Dois milicianos, identificados como Yan Patrick Moreira da Silva e Luis Claudio Ribeiro Monteiro, foram presos em flagrante, na tarde desta quinta-feira (16), durante uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. De acordo com as investigações, ambos seriam integrantes da milícia conhecida como ‘Bonde do Zinho’ e estavam extorquindo comerciantes locais.
Segundo a especializada, as investigações duraram cerca de três semanas e, nesta quinta, os agentes acabaram flagrando o momento em que os criminosos entravam e saiam dos comércios onde extorquiam as vítimas. Logo após terem saído de um dos estabelecimentos e entrado em um veículo, eles foram abordados pelos policiais civis e não reagiram.
Os criminosos confessaram que extorquiram os comerciantes a pagarem o que eles chamam de ‘taxa de segurança’. Eles tentaram se desfazer da pistola com numeração raspada que estavam usando, mas a arma foi apreendida pelos agentes. Uma quantia de dinheiro também foi apreendida, além de coletes a prova de bala e listas que comprovaram as extorsões realizadas.
Vários comerciantes agradeceram aos policiais civis no local, mas relataram que têm medo de denunciar formalmente os criminosos às autoridades.
Enquanto não se resolve o impasse do piso salarial da enfermagem, lideranças sindicais da categoria no Rio de Janeiro decidiram fazer uma nova manifestação nesta sexta-feira (17) em frente ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, no centro da capital fluminense.
O ato acontece depois de uma tentativa frustrada de conciliação entre o município do Rio, as instituições de saúde privada cariocas e os enfermeiros no TRT-RJ na última segunda (13) para decidir os rumos da greve deflagrada pela categoria na semana passada.
Segundo o órgão, as partes não chegaram a um acordo e, por isso, uma nova audiência foi marcada para a próxima sexta.
O desembargador Cesar Marques Carvalho, presidente do TRT-RJ, determinou que durante esta semana pelo menos 60% do pessoal necessário ao atendimento dos serviços essenciais por plantão esteja trabalhando, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
De acordo com Líbia Bellusci, do Sindenfrj (Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro), os trabalhadores pediam 50% dos profissionais liberados para fazer greve.
Nos últimos meses, as lideranças sindicais da enfermagem já fizeram outras paralisações e atos em vários estados para cobrar a implementação do novo piso salarial. A medida foi sancionada em agosto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e suspenso pelo STF no mês seguinte.
O Congresso promulgou em dezembro uma PEC que destravou recursos do superávit de fundos públicos para bancar a medida. Mas as instituições de saúde afirmam que ainda não há fontes de custeios perenes para solucionar o problema.
O caso da menina de 12 anos sequestrada após marcar um encontro pela internet com um homem de 25 anos preocupa pais, responsáveis e reacendeu um alerta sobre os perigos na Internet sem controle. Segundo a pesquisa mais recente da TCI Kids Online Brasil, feita pela Cetic.br, 93% dos brasileiros com idades entre 9 e 17 anos são usuários de Internet, o que corresponde a 22,3 milhões de crianças e adolescentes conectados. Ao DIA, especialistas explicaram os principais riscos e as formas de prevenir.
Antonio Carlos Marques Fernandes, especialista em direito digital, alerta que todos os usuários estão sujeitos a golpes, mas que os cuidados devem ser redobrados com crianças e adolescentes, principalmente nas redes sociais.
“Dentre os problemas mais comuns, são reportados acesso a conteúdo malicioso e inapropriado para idade; contato com pessoas abusivas e/ou mal-intencionadas; falta de zelo para uso de aplicativos inseguros em dispositivos móveis; e a rede social para crianças. Nesse nicho pode ser acessado todo tipo de conteúdo, não é incomum acesso a itens maliciosos e links que possam colocar a pessoa em estado de vulnerabilidade por esse meio (rede social)”, disse.
O advogado salientou também que a sociedade deve procurar se educar tecnologicamente. “É preciso que as pessoas entendam o mínimo de proteção para a não prospecção de dados, para que não sejam portais para exposição e contaminação por intermédio de Phishing (forma popular de crime cibernético por meio de e-mail, mensagens e links). Uma sociedade educada e com noção do que é a rede mundial de computadores evitaria a maioria dos golpes, crimes e fraudes”, disse.
