A primeira-dama Michelle Bolsonaro discursou antes do presidente Jair Bolsonarona tarde desta terça-feira, 1, na cerimônia de posse no Parlatório. Segundo Michelle, “as urnas foram claras. O cidadão brasileiro quer segurança, paz e prosperidade”.
O discurso foi feito em libras, linguagem brasileira de sinais, e traduzido por uma interprete, algo incomum numa cerimônia como essa. A primeira-dama também aproveitou o momento para dar um beijo no presidente logo após o seu discurso.
Michele também aproveitou para agradecer a solidariedade da população ao seu marido durante o período de recuperação após o atentado em Juiz de Fora (MG). Emocionada, Michelle interrompeu o discurso em um momento e, em quebra de protocolo, beijou Bolsonaro duas vezes.
Na ocasião, a primeira-dama fez um aceno às pessoas com deficiência que, segundo ela, terão atenção especial neste governo. “Gostaria de me dirigir de forma especial à comunidade surda e de deficientes: vocês serão ouvidos”, defendeu, e emendou: “trabalho de ajuda que sempre fez parte da minha vida e que a partir de agora, como primeira-dama, posso ampliar de maneira significativa”.
Posse presidencial
Bolsonaro e Hamilton Mourão foram empossados às 15h no Congresso Nacional. Ao assinar o termo de posse, o presidente da República chegou a afirmar que estava “casando” com os parlamentares.
Em seguida, por volta das 17h, Michel Temer transmitiu a faixa presidencial para o novo presidente. Bolsonaro subiu a rampa acompanhado de sua mulher Michelle e do vice-presidente Hamilton Mourão. Os apoiadores de Bolsonaro cantavam o “capitão voltou” na ocasião.
Consolidado como reduto petista na última eleição, oNordeste não tem nenhumrepresentante na posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Todos os nove governadores eleitos na região programaram as cerimônias de transmissão de governo para o período da tarde, competindo com a posse presidencial – iniciada às 15h. Pelo menos oito governadores do Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste estão em Brasília acompanhando a chegada de Bolsonaro ao poder.
Entre os nordestinos, Fernando Haddad (PT) teve 69,7% dos votos válidos, contra apenas 30,3% de Bolsonaro. Petistas estão à frente de quatro estados nordestinos: Bahia, com Rui Costa; Ceará, com Camilo Santana; Piauí, com Wellington Dias; e Rio Grande do Norte, com Fátima Bezerra. Além deles, outros eleitos são alinhados ao lulismo, como Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão; Renan Filho (MDB) em Alagoas; e Paulo Câmara (PSB) em Pernambuco. Todos marcaram suas posses para o período da tarde, concorrendo com a de Bolsonaro.
Para estarem presentes, governadores aliados de Bolsonaro anteciparam suas posses para a manhã desta terça-feira. É o caso do novo mandatário do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), eleito com base na associação de sua imagem ao grupo político do presidente: iniciada pouco antes das 9h, o ex-juiz federal ficou pouco mais de uma hora na sede da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), partindo logo em seguida para a capital federal. No início da cerimônia de transmissão de cargo no Congresso Nacional, o governador fluminense fez uma transmissão ao vivo em suas redes sociais falando do momento.
– A gente acordou cedo, viemos para cá, e agora vamos acompanhar a posse do nosso presidente – disse Witzel, ao lado da mulher Helena.
O governador do Amapá, Waldez Góes (PDT-AP), foi ainda mais longe e assumiu o cargo pouco depois da meia noite. Ratinho Júnior (PSD-PR) também fez uma cerimônia rápida para marcar sua ascenção ao poder. Ele chegou à Assembleia Legislativa do Paraná às 8h15 e deixou o local pouco depois das 9h, após discursar para os presentes.
Outros governadores que declararam apoio a Bolsonaro durante a campanha também estão presentes em Brasília, caso de João Doria (PSDB-SP) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Também estão presentes os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) ; e Mauro Carlesse (PHS).
O único governador eleito pelo PSL a prestigiar a posse de Jair Bolsonaro foi Coronel Marcos Rocha, que foi empossado no comando do governo de Rondônia pela manhã. Comandante Moisés, eleito em Santa Catarina, tinha posse prevista para as 14h30, enquanto Antonio Denarium – novo governador de Roraima – assumirá o cargo às 19h.
Partidos de esquerda esvaziam posse
Parlamentares do PT e do PSOL decidiram não comparecer à posse de Bolsonaro no Congresso, como é praxe. o PT divulgou uma nota na sexta-feira informando que o partido justifica que faltou “lisura no processo eleitoral”, critica a proibição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que houve “manipulação criminosa” das redes sociais para difusão de notícias falsas contra seu candidato.
