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Essa é nossa bandeira e jamais será vermelha, diz Bolsonaro

m seu segundo discurso como presidente da República, Jair Bolsonaro afirmou que esta terça-feira (1º) marca o dia em que o Brasil “começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

Foto: Reuters

Ainda marcado por tons de campanha, o pronunciamento durou oito minutos e foi feito após a cerimônia de entrega da faixa presidencial, no parlatório do Palácio do Planalto, reproduzindo parte dos conceitos defendidos por Bolsonaro em seu primeiro discurso, no Congresso Nacional.

“Esse momento não tem preço: servir a pátria como chefe do Executivo. Isso só está sendo possível porque Deus preservou a minha vida e vocês acreditaram em mim. Juntos temos de fazer o Brasil ocupar um lugar de destaque e que ele merece no mundo e trazer paz e prosperidade ao nosso povo”, disse o presidente.

Chamado de “mito” pela multidão presente na Praça dos Três Poderes, Bolsonaro afirmou que se compromete “com o desejo de mudança” expressado pelas ruas. “É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e como me coloco diante da nação nesse dia, como o dia em que a nação começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”, declarou.

Bolsonaro afirmou que não se pode deixar que “ideologias nefastas” dividam os brasileiros. “Ideologias que destroem nossas tradições e valores, destroem nossas famílias, alicerces da sociedade. “Podemos eu, você e nossas famílias, restabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”, salientou.

Ao fim do discurso, o presidente exibiu a bandeira do Brasil e decretou: “Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for para mantê-la verde e amarela”. Imediatamente antes de seu pronunciamento, em uma novidade do protocolo, a primeira-dama Michelle Bolsonaro fez um discurso em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. A esposa do presidente é intérprete de surdos.

“Boa tarde, é uma grande honra estar aqui em um momento tão especial para nosso país. Agradeço pela solidariedade nos momentos difíceis pelos quais meu esposo passou nos últimos meses”, disse a primeira-dama.

Revoltados, jornalistas internacionais deixam Itamaraty antes da posse

No inicio da tarde desta terça-feira (1º/1), jornalistas franceses, chineses e de outros três países abandonaram a cobertura da posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O grupo estava no Palácio Itamaraty, onde será oferecido um jantar aos chefes de Estado que vieram ao Brasil presenciar a cerimônia.

Repórteres brasileiros e estrangeiros foram obrigados a chegar ao Ministério das Relações Exteriores às 11h, mas o evento está marcado para começar apenas às 19h. A justificativa para a espera de oito horas é o esquema de segurança. Além disso, todos os jornalistas foram colocados em um espaço minúsculo batizado de “chiqueirinho” e impedidos de circular pelo Itamaraty.

 

 

Por volta das 13h, cinco profissionais da imprensa estrangeira foram embora após os seguranças do ministério descartarem as garrafas de água mineral levadas por eles. Procurada, a assessoria de imprensa do futuro governo Bolsonaro disse à reportagem que quem iria comentar a saída dos repórteres seria o Itamaraty. Mas, segundo o ministério, os jornalistas estão sendo bem tratados:   foram oferecidos a eles café da manhã e almoço. Aqueles que prefeririam se retirar foram acompanhados até a saída.

Profissionais credenciados no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional também foram obrigados a se apresentarem cedo às áreas destinadas à imprensa. Pela primeira vez em uma posse presidencial, os jornalistas só tiveram acesso aos locais de trabalho por meio de um ônibus fretado pelo governo. O primeiro veículo saiu do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) às 9h30 levando os repórteres para a Câmara dos Deputados, mas a cerimônia estava marcada para começar por volta de 15h.

Além disso, ao contrário de posses anteriores, jornalistas não podem transitar livremente pela Esplanada dos Ministérios. Os profissionais não têm autorização para falar com o público que acompanha o desfile de Bolsonaro, nem podem sair da cobertura do Congresso Nacional e ir ao Palácio do Planalto ou ao Itamaraty. Todos esses locais realizam cerimônias diferentes da posse presidencial.

