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Aluno é apreendido após dizer no WhatsApp que faria massacre em escola

Um adolescente de 17 anos foi apreendido pela Polícia Militar do DF, nesta quinta-feira (12/4), depois de ameaçar, via WhatsApp, atacar a escola onde estuda, o Centro de Ensino Médio 3, na Quadra 11, Área Especial, no Setor Sul do Gama, e tirar a vida de alunos, professores e funcionários. “Só quero matar. Não vou ter escolha”, escreveu o jovem.

Segundo informações preliminares da Polícia Militar, o rapaz teria divulgado uma conversa com a foto de uma arma e dito que faria uma chacina no colégio. “Tô querendo fazer isso já tem tempo. Mano, só conheço você que tem o sangue frio igual a mim. Se não me ajudar, vou te matar igual a todos. Não vai para a escola amanhã”, disse em outra mensagem.

Assustados, alunos e professores acionaram a PMDF, que montou uma operação no local para evitar o ataque. Uma equipe do Batalhão Escolar chegou no endereço por volta das 4h para fazer a segurança. Às 7h45, o jovem chegou para estudar e, ao ser apreendido, disse aos policiais ter divulgado as mensagens para assustar os outros alunos.

Ele teria baixado um programa similar ao aplicativo de conversa WhatsApp a fim de simular e espalhar a informação. Em um dos trechos da conversa, o jovem pede ajuda a uma terceira pessoa para cometer o crime.

Com o menor, não foi encontrada arma. Ele foi levado à Secretaria do CEM 3 e depois para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), responsável por investigar o caso.

De acordo com a Polícia Civil, o jovem não tinha passagens pela polícia e deve ser autuado por ato infracional análogo a ameaça e falsa comunicação. Ele foi ouvido e liberado aos responsáveis, mediante assinatura do Termo de Responsabilidade.

Veja as mensagens:

A Secretaria de Educação foi acionada e disse que o assunto está sendo tratado pela Secretaria de Segurança. Até a publicação desta reportagem, o Metrópoles não havia conseguido contato com a pasta.

Aplicativo fake
O WhatsPrank é um aplicativo disponível tanto para iOS quanto para Android dedicado à criação de conversas falsas com o mesmo formato das mensagens trocadas no WhatsApp. O serviço permite a definição de perfis semelhantes a contas reais: seleção de foto, informações de contato e até mesmo a edição de ajustes como “visto por último”. Nele, o usuário pode controlar os dois lados da conversa.

Aguarde mais informações

 

Acidente em Copacabana revela pedófilo australiano foragido há 22 anos

Há 22 anos que a Polícia Federal da Austrália procura por John Gott. Com 17 denúncias de abuso sexual diferentes, que incluem relações sexuais com menores, o australiano foi condenado a seis anos de cárcere e fugiu das autoridades dois anos após ser preso, quando conseguiu liberdade condicional. O paradeiro do pedófilo foi revelado, literalmente, por acidente: ele foi uma das vítimas do atropelamento de janeiro em Copacabana, Rio de Janeiro.

No dia 18 de janeiro, Antonio de Almeida Anaquim, de 41 anos, perdeu o controle de seu carro e atropelou 18 pessoas que passeavam na praia carioca. Um bebê de oito meses faleceu, e os demais 17 feridos foram levados ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Dentre eles, estava um turista australiano, cujo nome no passaporte era Daniel Marcos Philips.

O gringo, com 63 anos, teve traumatismo craniano e, desde então, está em coma. Segundo o jornal The Australian, a embaixada australiana e depois a Interpol foram contatadas quando as autoridades brasileiras não encontraram ninguém registrado com o nome Daniel Philips. Não demorou para que descobrissem que o passaporte era falso.

Mas foi só quando enviaram a digital do acidentado para a Polícia Federal da Austrália que a verdadeira identidade do homem foi revelada: se tratava de John Gott, condenado por pedofilia em 1994. Dos 22 anos em que se manteve como fugitivo, Gott morou 20 no Brasil e trabalhava dando aulas de inglês como professor freelancer.