O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, informou também, no Twitter, que a bancada do partido não estará presente na posse de Bolsonaro.
“Como é de praxe, o TSE convidou toda a bancada do PSOL para a posse do novo presidente. Mas como prestigiar alguém que despreza os direitos humanos, promete colocar o Brasil de joelhos diante dos EUA e destruir os direitos sociais? Não vamos à posse. Nossa resistência já começou”, escreveu.
Em 2015, na posse de Dilma Rousseff, parlamentares e lideranças do PSDB e do DEM, que formavam a chapa derrotada pela petista no segundo turno, também optaram pelo boicote à posse.
m seu segundo discurso como presidente da República, Jair Bolsonaro afirmou que esta terça-feira (1º) marca o dia em que o Brasil “começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.
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Foto: Reuters
Ainda marcado por tons de campanha, o pronunciamento durou oito minutos e foi feito após a cerimônia de entrega da faixa presidencial, no parlatório do Palácio do Planalto, reproduzindo parte dos conceitos defendidos por Bolsonaro em seu primeiro discurso, no Congresso Nacional.
“Esse momento não tem preço: servir a pátria como chefe do Executivo. Isso só está sendo possível porque Deus preservou a minha vida e vocês acreditaram em mim. Juntos temos de fazer o Brasil ocupar um lugar de destaque e que ele merece no mundo e trazer paz e prosperidade ao nosso povo”, disse o presidente.
Chamado de “mito” pela multidão presente na Praça dos Três Poderes, Bolsonaro afirmou que se compromete “com o desejo de mudança” expressado pelas ruas. “É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e como me coloco diante da nação nesse dia, como o dia em que a nação começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”, declarou.
Veja fotos da cerimônia de posse de Bolsonaro
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Veja fotos da cerimônia de posse de Bolsonaro
Foto: Ricardo Moraes / Reuters
Bolsonaro afirmou que não se pode deixar que “ideologias nefastas” dividam os brasileiros. “Ideologias que destroem nossas tradições e valores, destroem nossas famílias, alicerces da sociedade. “Podemos eu, você e nossas famílias, restabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”, salientou.
Ao fim do discurso, o presidente exibiu a bandeira do Brasil e decretou: “Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será vermelha se for para mantê-la verde e amarela”. Imediatamente antes de seu pronunciamento, em uma novidade do protocolo, a primeira-dama Michelle Bolsonaro fez um discurso em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. A esposa do presidente é intérprete de surdos.
“Boa tarde, é uma grande honra estar aqui em um momento tão especial para nosso país. Agradeço pela solidariedade nos momentos difíceis pelos quais meu esposo passou nos últimos meses”, disse a primeira-dama.
No inicio da tarde desta terça-feira (1º/1), jornalistas franceses, chineses e de outros três países abandonaram a cobertura da posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O grupo estava no Palácio Itamaraty, onde será oferecido um jantar aos chefes de Estado que vieram ao Brasil presenciar a cerimônia.
Repórteres brasileiros e estrangeiros foram obrigados a chegar ao Ministério das Relações Exteriores às 11h, mas o evento está marcado para começar apenas às 19h. A justificativa para a espera de oito horas é o esquema de segurança. Além disso, todos os jornalistas foram colocados em um espaço minúsculo batizado de “chiqueirinho” e impedidos de circular pelo Itamaraty.
Por volta das 13h, cinco profissionais da imprensa estrangeira foram embora após os seguranças do ministério descartarem as garrafas de água mineral levadas por eles. Procurada, a assessoria de imprensa do futuro governo Bolsonaro disse à reportagem que quem iria comentar a saída dos repórteres seria o Itamaraty. Mas, segundo o ministério, os jornalistas estão sendo bem tratados: foram oferecidos a eles café da manhã e almoço. Aqueles que prefeririam se retirar foram acompanhados até a saída.
Profissionais credenciados no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional também foram obrigados a se apresentarem cedo às áreas destinadas à imprensa. Pela primeira vez em uma posse presidencial, os jornalistas só tiveram acesso aos locais de trabalho por meio de um ônibus fretado pelo governo. O primeiro veículo saiu do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) às 9h30 levando os repórteres para a Câmara dos Deputados, mas a cerimônia estava marcada para começar por volta de 15h.
