Um dos atores de destaque no casting da TV Globo, Felipe Camargo passou por apuros no início do mês de março. O intérprete dos personagens Américo Valência, Eugênio Castelo e Raj Ravi em Espelho da Vida foi parar no hospital recentemente.
De acordo com informações do programa A Tarde é Sua, da RedeTV, Felipe chegou bem debilitado no Hospital Samaritano, localizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A assessoria de comunicação da unidade confirmou a passagem do ator pelo local no dia 05.
O ator, contratado da TV Globo, está com 58 anos. (Foto: Divulgação/Globo)
Só não foi informado por qual procedimento o ator foi submetido, mas afirmaram que não foi preciso internação. Felipe entrou no hospital no dia 05 e deixou o local na mesma data, dando a entender que não aconteceu nada grave. Ele segue gravando a novela das seis Espelho da Vida.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vai solicitar um novo edital de concurso público (Concurso ANVISA 2019) para preenchimento de vagas no seu quadro pessoal efetivo. O prazo para enviar a solicitação de concursos no âmbito federal vai até o dia 31 de maio.
De acordo com a assessoria de comunicação da Anvisa, um ofício será encaminhado ao Ministério da Saúde informando a demanda de vagas. Este, por sua vez, vai ter o papel de encaminhar o pedido do concurso junto ao Ministério da Economia através de um aviso ministerial. O quantitativo de vagas da solicitação ainda não foi informado.
De acordo com informações da autarquia, o atual déficit é de 85 cargos, sendo 08 de analista administrativo, 46 de técnico administrativo, 29 de especialista em regulação e vigilância sanitária e dois de técnico em regulação e vigilância sanitária.
A última solicitação da Anvisa foi feita em 2017, quando contou com 697 vagas solicitadas, número que incluía cargos já vagos na instituição e também a criação de novos. Há a possibilidade que o novo pedido tenha número maior, considerando o provável aumento no déficit de pessoal desde então.
Na ocasião, as oportunidades foram solicitadas aos cargos de Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária (457 vagas), Analista Administrativo (68 vagas), Técnico em Regulação e Vigilância Sanitária (48 vagas) e Técnico Administrativo (124 vagas).
Quando foi solicitado, a senadora e presidente do colegiado, Marta Suplicy (PMDB/SP), disse que o objetivo era fortalecer a agência e dar mais segurança ao consumidor brasileiro. “O déficit hoje de funcionários necessários para a Anvisa funcionar como uma agência desse porte deve funcionar é de 697 pessoas. A Anvisa é uma instituição que nós todos temos e confiamos que nos proteja no que se refere aos remédios. Nós vamos fazer um documento pedindo o concurso, que será encaminhado ao Planejamento. Estamos falando de saúde pública e é uma demanda do povo brasileiro ”, disse Marta.
Cargos do Concurso ANVISA 2019 – Exigências e Atribuições
O Técnico da Administrativo da Anvisa tem como atribuições exercer atividades administrativas e logísticas de nível intermediário, relativas ao exercício das competências constitucionais e legais a cargo da ANVISA, fazendo uso de todos os equipamentos e recursos disponíveis para a consecução dessas atividades; implementar e executar planos, programas e projetos relativos às atividades de regulação; subsidiar e apoiar tecnicamente as atividades de normatização e regulação; subsidiar a formulação de planos, programas e projetos relativos às atividades inerentes à ANVISA. Para concorrer a este cargo é necessário nível médio completo, em instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).
O Técnico em regulação e Vigilância Sanitária tem como atribuições suporte e apoio técnico especializado às atividades de regulação, inspeção, fiscalização e controle das instalações físicas, da produção e da comercialização de alimentos, medicamentos e insumos sanitários, bem como à implementação de políticas e à realização de estudos e pesquisas respectivos a essas atividades; fiscalização do cumprimento das regras pelos agentes do mercado regulado; orientação aos agentes do mercado regulado e ao público em geral; e execução de outras atividades finalísticas inerentes ao exercício da competência da Anvisa. Exigência de Diploma ou Certificado de nível médio (antigo 2º grau) ou equivalente emitido por instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).
O Analista Administrativo terá missão de atividades administrativas e logísticas relativas ao exercício das competências constitucionais e legais a cargo da Anvisa, fazendo uso de todos os equipamentos e recursos disponíveis para a consecução dessas atividades. Requisito de nível superior na respectiva área de atuação.
Por fim, o cargo de Especialista em Regulação terá que realizar atividades especializadas de regulação, inspeção, fiscalização e controle das instalações físicas da produção e da comercialização de alimentos, medicamentos e insumos sanitários, bem como à implementação de políticas e à realização de estudos e pesquisas respectivos a essas atividades; formulação e avaliação de planos, programas e projetos relativos às atividades de regulação; elaboração de normas para regulação do mercado; planejamento e coordenação de ações de fiscalização de alta complexidade; gerenciamento, coordenação e orientação de equipes de pesquisa e de planejamento de cenários estratégicos; gestão de informações de mercado de caráter sigiloso; orientação aos agentes do mercado regulado e ao público geral; e execução de outras atividades finalísticas inerentes ao exercício da competência da Anvisa.
Último Concurso
O último concurso de nível médio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aconteceu em 2016, quando contou com 78 vagas para o cargo de Técnico Administrativo. Do quantitativo de vagas oferecidas, 16 foram reservadas aos negros e 04 aos portadores de necessidades especiais. O Cebraspe (antigo Cespe) teve a responsabilidade do certame.
Em 2013 a autarquia também chegou a divulgar a abertura de concurso com nada menos que 314 vagas. Desse total, 128 foram destinadas a candidatos de nível médio (100 para técnico em regulação e vigilância sanitária e 28 para técnico administrativo) e 186 para nível superior (157 para especialista em regulação e vigilância sanitária e 29 para analista administrativo). Este concurso foi organizado pela Cetro Concursos.