Bolsonaro fala aos brasileiros: “Povo se libertou do socialismo”

“Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha”, foi com essa frase que o presidente Jair Bolsonaro, que assumiu a Presidência do Brasil neste 1º de janeiro de 2019, finalizou seu discurso no Palácio do Planalto, o segundo do dia e o primeiro realizado diretamente ao público que acompanhava a cerimônia da posse presidencial ao vivo.

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A grande novidade foi a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que falou primeiro no parlatório do Planalto, algo incomum, num discurso breve, traduzido em libras. Sob os gritos de “mito”, apelido que ganhou de seus seguidores mais fervorosos, Bolsonaro discursou em seguida, tocando, novamente em pontos frequentes da narrativa da sua campanha presidencial.

Visivelmente emocionado, o presidente chegou a tirar uma bandeira do Brasil do bolso e a agitou para uma plateia animada. “Deus preservou a minha vida e vocês acreditaram em mim”, disse o presidente empossado, “juntos, vamos fazer o Brasil ocupar um lugar de destaque que merece no mundo e trazer paz e prosperidade para o nosso povo”.

“Com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e me coloco diante de toda a nação neste dia. O dia em que o povo se libertou do socialismo, se libertou da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto, as eleições deram voz a quem não era ouvido a voz das ruas e das urnas foi muito clara”, continuou Bolsonaro.

“Respeitando os princípios do estado democrático, guiados pela Constituição e com Deus no coração, a partir de hoje vamos colocar em prática o projeto que a maioria do povo democraticamente escolheu, vamos promover as transformações que o país precisa. ”

“Graças a vocês fui eleito com a campanha mais barata da história. Graças a vocês conseguimos montar um governo sem conchavos”, continuou o presidente, notando que “ainda há desafios pela frente e não podemos deixar que ideologias dividam os brasileiros, ideologias que destroem nossos valores e tradições, destroem as famílias, que são os alicerces da sociedade”.

Bolsonaro é empossado como presidente da República; acompanhe

presidenteJair Bolsonaro (PSL) está no Congresso Nacional para a solenidade que oficializa a sua posse como presidente da República.

 

 

Acompanhado da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o militar deixou a Granja do Torto por volta das 14h20 desta terça-feira (1º).

Apoiadores de Bolsonaro estão na Esplanada dos Ministérios para posse

O comboio presidencial seguiu para a Catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios, onde se encontrou com o vice-presidente Hamilton Mourão. Ao deixar a residência oficial, o presidente foi saudado com gritos de “Mito” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” (slogan da campanha).

Para 65% dos brasileiros, Bolsonaro fará governo ótimo ou bom

De lá, saíram em direção ao Congresso Nacional. O deslocamento foi realizado em carro aberto, no veículo Rolls-Royce da Presidência (foto).

A sessão da posse de Bolsonaro foi aberta pouco depois das 15h pelo senador Eunício Oliveira, que preside a Casa. Após execução do Hino Nacional Brasileiro pela Banda dos Fuzileiros Navais, Bolsonaro e Mourão firmaram os seus compromissos e Eunício seguiu com o empossamento.

Às 16h15, será realizado o desfile do cortejo presidencial do Congresso Nacional até o Palácio do Planalto, onde ele receberá a faixa presidencial. Na sequência, às 16h30, Bolsonaro fará um pronunciamento.

Confira o cronograma completo da posse

Jair Bolsonaro é o 38º presidente eleito da história do país, com 57,8 milhões de votos no 2º turno.

Bolsonaro toma posse como presidente do Brasil; veja fotos

air Messias Bolsonaro tomou posse na tarde desta terça-feira, primeiro dia de 2019, como novo presidente do Brasil. O eleito participou de sessão solene no Congresso Nacional, em sessão aberta pelo presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (MDB-CE). O carro oficial parou próximo da rampa da Casa pouco antes das 15h.

O novo presidente desfilou em carro aberto ela Esplanada dos Ministérios acompanhado de sua esposa, Michelle Bolsonaro, e de seu filho, Carlos Bolsonaro. Logo na chegada, Bolsonaro foi recebido pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Eunício Oliveira, pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.

Em seguida, Bolsonaro passou pela ala de homens da Força Aérea Brasileira e da Marinha, já no Salão Verde, de onde se dirigiu ao Plenário para a cerimônia de posse. O novo presidente foi oficialmente empossado após prestar juramento no Congresso Nacional ao lado do general da reserva Hamilton Mourão, empossado como vice-presidente.