Pedófilo tinha 17 denúncias de abuso sexual

O pedófilo recebeu 17 denúncias de abuso sexual diferentes, incluindo a de manter relações carnais com uma criança menos de 14 anos, além do abuso de um adolescente de 16. Pelos seus crimes, foi condenado a seis anos de prisão, mas após cumprir dois recebeu liberdade condicional e aproveitou o momento para fugir para a América do Sul.

Diante da revelação, a polícia do Território do Norte, região da Austrália onde Gott vivia, disse à BBC Brasil: “Devido à seu estado de saúde, vamos continuar a monitorar a situação com o objetivo de tomar uma atitude, se possível, no futuro”, analisando possibilidade de extradição. A embaixada da Austrália no Brasil disse que não pode disponibilizar informações sobre o caso, e o Ministério da Justiça ainda não se pronunciou.

Um funcionário do Hospital Miguel Couto, que pediu para não ser identificado, que é improvável que Gott saia do coma. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro confirmou que o estado de saúde do criminoso é grave.

O motorista que causou o acidente em janeiro alegou ter sofrido um ataque epiléptico. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso, e no momento, ele responde em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

 

Criança nasce mais de quatro anos depois dos pais morrerem

Os avós de um bebê chinês tiveram que vencer uma batalha na Justiça para vê-lo nascer. Isso porque a criança veio ao mundo mais de quatro anos depois dos pais morrerem.

Com a vitória, eles puderam seguir com o método de fertilização in vitro com o auxílio de uma barriga de aluguel. O casal, Shen Jie e Liu Xi, morreu em um acidente de carro em março de 2013, cinco dias antes da mulher ter os óvulos congelados transferidos para o seu útero.

Por conta disso, os avós começaram a luta para garantir que o neto nascesse. Foi a primeira vez que esse tipo de caso foi parar nos tribunais chineses — barriga de aluguel é algo ilegal na China. Para encontrar a mulher que gerou o bebê, os familiares foram até o Laos, norte do país, por meio de uma agência não reconhecida.

Tiantian, que significa “doce”, nasceu em dezembro do ano passado, em um hospital da cidade de Cantão. Os avós garantem que vão contar a origem do pequeno quando ele for maior. “Esse menino precisa saber sobre sua chegada no mundo. Outros bebês têm seus pais e mães, mas ele não. Nós definitivamente vamos contar a ele no futuro. Como não poderíamos?”, frisou o avô Shen Xinan.

 

VIOLÊNCIA EM ARRAIAL DO CABO!!! MULHER ESTÁ DESAPARECIDA…

FAMÍLIA BUSCA MULHER DESAPARECIDA

Sabrina Paixão é moradora de Arraial do Cabo…

Uma mulher de 28 anos está desaparecida desde a madrugada dessa terça-feira (10), em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos. Sabrina Paixão é moradora do distrito de Monte Alto. A última notícia recebida por familiares foi a de que ela estava em casa, dormindo. Há suspeita de que a vítima possa ter sido sequestrada. O quarto dela estava todo revirado.

A família está desesperada. A Polícia Civil informou que uma parente da moça recebeu uma ligação de um número restrito e foi informada que ela havia sido vista perto do aeroporto de Cabo Frio. Um amigo próximo também relatou que a residência teria sido invadida por criminosos armados, mas o sequestro ainda não foi confirmado pela polícia.

Sabrina é solteira e nunca havia desaparecido antes. Os parentes disseram que ela não atende ao telefone e que não deu notícias. A polícia trabalha para saber o que aconteceu e também busca mais informações que possam levar ao desfecho do caso. Um boletim de ocorrência foi registrado na 132 ª Delegacia de Polícia (Arraial do Cabo). Quem tiver detalhes que possam ajudar a investigação pode ligar para o número (22) 98114-7872.

VAMOS AJUDAR ESSA MOÇA!! COMPARTILHEM!!!

