrado. Com os cavalos, dá-se o mesmo. Segundo Monty Roberts, o maior estudioso da mente de equinos, em seu livro, Violência não é a resposta, contrariamos a natureza do cavalo, ao domá-lo: “… quando estabelecemos parceria com um cavalo estamos lhe pedindo para fazer coisas que ameaçam sua própria natureza e vão contra ela. Selar um cavalo, por exemplo, é provocar a sensação de que ele está sendo atacado por um predador e isto o leva a agir em autodefesa. Infligir dor, para cessar um comportamento que é uma resposta natural, simplesmente confirma os temores do cavalo.” [p. 28].

Infelizmente, Roberts usa seu conhecimento da natureza de equinos para realizar o que chama de conjunção, a aproximação do cavalo com o humano, com a finalidade de obter vantagens para o humano, oferecendo alguma compensação para o animal. Entretanto, no regime escravocrata, também o senhor oferecia “compensações” para os escravos, pois, uma vez sequestrados de seu ambiente natural e social, os escravos não tinham onde obter alimentos e abrigo a não ser justamente na casa senhorial. Os que tentavam prover-se longe dela eram perseguidos e mortos. Poucos escapavam e sobreviviam nos quilombos.

Os cavalos escravizados não têm seus quilombos. Sua alforria depende inteiramente de nós, que temos a sensibilidade para estudar sua mente e compreender sua agonia. Se os cavalos continuarem a ser usados por aqueles que se consideram seus donos e por todas as pessoas que encontram benefícios em explorar sua força natural, eles jamais deixarão de ser explorados e escravizados, porque os humanos não se colocam no lugar deles, não se imaginam nunca puxando uma carga superior ao próprio peso, sob sol ou chuva, frio ou calor, por toda uma vida.

Os humanos não olham para as feridas no corpo do cavalo que puxa sua charrete. Não sabem sequer se aquele animal já ganhou comida e água. Não perguntam, ao subir na charrete, em que horário começou a árdua tarefa para o animal. Não querem nem saber se o animal poderá deitar-se para descansar quando for desatrelado da charrete e libertado do peso dos arreios e da tortura dos freios na boca. Não sabem. Não querem saber. Mas essa indiferença custa a vida para o animal.

O preço do prazer de passear em veículos puxados por animais é pago inteiramente pelo animal escravizado. E o dinheiro que dão ao boleeiro é gorjeta que o compensa pela tarefa de escravizar e torturar o animal. Os brancos contratavam um capataz para açoitar os escravos nas lavouras, para que trabalhassem mais e mais. Os turistas contratam um boleeiro para chicotear e maltratar o cavalo que os leva para cima e para baixo. Não há inocência nessa “tradição”. Nem do boleeiro, nem do passageiro.

Por: Sônia T. Felipe

Fonte: Pensata Animal

Gravação de Luciano Huck termina com bombeiros, ambulância e hospital

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O programa Caldeirão do Huck é um dos de maior audiência da Rede Globo de Televisão. O apresentador exibiu neste sábado, 17 de agosto, um quadro cujo objetivo era mostrar um recorde mundial.

Ao todo, 2019 pessoas foram colocadas enfileiradas e amarradas a colchões. O objetivo era formar o maior dominó humano com o uso do utensílio já realizado em todo o planeta.

O recorde acabou sendo batido e entrou no Guiness Book, o livro dos recordes. No entanto, nem tudo acabou bem, como mostra uma matéria publicada nesta segunda-feira, 19 de agosto, pelo colunista Léo Dias, do portal de notícias UOL.

Um senhor teria se machucado, durante a iniciativa. A ação acabou terminando mal para ele, pois envolveu a ação do corpo de bombeiros, uma ambulância e até mesmo a levada do participante ao hospital.

De acordo com Léo Dias, a própria Globo falou sobre a situação em uma nota enviada ao colunista, como mostra o texto a seguir, dando detalhes sobre o caso: “Enquanto participava da gravação, um dos participantes sentiu dores no joelho e avisou à produção ao final da dinâmica, relatando também que já tinha problemas nesta articulação. Após receber os primeiros atendimentos dos bombeiros e equipe médica que acompanhavam a gravação, ainda no local, foi levado para o hospital para avaliação e recebeu alta no mesmo dia”, disse a nota do canal carioca.