O especialista acredita ainda que não há meios seguros para uso de redes sociais em idade precoce. “A criança fica exposta a conteúdos que são denominados ‘temporários’ ou bomba, que somem logo em seguida a abertura do link/video/foto. Com isso pode ter acesso a tais mensagens e automaticamente se coloca em situação de risco, por medo, vergonha e manipulação”, relatou.
Importância do diálogo
De acordo com a psicóloga Janice Linhares, a principal forma de prevenir golpes pela Internet são os pais abrirem espaço para um diálogo frequente com seus filhos.
“Nós nunca sabemos se a pessoa que está por trás daquela tela é realmente quem se diz ser. Então em primeiro lugar precisamos ter dentro de casa um espaço aberto de diálogo, para que possamos falar abertamente sobre os perigos existentes na Internet, e orientar nossos jovens para que não conversem com estranhos. Além disso, podemos restringir sites inapropriados e orientar para que não marquem encontros com quem não conhecem”, explica.
A psicóloga relata que é fundamental explicar para esse público que existe pessoas ruins e má intencionadas. Ela considera importante também avaliar a faixa etária da criança ou adolescente antes de fornecer acesso a redes sociais.
“Devemos avaliar a maturidade das nossas crianças, será que eles têm condição de lidar com isso (rede social)? De fazer um bom uso? Isso tem que ser avaliado. Além disso, também precisamos avaliar o tempo nas telas, que eles usem depois de fazer seus afazeres”, enumerou.
A especialista reforçou também que é importante estabelecer um vínculo para que não haja segredos e fazer um monitoramento do que os filhos estão fazendo, assistindo ou com quem estão conversando.
“As crianças e os adolescentes ainda não têm maturidade ou capacidade de entender as consequência dos seus atos. Isso porque o cérebro ainda está passando por uma reorganização. O adolescente busca o prazer e a recompensa como adulto, mas ele ainda não está maduro o suficiente para lidar com as consequências. Se não houver um espaço de diálogo, é capaz da gente não saber o que está acontecendo com eles”, finalizou.
Crianças nas redes sociais
De acordo com a última pesquisa do TIC Kids Online Brasil, publicada em agosto do ano passado, cerca de 78% dos usuários de Internet com idades de 9 a 17 anos acessaram as redes sociais. Para a coordenadora do projeto Luísa Adib, a internet pode trazer benefícios para crianças e adolescentes se os pais mantiverem um acompanhamento do uso dos celulares ou computadores.
“A gente sabe que participação online cria uma série de oportunidades para entretenimento e socialização, então existem sim um benefício que vem a partir da participação de um ambiente online. Mas claro que elas estão expostas a uma série de riscos, como contato a conteúdos sensíveis e pessoas desconhecidas. Por isso o uso tem que se acompanhado, tanto por pais e responsáveis quanto por educadores”, explicou.
Luísa complementou ainda que é necessário um espaço de diálogo para que as crianças conversem sobre o que está vendo no mundo digital para que seja um ambiente seguro. “Eu acho que não é restringindo ou colocando limites que elas (crianças) vão estar mais protegidas, mas sim um acompanhando e educação para esse uso”, finalizou.
Vigilância não é punição
A psicóloga Angela Donato Oliva, do Instituto de Psicologia da Uerj, explica a diferença entre monitorar, vigiar e punir. Ela alertou que a punição de forma rigorosa não ajuda na proteção.
“Não é só punir a criança e dizer: ‘Não faça isso’. É se fazer presente, é conversar, essa vigilância não é sinônimo de punição, é necessário criar diálogos, porque quanto mais proíbe, mais elas fazem e podem até querer fugir de casa. É preciso criar alternativas, por exemplo: ‘Olha, você ajuda a mamãe a não cair em um golpe e a gente te ajuda’. É deixar ela com liberdade para contar caso aconteça algo”, diz.
Angela também falou sobre o controle que os pais devem ter com o que os filhos fazem nas redes sociais.