SEROPÉDICA FAZ AÇÃO SOCIAL PRA AJUDAR LUCIANA

Luciana, está Jovem de 28 anos que do dia para noite perdeu seus movimentos e foi diagnosticada com distrofia muscular progressiva. Luciana tem uma filha de 8 anos e é moradora da cidade de Seropédica!

Neste próximo sábado 14 de abril, a partir das 15:30 horas, o Seropédica Atlético Clube irá realizar um Futebol Beneficente para angariar fundos para ajudar esta Seropedicense que necessita apoio de todos nós.

A família de Luciana precisa de doação de dinheiro e Fraldas Geriátrica Bigfral tamanho M. Toda quantia arrecadada será entregue a família imediatamente para ajudar no tratamento.

GOSTA DE CINEMA?? E DE GRAÇA? NÃO PERCA!!!

Mostra Cinemão Z.O. leva cinema a moradores de bairros da Zona Oeste.
Nesta final de semana , 14/04 e 15/04
A RioFilme da Secretaria Municipal de Cultura está levando cinema de uma maneira diferente a moradores da Zona Oeste da cidade. Por meio de um carro aparelhado para exibição de filmes, equipado com projetor de alta performance, super telão inflável, sistema de som e cadeiras. A Mostra Cinemão Z.O. leva o cinema de graça até os moradores de diversos bairros da região.

exibição dos filmes na “super tela” montada pelo projeto ocorre sempre às 19h, e com entrada franca. A programação está definida:
– 14/04: Campo da Rua 15, em Urucânia
– 15/04: Praça do Ponto Chic, em paciência.

Para maiores informações sobre o projeto, ligar para o telefone 2225-7082, de segunda a sexta das 10h às 19h.

EX-TRAFICANTE QUE CONTA NO YOUTUBE “POR QUE O CRIME NÃO COMPENSA”

fabio da Hora Serra tem duas balas alojadas em seu corpo, uma no antebraço esquerdo e outra no ombro esquerdo. Ele viveu boa parte da sua vida fora da lei: foi traficante de drogas, esteve envolvido tanto com o Comando Vermelho quanto com o PCC, participou de assaltos… Dos seus 39 anos, viveu 12 na prisão, em três momentos diferentes. Mas desde que deixou a cadeia pela última vez, em 2015, investiu suas energias no projeto de nunca mais voltar para lá. “A droga mais vendida nas bocas de fumo é a ilusão de uma vida melhor”, diz ele, com propriedade. Foi fugindo do que parecia um destino previsível que Fabio tornou-se barbeiro profissional. Abriu seu próprio salão, conquistou uma clientela cativa, comprou um carro, conheceu sua atual namorada, Neusa… Ele sabe que não é o desfecho comum de quem passou por essa vida paralela. Por isso, precisava mostrar para o mundo que sua vida deu uma guinada. Foi assim que Sagat, como é conhecido, teve a ideia de criar um canal no Youtube e publicar uma série de vídeos seus e de outros ex-criminosos. Todos eles levam uma ideia básica no título: a de que o crime não compensa

 

  • — Por que não?

— Porque eu ainda não vi vitória. Alguém até pode ter muito dinheiro, mas olha para a família dele, para os filhos dele… Sempre tem algo que ficou para trás. Se um entre mil se saiu bem, é exceção, não a regra.

Em um vídeo gravado dentro da sua barbearia, aos pés da favela da Mangueira, Zona Norte do Rio de Janeiro, Sagat apresenta Tiago Romão. Ele é um ex-traficante que, hoje, trabalha com manutenção de aparatos de cozinha e canta em sua banda de hip hop, FARC MC’S. “São fatos reais, história verídica. Então, se liga, o crime não compensa. Você que não entrou, o crime não compensa. Você que tá dentro, o crime não compensa”, anuncia Sagat. Corta para Romão, que aparece em cima de uma laje. Com um copo e um cigarro na mão, começa: “O crime é visto como uma coisa maravilhosa. Os caras com armas, malote, cordão de ouro, as melhores roupas, tênis caro, as melhores mulheres… Em dia de baile funk, você vê todas essas combinações”. conta. E continua: “Tem pessoas que falam que o crime é dinheiro fácil. Não, o dinheiro do crime é rápido. Porque não é fácil, tá ligado?”. Descreve então uma série de situações que apenas uma pessoa que se envolveu com o tráfico poderia contar.