Além disso, ao contrário de posses anteriores, jornalistas não podem transitar livremente pela Esplanada dos Ministérios. Os profissionais não têm autorização para falar com o público que acompanha o desfile de Bolsonaro, nem podem sair da cobertura do Congresso Nacional e ir ao Palácio do Planalto ou ao Itamaraty. Todos esses locais realizam cerimônias diferentes da posse presidencial.
“Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha”, foi com essa frase que o presidente Jair Bolsonaro, que assumiu a Presidência do Brasil neste 1º de janeiro de 2019, finalizou seu discurso no Palácio do Planalto, o segundo do dia e o primeiro realizado diretamente ao público que acompanhava a cerimônia da posse presidencial ao vivo.
V
A grande novidade foi a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que falou primeiro no parlatório do Planalto, algo incomum, num discurso breve, traduzido em libras. Sob os gritos de “mito”, apelido que ganhou de seus seguidores mais fervorosos, Bolsonaro discursou em seguida, tocando, novamente em pontos frequentes da narrativa da sua campanha presidencial.
Visivelmente emocionado, o presidente chegou a tirar uma bandeira do Brasil do bolso e a agitou para uma plateia animada. “Deus preservou a minha vida e vocês acreditaram em mim”, disse o presidente empossado, “juntos, vamos fazer o Brasil ocupar um lugar de destaque que merece no mundo e trazer paz e prosperidade para o nosso povo”.
“Com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e me coloco diante de toda a nação neste dia. O dia em que o povo se libertou do socialismo, se libertou da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto, as eleições deram voz a quem não era ouvido a voz das ruas e das urnas foi muito clara”, continuou Bolsonaro.
“Respeitando os princípios do estado democrático, guiados pela Constituição e com Deus no coração, a partir de hoje vamos colocar em prática o projeto que a maioria do povo democraticamente escolheu, vamos promover as transformações que o país precisa. ”
“Graças a vocês fui eleito com a campanha mais barata da história. Graças a vocês conseguimos montar um governo sem conchavos”, continuou o presidente, notando que “ainda há desafios pela frente e não podemos deixar que ideologias dividam os brasileiros, ideologias que destroem nossos valores e tradições, destroem as famílias, que são os alicerces da sociedade”.
O comboio presidencial seguiu para a Catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios, onde se encontrou com o vice-presidente Hamilton Mourão. Ao deixar a residência oficial, o presidente foi saudado com gritos de “Mito” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” (slogan da campanha).
De lá, saíram em direção ao Congresso Nacional. O deslocamento foi realizado em carro aberto, no veículo Rolls-Royce da Presidência (foto).
A sessão da posse de Bolsonaro foi aberta pouco depois das 15h pelo senador Eunício Oliveira, que preside a Casa. Após execução do Hino Nacional Brasileiro pela Banda dos Fuzileiros Navais, Bolsonaro e Mourão firmaram os seus compromissos e Eunício seguiu com o empossamento.
Às 16h15, será realizado o desfile do cortejo presidencial do Congresso Nacional até o Palácio do Planalto, onde ele receberá a faixa presidencial. Na sequência, às 16h30, Bolsonaro fará um pronunciamento.
air Messias Bolsonaro tomou posse na tarde desta terça-feira, primeiro dia de 2019, como novo presidente do Brasil. O eleito participou de sessão solene no Congresso Nacional, em sessão aberta pelo presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (MDB-CE). O carro oficial parou próximo da rampa da Casa pouco antes das 15h.
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O novo presidente desfilou em carro aberto ela Esplanada dos Ministérios acompanhado de sua esposa, Michelle Bolsonaro, e de seu filho, Carlos Bolsonaro. Logo na chegada, Bolsonaro foi recebido pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Eunício Oliveira, pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.
Em seguida, Bolsonaro passou pela ala de homens da Força Aérea Brasileira e da Marinha, já no Salão Verde, de onde se dirigiu ao Plenário para a cerimônia de posse. O novo presidente foi oficialmente empossado após prestar juramento no Congresso Nacional ao lado do general da reserva Hamilton Mourão, empossado como vice-presidente.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril e condenado a 12 anos de prisão, afirmou que 2019, ano em que Jair Bolsonaro inicia seu mandato como chefe de Estado, será de resistência e que não baixará a cabeça.
“Eles podem prender uma pessoa, como fizeram comigo, mas não podem encarcerar nossas ideias, muito menos impedir o futuro. 2019 será um ano de muita resistência e muita luta, para impedir que o nosso povo seja ainda mais castigado do que já foi. O Brasil precisa mudar, sim, mas mudar para melhor”, declarou Lula em mensagem de ano novo que escreveu em sua cela e que foi divulgada no site do PT.