“Não é censura, mas quando eu era pequena havia questões de programas recomendados para crianças. E com 12 anos uma criança ter acesso a um celular que a abre pro mundo, onde você pode falar com qualquer desconhecido é uma situação que a sociedade tem que pensar. Temos que pensar sobre a partir de que idade uma criança tem discernimento para conversar com outra pessoa pela internet, porque hoje em dia até um adulto vai cair em conversas agradáveis e amistosas com pessoas em aplicativos, que na verdade são golpes”, afirma.
A especialista informou ainda que as pessoas precisam entender que a infância é longa e que é preciso um acompanhamento muito próximo a um monitoramento.
Principais crimes
O Ministério da Cidadania divulgou uma lista com os principais crimes que as crianças estão expostas na Internet e a explicação de cada um deles: Confira
1. Abuso sexual de crianças e adolescentes na Internet: são todas as formas de abuso realizadas através da internet.
2.Cyberbullying/Assédio virtual: violência praticada com o objetivo de agredir, perseguir, ridicularizar e/ou assediar.
3. Exploração sexual de crianças e adolescentes na Internet: todos os atos de natureza sexual cometidos contra uma criança ou adolescente através do uso da Internet como meio de explorá-los sexualmente.
4. Exposição a conteúdos inapropriados: acesso ou exposição de crianças e adolescentes, intencionalmente ou acidentalmente, a conteúdos violentos, de natureza sexual ou que gerem ódio, sendo prejudicial ao seu desenvolvimento.
5. Grooming: estratégias que um adulto realiza para ganhar a confiança de uma criança ou adolescente, através da Internet, com o propósito de abusar ou explorar sexualmente.
6. Materiais de abuso sexual de crianças e adolescentes gerados digitalmente: produção artificial, através da mídia digital, de todo tipo de material que represente crianças e adolescentes que participam de atividades sexuais e/ou de maneira sexualizada, para fazer com que os fatos pareçam reais.
7.Publicação de informações privadas: publicação de materiais e informações pessoais de forma online.
8. Happy slapping: É uma forma de cyberbullying que ocorre quando uma ou várias pessoas agridem um indivíduo enquanto o incidente é gravado para ser transmitido nas redes sociais.
9. Sexting: autoprodução de imagens sexuais, com a troca de imagens ou vídeos com conteúdo sexual, por meio de telefones e/ou da Internet (mensagens, e-mails, redes sociais). Também pode ser considerado como uma forma de assédio sexual em que uma criança e um adolescente são pressionados a enviar uma foto para o parceiro, que a propaga sem o seu consentimento.
10. Sextorsão (sextortion): chantagem realizada a crianças ou adolescentes por meio de mensagens intimidadoras que ameaçam propagar imagens sexuais ou vídeos gerados pelas próprias vítimas.
Empresas de ônibus de diferentes regiões Rio de Janeiro divulgaram 417 oportunidades de empregos em diversas áreas. Com a retomada de mais de 60 linhas em operação pelos consórcios e ampliação em mais 300 coletivos, a demanda por vagas de trabalho no setor rodoviário voltou a existir.
A partir do acordo assinado com a Prefeitura e dos resultados de esforços feitos pelas empresas, profissionais rodoviários têm chance de se restabelecerem no mercado de trabalho.
Entre os cargos disponíveis estão: motorista; eletricista; mecânico; fiscal de tráfego; jovem aprendiz; anotador; lavor de ônibus; entre outras. Veja a lista com as oportunidades no site.
Os candidatos interessados deverão entrar em contato direto com as empresas, munidos da documentação exigida.
Duas mulheres, de 28 e 36 anos, foram presas em flagrante, nesta terça-feira (14), por furtar produtos no valor de R$ 3,2 mil de um supermercado no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Todo o material foi recuperado por agentes do Operação Presente do município.
De acordo com a Secretaria de Governo (Segov), os policiais foram acionados após a denúncia de funcionários do estabelecimento, na Avenida Marechal Floriano Peixoto. A equipe do Nova Iguaçu Presente chegou ao local no momento em que as duas suspeitas saíam sem pagar pelos produtos.
Com isso, foram recuperados alimentos, materiais de limpeza, itens de higiene, sete sandálias e seis engradados de cerveja.