As oportunidades foram destinadas as cidades de São Paulo (SP), Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte(MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba(PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB),Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Alegre(RS), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador(BA), São Luís (MA), Teresina (PI) e Vitória (ES).
Sobre a Anvisa
Criada pela Lei nº 9.782, de 26 de janeiro 1999, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é uma autarquia sob regime especial, que tem como área de atuação não um setor específico da economia, mas todos os setores relacionados a produtos e serviços que possam afetar a saúde da população brasileira.
Alice Cooper ficou mundialmente conhecido nos anos 70 por seus shows de rock que chocavam e provocam o público, junto com letras obscenas, obscuras e sangrentas que, junto com seu visual gótico, o transformaram em um ícone do rock.
No entanto, a trajetória de Alice foi marcada por uma insatisfação que só foi preenchida depois que ele decidiu se render ao Deus de sua infância.
“Quando você chega no auge e percebe que teve carros, casas e tudo mais, você vê que essa não era a resposta”, disse o cantor ao site CNS News. “Há um grande nada no final disso. O materialismo não significa nada. Muitas pessoas dizem que há um buraco do tamanho de Deus em seu coração. E quando ele está completo, você realmente fica satisfeito. É onde eu estou agora”.
Vincent Damon Furnier — seu nome de registro — nasceu em 1948 e foi criado por uma família de pastores em Arizona, nos Estados Unidos. Neto de pastor, o artista já realizou trabalhos missionários com seu pai e outros companheiros, mas decidiu abandonar a fé.
Movido pelo sucesso, Alice esqueceu os primeiros capítulos de sua vida. No entanto, seu vício em álcool acabou o conduzindo de volta. “Eu vomitava sangue todas as manhãs. Eu realmente era um alcoólatra. Eu não era um alcoólatra violento, mas eu era autodestrutivo”, confessa.
Quando Alice decidiu fazer uma consulta com um médico para iniciar o tratamento contra seu vício, ele experimentou um toque sobrenatural de Deus. “Quando saí do hospital, fiquei esperando vir a vontade de beber, e ela nunca mais veio. Foi um milagre”, disse o cantor.
“Eu digo às pessoas que não sou um alcoólatra tratado, sou um alcoólatra curado. Eu nunca fui ao Alcoólicos Anônimos ou algo assim, eu dou todo o crédito a Deus por isso. Até mesmo o médico disse: é um milagre ver que você não voltou para o álcool nas situações estressantes'”, ele lembra.
Quando Deus libertou Alice do álcool, ele voltou à igreja. Ao lado de sua esposa, Sheryl Goddard, de 41 anos, o cantor frequenta a Igreja Bíblica Camelback em Paradise Valley, no Arizona.
Alice Cooper e sua esposa, Sheryl Goddard, de 41 anos. (Foto: Kevork Djansezian/Getty Images)
“Deus tem um plano para todos. Olho para a minha vida e penso: ‘como é possível que eu não tenha morrido?’. Deus coloca dificuldades em sua vida o tempo todo para tentar te tornar mais parecido com Ele. Isso é ser cristão, é ser uma pessoa moldada por toda a sua vida”, ele observa.
Mudança na carreira
Nos estágios iniciais de sua caminhada com Deus, Alice achou que não poderia continuar sua carreira. “Eu não posso ser Alice e ser cristão”, disse ele ao seu pastor, na época. “Ele me respondeu que Deus não comete erros. Ele disse que Deus me colocou numa situação incomum por uma razão e agora eu deveria deixar o meu estilo de vida falar sobre as minhas crenças. Não era a resposta que eu esperava”.
Em um esforço para seguir a vontade de Deus, Alice fez alguns ajustes em sua carreira. Alguns de seus repertórios mais antigos já não são executados, especialmente canções que promovem a promiscuidade ou a bebida. Hoje, o roqueiro escreve canções que são influenciadas pelo conteúdo de sua fé.
“Tenho muito cuidado com as letras. Eu tento escrever canções que são igualmente boas, mas com uma mensagem melhor”, ele conta.
Após sua conversão, o roqueiro deixou o alcoolismo e seu antigo estilo de vida. (Foto: Reprodução)
Quanto aos críticos de seu passado pecaminoso, Alice é categórico: “Hoje sou alguém novo. Não julgue o Alice pelo que ele costumava ser. Louvado seja Deus pelo que sou agora. O fato de Deus ter se importado o suficiente comigo para salvar minha vida e me ajudar a sobreviver a um milhão de coisas, me colocar onde estou agora, [é suficiente]”, disse ele. “Se Deus pôde abrir o Mar Vermelho e criar o universo, Ele certamente poderia tirar o alcoolismo de alguém”.
Desde a última quinta-feira (07/03) até o próximo dia 24, o Via Parque Shopping, localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, recebe o evento Xbox Experience, espaço onde os ‘gamers’ podem experimentar lançamentos de forma gratuita nos consoles da marca. Entre as novidades, estão State of Decay 2, Sea of Thieves, Playerunknown’s Battlegrounds e Forza 7.
São 26 estações de jogos e computadores de última geração, onde os visitantes também se divertem com o Game Pass e jogos de distribuidoras parceiras. A classificação indicativa varia de acordo com o game, sendo livre para Forza Horizon 4, Shadow of Tomb Raider, Ultimate Marvel Vs. Capcom 3, Crackdown 3, PES19, NBA2K19, Jump Force, Lego Movie, Kingdom Hearts 3, Super Lucky Tale, Disneyland Adventures e Pixar Rush, e a partir de 18 anos para Far Cry New Dawn, State of Decay 2, Assassins Creed – Odyssey, Battlefield V, Gears of Wars 4, Mortal Kombat X, Sniper 4 e Just Cause 3.