Veja imagens da posse de Bolsonaro:

 

Da cadeia Lula manda recado para o presidente Jair Bolsonaro.Leia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril e condenado a 12 anos de prisão, afirmou que 2019, ano em que Jair Bolsonaro inicia seu mandato como chefe de Estado, será de resistência e que não baixará a cabeça.

“Eles podem prender uma pessoa, como fizeram comigo, mas não podem encarcerar nossas ideias, muito menos impedir o futuro. 2019 será um ano de muita resistência e muita luta, para impedir que o nosso povo seja ainda mais castigado do que já foi. O Brasil precisa mudar, sim, mas mudar para melhor”, declarou Lula em mensagem de ano novo que escreveu em sua cela e que foi divulgada no site do PT.

 

 

A mensagem de Lula foi publicada algumas horas antes de Bolsonaro iniciar um mandato de quatro anos, nos quais promete que o Brasil porá fim às políticas de esquerda que o PT impulsionou em 13 anos de governo.

“Nosso objetivo em 2019 deve ser a defesa do povo brasileiro. Defender o direito à saúde e educação de qualidade. Ao emprego e à oportunidade de estudar e trabalhar em paz por um Brasil melhor”, afirmou Lula, que liderava todas as pesquisas de intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro, mas foi impedido de disputar por ter sido condenado em segunda instância.

De acordo com o ex-presidente, um Brasil com mais direitos para todos só é possível quando são garantidos a plena democracia e os direitos à livre organização, à manifestação e à expressão.

“Isso só vai ser possível garantindo a democracia plena; em que seja livre o direito de organização, de manifestação e de expressão. Em que todos sejam reconhecidos como cidadãos e cidadãs. Em que se pratique a verdadeira Justiça, sem perseguição política, ódio ou preconceito”, completou.

Lula lembrou ainda que teve que iniciar o ano na cela na qual foi recluso, segundo ele, sem ter cometido nenhum crime, condenado sem provas e sem direito a um julgamento justo.

Na sua mensagem de ano novo, Lula disse que deseja que 2019 seja o início de um novo caminho para um Brasil sem fome e sem pobreza, com emprego digno e saúde e educação para todos.

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‘Traficantes são narcoterroristas, e como terroristas serão tratados’, diz Witzel

No primeiro discurso como governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel elogiou os juízes presentes, a Defensoria Pública e o MP. Ele cumprimentou rapidamente servidores, aposentados e pensionistas. Além disso, agradeceu aos partidos que o apoiaram durante a campanha. O momento mais inflamado foi ao final, quando falou sobre segurança pública.

Começa o governo de Jair Bolsonaro: o 38° Presidente do Brasil

Quando o capitão da reserva do Exército Brasileiro Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, subir a rampa do Palácio do Planalto e receber das mãos do advogado Michel Temer a faixa presidencial, o Brasil ganhará o seu 38º presidente da República. Será a primeira vez que o país estará sob o comando de um homem egresso das fileiras militares desde a redemocratização, em 1985.

Conservador nos costumes e liberal na economia, Bolsonaro trará de volta valores enaltecidos pelos militares durante os quase 21 anos nos quais conduziram a vida dos brasileiros. Amor pela Pátria e por símbolos nacionais, princípios cristãos, proteção da propriedade privada e da família tradicional deverão permear a rotina da nova cúpula do governo federal.

A agenda social mantida nos 13 anos de gestões petistas, que priorizava populações tradicionalmente excluídas, dará lugar a um governo “para todos”, indistintamente, conforme o novo presidente anunciou durante sua diplomação, em 10 de dezembro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A partir de 1º de janeiro, serei o presidente dos 210 milhões de brasileiros. Governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião
Jair Messias Bolsonaro

A trajetória política de Bolsonaro rumo à Presidência da República foi calcada em décadas de exercício de mandatos parlamentares. Primeiramente, a partir de 1988, exerceu por dois anos o cargo de vereador do Rio de Janeiro pelo extinto PDC. Depois, cumpriu sete mandatos consecutivos como deputado federal na Câmara dos Deputados – foram 28 anos, e nove partidos políticos, integrando o chamado baixo clero, ala numerosa, mas considerada de pouca expressão na cúpula do Legislativo federal.