O caso foi registrado na 52ª DP (Nova Iguaçu), onde as mulheres foram autuadas por furto e permaneceram presas.
Secretaria Municipal de Saúde do Rio iniciou na terça-feira (14/03) a vacinação de reforço em profissionais de saúde com 50 anos ou mais. Na segunda-feira (13/03) começou a imunização de gestantes e puérperas.
O reforço com a bivalente continua para o público em geral a partir dos 60 anos e em pessoas com imunossupressão a partir dos 12 anos.
Quem deve se vacinar precisa ter recebido, pelo menos, duas doses de qualquer vacina contra a doença há quatro meses ou mais.
Devem procurar os postos para testagem pessoas com sintomas como febre, calafrio, tosse, coriza, dor de garganta, dor de cabeça e alterações no olfato ou no paladar.
Uma grande operação da Polícia Militar na Cidade de Deus, desde a madrugada desta quarta-feira (15), terminou com 3 mortos, 26 presos, 8 fuzis, 13 pistolas e mais de 100 quilos de drogas apreendidos.
A TV Globo apurou que a favela vinha sendo usada como base do Comando Vermelho para a guerra que assola várias comunidades da Zona Oeste, em disputa de facções criminosas, incluindo milícias.
Há meses, moradores da região têm sofrido com os efeitos de disputa de bandidos. Mortes em tiroteios, seja entre as facções ou em operações policiais, são frequentes.
“Fizemos uma ação bem ampla na Cidade Deus, que hoje é o coração dos problemas que acontecem em Jacarepaguá”, disse o coronel Marco Andrade, porta-voz da PM.
A operação desta quarta se dá com base em informações da Inteligência de que a Cidade de Deus virou o “QG” do CV nesta guerra.
Um cerco foi montado ainda na madrugada, impedindo a fuga de bandidos, segundo policiais. Ao amanhecer, a polícia entrou na favela, com apoio de um helicóptero blindado do Grupamento Aeromovel (GAM), dos batalhões de Choque e de Ações com Cães, da Coordenadoria de Operações Especiais (COE) e do Núcleo de Apoio às Operações Especiais (NAOE).
Houve intensa troca de tiros, e um grupo de criminosos acabou cercado pelo helicóptero na região de mata, atrás do Centro de Treinamento do Vasco da Gama – que precisou transferir o treino para São Januário. Para que os bandidos saíssem de trás da mata fechada, policiais lançaram bombas de gás.
Após tiroteio na área de mangue, equipes do Batalhão de Choque prenderam um criminoso com um fuzil AR-15 e uma mochila com droga.
Três suspeitos, segundo a PM, foram baleados e levados para o Hospital Municipal Lourenço Jorge. Segundo a unidade de saúde, eles já chegaram mortos.
Suspeito de chefiar o tráfico preso
O homem que é apontado pela Polícia Militar como chefe do tráfico de drogas na Gardênia Azul, conhecido como Glauber, foi preso na noite de quarta (15). Com ele, mais três suspeitos foram presos, um fuzil e duas pistolas foram apreendidos.
Ele foi localizado em um apartamento na Estrada do Tindiba, entre os bairros Taquara e Pechincha, com mais três suspeitos, depois de uma denúncia anônima de moradores que perceberam a movimentação criminosa.
De acordo com informações da polícia, eles usaram um carro para fugir da operação policial na Cidade de Deus, que aconteceu durante o dia, e se esconderam nesse apartamento. Além do homem suspeito de ser chefe do tráfico, os outros três suspeitos seriam do tráfico de drogas do Complexo do Alemão.
A ocorrência foi registrada na 32ª DP (Taquara).
Biel preso durante fuga de caminhão
Outros bandidos conseguiram sair da área pantanosa, mas não da favela. Segundo apurou a TV Globo, eles se aproveitaram de protestos feitos por moradores como distração para render um motorista de caminhão e o obrigar a tirar o grupo da Cidade de Deus.
Este caminhão, com 14 homens deitados na caçamba, atravessou a Freguesia e ia em direção a comunidades da Zona Norte dominadas pela facção, mas foi interceptado na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, após a PM receber informação da fuga. O motorista também foi levado para a delegacia.