”Ficamos felizes em trazer mais esta experiência aos nossos clientes. Esta é a primeira vez do Xbox Experience na cidade, e trazendo jogos inéditos e exclusivos. Nada mais adequado se considerarmos o quanto nos preocupamos com o entretenimento diferenciado para nossos mini clientes e também para os mais velhos que nunca deixam de ser criança! Já está sendo incrível! Diversão para toda a família!”, explica Eliza Santos, gerente de marketing do Via Parque Shopping.
SERVIÇO
Xbox Experience
Datas: 7 a 24 de março
Horário: 14 às 20h30 (segunda a domingo)
Local: Via Parque Shopping – Praça de Eventos – 1º piso (Av. Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ)
Telefone: (21) 2430-5100
Evento gratuito (sujeito à disponibilidade de vagas)
Crianças a partir de 04 anos.
A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher, cujo o corpo foi encontrado no fim da tarde desta domingo (10), na Trilha da Rua Bouganville, no bairro Âncora, em Rio das Ostras. Segundo informações, moradores passaram pelo local do crime por volta das 17h e viram o corpo jogado no terreno. De acordo com a Polícia Militar, a vítima foi identificada como Poliana Siqueira Pacheco, de 28 anos. O corpo da jovem apresentava sinais de marcas de violência, principalmente na região do pescoço.
Segundo o delegado Jorge Maranhão, a vítima tinha ferimentos no pescoço, o que possivelmente foi a causa da morte. A Polícia Civil informou que o caso está sendo tratado como homicídio e diligências estão sendo tomadas. Na certidão de óbito da vítima a causa da morte constava como golpes de faca. Poliana residia no bairro Planalto da Ajuda, em Macaé. O caso foi registrado na 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras. O corpo foi removido para o IML de Macaé.
Um incêndio em um ônibus na pista sentido centro da Avenida Brasil, na altura da entrada para a Ilha do Governador, causa interdições e trânsito intenso na manhã desta terça-feira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a equipe do quartel de Ramos foi deslocada para o local, após o acionamento às 8h e controlou o incêndio. Ninguém ficou ferido.
Segundo informações do Centro de Operações Rio, a via ficou interditada por 1h e foi liberada por volta das 9h30 da manhã. O congestionamento é intenso e tem início na altura de Irajá.
9h19 – ATUALIZAÇÃO | AV BRASIL: via segue com pista central do sentido Centro interditada por conta de incêndio em ônibus, em Ramos. Desvio pela pista lateral. Há, ainda, a interdição de uma faixa da pista central do sentido Zona Oeste, no mesmo trecho. Equipes atuam no local.
Centro de Operações Rio
✔@OperacoesRio
9H20 – CONDIÇÕES DE TRÁFEGO | AV BRASIL – CONGESTIONAMENTO no sentido Centro, a partir do Trevo das Margaridas (Irajá).
OPTE por vias internas. pic.twitter.com/eMiFsC9N2V
Um acidente envolvendo um carro e um ônibus escolar em um trecho da BR-251, no Distrito Federal, deixou dois mortos e 16 crianças feridas na manhã desta terça-feira (12). Os bombeiros informaram ao G1 que as duas vítimas que morreram ainda no local do acidente estavam no carro. O estado de saúde das crianças ainda não foi informado.
Ainda segundo o G1, o ônibus transportava 41 pessoas e estava com licenciamento e vistoria em dia, de acordo com o Detran-DF. A BR-251 segue interditada. O veículo transitava pelo local contratado para transporte de alunos do Centro Educacional do PAD-DF. Ainda não se sabe o que ocasionou o acidente.
A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam na manhã desta terça-feira o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Na quinta-feira, os assassinatos completam um ano. Os dois tiveram prisões preventivas decretadas pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil após denúncia da promotoria. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP) do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. O segundo acusado foi expulso da corporação.
Sargento reformado da Polícia Militar, Ronnie Lessa é apontado como um dos suspeitos pela morte de Marielle Franco Foto: Editoria de arte
De acordo com a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi “meticulosamente” planejado três meses antes. Os denunciados foram presos às 4h desta madrugada. Além das prisões, a operação busca cumprir mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para recolher documentos, telefones celulares, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Chamou a atenção o pente-fino que a polícia fez dentro da casa de Ronnie Lessa, na Barra da Tijuca.
As equipes comandadas pelo delegado Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios da capital, vasculharam os dois andares da residência do sargento aposentado. Para isso, foram usados até detectores de metais. Os policiais buscaram fundos falsos em todo o terreno da casa, tiraram telhas e usaram uma escada para ter acesso à caixa-d’água, à procura de possíveis esconderijos de armas e munição. De lá foram levados computadores, documentos e um cilindro de plástico. A casa de Élcio Queiroz, no bairro do Engenho de Dentro, também passou por um trabalho minucioso. A polícia também cumpriu 34 mandados de busca e apreensão em outros endereços em busca de informações que podem levar ao mandante do crime, pergunta que ainda está sem resposta.
Lessa e Elcio foram denunciados pelo assassinato e também pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora que estava no carro e sobreviveu ao ataque. A ação foi batizada de Operação Lume, uma referência ao local no Centro de mesmo nome, na Rua São José, onde Marielle prestava contas à população sobre medidas tomadas em seu mandato. Ali ela também desenvolvia o projeto Lume Feminista.
As promotoras pedem ainda a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa. Também foi requerida uma indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor do motorista Anderson até que ele complete 24 anos. Em certo trecho da denúncia, elas ressaltaram: “É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia. A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito”.