A mensagem de Lula foi publicada algumas horas antes de Bolsonaro iniciar um mandato de quatro anos, nos quais promete que o Brasil porá fim às políticas de esquerda que o PT impulsionou em 13 anos de governo.
“Nosso objetivo em 2019 deve ser a defesa do povo brasileiro. Defender o direito à saúde e educação de qualidade. Ao emprego e à oportunidade de estudar e trabalhar em paz por um Brasil melhor”, afirmou Lula, que liderava todas as pesquisas de intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro, mas foi impedido de disputar por ter sido condenado em segunda instância.
De acordo com o ex-presidente, um Brasil com mais direitos para todos só é possível quando são garantidos a plena democracia e os direitos à livre organização, à manifestação e à expressão.
“Isso só vai ser possível garantindo a democracia plena; em que seja livre o direito de organização, de manifestação e de expressão. Em que todos sejam reconhecidos como cidadãos e cidadãs. Em que se pratique a verdadeira Justiça, sem perseguição política, ódio ou preconceito”, completou.
Lula lembrou ainda que teve que iniciar o ano na cela na qual foi recluso, segundo ele, sem ter cometido nenhum crime, condenado sem provas e sem direito a um julgamento justo.
Na sua mensagem de ano novo, Lula disse que deseja que 2019 seja o início de um novo caminho para um Brasil sem fome e sem pobreza, com emprego digno e saúde e educação para todos.
No primeiro discurso como governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel elogiou os juízes presentes, a Defensoria Pública e o MP. Ele cumprimentou rapidamente servidores, aposentados e pensionistas. Além disso, agradeceu aos partidos que o apoiaram durante a campanha. O momento mais inflamado foi ao final, quando falou sobre segurança pública.
Quando o capitão da reserva do Exército Brasileiro Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, subir a rampa do Palácio do Planalto e receber das mãos do advogado Michel Temer a faixa presidencial, o Brasil ganhará o seu 38º presidente da República. Será a primeira vez que o país estará sob o comando de um homem egresso das fileiras militares desde a redemocratização, em 1985.
Conservador nos costumes e liberal na economia, Bolsonaro trará de volta valores enaltecidos pelos militares durante os quase 21 anos nos quais conduziram a vida dos brasileiros. Amor pela Pátria e por símbolos nacionais, princípios cristãos, proteção da propriedade privada e da família tradicional deverão permear a rotina da nova cúpula do governo federal.
A agenda social mantida nos 13 anos de gestões petistas, que priorizava populações tradicionalmente excluídas, dará lugar a um governo “para todos”, indistintamente, conforme o novo presidente anunciou durante sua diplomação, em 10 de dezembro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A partir de 1º de janeiro, serei o presidente dos 210 milhões de brasileiros. Governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião“
Jair Messias Bolsonaro
A trajetória política de Bolsonaro rumo à Presidência da República foi calcada em décadas de exercício de mandatos parlamentares. Primeiramente, a partir de 1988, exerceu por dois anos o cargo de vereador do Rio de Janeiro pelo extinto PDC. Depois, cumpriu sete mandatos consecutivos como deputado federal na Câmara dos Deputados – foram 28 anos, e nove partidos políticos, integrando o chamado baixo clero, ala numerosa, mas considerada de pouca expressão na cúpula do Legislativo federal.
Por vezes, tentou puxar o protagonismo para si, sem muito sucesso. Em fevereiro de 2017, quando concorreu à Presidência da Câmara, por exemplo, recebeu apenas 4 votos, o que mostrava sua pouca influência no Parlamento à época. No entanto, o resultado não parecia refletir sua aprovação crescente nas ruas do país.
Natural de Glicério (SP), o presidente sedimentou o próprio caminho rumo ao Palácio do Planalto com bandeiras de fortalecimento dos sistemas de segurança pública e de combate à corrupção, temas que nortearam seu discurso político.
A favor do ex-militar estava a derrocada do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus principais líderes. Bolsonaro crescia aos olhos dos brasileiros, enquanto os representantes mais expressivos do PT e dos governos federais petistas definhavam à sombra dos escândalos do Mensalão e Petrolão, seguidos pelo impeachment, em 2016, da presidente Dilma Rousseff e, em 2018, pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um movimento que também tirou forças da chamada esquerda política do país como um todo.