Por vezes, tentou puxar o protagonismo para si, sem muito sucesso. Em fevereiro de 2017, quando concorreu à Presidência da Câmara, por exemplo, recebeu apenas 4 votos, o que mostrava sua pouca influência no Parlamento à época. No entanto, o resultado não parecia refletir sua aprovação crescente nas ruas do país.

Natural de Glicério (SP), o presidente sedimentou o próprio caminho rumo ao Palácio do Planalto com bandeiras de fortalecimento dos sistemas de segurança pública e de combate à corrupção, temas que nortearam seu discurso político.

A favor do ex-militar estava a derrocada do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus principais líderes. Bolsonaro crescia aos olhos dos brasileiros, enquanto os representantes mais expressivos do PT e dos governos federais petistas definhavam à sombra dos escândalos do Mensalão e Petrolão, seguidos pelo impeachment, em 2016, da presidente Dilma Rousseff e, em 2018, pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um movimento que também tirou forças da chamada esquerda política do país como um todo.

Sem Lula – seu principal opositor – na disputa eleitoral, abriu-se o caminho de Bolsonaro rumo ao Planalto, ancorado no discurso do fortalecimento dos sistemas de segurança pública e de combate à corrupção, além da defesa da família e propriedade, da justiça social e do crescimento econômico, com emprego e renda para todos, sem concessões ou benesses especiais a qualquer segmento social, sejam mulheres, indígenas, negros, LGBTs ou outras minorias.

O discurso de Bolsonaro, fortalecido digitalmente pelo filho Carlos (vereador da capital fluminense), parecia dar resultados. Ele soube igualmente explorar viagens, palestras e agendas populares para se consolidar entre os eleitores.

As mídias sociais on-line seguirão como o norte da comunicação do novo presidente da República. Boa parte do primeiro escalão foi anunciado por Bolsonaro via Twitter. O método lembra o formato adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – de quem o brasileiro é fã declarado.

Apesar de se afastar da campanha nas ruas do país após sofrer um atentado à faca durante agenda em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro, o ex-paraquedista do Exército agradou tanto pelo conteúdo do discurso quanto pela forma direta de falar a 55.205.640 milhões de brasileiros que lhe conferiram 55,54% dos votos válidos nas últimas eleições presidenciais.

Confira imagens da campanha eleitoral e da trajetória de Bolsonaro rumo ao Planalto:


Guinada à direita

Do ponto de vista ideológico, a posse do capitão reformado Jair Bolsonaro na Presidência da República representa a chegada ao poder de grupos formados no polo direito da política brasileira. Minoritários desde a abertura política, os seguidores do novo ocupante do Palácio do Planalto resgatam o discurso do anticomunismo, predominante durante o regime militar.

Os novos titulares da Esplanada agregam, ainda, elementos contemporâneos, como a influência das igrejas neopentecostais e dos setores mais radicais do agronegócio. Nesses campos, comungam das mesmas bandeiras conservadoras nos costumes e no enfrentamento aos ambientalistas.

Desde o fim da ditadura, na economia, os presidentes empossados alternaram programas liberais e heterodoxos, em diferentes gradações. Também com variáveis níveis de prioridade, aplicaram políticas sociais compensatórias e tomaram medidas em defesa dos direitos humanos.

O governo Bolsonaro assume, inicialmente, com uma equipe liberal na economia. Responsável pelo comando dessa área, o ministro Paulo Guedes tem origem no mercado financeiro e demonstra disposição para implantar seus princípios. Nesse aspecto, sinaliza semelhanças com a linha adotada por Zélia Cardoso de Mello na administração do presidente Fernando Collor de Mello.

A mesma sintonia com o mercado se verificou no final do governo de Itamar Franco, nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na reta final dos oitos anos no Planalto, o petista adotou medidas anticíclicas para enfrentar a crise econômica internacional.