O ex-PM Elcio Vieira de Queiroz é acusado de ter dirigido o carro usado no crime Foto: Reprodução
O policial Lessa mora no condomínio Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio Costa, 3.100, por coincidência, o mesmo do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Não há, porém, nenhuma ligação, a não ser o fato de serem vizinhos. O condomínio fica de frente para o mar, com seguranças na portaria.
A principal prova colhida pelos investigadores é fruto da quebra do sigilo de dados digitais de Ronnie Lessa. Ao verificar os arquivos acessados por ele via celular antes do crime, armazenados na “nuvem” (ficam guardados em servidor externo e podem ser vistos remotamente), descobriu-se que o suspeito monitorava o cotidiano de Marielle, inclusive sua agenda de eventos. Um dos locais ligados à vereadora pesquisados foi um antigo endereço dela, quando ainda morava na Rua do Bispo, na Tijuca. Para a polícia, isso é um indício fundamental de que Marielle estava tendo seus passos rastreados. Segundo a investigação, ela participou de pelo menos uma das agendas pesquisadas pelo suspeito.
De acordo com uma fonte que investiga o caso, Lessa usava na época do crime um telefone “bucha” (comprado com o CPF de terceiros, para não ser rastreado). Já o aparelho registrado na operadora telefônica em nome do próprio sargento foi usado no dia do duplo assassinato por uma mulher em um bairro da Zona Sul, longe do local da emboscada, no Estácio. O objetivo do sargento, segundo o investigador, foi confundir a polícia caso os agentes fossem verificar as antenas de telefonia das estações de rádio-base (ERBS) para checar se o celular pessoal dele estava sendo usado nas imediações de onde ocorreram os assassinatos.
E foi exatamente o que os agentes fizeram. Para chegar ao celular “bucha” usado pelo PM, os investigadores realmente tiveram que fazer o que eles chamam de triangulação de antenas, ou seja, levantar as ERBS da região e traçar uma localização mais precisa, refinando assim as buscas pelo celular dos criminosos. O resultado deste levantamento dos telefones ligados na região onde a vereadora passou, da saída da Câmara dos Vereadores até o Estácio, gerou uma extensa lista. Era como achar uma agulha no palheiro.
O policial teve a prisão preventiva decretada após denúncia Foto: Reprodução
Durante vários meses, os policiais da área de tecnologia da DH trabalharam na pesquisa, reduzindo os alvos, mas, ainda assim, o número era elevado. Apesar da complexidade, os investigadores, baseados numa imagem registrada por câmeras de segurança da Rua dos Inválidos, no Centro, no dia 14 de março, chegaram aos horários em que um objeto semelhante a um celular aparece aceso dentro do Cobalt prata dos executores. O carro estava estacionado perto da Casa das Pretas, onde Marielle participava de um debate como mediadora.
Com o registro do horário, a polícia fez uma nova triagem e descobriu que um dos aparelhos que constavam da lista pesquisada fez contato com uma pessoa relacionada à Lessa. Daí, a polícia partiu para buscar os dados na nuvem do policial.
COMO FOI FEITA A INVESTIGAÇÃO
A Delegacia de Homicídios (DH) investiu no acesso à nuvem dos celulares usados pelos assassinos no dia da morte de Marielle, já que a arma e o carro utilizados no crime nunca foram encontrados
1
Antenas detelefonia da estaçãode rádio-base (ERBS)
Sinais de celulares são captados
por
antenas das estações de
rádio-base (ERBS)
Celularem uso
2
A polícia rastreou todos os telefones que estavam ligados nos
locais por onde Marielle passou, desde a saída da Câmara
Municipal até o local da emboscada
Servidor que armazena os dados em “nuvem”
Sinais enviadospor celulares
3
Os dados gerados por esses
aparelhos são enviados para
os servidores das operadoras
SANTOCRISTO
e armazenados. Com isso, a
CENTRO
polícia obteve uma lista
R. do Senado
extensa de telefones
CIDADENOVA
R. Estáciode Sá
suspeitos
Av. Salvadorde Sá
ESTÁCIO
Ponto de partidaRua dos Inválidos
Local do assassinatoRua João Paulo I
4
Tendo como base o horário em
que uma câmera de segurança
captou a luz de um celular
,
dentro do carro dos assassinos
parado na Rua dos Inválidos,
onde Marielle participava de
um debate, a polícia fez uma
triagem e chegou ao telefone
Luz da tela do celularacesa dentro do carro
de Ronnie Lessa
5
Após identificar o número do
aparelho, a polícia conseguiu
seus dados de acesso a
aplicativos.
Com uma ordem
, investigadores acionaram
judicial
as empresas responsáveis por
esses programas e obtiveram
informações armazenadas na
nuvem
6
A polícia descobriu que
Lessa monitorava a agenda de Marielle
. Para a investigação, isso deixa claro que ele estava rastreando
A operação desta terça, além de estar ancorada na interceptação dos dados digitais do suspeito, também se sustenta num trabalho de inteligência e de depoimentos de informantes, inclusive presos no sistema carcerário. Para não perder mais tempo, após quase 12 meses de investigação, polícia e o Ministério Público do Rio concordaram em desmembrar o inquérito em duas partes: uma, transformada em denúncia, identificando os atiradores. E outra, ainda em andamento, para chegar aos mandantes. O que os investigadores têm certeza é de que havia três pessoas dentro do veículo.
O atentado sofrido pelo PM reformado no dia 27 de abril, no mês seguinte aos homicídios da vereadora e do motorista, também chamou a atenção dos investigadores. Ele e um amigo bombeiro foram baleados no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Um homem de motocicleta teria abordado o carro onde viajavam, mas os dois reagiram e balearam o criminoso, que fugiu.