Homens 3º BPM (Méier) e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Lins abordaram o veículo e chegaram a dar um tiro de advertência, na lateral. Os homens se renderam e foram presos.
Entre eles está o traficante Denys Gabriel Gonçalves Monteiro, conhecido como Biel, gerente do tráfico e sobrinho de Sam, um dos chefes do CV na Cidade de Deus.
Com eles, foram apreendidos seis fuzis, noves pistolas, coletes balísticos e drogas.
Ainda na Cidade de Deus, equipes do Batalhão de Ação com Cães (BAC) apreendeu mais de 100 kg de drogas (entre maconha e cocaína), com auxílio do pastor belga Daro e dos labradores Fenix e Frozen.
Durante a operação, mais de 15 escolas ficaram fechadas, afetando 4.897 alunos, segundo a Secretaria Municipal de Educação.
Protestos na Linha Amarela e na CDD
No fim da tarde, um protesto foi realizado, e duas faixas da Linha Amarela, uma das principais vias expressas da cidade, foram fechadas na altura do Viaduto do Gabinal, sentido Fundão, provocando congestionamento.
Também houve manifestações, de manhã e de tarde, na Estrada Marechal Miguel Salazar, na altura da Antonieta Campos da Paz.
Criminosos interditaram a Rodovia Washington Luiz, na BR 040, na altura de Caxias, na Baixada Fluminense, na tarde desta quinta-feira (16). Segundo relatos, a rodovia foi fechada por causa de uma tentativa de arrastão. A Polícia Rodoviária Federal informou que a pista foi fechada por seis caminhões sem as chaves.
Vídeos enviados para a reportagem da Super Rádio Tupi mostram ônibus incendiados e barricadas sendo colocadas em pistas próximas.
Ainda não há informações oficiais sobre o que teria motivado a interdição.
Confira abaixo os pontos com manifestação:
km 124, sentido JF, no retorno, caminhões bloqueando a via. CONCER já iniciou a remoção. Veículos retirados – LIBERADO.
Km 124, sentido RJ, pistas liberadas.
Km 118, sentido JF (decrescente), pista central – LIBERADO.
Km 106, sentido JF (decrescente), pista lateral. Veículo incendiado. CBMERJ acionado. Incêndio apagado, permanece uma faixa da pista lateral interditada em virtude da intensa troca de tiros dentro da comunidade.
A 23ª Vara Criminal do Rio de Janeiro concedeu na terça-feira (14) liberdade provisória para Sabine Boghici, acusada de aplicar um golpe milionário contra a própria mãe, uma idosa de 82 anos.
A liberdade à acusada inclui a motivação de que, a princípio, “ela não é considerada pessoa de alto grau de periculosidade”.
Sabine vai ter que cumprir medidas cautelares, como comparecer mensalmente em juízo. Ela está proibida de ausentar-se da Comarca por mais de 10 dias, sem prévia autorização judicial e de manter contato por qualquer meio (inclusive via redes sociais, aplicativos ou telefone) com a mãe e demais testemunhas arroladas pelo Ministério Público. As medidas incluem manter distância de 500 metros da mãe, e entrega do passaporte, no prazo de 48 horas.
Segundo as investigações, o plano arquitetado por Sabine Boghici contra a própria mãe, Geneviève Boghici, teve início em 2020. A idosa foi abordada por uma suposta vidente na saída de uma agência bancária em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A mulher que teria se passado por vidente disse que a filha da idosa, a Sabine Boghici, estava doente e iria morrer em breve.
Como Sabine enfrentaria problemas psicológicos desde a adolescência, a idosa se convenceu a realizar os pagamentos solicitados para o suposto tratamento espiritual da filha.
No dia 10 de agosto de 2022, o golpe veio à tona. Sabine Bochici e outras três pessoas de uma mesma família foram presas, todas suspeitas do crime.
Segundo a polícia, o golpe de R$ 725 milhões leva em conta obras de arte avaliadas em R$ 710 milhões, joias de R$ 6 milhões e R$ 9 milhões em pagamentos bancários.