A ideia de gravar os vídeos, reunidos no canal Contos de um barbeiro,surgiu da vontade de mostrar para aqueles que estão no mundo do crime, ou entrando nele, que existe um outro caminho a seguir. Mas também a de convencer a sociedade que “uma pessoa tem recuperação, para mudar essa mentalidade de que um ex-presidiário é perigoso de ser contratado”. Isso acaba empurrando muita gente “que está com pensamento bom, de mudança, de volta para o crime”, explica Sagat. “O ditado ‘a ocasião faz o ladrão’ não é mentira. Imagina que você é um pai de família, mas não tem como pagar um aluguel e seus filhos não tem o que comer direito. E qual a oportunidade que você tem?”, questiona. “Eu estava totalmente preparado para viver em sociedade, minha mente estava limpa. Mas se eu não tenho essa oportunidade de ser barbeiro, esse dia a dia trabalhando, só Deus sabe o que poderia ter acontecido”.

Para ele, a violência e a criminalidade vêm piorando porque a sociedade vira as costas para as favelas. “Outro dia, uma delegada falou na TV que a população tinha que escolher um lado. Isso é muito forte. Que lado? Não tem lado! Todo mundo é brasileiro, é carioca. Enquanto as partes não se ajudarem, isso vai continuar e piorar”, argumenta. Ele também se mostra cético com relação às recentes abordagens para tratar do problema, como a intervenção federal decretada pelo Governo Temer, e acredita que a legalização de algumas drogas, como a maconha, ajudaria a tirar o poder das mãos dos traficantes. “Quando vieram com as UPPs, eles achavam que bandido ia sentar e falar ‘caralho, a polícia tá na favela, vou caçar uma batalha e parar de ser bandido’? Não vai. Ele vai se adaptar, diversificar seu negócio ou buscar outra maneira de ganhar dinheiro”.

Sagat se prepara para gravar um vídeo com Tiago Romão, na Mangueira. ALAN LIMA

A percepção do policial e do traficante

Os vídeos de Sagat não passam desapercebidos. A., um policial militar que atua na favela da Mangueira — mas que diz estar falando com o EL PAÍS “como um cidadão” — , elogia o esforço em “falar para outras pessoas que aquilo é ruim”. Para ele, acompanhar o relato “de alguém inteligente, um cara articulado, que mudou de vida e evoluiu como ser humano”, mostra que “uma transformação é possível”. Se uma ou duas pessoas são atingidas e mudam de vida, “então já valeu a pena”, afirma. Ele mesmo, que costuma cortar o cabelo no salão de Sagat, se identifica com sua história. “Quando eu estava no orfanato, queria fugir. Poderia ter virado um menino de rua, mas meu pai [adotivo] me deu uma oportunidade e optei pelo certo. Escolhi ser policial esperando fazer o melhor para a sociedade, tanto dentro como fora da corporação”, explica.

O preconceito é também algo que une este policial ao ex-traficante. Como PM, ele precisa lidar com a desconfiança daqueles que acreditam que todo agente da corporação é corrupto e violento. “Quando fiquei sabendo sobre sua passagem pelo crime, continuei a frequentar seu salão de forma natural. E eu queria também que as pessoas pudessem tratar o policial de maneira natural. É um fardo pesado. Sempre tem alguém com uma tabela julgando”, explica. “Tento não ter preconceito com ninguém. Sempre gostei de estar próximo das pessoas que vivem nas comunidades. Não podemos achar que alguém é bandido só porque mora em comunidade, assim como não podemos achar que um policial é corrupto por ser policial. A maioria dos meus colegas é honesta”, garante.