Na época, a Polícia Civil informou que não descartava nenhuma hipótese para o crime, mas que havia grande possibilidade de ter sido uma tentativa de assalto. Lessa, baleado, foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas teria deixado logo a unidade sem prestar esclarecimentos. Os investigadores apuram as circunstâncias do crime.
Não é a primeira vez que o nome do PM reformado aparece no noticiário. Em 2009, Lessa foi vítima de um atentado, em Bento Ribeiro, quando uma bomba explodiu dentro da Toyota Hillux blindada que dirigia. Ele escapou da morte, mas perdeu uma das pernas, sendo obrigado desde então a usar uma prótese.
AS REVIRAVOLTAS DO CASO
Em um ano, há três frentes de investigação que já passaram pelas mãos de três delegados, três promotores e uma procuradora da República
2018
A Delegacia de Homicídios (DH) e o Ministério Público do Rio (MPRJ) começam a investigar o caso
14 de marçoAssassinato de Marielle e Anderson
9 de maioUm policial ligado a uma milícia diz a investigadores que ouviu Curicica e Siciliano falarem em “dar um jeito em Marielle”. Ambos negaram, e Curicica foi transferido para um presídio no Rio Grande do Norte
Orlando CuricicaMiliciano preso
Marcelo SicilianoVereador
19 de agostoO Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ começa uma investigação paralela sobre a morte de Marielle, devido à suspeita de envolvimento de uma milícia no crime
20 de setembroOrlando de Curicica afirmou ter sido coagido pela DH para assumir o crime. E em novo depoimento ao Ministério Público Federal, ele atribuiu a autoriado assassinato a uma quadrilha especializada em matar por encomenda, que contaria com a proteção da polícia
1 de novembroA procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal que investigue as denúncias de Curicica contra a DH, o que passa a ser chamado de “a investigação da investigação”
Raquel DodgeProcuradora-geralda República
19 de dezembroO MPRJ e a DH romperam relações por divergências na condução do caso: cada um passou a seguir uma linha de investigação
2019
22 de janeiroA operação Os Intocáveis, realizada pelo Gaeco com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil prende milicianos da comunidade de Rio das Pedras; inclusive suspeitos de integrar o grupo de matadores de aluguel denunciado por Curicica
12 de marçoO Gaeco chega a Ronnie Lessa
Lessa era ‘ficha-limpa’
Policial nunca foi investigado e vivia de forma discreta
Ninguém jamais havia investigado Ronnie Lessa. Embora os corredores das delegacias conhecessem a fama do sargento reformado, de 48 anos, associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação, Lessa era até a operação desta terça-feira um ficha limpa. Egresso dos quadros do Exército, foi incorporado à Polícia Militar do Rio em 1992, atuando principalmente no 9º BPM (Rocha Miranda), até virar adido da Polícia Civil, trabalhando na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), com a mesma função da atual Desarme, na Delegacia de Repressão à Roubo de Cargas (DRFC) e na extinta Divisão de Capturas da Polinter Sul.
A experiência como adido foi o motor da carreira mercenária de Lessa. A prática de cessão de PMs para a Polícia Civil começou no início dos anos 2000, quando o Rio ainda enfrentava uma onda de sequestros irrompida na década anterior. A primeira leva, transferida para a Divisão Anti-Sequestro (DAS), forjou outros nomes que posteriormente fariam fama no mundo criminal, como o do sargento da reserva da PM Geraldo Antônio Pereira, o Pereira; e o sargento Marcos Vieira de Souza, o Falcon, ex-presidente da Portela, ambos já foram assassinados em 2016, em situações diversas.
O próprio Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica, apontado inicialmente como principal suspeito, também é oriundo da DAS. No caso dele, como já havia sido expulso pela Polícia Militar, atuava como informante da delegacia ou X-9, como era vulgarmente conhecido. O alcaguete andava em viaturas da polícia, além de portar armas, inclusive fuzis.
O CASO MARIELLE FRANCO EM IMAGENS
1 de 22
Eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL em 2016, com 46 mil votos (a quinta candidata mais bem votada do município), Marielle Franco teve o mandato interrompido por 13 tiros na noite de 14 de março de 2018, num atentado que vitimou também seu motorista Anderson Gomes Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboA chegada dos caixões de Marielle e Anderson à Câmara de Vereadores do Rio no velório que marcou início de inúmeras manifestações populares que passaram a ocorrer no Rio e no mundo por conta da morte da parlamentar Foto: Guilherme Pinto / Agência O GloboNascida e criada na Maré, Marielle estudou Sociologia na PUC, com o apoio de uma bolsa integral, e fez mestrado em Administração Pública na UFF. Ela dedicou seu mandato à luta em defesa dos direitos humanos, das mulheres e de negros e moradores de favelas Foto: Marcos de Paula / Agência O GloboHoras antes do assassinato, Marielle havia participado de uma roda de conversa com mulheres no local conhecido como Casa das Pretas, na rua dos Inválidos, na Lapa Foto: Divulgação/PSOLA vereadora e sua equipe deixaram o local por volta das 21h do dia 14 de março. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o carro em que estavam a vereadora, o motorista e uma assessora deixaram o local e foram seguidos por outro veículo que estava estacionado logo atrás deles. Um segundo veículo partiu logo em seguida dando cobertura aos assassinos Foto: Reprodução