Ao todo, as investigações apontaram que 16 quadros foram roubados pelo grupo, incluindo obras de Tarsila do Amaral e de Di Cavalcanti. Alguns quadros foram recuperados. O famoso quadro “Sol Poente”, de Tarsila do Amaral, estava escondido debaixo da cama de um dos suspeitos.
A mulher que teria se passado por vidente teve a prisão mantida pela Justiça. Segundo a decisão, Rosa Stanesco Nicolau possui outras anotações criminais e segue sob custódia.
A mãe de Sabine Boghici é viúva do colecionador de arte e marchand Jean Boghici.
Por trás dos icônicos calçadões, praias e cartões postais mundialmente famosos, o Rio de Janeiro esconde alguns tesouros gastronômicos que valem uma visita com roteiro alternativo. Para quem costuma turistar pela capital carioca, hoje falo de dois restaurantes que são pontos fora da curva e cujas histórias nasceram longe do Rio, mas nele encontraram seu final (ou começo) feliz. O primeiro é a nova casa do jovem chef Rafa Gomes (@rafagomeschef), que traçou uma trajetória diferente até abrir este que é seu terceiro endereço no Rio e quarto no mundo.
Grande vencedor da primeira temporada do Iron Chef Brasil, da qual fui jurada, o Rafa, como já falei em outra coluna, começou uma brilhante carreira em Paris, com seu festejado restaurante Itacoa, depois de passar por cozinhas estreladas como a do nova-iorquino Eleven Madison Park. De volta às raízes, anos depois, ele abriu duas filiais cariocas do Itacoa e, mais recentemente, o ótimo Tiara (@tiara_restaurante), completando o nome do bairro e da praia homônima de Niterói onde nasceu e cresceu – Itacoatiara.
A experiência no Tiara revela muito desse nascimento, crescimento e desabrochar de técnicas e sensibilidades do chef. A estrela do cardápio é o pato, ave pela qual ele desenvolveu uma quase-obsessão desde sua temporada no Eleven e que, desde então, tornou-se tema de pesquisa intensa. No cardápio de tom mediterrâneo, que também trabalha frutos do mar e carnes como cordeiro e coelho, o pato se revela versátil, ora na forma de um elegante patê de foie, ora maturado e laqueado em mel e especiarias, ora em lascas fininhas e de sabor intenso no arroz pérola de polvo e jamón de pato. Exemplo esmerado e muito representativo da seriedade com que esse cozinheiro de talento trata os ingredientes.
Minha segunda dica é, mais do que um restaurante, um passeio gastronômico – e que dá a sensação de sair do Rio de Janeiro sem sair. Trata-se do Ocyá (@ocya.rio), do chef, pescador e mergulhador Gerônimo Athuel (@geronimoathuel), que fica na pequenina Ilha Primeira, próxima à Ilha da Gigoia. Para chegar lá, pega-se o barco que faz o transporte da população local entre ilha e continente, e esse já é um bom começo para entrar no clima do que vai acontecer no Ocyá: uma imersão no jeito de viver e comer dos moradores do lugar, onde a pesca é uma das principais atividades econômicas, mas o pescado que vai para a mesa foge por completo ao bê-a-bá a que estamos acostumados no continente.
Gerônimo conta que o restaurante nasceu das experiências que ele teve na infância em Vitória, no Espírito Santo, convivendo diariamente com os pescadores do píer Iemanjá. Curioso que sempre foi, fazia mil perguntas e foi aprendendo um sem-número de diferentes formas de capturar, limpar e aproveitar todas as partes do peixe. Rolava um combinado entre o menino de nem 11 anos completos e os pescadores: ele limpava os peixes em troca de alguns pedaços, que para ele valiam mais do que qualquer remuneração em dinheiro. Só que aí o pequeno chegava em casa com sacolas e mais sacolas de pedaços de pescado e se metia a limpar na cozinha da mãe, Vânia.
Fazia uma bagunça danada porque, como ele mesmo diz, dando risada, “criança não limpa nada”. No dia em que chegou a achar escama grudada até no teto, a mãe bronqueou – e então ele passou a trazer os peixes já limpos e filetados, para a alegria e o alívio de dona Vânia. Filés a postos, era hora de fazer as experimentações. Gerônimo-menino não deixava ninguém chegar perto do fogão. Era ele que temperava, fritava, assava, fazia “o diabo a quatro” com sua nova paixão. E sentia o maior orgulho de, do alto de seus quase 11 anos, já ser o cozinheiro oficial da família.