W., um traficante de 30 anos da Baixada Fluminense, também se identifica com Sagat. Ele está no tráfico desde os 11 anos devido à perda de um amigo de infância durante uma guerra entre facções. “Entrei no tráfico para me vingar. Mas não me vinguei de ninguém, e aqueles que a gente queria vingança já nem estão mais vivos, morreram em outro lugar. Mas eu sigo aqui”, conta.

— O crime compensa?

— Tudo passou na vida e hoje vejo que não compensa. Mas e aí, como é que você vai viver agora, se na infância você plantou o crime? Como é que você vai mudar de vida? Tem que mudar de cidade, mas lá também tem crime. Tem que entrar na Igreja, buscar o caminho de Deus.

— Os vídeos do Sagat te fizeram refletir?

— O cara está trabalhando, está conquistando muita coisa. No crime, hoje você tem tudo, mas amanhã não tem nada. Se você está trabalhando, hoje você tem e amanhã também. A maioria dos meus amigos é trabalhador, vejo a evolução deles. O que eu evolui? O que eu conquistei? Conquistei uma boca de fumo, isso aí é o que tenho. Eles conquistaram casa, filhos, carteira assinada, televisão, geladeira… A casa deles é bonita, do jeito que eles querem.

— Você deixaria tudo para viver como uma pessoa comum?

— Minha vontade um dia é de fazer isso, mas hoje eu me sentiria um covarde. Hoje em dia é o poder, o fuzil, que atrai. Nem é tanto o dinheiro.

O EL PAÍS recebeu a notícia neste domingo, 1 de abril, de que W. fora baleado no peito em uma troca de tiros com milicianos da Baixada Fluminense no dia anterior. Ele passou por uma cirurgia e se encontra em estado grave no hospital.

Uma vida cheia de reviravoltas

Sagat é um homem negro, alto e de corpo atlético. Possui cavanhaque, cabelo curto e espichado para cima, dentes centrais separados e um grande relógio dourado no pulso direito. Sentado no sofá de sua barbearia, conta ser uma exceção dentro de um sistema prisional dominado por facções, com uma população carcerária de mais de 700.000 pessoas, a terceira maior do mundo, e que não preza pela ressocialização do preso. “Imagina que, por acidente, atropelei e matei uma pessoa. Quando eu chegar na delegacia, vão me perguntar: ‘Tu quer tirar cadeia aonde?’. Tem o Comando Vermelho, o ADA, o Terceiro Comando, a milícia, o seguro (onde estão estupradores, pedófilos, ex-policiais, milicianos)… Não tenho a opção de um local onde eu possa ficar tranquilo. O que vou me tornar, o que vou aprender ali dentro, o que vou ouvir?”, questiona ele. “O ser humano é fruto do meio. Se ele está naquele meio, ele vai sair um criminoso, uma pessoa pior”.

Sagat corta o cabelo de um cliente em sua barbearia, na favela da Mangueira. ALAN LIMA

Foi o que aconteceu com ele na primeira vez em que esteve na cadeia, ainda no início dos anos 2000. Não fazia muito tempo que estava envolvido com o tráfico, ao qual se juntara para sustentar seu vício em cocaína e uma filha pequena. Nascido e criado em Queimados, na Baixada Fluminense, deixara de estudar aos 14 anos para trabalhar e poder comprar aquelas coisas que sua mãe, nessa época caixa de supermercado, não tinha condições de lhe dar. “Com 18 anos, já estava casado, tinha uma filha e trabalhava como pintor, com carteira assinada e tudo, em um hotel. Mas em uma balada conheci a droga e chegou uma hora que meu dinheiro não dava para nada. Perdia dia de trabalho e fui demitido. Aí a bola de neve começou a se formar”, recorda. Foi preso por assalto e associação ao tráfico e condenado a seis anos e dois meses. Por ser réu primário, ganhou sua condicional após dois anos, em 2003. “Saí com minha mente toda virada. Um pouquinho de cidadania que eu tinha foi para o esgoto. Conheci muita gente lá dentro e o espírito faccioso entrou na minha mente. Passei a ter pensamentos que eu não tinha antes, como a ambição de ser o dono de uma boca de fumo. Antes, eu era apenas um soldado fazendo a contenção, mas saí querendo botar para foder”, conta.