Por volta de 21h30, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, próximo à prefeitura do Rio, os executores emparelharam o carro com o veículo em que estavam Mariele e sua equipe e realizam 13 disparos. A vereadora foi atingida por três tiros na cabeça e um no pescoço; Anderson levou ao menos três tiros nas costas Foto: ReproduçãoA cada mês, novas manifestações marcavam a cobrança por celeridade nas investigações. A foto mostra voluntários da Anistia Internacional em um desses atos, quando o crime completou três meses Foto: Pablo Jacob / O GloboEntão ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann foi autor de uma série de afirmações sobre as investigações que nunca se confirmaram. Em 10 de maio do ano passado, Jungmann disse que a investigação no caso Marielle estava chegando em sua etapa final, acrescentando que os resultados chegariam em breve Foto: Jorge William / Agência O GloboEm 31 de agosto, foi a vez do general Braga Netto, então interventor federal na área de segurança no Rio, fazer suas afirmativas: ‘Estamos perto. Até o fim do ano, quando a intervenção tiver sido concluída, o caso já deverá estar solucionado’, prometeu Foto: Armando Paiva / Raw ImageRivaldo Barbosa, então chefe da Polícia Civil do Rio, repetiu a promessa em 1º de novembro. O delegado garantiu que o crime estaria ‘muito próximo de sua elucidação’. Três semanas depois, o então secretário estadual de Segurança, Richard Nunes, disse que o caso seria resolvido até o fim do ano Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Em 12 de janeiro de 2019, o governador do Rio de Janeiro, WilsonWitzel, também garantiu que o caso Marielle estava próximo de uma solução, estimando que a investigação poderia ser concluída até o final daquele mês. Na foto, Witzel, em outubro do ano passado, durante a campanha, aparece discursando sobre um carro de som ao lado do então candidato a deputado estadual Rodrigo Amorim, que quebrou a placa com nome de Marielle Franco Foto: ReproduçãoEntre as principais linhas de investigação para o crime, o vereador carioca Marcelo Siciliano e o miliciano Orlando Curicica se tornaram suspeitos em maio de 2018 de serem autores do crime depois que uma testemunha disse à polícia que viu um encontro entre os dois em que eles teriam falado em matar a vereadora por conta de sua luta em defesa dos direitos humanos em áreas dominadas por milícias. Siciliano, assim como Curicica, negaram a acusação Foto: Carolina Heringer / Agência O GloboO ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, condenado pela Justiça a quatro anos e um mês de prisão por posse ilegal de arma de fogo. Ele foi apontado por uma testemunha como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes Foto: ReproduçãoUma segunda linha de investigação surgiu em agosto. Nesta, Marielle teria sido morta por vingança, uma vez que trabalhou durante 11 anos como assessora de Marcelo Freixo, do PSOL, até ser eleita para o cargo no Legislativo carioca. Hoje na Câmara Federal, Freixo exercia o mandato de deputado estadual na época do crime Foto: ReproduçãoEsta segunda linha de investigação levou os deputados estaduais do MDB Jorge Picciani (na foto), Paulo Melo e Edson Albertassi, adversários políticos de Freixo, a serem investigados. Os três, que na época do crime estavam presos por crimes de corrupção, também negaram envolvimento na morte de Marielle e Anderson Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
Também em agosto foi divulgada a descoberta do Escritório do Crime: um grupo de matadores de aluguel formado por policiais e ex-policiais. Um possível envolvimento desse grupo no assassinato de Marielle e Anderson ajudaria a explicar a dificuldade para esclarecer o caso. Na foto, agentes apreendem materiais durante a operação ‘Os Intocáveis’, em janeiro deste ano Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboUma das linhas de investigação liga o assassinato de Marielle ao Escritório do Crime, grupo de extermínio chefiado por milicianos. Em janeiro, laços do clã presidencial com Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como fundador da quadrilha, vieram à tona. Ex-capitão do Bope, ele foi condecorado pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro e elogiado por Jair Bolsonaro na tribuna da Câmara. Sua mãe e sua mulher ganharam cargos no gabinete do filho do presidente, hoje senador. Nóbrega é considerado foragido da Justiça Foto: Adriano Machado / ReutersMônica Benício, viúva da vereadora assassinada, diz não ter dúvida de que a morte de Marielle teve motivação política Foto: Daniel Marenco / Agência O GloboDesde sua morte, Marielle tornou-se símbolo de muitas manifestações políticas e culturais, sendo lembrada em diversos atos ao logo do ano. Na foto, manifestantes carregam faixa durante marcha em homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes em 14 de abril de 2018, um mês após o crime Foto: Brenno Carvalho / Agência O GloboA luta da vereadora inspirou homenagens, inclusive, no carnaval. Não só nos blocos de ruas, onde placas, fotos e cartazes em homenagem a vereadora foram levantados por foliões, mas também nas escolas de samba. A Mangueira, campeã do carnaval, levou para a avenida um enredo que fala da história do Brasil pela perspectiva dos heróis omitidos pelos livros convencionais e homenageia, entre outras heroínas negras, a vereadora Marielle. Na foto, a última ala da escola, que trouxe a bandeira nacional verde e rosa e com os dizeres “Índios, negros e pobres” no lugar de “Ordem e progresso” Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
A jovem Cacá Nascimento, destaque da comissão de frente da Mangueira, ergue faixa em homenagem a Marielle Foto: GABRIEL MONTEIRO / Agência O GloboO caso Marielle corre em segredo de Justiça Foto: Michel Filho / Agência O Globo
Lessa, como outros adidos, conhecia mais das ruas do que qualquer policial civil. Logo, destacou-se e ganhou respeito pela agilidade e pela coragem na solução dos casos. Esta fama, segundo os bastidores da polícia, chegou aos ouvidos do contraventor Rogério Andrade, na época cada vez mais ocupado em fortalecer o seu exército numa sangrenta disputa territorial com o também contraventor Fernando Iggnácio de Miranda. Em jogo, o legado do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997.