Sem Lula – seu principal opositor – na disputa eleitoral, abriu-se o caminho de Bolsonaro rumo ao Planalto, ancorado no discurso do fortalecimento dos sistemas de segurança pública e de combate à corrupção, além da defesa da família e propriedade, da justiça social e do crescimento econômico, com emprego e renda para todos, sem concessões ou benesses especiais a qualquer segmento social, sejam mulheres, indígenas, negros, LGBTs ou outras minorias.
O discurso de Bolsonaro, fortalecido digitalmente pelo filho Carlos (vereador da capital fluminense), parecia dar resultados. Ele soube igualmente explorar viagens, palestras e agendas populares para se consolidar entre os eleitores.
As mídias sociais on-line seguirão como o norte da comunicação do novo presidente da República. Boa parte do primeiro escalão foi anunciado por Bolsonaro via Twitter. O método lembra o formato adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – de quem o brasileiro é fã declarado.
Apesar de se afastar da campanha nas ruas do país após sofrer um atentado à faca durante agenda em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro, o ex-paraquedista do Exército agradou tanto pelo conteúdo do discurso quanto pela forma direta de falar a 55.205.640 milhões de brasileiros que lhe conferiram 55,54% dos votos válidos nas últimas eleições presidenciais.
Confira imagens da campanha eleitoral e da trajetória de Bolsonaro rumo ao Planalto:
6/11
Durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, o então deputado federal homenageou o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha Daniel Ferreira/Metrópoles
7/11
Bolsonaro esteve sempre bem colocado nas pesquisas durante o período pré-eleitoral disputando com Lula a primeira colocação nas intenções de votoIGO ESTRELA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
8/11
Durante 28 anos, o capitão da reserva do Exército ocupou o cargo de deputado federalDIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
9/11
Em ato de campanha na cidade de Juiz de Fora (MG), o então presidenciável tomou uma facada, o que lhe manteve longe das atividades de rua até o fim do pleitoFÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO
10/11
Da esquerda para a direita, o clã Bolsonaro: Carlos, Flávio, Jair e EduardoARQUIVO PESSOAL
11/11
Durante o casamento com a primeira-dama, Michelle: é o terceiro matrimônio do presidente da República REPRODUÇÃO/FACEBOOK
1/11
Bolsonaro participou da manifestação pela prisão do ex-presidente Lula na Esplanada dos Ministérios Igo Estrela/Metrópoles
2/11
Durante a campanha, o novo presidente participou de uma carreata na Ceilândia (DF)Rafaela Felicciano/Metrópoles
3/11
O então deputado federal se filou ao PSL em março de 2018 ao lado dos filhos Eduardo e Flávio
4/11
Bolsonaro comemorou a aprovação do relatório, da comissão especial do impeachment, que recomendava o impedimento da então presidente Dilma Rousseff
5/11
O presidente chutou um Pixuleco durante manifestação contra o governo Dilma, em março de 2016 Daniel Ferreira/Metrópoles
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Durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, o então deputado federal homenageou o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha Daniel Ferreira/Metrópoles
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Bolsonaro esteve sempre bem colocado nas pesquisas durante o período pré-eleitoral disputando com Lula a primeira colocação nas intenções de votoIGO ESTRELA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
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Durante 28 anos, o capitão da reserva do Exército ocupou o cargo de deputado federalDIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
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Em ato de campanha na cidade de Juiz de Fora (MG), o então presidenciável tomou uma facada, o que lhe manteve longe das atividades de rua até o fim do pleitoFÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Da esquerda para a direita, o clã Bolsonaro: Carlos, Flávio, Jair e EduardoARQUIVO PESSOAL
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Durante o casamento com a primeira-dama, Michelle: é o terceiro matrimônio do presidente da República REPRODUÇÃO/FACEBOOK
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Bolsonaro participou da manifestação pela prisão do ex-presidente Lula na Esplanada dos Ministérios Igo Estrela/Metrópoles
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Durante a campanha, o novo presidente participou de uma carreata na Ceilândia (DF)Rafaela Felicciano/Metrópoles
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O então deputado federal se filou ao PSL em março de 2018 ao lado dos filhos Eduardo e Flávio
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Bolsonaro comemorou a aprovação do relatório, da comissão especial do impeachment, que recomendava o impedimento da então presidente Dilma Rousseff
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O presidente chutou um Pixuleco durante manifestação contra o governo Dilma, em março de 2016 Daniel Ferreira/Metrópoles
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Durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, o então deputado federal homenageou o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha Daniel Ferreira/Metrópoles
Guinada à direita Do ponto de vista ideológico, a posse do capitão reformado Jair Bolsonaro na Presidência da República representa a chegada ao poder de grupos formados no polo direito da política brasileira. Minoritários desde a abertura política, os seguidores do novo ocupante do Palácio do Planalto resgatam o discurso do anticomunismo, predominante durante o regime militar.