Após um ano e dois meses na rua, voltou a ser preso em um assalto e viu sua pena aumentar ainda mais. Durante os seis anos seguintes em que esteve na cadeia, sua mente “começou a mudar, a ter pensamentos de querer parar com tudo”. Resolveu se dedicar a atividades que “não estivessem relacionadas com o crime”, como fazer aula de música, aprender a tocar violão e compor. Outro presidiário viu seu potencial e prometeu arranjar contatos em São Paulo, “onde o funk ainda estava começando a estourar”. Após recuperar sua liberdade, em 2009, abraçou a empreitada.

O período de dois anos que precedeu sua terceira ida para a cadeia foi bastante movimentado. Morando na casa de um DJ em Osasco, iniciou sua carreira artística e começou a cantar proibidões em favelas. “Os caras do PCC”, conta, “davam a maior moral do mundo”. Mas o sucesso não foi repentino e o dinheiro nem sempre chegava como eu queria. “Os bandidos de São Paulo não são iguais aos do Rio, que ficam presos na favela dormindo no sereno. Eles curtem coisa de primeira. Pagam pelo camarote da melhor boate, gastam 2.000 reais em champagne, dormem nos melhores hotéis. Conheci um outro tipo de crime e isso acabou me seduzindo outra vez”, conta ele. “Se eu fazia um show e ganhava 2.000 reais, eu saía com os caras e, como não deixava que pagassem tudo para mim, no dia seguinte já estava zerado. Como não tinha essa fama toda, comecei a passar dificuldade”.

Um chefe do tráfico resolveu lhe ajudar dando 200 gramas de cocaína para que ele levasse para o Rio e, com a venda, conseguisse uns 3.000 reais para poder gravar uma música. Já havia entregado a droga e aguardava o dinheiro quando foi abordado por policiais e levou três tiros. “Já não consigo tocar violão, minha mão atrofiou e não consigo fazer as notas. Foi algo que feriu muito a minha alma”, conta. Quando ainda estava no hospital aguardando por uma cirurgia, foi resgatado por seus amigos do PCC e retornou para São Paulo, mergulhando mais uma vez no mundo do crime. “Já não queria mais saber de cantar, já não conseguia mais tocar, então disse para o cara me ajudar me dando um emprego na firma dele. Ele resistiu, disse que eu era artista e que meu trabalho era maneiro. Mas eu insisti e me deram uma gerência pra tomar conta”, explica.

Sagat sobe o morro da Mangueira, no Rio. ALAN LIMA

Meses depois, no início de 2011, quando passava uma temporada no Rio com sua família, decidiu participar de um grande assalto. Durante a perseguição policial, caiu da moto em que estava e acabou preso pela terceira vez. Uma vez algemado, colocou em sua cabeça que, independente do que acontecesse, sua vida teria que mudar. Ao chegar na prisão, pediu para ficar em uma ala mais tranquila, se agarrou à Igreja, às atividades e projetos que surgiam e ao trabalho cortando cabelo dos presos.  “Mas eu não sai uma pessoa melhor pelas coisas que eu passei na cadeia. Foram as coisas que eu sofri no crime aqui fora, o massacre psicológico de muitas vezes querer fazer alguma coisa e não poder devido à responsabilidade que tinha na mão. O medo de me matarem, de que me mandassem fazer uma coisa que você não queria fazer, do policial que me conhecia e estava atrás de mim…”

Começou a ganhar o benefício de sair aos fins de semana e ganhou sua liberdade de volta, ainda que portando uma tornozeleira eletrônica, em 2015. Na semana seguinte, juntou-se a outro ex-presidiário que havia acabado de abrir uma barbearia na Pavuna. Investiu na profissão conforme conquistava clientela e via que poderia sustentar sua filha. A relação com sua família também havia se recuperado. Um desembargador assinou seu indulto. Sem dívidas com Justiça, se mudou para a favela da Mangueira, abriu a barbearia  e foi morar com sua namorada. Todo o resto ficara para trás.