Arregimentado por Andrade, Lessa não demorou a crescer na organização e ocupar o destacado posto de homem de confiança do chefe. Até que, em abril de 2010, a explosão de uma bomba no carro do bicheiro não apenas matou o filho dele, Diogo Andrade, de 17 anos, como fulminou a credibilidade de Lessa junto ao chefe, por não conseguir protegê-lo, assim como sua família. O guarda-costa e exímio atirador foi incapaz de evitar a morte do jovem.
Chama atenção que o método de detonação da bomba usada no atentado que matou o filho do contraventor, segundo peritos da época, foi o mesmo usado no atentado ao sargento da PM, em 2 de outubro de 2009, que perdeu a perna. Um laudo do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil revelou que para explodir o Toyota Corolla blindado de Andrade foi usado um dispositivo acionado à distância por meio de um telefone celular.
Com a sua reforma por invalidez, Lessa acabou deixando de ser adido, mas ainda frequentava as delegacias da Polícia Civil, principalmente a antiga Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE). Até que, em 2011, ciente da migração dos adidos para as fileiras do crime, a Secretaria de Segurança do Estado vetou para sempre a cessão de quadros da PM para a Polícia Civil e acabou com a DRAE. A medida foi resultado da Operação Guilhotina da Polícia Federal, que investigou a corrupção policial envolvendo policiais civis e os adidos, além de integrantes da cúpula da instituição.
Com as portas fechadas na polícia, o ambiente mafioso tornou-se um caminho sem volta para Lessa. A mira certeira, decisiva para a expansão territorial de Rogério Andrade, foi também o passaporte do ex-sargento para a organização criminosa formada por matadores de aluguel, considerada mais temida e eficiente do Rio. Num cenário em que o dinheiro da corrupção garantia a impunidade destes mercenários, Lessa nem sequer se dava ao trabalho de agir às sombras. Para agenciá-lo, bastava dar uma passada no bar onde o ex-adido fazia ponto no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca.
Uma opinião unânime assombra os que conheceram Lessa pessoalmente. Há quem diga que ele é capaz de tudo para cumprir as empreitadas criminosas, sem medir as consequências. Hábil no manejo principalmente de fuzis, é conhecido por gostar de atirar sentado, embora uma prótese moderna disfarce bem o problema físico quando em pé. Jamais volta para a base sem ter cumprido o que fora acertado com o contratante.
É esse homem que, agora, a polícia pretende levar para o banco dos réus como o principal acusado da morte de Marielle e Anderson.
Homenagem pelos ‘bons serviços prestados’
Lessa recebeu moção do deputado estadual Pedro Fernandes, avô do atual Secretário estadual de Educação
‘Militar discreto, mas eficaz’, diz moção dada pelo deputado Pedro Fernandes Foto: Editoria de arte
Extremamente operacional, Ronnie Lessa encontrou no 9º BPM (Rocha Miranda) a unidade perfeita para o seu perfil. Afinal, o batalhão, nos idos de 1992, tinha fama de ser violento, aparecendo com frequência nas manchetes de jornal. Não é à toa que os policiais que davam serviço naquela época eram conhecidos como “Cavalos Corredores”. Foi da unidade de Rocha Miranda que saíram os PM condenados pela chacina de Vigário Geral, em 1993, quando 21 pessoas — oito delas evangélicos de uma mesma família — foram executadas.
Na época, o batalhão tinha praticamente todo o seu efetivo com casos de auto de resistência, situação que ganhou o holofote justamente por causa do massacre. Ronnie Lessa ainda era soldado e se integrava aos colegas. Sua guarnição era uma das campeãs de louvores da corporação pelas operações que incluíam a apreensão de armas e drogas, o estouro de locais de endolação de drogas e prisões. O chefe do grupo era um capitão que inclusive ainda é lembrado nos dias de hoje como um dos três oficiais mais operacionais que passaram pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope): Cláudio Luiz Silva de Oliveira. Do público em geral, hoje ele é conhecido como o tenente-coronel Cláudio, condenado a 36 anos de prisão como mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em 2011. Ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
SUSPEITO RECEBIA MUITOS ELOGIOS
Ronnie Lessa e sua guarnição, quase sempre formada pelos mesmos integrantes, eram parabenizados duas vezes por mês, em média
Relação como caso Patrícia Acioli
O tenente coronel Claudio Oliveira foi condenado a 36 anos de prisão pelo assassinato da juíza em 2011
Era um louvor por mês, sendo que, em 1997, no mês de março houve duas menções. Mas a PM não havia mais espaço para Lessa que junto com outros colegas da mesma guarnição passaram a dar serviço nas delegacia especializadas do Rio, como as que cuidavam de roubos de cargas – justamente porque a maioria dos alvos era de favelas da área do quartel de Rocha Miranda, que a guarnição conhecia bem -, de capturas de presos (Polinter) e para coibir os sequestros.
Entre os colegas que seguiram com Lessa estão: Roberto Oliveira Dias, conhecido como Beto Cachorro; e os irmãos Ivan Jorge Evangelista de Araújo e Floriano Jorge Evangelista Araújo.Todos foram investigados na Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal que apurava a corrupção policial na Polícia Civil. Lessa conseguiu não foi indiciado na época.
DISCRETO MAS EFICAZ
O então deputado estadual Pedro Fernandes (PSD), avô do secretário estadual de educação, de mesmo nome, homenageou Lessa por ser um “brilhante exemplo” para a corporação
Lessa também recebeu moção do deputado estadual Pedro Fernandes (PSD), em 23 de novembro de 1998, avô do atual secretário de Educação Pedro Fernandes. Fernandes destacou na época: “a maneira como vem pautando sua vida profissional como policial-militar do 9º BPM. Sem nenhum constrangimento posso afirmar que o referido militar é digno desta homenagem por honrar, permanentemente, com suas posturas, atitudes e desempenho profissional, a sua condição humana e de militar discreto mas eficaz.