Os novos titulares da Esplanada agregam, ainda, elementos contemporâneos, como a influência das igrejas neopentecostais e dos setores mais radicais do agronegócio. Nesses campos, comungam das mesmas bandeiras conservadoras nos costumes e no enfrentamento aos ambientalistas.
Desde o fim da ditadura, na economia, os presidentes empossados alternaram programas liberais e heterodoxos, em diferentes gradações. Também com variáveis níveis de prioridade, aplicaram políticas sociais compensatórias e tomaram medidas em defesa dos direitos humanos.
O governo Bolsonaro assume, inicialmente, com uma equipe liberal na economia. Responsável pelo comando dessa área, o ministro Paulo Guedes tem origem no mercado financeiro e demonstra disposição para implantar seus princípios. Nesse aspecto, sinaliza semelhanças com a linha adotada por Zélia Cardoso de Mello na administração do presidente Fernando Collor de Mello.
A mesma sintonia com o mercado se verificou no final do governo de Itamar Franco, nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na reta final dos oitos anos no Planalto, o petista adotou medidas anticíclicas para enfrentar a crise econômica internacional.
Lula deixou a marca de esquerda na potencialização de programas sociais. Dilma Rousseff aprofundou as ações anticíclicas até o final do primeiro mandato e sofreu impeachment quando tentava mudar de rumo. Em seu governo-tampão, de dois anos e sete meses, Michel Temer alinhou-se ao mercado na economia e segurou gastos na área social.
Primeiro presidente depois do regime militar, José Sarney convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Elaborada sob o comando do deputado Ulysses Guimarães (do então PMDB-SP), a Constituição Cidadã deu ao Brasil um conjunto de leis modernas em relação ao meio ambiente e liberalizante nos costumes e quanto às práticas religiosas. Estabeleceu, também, cláusulas e rigorosas em relação à proteção dos direitos humanos. Essas cláusulas, agora, são contestadas pelos grupos que assumem o poder.
Com Bolsonaro, PSL sobe ao poder
RAFAEL CARVALHO/GOVERNO DE TRANSIÇÃO
Bancada federal do PSL se reúne com Bolsonaro na sede da transição, em Brasília
A chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto marca também o crescimento do Partido Social Liberal (PSL) no país. Até então nanica, a legenda – presidida pelo deputado federal eleito por Pernambuco, Luciano Bivar – foi a que mais surpreendeu nas eleições de outubro passado.
Passou de zero para três governadores: o pecuarista goiano Antonio Denarium, em Roraima, o comandante do Corpo de Bombeiros Carlos Moisés, em Santa Catarina, e o coronel da Polícia Militar de Rondônia, Marcos Rocha, venceram o pleito. Todos no segundo turno da votação.
Outros noves peesselistas que disputavam o comando de seus estados, no entanto, nem sequer foram para a rodada final das eleições: Josan Leite, em Alagoas; Cirilo Fernandes, no Amapá; Hélio Góis, no Ceará; Carlos Manato, no Espírito Santo; Maura Jorge, no Maranhão; Ogier Buchi, no Paraná – ele teve a candidatura negada pelo TRE-PR; Fábio Sérvio, no Piauí; João Tarantella, em Sergipe; e César Simoni, no Tocantins.
A sigla, que teve apenas um deputado federal eleito em 2014, conseguiu emplacar 52 parlamentares em 2018. No Senado, foram quatro nomes aprovados pelo voto popular, entre eles o de Flávio Bolsonaro, filho do presidente.
O crescimento exponencial da bancada fará com que o PSL receba neste ano R$ 110 milhões do fundo partidário, abastecido com verbas públicas. Valor 17 vezes maior que o embolsado pela sigla em 2017.
Esse aumento na bancada também trouxe mais problemas para administrar. Antes mesmo de tomar posse, os futuros parlamentares entraram em conflitos com nomes da legenda. Houve atrito entre a deputada eleita Joice Hasselmann e o senador eleito Major Olímpio (ambos por SP), e entre o deputado eleito Julian Lemos (PB) e o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente e que não pertence ao partido. O baixo número de ministérios concedidos ao partido e a preferência de Bolsonaro pelo DEM também causou ciúmes dentro do PSL.