Agora voltou a compor e arrisca seus primeiros passos como rapper. Recentemente gravou uma música em homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes (ouça abaixo). Também escreveu a seguinte letra: “Microfone é a arma pra quem sabe usar / A caneta é munição pra quem não quer atirar / Atitude, raciocínio pra quem quer guerrear / Nosso rap é o exército de loucos / O hip hop tá na guerra, vem com a tropa rimar / Rimar / Rimar…”.

Aprendi A Não Bater De Frente Com Quem Só Entende O Que Lhe Convém

 

Uma das coisas mais desagradáveis que ocorrem é sermos mal entendidos, quando o outro deturpa nossas palavras ou nossas atitudes, descontextualizando-as e utilizando-as em proveito próprio, enquanto nos coloca como o vilão da história. A gente acaba até ficando sem saber se nós é que não soubemos nos colocar ou se o outro é que não sabe interpretar um texto.

Infelizmente, quanto mais tentarmos provar o nosso ponto de vista, quanto mais nos explicarmos, pior ficaremos, porque quem não entende da primeira vez raramente compreenderá dali em diante.

Quem se faz de bobo e de vítima jamais será capaz de assumir seus erros, de se responsabilizar por seus atos, de se colocar no lugar de alguém. Tentar fazê-los enxergar além de seu umbigo é inútil.

Na verdade, teremos que sempre ser verdadeiros e claros, com todo mundo, pois, assim, quem nos conhece de fato e gosta de nós não se abalará com as maledicências que alguém tentar espalhar sobre nossa pessoa.

Temos que ter a tranquilidade de que vivemos de acordo com o que somos, sem dissimulações e meias verdades, para que a mentira alheia não nos atinja nunca, tampouco possa ser levada em conta por quem nos é importante.

Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia, quando maldiziam minhas atitudes. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é por demais precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.

Hoje, tenho a certeza de que muitas pessoas só entenderão aquilo que quiserem e da maneira que melhor lhes convier.

Não importa o que eu diga ou o que eu faça, muitas pessoas somente interpretarão minha vida de acordo com o nível de percepção delas mesmas, para que possam se justificar através dos erros que transferem ao mundo – segundo elas mesmas, elas nunca erram. Não tenho muito tempo livre, portanto, não gastarei mais energia com quem não merece. Vivamos!

Rede Record escala mulher para ser Satanás na novela

A RecordTV está apostando alto em Jesus, novela que substituirá Apocalipse no segundo semestre de 2018. Depois de anunciar que Dudu Azevedo interpretará Cristo, a rede escalou uma mulher para dar vida a seu opositor, Satanás. O nome da vez é Mayana Moura, que esteve em Tempo de Amar e vai estrear na Record já com o papel polêmico.

A inspiração para retratar o Demônio em uma imagem feminina veio do filme A Paixão de Cristo (2004), no qual a atriz Rosalinda Celentano caracterizou o Inimigo e deu formas originais a ele: um ser andrógeno. É exatamente por esse caminho que Mayana deve seguir na trama bíblica.

 

 

Segundo uma fonte do Notícias da TV, Satanás terá uma “aparência indefinida, porém realista, deixando-a próxima à imagem de um extraterrestre”. Outra novidade é que somente o público verá Mayana nas cenas, pois os demais personagens não serão capazes de vislumbrá-la, exceto Jesus. A primeira “aparição” do Diabo, aliás, será durante um confronto com Cristo no deserto, seguindo a linha histórica da Bíblia.

Com a atriz escalada para o papel, a equipe da Record aprovou rapidamente sua participação. Isso porque os traços do rosto e o olhar misterioso de Mayana teriam sido fatores decisivos para sua contratação.

 

O doutor mais jovem do Brasil é negro e filho de pedreiro e costureira

Jovem negro de 26 anos, Guilherme Lopes se tornou o doutor mais jovem do Brasil. Filho de pedreiro e costureira, o universitário teve sua tese de doutorado em biologia aprovada pela UFPI, em Paranaíba, Piauí.