Lula deixou a marca de esquerda na potencialização de programas sociais. Dilma Rousseff aprofundou as ações anticíclicas até o final do primeiro mandato e sofreu impeachment quando tentava mudar de rumo. Em seu governo-tampão, de dois anos e sete meses, Michel Temer alinhou-se ao mercado na economia e segurou gastos na área social.

Primeiro presidente depois do regime militar, José Sarney convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Elaborada sob o comando do deputado Ulysses Guimarães (do então PMDB-SP), a Constituição Cidadã deu ao Brasil um conjunto de leis modernas em relação ao meio ambiente e liberalizante nos costumes e quanto às práticas religiosas. Estabeleceu, também, cláusulas e rigorosas em relação à proteção dos direitos humanos. Essas cláusulas, agora, são contestadas pelos grupos que assumem o poder.

Com Bolsonaro, PSL sobe ao poder

RAFAEL CARVALHO/GOVERNO DE TRANSIÇÃO
Bancada federal do PSL se reúne com Bolsonaro na sede da transição, em Brasília


A chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto marca também o crescimento do Partido Social Liberal (PSL) no país. Até então nanica, a legenda – presidida pelo deputado federal eleito por Pernambuco, Luciano Bivar – foi a que mais surpreendeu nas eleições de outubro passado.

Passou de zero para três governadores: o pecuarista goiano Antonio Denarium, em Roraima, o comandante do Corpo de Bombeiros Carlos Moisés, em Santa Catarina, e o coronel da Polícia Militar de Rondônia, Marcos Rocha, venceram o pleito. Todos no segundo turno da votação.

Outros noves peesselistas que disputavam o comando de seus estados, no entanto, nem sequer foram para a rodada final das eleições: Josan Leite, em Alagoas; Cirilo Fernandes, no Amapá; Hélio Góis, no Ceará; Carlos Manato, no Espírito Santo; Maura Jorge, no Maranhão; Ogier Buchi, no Paraná – ele teve a candidatura negada pelo TRE-PR; Fábio Sérvio, no Piauí; João Tarantella, em Sergipe; e César Simoni, no Tocantins.

A sigla, que teve apenas um deputado federal eleito em 2014, conseguiu emplacar 52 parlamentares em 2018. No Senado, foram quatro nomes aprovados pelo voto popular, entre eles o de Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

O crescimento exponencial da bancada fará com que o PSL receba neste ano R$ 110 milhões do fundo partidário, abastecido com verbas públicas. Valor 17 vezes maior que o embolsado pela sigla em 2017.

Esse aumento na bancada também trouxe mais problemas para administrar. Antes mesmo de tomar posse, os futuros parlamentares entraram em conflitos com nomes da legenda. Houve atrito entre a deputada eleita Joice Hasselmann e o senador eleito Major Olímpio (ambos por SP), e entre o deputado eleito Julian Lemos (PB) e o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente e que não pertence ao partido. O baixo número de ministérios concedidos ao partido e a preferência de Bolsonaro pelo DEM também causou ciúmes dentro do PSL.

Diretora-Executiva

Witzel chora durante discurso e promete combater corrupção e criminalidade

Em um discurso de 22 minutos, durante a cerimônia de posse na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o governador Wilson Witzel (PSC) assumiu os compromissos de “libertar o estado da corrupção” e “derrotar o crime organizado”. O governador também colocou entre suas prioridades a racionalização de custos e a retomada do crescimento econômico do estado. Witzel traduziu o resultado das urnas como “o grito de milhares de mulheres e homens cansados da traição e dos atos de corrupção” e sentenciou: “não temos o direito de errar”.

O governador foi às lágrimas ao agradecer o apoio da esposa, Helena Witzel. Ele também agracedeu as orações do prefeito Marcelo Crivella, que estava presente na cerimônia. O discurso arrancou aplausos do público presente quando o governador classificou os traficantes do Rio de narcoterroristas. “Como terroristas serão tratados”, afirmou.

CRÍTICAS À CORRUPÇÃO

O combate à corrupção foi um dos pontos centrais no discurso de Witzel. “É chegada a hora de libertar o estado da irresponsabilidade e da corrupção, que marcaram as últimas duas décadas da política estadual”, afirmou.