Constituindo-se, deste modo, em brilhante exemplo àqueles com quem convive e com àqueles que passam a conhecê-lo. Por tudo isto, sinto-me orgulhoso e honrado ao propor esta moção de louvor”.
O bilionário Ehud Arye Laniado, conhecido por ser dono da Omega Diamonds, empresa de diamantes com base na Bélgica, morreu no sábado, 2, aos 65 anos, após se submeter a uma cirurgia de aumento peniano e sofrer uma parada cardiorrespiratória.
O empresário se internou em uma clínica localizada na icônica avenida Champs-Elysées, em Paris, e segundo dois funcionários da empresa, próximos a Laniano, morreu durante o procedimento.
A clínica em que a cirurgia ocorreu ainda tentou, de acordo com o jornal “Le Soir”, durante uma hora, realizar uma massagem cardíaca para reanimar o bilionário antes de chamar o serviço de emergência.
Em nota, a empresa confirmou a morte do empresário. “Depois de uma vida excepcional, Ehud será trazido de volta para Israell, seu destino final de descanso. Nós sentiremos sua falta”, diz o texto.
Conhecido por “se preocupar muito com as aparências”, segundo amigos que não quiseram se identificar informaram ao Daily Mail, o empresário mantinha uma cobertura avaliada em R$ 150 milhões em Mônaco e armava festas rodeado de celebridades e modelos.
Em vida, Laniado vendeu alguns dos diamantes mais caros da história. O mais famoso deles é o Blue Moon, leiloado por R$ 185 milhões, em 2015, para um empresário de Hong Kong, Joseph Lau Luen Hung.
Um ano após negociações, a SuperVia, empresa que opera trens urbanos em 12 municípios do Rio de Janeiro, transportando 600 mil passageiros por dia, vai, finalmente, mudar de mãos. O Cade, que regula a concorrência no Brasil, recomendou no último dia 06 de março a aprovação da aquisição pelo conglomerado japonês Mitsui das ações em poder da Odebrecht TransPort, atual controladora indireta da companhia. O negócio é estimado, segundo uma fonte, em cerca de R$ 800 milhões. Com o aval do Cade, o negócio deve ser concluído no fim de abril deste ano, ressaltou essa mesma fonte.
No último dia 28 de fevereiro, a Supervia informou que os dois acionistas firmaram acordo de compra e venda das ações. Após a conclusão da transação, a Odebrecht Transport vai reduzir sua participação indireta de 72,8% para 11,33% dos papéis da concessão ferroviária. E a Mitsui – através de sua controlada Gumi – ficará com os 88,67% restantes.
Dona de uma dívida de cerca de R$ 1,5 bilhão, o negócio deve ser aprovado pelos bancos credores, como Itaú e Bradesco, e o governo do Estado do Rio, por se tratar de uma concessão. A Mitsui havia feito uma proposta à Odebrecht em novembro do ano passado.
A fatia da Mitsui na SuperVia se dava de forma indireta. O grupo japonês, ao lado de outras duas empresas do Japão, tem 40% da Odebrecht Mobilidade que, por sua vez, tinha 60% da SuperVia.
A expectativa com o novo dono é que a SuperVia consiga aumentar os investimentos, melhorar a qualidade de seus serviços e equacionar suas dívidas. Entre as queixas mais frequentes dos usuários estão vagões lotados em viagens mais longas e em horários de pico, enquanto nos fins de semana a frequência das saídas é reduzida.
Em parecer, o Cade disse que pode haver uma potencial integração entre a Mitsui e a Supervia com a compra de produtos. “Tal relação, porém, não seria capaz de gerar preocupação de ordem concorrencial. A participação da Mitsui nesse segmento no Brasil é insignificante”, disse o Cade. Segundo um especialista, a Mitsui pode dar novo impulso à SuperVia. Isso porque recentemente a Mitsui vendeu parte dos 40% de suas ações na Odebrecht Mobilidade para empresas japonesas que atuam no setor. Ou seja, indiretamente, segundo o Cade, a Mitsui já tem 24% das ações da SuperVia.
– Uma dessas empresas é a West Japan Railway, que transporta mais de 5 milhões passageiros por dia no Japão. Além disso, a Mitsui também vendeu parte das ações da Odebrecht Mobilidade para a Empresa Japonesa de Investimento em Infraestrutura de Transporte e Desenvolvimento Urbano no Exterior, com foco em transporte. A expectativa é que a SuperVia passe a ter uma nova gestão com sócios especializados no setor – disse esse analista.
Mitsui atua em energia e alimentos
A SuperVia já estava à venda há pelos menos dois anos. Nesse período, chegaram a analisar a companhia o fundo soberano dos Emirados Árabes, Mubadala, um consórcio formado pela brasileira Starboard Restructuring Partners, que tem o fundo americano Apollo como acionista, e o grupo brasileiro RTM Brasil, composto por executivos do setor financeiro e de transporte.
No Brasil, a Mitsui atua em vários segmentos. A empresa tem atuação nos setores, além de mobilidade, químico, de energia e TI. Na área de alimentos, a japonesa vende café no Brasil com a marca “Café Brasileiro”. É dona ainda da Agrícola Xingu, empresa que atua no agronegócio, por meio do cultivo de lavouras na produção de commodities agrícolas e processos industriais para o beneficiamento de algodão e sementes de soja.
Na área de transporte, a companhia já forneceu equipamentos e composições para o metrô de Salvador. Além disso, a empresa tem projetos para o Metrô de São Paulo. No setor automotivo, através de uma empresa chamada Veloce, a companhia forneces soluções para as montadoras, importando peças pelos escritórios no exterior, e serviços de logística.