Intitulada “Bioprospecção da bergenina isolada de Peltophorum dubium, com ênfase nas propriedades antioxidantes e anti-anti-inflamatórias: aporte para o desenvolvimento de novos fitomedicamentos”, a tese é fruto de oportunidades alcançadas em função de programas de ações afirmativas e de incentivo a pesquisa, como o Ciência sem Fronteiras.

Guilherme Lopes é o doutro mais jovem do Brasil

Foi por meio da bolsa que Guilherme, natural de Piripiri, no Piauí, teve a oportunidade de passar um ano na Espanha aperfeiçoando sua pesquisa no Departamento de Farmacologia da Universidade de Sevilla.

Aluno de escola pública, o caminho de Guilherme Lopes foi pavimentado em função do ENEM e do PROUNI, facilitadores para que conseguisse bolsa de estudos no curso de Biomedicina da Faculdade Maurício de Nassau, na capital Teresina.

Atualmente lecionando nas disciplinas de Farmácia e Enfermagem na Faculdade Chrisfapi, o jovem ressaltou o apoio para concluir o objetivo de se tornar Doutor. “Me lancei ao novo, vivenciei o inesperado, saboreei o doce e o amargo, mas em todo o tempo o Todo Poderoso cuidou de mim”, declarou ao site Awebic.

Meritocracia não, políticas públicas

Beneficiado por uma série de políticas públicas de democratização do acesso aos estudos, a história de Guilherme reafirma a necessidade do fortalecimento das ações afirmativas como instrumentos de saneamento de desigualdades históricas. Entre elas se destacam a Lei de Cotas,  sancionada pelo governo federal em 2012 e que desde então provocou uma mudança no perfil dos estudantes universitários e de institutos federais.

Ao reservar 50% das vagas para alunos negros, indígenas ou pessoas vindas de escolas públicas, a iniciativa deu mais um passo para a equidade racial e inclusão social. Para se ter ideia dos efeitos das cotas, o número de negros nas universidades dobrou em menos de 10 anos. De acordo com dados da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Seppir, a medida já ofertou por volta de 150 mil vagas para negros até 2015.

“Em três anos a Lei de Cotas nas Universidades provou ser um instrumento eficaz para reduzir as desigualdades existentes na sociedade. A medida permitiu o ingresso no ensino superior de jovens que normalmente não teriam essa chance”, explicou a ex-ministra da Seppir Nilma Lino Gomes em matéria do Geledés.

Os avanços são substanciais, mas ainda é preciso percorrer um longo caminho, já que a disparidade entre negros e brancos permanece enorme. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que em 2015 o número de negros entre 18 e 24 anos que chegaram ao nível superior era de 12%, ou seja, menos da metade dos 26,5% de brancos.

O IBGE destaca ainda que a dificuldade de acesso dos negros se dá pela educação defasadarecebida por esta parcela da população. No tempo em que deveriam estar matriculados em universidades, 53,2% dos negros ainda estão no ensino fundamental ou médio, ante 29,1% de brancos.

A intelectual Sueli Carneiro é uma das grandes defensoras das ações afirmativas no Brasil

Sueli Carneiro, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra – primeira organização negra e feminista independente de São Paulo, acredita que a as cotas escancaram os efeitos causados pelo racismo na sociedade brasileira.

“O melhor das cotas é a sua capacidade de tirar as máscaras do racismo, da discriminação racial, e explicitar a verdadeira natureza dessas ideologias: a legitimação de privilégios raciais e sociais. Elas obrigam que os diferentes interesses envolvidos e beneficiários da exclusão se manifestem. E é por isso que elas são capazes de galvanizar a opinião pública porque o monopólio histórico dos grupos racialmente hegemônicos no acesso as melhores oportunidades sociais se vêem por elas ameaçados. Para preservá-los, diferentes discursos são acionados”, salientou em artigo publicado no próprio