Ao assumir a missão de racionalizar os custos e obter mais recursos para os municípios, Witzel fez uma referência à reforma da Previdência: “buscaremos apoiar o governo federal no processo de mudanças de ordem tributária, previdenciária e econômica, para garantir o futuro das próximas gerações e inverter a pirâmide de arrecadação”.

COMBATE AO CRIME

A segurança pública foi outro ponto nevrálgico no discurso. “Não podemos mais viver sem liberdade, com medo de sair às ruas sem saber se voltaremos”, afirmou o governador, que promete reorganizar as estruturas policiais.

O governador falou sobre o Conselho de Segurança, criado para substituir temporariamente a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), que por sua vez foi extinta em um decreto publicado no primeiro Diário Oficial da nova gestão. O conselho executivo, previsto para durar seis meses, terá o papel de fazer a interface entre as polícias Militar e Civil, que foram alçadas à condição de secretarias.

“A instalação do Conselho de Segurança, fruto da nossa experiência e estudos aprofundados por mais de 20 anos, vai aproximar as instituições e permitir que a segurança não seja mais apenas um caso de polícia, e sim uma política pública da responsabilidade de todos os poderes, conforme determina a Constituição Federal”, disse Witzel.

OUTROS SETORES

Cultura, turismo, educação, saúde, emprego e produção agrícola também foram citados durante o discurso. “O resgate moral da nossa cidadania também passa pelo fortalecimento da cultura”, pontuou Witzel, afirmando que o tema será tratado como política pública estratégica, mas sem se aprofundar em metas.

Ao mencionar as áreas de educação e saúde, o governador comprometeu-se a “integrar todos os órgãos federais, estaduais e municipais com vistas a reduzir custos e melhorar o acesso”.

Com o objetivo de retomar o crescimento econômico do estado, Witzel apontou caminhos para a produção do campo, classificada por ele como “um dos pilares do desenvolvimento no interior”. “Nenhuma economia saudável consegue se desenvolver de costas para seus agricultores”, afirmou. Entre outras ações previstas para esse setor, o governador pretende diminuir as necessidades de importação de alimentos de outras regiões e facilitar o acesso dos produtores locais ao mercado.

O governador chamou o turismo de “o novo petróleo do Rio”, e traçou como metas fortalecer e expandir o setor.

Por fim, Witzel citou uma frase de Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara na década de 1960: “A impunidade gera a audácia dos maus. O futuro não é o que se teme. O futuro é o que se ousa”.

A seguir, leia a íntegra do discurso de Wilson Witzel:

“Senhoras e senhores,

Bom dia

Tomo posse hoje como governador do Estado do Rio de Janeiro graças ao desejo de mudança da população do nosso querido estado, que acreditou na esperança de dias melhores. Portanto, meu primeiro agradecimento é ao povo, com quem assumo o compromisso de não deixar apagar essa chama de confiança em um futuro melhor para o Estado do Rio.

Senhor presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: em seu nome, cumprimento todos os deputados e deputadas estaduais eleitos e os que encerram seus mandatos;

Senhor presidente da Câmara dos Deputados, uma honra tê-lo presente: em seu nome, cumprimento todos os deputados e deputadas federais eleitos e os que encerram os seus mandatos;

Senhor vice-governador: minha gratidão por sua fidelidade e pelos aconselhamentos;

Senhor prefeito da Cidade do Rio de Janeiro: em seu nome, agradeço a presença de todos os demais colegas do Poder Executivo;

Senhor presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, digno representante do Poder Judiciário: em seu nome, cumprimento todos os meus colegas estaduais e federais. Aproveito e agradeço a estas casas, que muito contribuíram para a formação do meu caráter e capacidade para tomar decisões que viriam a definir os destinos de muitos cidadãos, sempre com firmeza e confiança;

Trago na bagagem a mesma coragem que a toga e o mister como juiz federal tão bem me ensinaram e que muito me ajudarão a governar este Estado;

Senhor Procurador Geral de Justiça: desejo-lhe sucesso em mais um mandato à frente do Ministério Público Fluminense, cujo ato de nomeação tenho a honra de assinar. Tudo farei para colaborar com ideias e ações, fruto de minha experiência na área criminal. Em seu nome, minhas cordiais saudações a todos os representes da instituição;

Senhor Defensor Público Geral: em seu nome, cumprimento todos os que honram a missão de defender quem mais precisa. É uma imensa alegria poder citar, neste momento, a instituição à qual pertenci e que muito contribuiu para minha formação jurídica;

Tenho certeza de que, como governador, poderei colaborar muito mais na defesa dos necessitados.