Vale lembrar que o quadro com Luciano Huck já havia criado polêmica por mostrar o apresentador usando uma camisa vermelha e fingindo que trechos gravados, na verdade, eram ao vivo.  Luciano foi bastante criticado.

BANDIDO É MORTO EM MANGUARIBA( FOTOS)

Um assaltante , sem nome revelado, foi perseguido e morto, ontem,  domingo ( 19) no estacionamento do depósito do guanabara, em Manguariba zona oeste do Rio de Janeiro

Segundo informações: roubaram o posto shell ao lado da Lafarge e a polícia foi atrás. Tinha mais ladrões que, infelizmente, conseguiram fugir.

Mais informações em instantes em nosso site

ALÔ DIREITOS HUMANAS!! ESSA PRA VOCÊS!!

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Indo mais um dia para o colégio estudar com mochila e guarda chuva !
Alô direito humano!!
Da mesma forma que terroristas do Oriente Médio usam a população como escudo humano, os narcoterroristas do Rio usam a população das favelas para proteger o seu negócio.

Os grandes entrepostos de distribuição de drogas estão em favelas, mas não porque os traficantes são pobres coitados sem oportunidades. Eles estão lá porque a população local – inclusive mulheres, crianças e idosos – serve de escudo humano e sistema de alerta contra as forças policiais.

Toda a vez que você ler uma machete que diz “jovem trabalhador baleado em troca de tiros” lembre-se disso. Essas pessoas não são baleadas por acaso; seus ferimentos ou morte servem de proteção ao tráfico, e ainda trazem o benefício adicional de demonizar a polícia e levar a sociedade a ter empatia com os narcoterroristas.

Essa empatia – essencial para os negócios – é estimulada por uma mídia mal informada e por ONGs de “direitos humanos” que são, muitas vezes, departamentos de marketing do narcoterror.

Você já deve ter visto inúmeros depoimentos de famílias de vítimas de “bala perdida” acusando a polícia. Mas você lembra de algum depoimento em que a família acusa o tráfico?

Você já deve ter visto os comoventes – e convenientes – desenhos feitos por crianças das “comunidades” que mostram helicópteros atirando em pessoas. O que você provavelmente não sabe é que o helicóptero oferece proteção essencial para operações policiais contra narcoterroristas escondidos nas favelas, e por isso impedir seu uso é fundamental. O helicóptero preserva as vidas dos policiais e das pessoas de bem, mas é uma ameaça ao narcoterror. Veja: a tática de usar crianças para proteção e propaganda é EXATAMENTE a mesma que a organização terrorista Hamas usa na faixa de Gaza.

Lendo os jornais e ouvindo algumas ONGs e “redes” de comunidades é inevitável que você, cidadão comum, conclua que:

• A polícia não sabe o que faz, e é uma ameaça permanente ao bem-estar dos pobres.

• O traficante é um empreendedor social que não atrapalha ninguém, e é querido pela “comunidade”.

A verdade é que os narcoterroristas impõem um regime de terror nas favelas que ocupam, abusando dos moradores e os usando como escudo. Os traficantes são odiados pelos cidadãos de bem e trabalhadores, que são a maioria absoluta em todas as “comunidades”, e que são permanentemente mantidos como reféns.

A verdade é que o narcoterrorismo gera e financia boa parte das atividades criminosas, espalhando crime, corrupção e medo por todo lugar. O assalto ou sequestro relâmpago de que você foi vítima provavelmente se originou no tráfico.

Mas você jamais saberá isso lendo um jornal.

O Rio pode voltar a ser um lugar tranquilo para se viver, assim como Nova Iorque, Miami, San Francisco, Milão, Frankfurt, Londres ou Bruxelas. Em todas essas cidades existe tráfico; em nenhuma delas existe narcoterror.

Nenhuma sociedade estará jamais livre do tráfico de drogas, mas PODEMOS SIM nos livrar dos narcoterroristas, e em pouco tempo.

Mas para isso é preciso que você conheça – e divulgue – a verdade.

POLICIAL MILITAR COMETE SUICÍDIO E DEIXA CARTA DE DESPEDIDA

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MAIS UM SUICIDIO CARTA DE DESPEDIDA!!!
Polícia antes de tirar sua própria vida escreve um texto de despedida em sua rede social,..triste realidade que vivenciamos em meio nossa profissão!

infelizmente, através desta, despeço-me de tudo e todos. Estou cansado de mim mesmo, de fazer bobagens, de beber demais. Há alguns tempos travei uma batalha contra a depressão e o uso abusivo de álcool, mas, infelizmente, perdi.