A trajetória de aprendizado do chef também passa longe do que a gente vê por aí. Ao invés de buscar formação na Europa ou nos Estados Unidos, ele se mudou para a Costa Rica, na América Central, com a ideia de ganhar experiência em hotéis e absorver tudo que pudesse da culinária local. Praticante de pesca submarina, vivia atrás do budião-azul, uma espécie excelente para o preparo do ceviche, que revendia para o fish market de um casal de californianos de quem virou fã e amigo. Foi esse fish market, localizado em um micro-shopping a céu aberto, a segunda grande inspiração para o formato do Ocyá, que é nada menos do que o epicentro dos dois mundos que o chef mais ama: a pesca e a cozinha.
Gerônimo fala que a experiência por lá não é só apreciar a comida, que é na essência aquilo que comem os moradores da ilha, mas sentir o momento como um todo – é o vento no rosto, é o rasante das aves no mar, é a capivara na beira da água, é o barco em movimento. À mesa, o chef serve somente peixes e frutos do mar da região, capturados por ele e outros pescadores da ilha, priorizando os menos comercializados. Não trabalha com garoupa, linguado, cherne, robalo e badejo, por exemplo, mas sim espécies menos conhecidas e apreciadas, ainda que muito nutritivas, como pirajica, barbeiro, ubarana e bonito, que são aproveitados em sua integralidade. É um trabalho de tentar entender o que dá para tirar de um produto que não tem valor de mercado. Daí brotam sacadas geniais como o mandiopã de olho de peixe – ele dá uma braseada nos olhos, filtra para extrair o sumo, cozinha o sagu no extrato e desidrata para depois fritar. Tem ovas na sobremesa, escamas salpicadas para finalizar receitas. É coisa bem séria.
foco dessa cozinha tão singular está em uma câmara de maturação instalada no salão do Ocyá, que possibilita ao chef trabalhar o peixe sem a necessidade de congelar, com um controle minucioso de temperatura e umidade. A beleza também entra aqui: graças à câmara, a preservação do estado do pescado em seus detalhes, indo da manutenção das cores até o brilho dos olhos, é impressionante – e isso pode se manter por até 40, 50 dias após a pesca. É uma forma de armazenamento que também permite manejar o produto em partes: um dia ele tira o filé, no outro o colar, e vai fazendo avaliações gustativas para entender se prepara um filé na brasa ou um sashimi, por exemplo, dependendo do nível de gordura. “Você tem mais tempo para criar uma intimidade com aquela peça”, diz.
Uma boa oportunidade para conhecer essa história bonita é o projeto que vai ser inaugurado no final deste mês, o Chef a Bordo. A ideia de Gerônimo é receber convidados para elaborar jantares a quatro ou seis mãos no Ocyá, fazendo um intercâmbio entre os chefs, com seus diferentes estilos de cozinha e técnicas. Serão novos nomes a cada mês, alternando profissionais que atuam no Rio e em outros estados. A estreia, no dia 23 de março, será com Thomas Troisgros, que sairá com o anfitrião de barco na véspera do jantar para pescar o que será preparado no menu degustação de cinco etapas da noite seguinte.
Em abril, será a vez dos chefs Rubens Salfer, do D.O.M., e Eduardo Nava Ortiz e Luana Sabino, do Metzi. Ao longo do ano também participam nomes como Gonzalo Vidal (74 Restaurant), Saulo Jennings (Casa do Saulo), Danilo Faria (Uni Sushi-ya e Suzushi), Gustavo Rinkevich (Rocka Restaurant), Félix Sanchez (Místico Restaurant) e Fabrício Lemos e Lisiane Arouca (Grupo Origem). Todos prontos para embarcar, literalmente, na potente viagem gastronômica criada por esse chef que não é um “menino do Rio” propriamente dito, mas é, sem dúvida alguma, o menino dos mares e rios.