Sua Eminência Cardeal Dom Orani Tempesta: em seu nome, reverencio todas as autoridades religiosas e seus fiéis, que clamam pelo governo dos justos contra a praga dos ímpios;

Aos servidores públicos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro: minha homenagem e minha solidariedade. Podem ter certeza de que tudo farei para melhorar as condições de trabalho e resgatar a sua dignidade e a de suas famílias;

À minha amada esposa Helena, chama que ilumina meus sonhos, que sempre esteve ao meu lado, clareando os caminhos deste grande desafio. Minha eterna gratidão pelo apoio incondicional a mim e aos meus filhos. Este momento também lhe pertence;

Senhoras e senhores, militantes partidários, familiares e amigos: meus sinceros agradecimentos por todo o apoio e confiança;

Dirijo-me, sem distinção e de forma igualitária, a todos os que vivem no Rio de Janeiro.

A página que hoje começamos a escrever na história do nosso Estado expressa a vontade soberana da maioria da população, que a mim confiou o destino do Rio pelos próximos quatro anos;

É chegada a hora de libertar o Estado da irresponsabilidade e da corrupção, que marcaram as últimas duas décadas da política estadual;

Sob a proteção de Deus, renunciei à minha carreira na magistratura federal e iniciei uma jornada que simbolizou, além de minha indignação, um ato de amor ao nosso Estado;

Trabalharei incansavelmente para unir o Rio de Janeiro. Nossa tarefa será racionalizar os custos e obter mais recursos para os municípios, sempre buscando o bem-estar de todos os cidadãos, independentemente de ideologias partidárias.

Também buscaremos apoiar o Governo Federal no processo de mudanças de ordem tributária, previdenciária e econômica, para garantir o futuro das próximas gerações e inverter a pirâmide de arrecadação, com a descentralização dos serviços e atribuições.

O resultado da última eleição simbolizou o grito de milhares de mulheres e homens cansados da traição e dos atos de corrupção que estão tirando de nós o sentimento de esperança por dias melhores para nós e para nossos filhos.

Acreditando na nossa caminhada, somaram-se ao meu partido, o PSC, o PROS e o PSL. E, ao longo do segundo turno, mais uma dezena de outros, que reconheceram a força de milhares de vozes que clamavam por uma alternativa contra políticos marcados por denúncias, prisões, erros e desrespeito ao voto popular.

Não temos o direito de errar.

Minha história de vida se confunde com a de muitos brasileiros. Nasci em um lar cristão. Meus pais enfrentaram inúmeras dificuldades para criar a mim e a meus três irmãos. Não herdarei fortuna, e sim o ensinamento do amor e do respeito ao próximo, assim como valores morais e fraternos. São esses valores que conduziram um dos filhos da família Witzel a ser escolhido para liderar o processo de mudança e resgate da dignidade do povo do Estado do Rio de Janeiro.

Em nome dos meus pais, expresso a importância do papel das famílias como base da sociedade.

Senhoras e senhores,

Não podemos mais viver sem liberdade, com medo de sair às ruas sem saber se voltaremos. Criminosos assumiram, pelo poder das armas, o domínio de porções do nosso território, trazendo a desgraça e a desordem aos cidadãos de bem. Vamos reorganizar as estruturas policiais para serem capazes de investigar e prender aqueles que comandam o crime organizado e fazem da lavagem de dinheiro a fonte que abastece o comércio de drogas, armas e corrupção.

A instalação do Conselho de Segurança, fruto da nossa experiência e estudos aprofundados por mais de 20 anos, vai aproximar as instituições e permitir que a segurança não seja mais apenas um caso de polícia, e sim uma política pública da responsabilidade de todos os poderes, conforme determina a Constituição Federal.