Peço perdão aos que ficam e, principalmente, a Deus. Que receba minha alma de braços abertos e faça parar a vergonha constante que sinto de mim mesmo.

Sempre fui uma boa pessoa e jamais prejudicaria alguém, mas tão somente eu mesmo.

Foram 9 anos na Polícia Militar e eu vos digo, caros amigos: cuidem-se! A polícia é super estressante e, como no meu caso, pode ser fatal.

Agradeço imensamente ao carinho e atenção de minha mãe, Elizabeth, e meu irmão, Raul. São pessoas maravilhosas que me amam muito. E eu também sempre amarei vocês.

Um grande abraço a todos os meus amigos, sejam do Ordem e Progresso, do Cefet, Tiradentes, da PMMG, do curso de Direito ou História.

NINGUÉM TEM CULPA DE NADA! Essa é uma decisão minha.

Cuidem-se e não me julguem. Orem por mim. E quero que se lembrem sempre de mim pelos sorrisos, pelas brincadeiras.

Para meus familiares: doem meus órgãos. Ajudem quem realmente precisa.

Um abraço

Lamentamos muito por esta fatalidade,Deus conforte toda família e amigos neste momento de luto !Belo Horizonte,Minas Gerais e toda segurança pública do Brasil em luto!

Mais um suicídio de policial militar. 😔

O trabalho Policial Militar é super estressante, são cobranças e críticas de todos os lados. Todos culpam você por tudo de errado que acontece na sociedade; temos a impressão que o policial é o único remédio, a solução para todas as mazelas sociais.

Em caso de desespero ligue para o CVV no 188 funciona 24 horas por dia, eles trabalham de forma voluntária e gratuita ajudando e ouvindo as pessoas, o sigilo é garantido.

Más notícias: O Coala é declarado funcionalmente extinto

Mais um dia triste para o reino animal. O Coala foi declarado funcionalmente extinto e isso tem um impacto gigante no ecossistema, já que o animal desempenha um papel fundamental para o equilíbrio.

O Australian Koala Foundation (AFK), informou ao site Mega Curioso que não existem mais de 80 mil coalas na Austrália, o que decreta a sua extinção funcional. A pior parte é que, além da quantidade ser baixa, o número vem decrescendo rapidamente.

Créditos: People

Ainda é difícil mensurar a quantidade de coalas existentes na terra, mas estima-se que o principal causador do desaparecimento da espécie se dá por conta das mudanças climáticas e do desmatamento de algumas regiões, sobretudo na Austrália.

MOTORISTA E PASSAGEIRO DA UBER SÃO MORTOS NO RJ

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Dois homens foram encontrados mortos na manhã de sábado (17) na Estrada Pastor Antônio Martins, no bairro de São Simão, em Queimados, na Baixada Fluminense. Segundo a PM, um deles era motorista de Uber e o outro seria passageiro.

Após receber denúncia de moradores, policiais do 20º Batalhão (Mesquita) encontraram no local os corpos, com marcas de tiros, de Diogo Amador de Lira, 20 anos, e de um homem ainda não identificado ao lado de um carro modelo Chevrolet Onix com as portas abertas.

Segundo moradores ouvidos pela PM, foram ouvidos disparos por volta de 2h da madrugada, mas ainda não há informações sobre os autores ou o motivo do crime. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicidios da Baixada Fluminense.

A perícia foi feita no local. Os corpos foram encaminhados para o IML da região. Os agentes estão em busca de possíveis testemunhas e imagens de câmeras de segurança instaladas na região onde ocorreu o fato para tentar identificar a autoria dos crimes.

 

MOTORISTA DA UBER DO BEM.

UBER DO BEM

Na sexta-feira eu chamei o Uber pelo aplicativo e peguei no estacionamento do Guanabara e fui para casa em senador camará e acabei esquecendo algumas coisas dentro do carro esqueci minha bolsa com o dinheiro com cartão e algumas coisas que eu tinha comprado e ele foi muito honesto ele voltou para me devolver as coisas Eu queria muito agradecer ele publicamente , quero agradecer pela honestidade dele , ele foi bastante Gentil , educado , compreensivo .
♥️. Que Deus abençoe muito a vida dele !