Cidadãos fluminenses, não permitirei a continuidade desse poder paralelo. Ao receber minha carta patente como integrante do Corpo de Fuzileiros Navais, jurei, perante nossa bandeira, defender o Estado Democrático.

Usarei todos os meios e conhecimentos para derrotar o crime organizado, reconstruindo, reaparelhando, aperfeiçoando o processo penal e as estruturas judiciais, treinando nossas forças policiais, e colocando à disposição dos profissionais da segurança todos os instrumentos para conter essa ameaça à nossa democracia.

A mudança em nossa estrutura de segurança é fundamental para aproximar as instituições que compõem todo processo criminal, sendo a atividade policial apenas uma parte deste gigantesco aparato de punição e ressocialização.

O resgate moral da nossa cidadania também passa pelo fortalecimento da cultura em toda sua diversidade e da educação, que será tratada como política pública estratégica tanto para o desenvolvimento humano quanto para a retomada do crescimento econômico do Rio.

Tanto no que diz respeito à educação quanto à saúde, trabalharemos para integrar todos os órgãos federais, estaduais e municipais com vistas a reduzir custos e melhorar o acesso e o atendimento de forma mais racional.

É grande o desafio de manter os serviços públicos em condições dignas de funcionamento e, ao mesmo tempo, reorganizar os gastos.

Não menos desafiadora será a retomada do crescimento econômico com geração de emprego e renda. O Estado tem papel fundamental como indutor desse processo, garantindo segurança jurídica e credibilidade aos investidores.

A produção do campo é um dos pilares do desenvolvimento no interior. Nenhuma economia saudável consegue se desenvolver de costas para seus agricultores. O território fluminense é abençoado pela diversidade natural e climática, viabilizando produzir todo tipo de alimento com qualidade.

É preciso diminuir a necessidade de importação de alimentos de outras regiões e facilitar o acesso dos produtores locais ao mercado, garantindo o abastecimento e a segurança alimentar de nosso Estado.

Construiremos uma política consistente para a agricultura e a produção pesqueira, dando atenção especial à agricultura familiar, ao garantir o acesso ao crédito, à tecnologia e à assistência diferenciada.

Também são metas estratégicas da nossa gestão fortalecer e expandir o setor produtivo do turismo, o novo petróleo do Rio de Janeiro, em consonância com diretrizes ambientais sustentáveis.

Finalizo citando Carlos Lacerda, que, como governador, deixou inegável legado de desenvolvimento ao Estado do Rio de Janeiro.

“A impunidade gera a audácia dos maus. O futuro não é o que se teme. O futuro é o que se ousa”.

Muito obrigado.”

Aos gritos de ‘mitinho’, Carlos Bolsonaro vira atração em shopping de Brasília

 Filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSL) virou atração na praça de alimentação de um shopping de Brasília nesta segunda-feira. Às vésperas da posse do pai na capital federal, Carlos foi almoçar no local e acabou saindo cercado por seguranças do estabelecimento aos gritos de “mito” e “mitinho”.

— Minhas expectativas para amanhã são as melhores possíveis — afirmou Carlos ao GLOBO.

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Parte das pessoas que se acotovelavam para tirar foto com Bolsonaro vestia camisa com o rosto do pai dele. Caravanas para a posse presidencial têm chegado a Brasília. Apesar do assédio, muitas pessoas que o abordaram não sabiam exatamente de qual dos filhos de Bolsonaro se tratava.

— Esse é o Fábio ou o Flávio? Ou o Eduardo? — questionou um dos “fãs”, fazendo referência aos dois outros irmãos de Carlos que são políticos, além de um nome que não batiza nenhum dos cinco filhos do futuro presidente.

A segurança do shopping — localizado na área central da cidade, que é cercada por hotéis — foi acionada por conta da aglomeração que se formou em torno de Carlos Bolsonaro. Próximo ao vereador, estavam dois assessores que ficaram atentos à segurança dele.

Carlos Bolsonaro teve que deixar o local por uma saída de serviço restrita a funcionários do shopping, após uma série de fotos com crianças, adultos e idosos. Ele tirava e colocava o boné para fazer as selfies. Ao fim do tumulto, as pessoas mostravam umas para as outras os cliques obtidos com o filho de Bolsonaro.

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