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Governo Bolsonaro me usou como desculpa, diz Moro

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro disse em entrevista ao jornal britânico Financial Times que o governo de Jair Bolsonaro usou sua presença na equipe ministerial como desculpa para demonstrar que medidas anticorrupção estariam sendo tomadas. O ex-ministro afirmou que o governo não estava fazendo muito e que esta agenda tem sofrido reveses desde 2018, quando Bolsonaro se elegeu.

“Uma das razões para eu sair do governo foi que não estava se fazendo muito (pela agenda anticorrupção)”, disse Moro à publicação. “Eles estavam usando minha presença como uma desculpa, então eu saí. A agenda anticorrupção tem sofrido reveses desde 2018”.

O FT lembrou que a saída de Moro foi marcada pela acusação de que o presidente Bolsonaro teria interferido politicamente na Polícia Federal. Um inquérito no Supremo Tribunal Federal investiga as declarações do ex-ministro.

Moro comentou que não se combate corrupção sem respeitar a lei e as instituições. “Ele mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que dá para combater corrupção sem respeitar a lei e a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes.”

Moro também comentou a aproximação de Bolsonaro com o Centrão, o “controverso bloco de partidos conhecidos por oferecer apoio em troca de cargos políticos”, de acordo com o jornal. “No começo, o governo parecia evitar esse tipo de prática, mas hoje em dia não tenho tanta certeza”.

Na semana passada, o Estadão mostrou que um dos motivos que fizeram integrantes do Centrão se aliarem a Bolsonaro é justamente o medo de uma possível candidatura presidencial de Moro em 2022. Sem um candidato próprio na direita ou mesmo da centro-direita, o grupo teme que um eventual afastamento de Bolsonaro fortaleça a eleição do ex-ministro caso Bolsonaro tenha o mandato interrompido ou em 2022. Quando era juiz da Lava Jato, Moro foi algoz de vários dirigentes do Centrão.

O ex-ministro também comentou sobre os vazamentos de mensagens atribuídas a ele a procuradores da Operação Lava Jato da época em que ele atuava como juiz federal em Curitiba. As mensagens divulgadas pelo jornal The Intercept Brasil “machucaram a reputação da operação”, de acordo com a publicação. “Não reconheço a autenticidade daquelas mensagens. Não havia nada lá que pudesse comprometer o caso”, afirmou Moro.

Empresários ligados ao MBL são presos em investigação de lavagem de dinheiro em SP, diz MP; movimento nega relação com detidos

Dois empresários ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) foram presos na manhã desta sexta-feira (10) em São Paulo em uma investigação de um esquema milionário de lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público. O grupo nega relação com eles. A operação é realizada em parceria com a Polícia Civil e a Receita Federal.

De acordo com o MP, os presos Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (conhecido como Luciano Ayan) são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O órgão afirma que a família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, deve cerca de R$ 400 milhões em impostos federais. A sede do movimento, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, é alvo de buscas.

No entanto, o Ministério Público não esclarece a relação da suposta lavagem de dinheiro praticada pelos presos com a dívida de R$ 400 milhões do criador do movimento.

“As evidências já obtidas indicam que estes envolvidos, entre outros, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos [são uma representação digital de valores transacionados, como as criptomoedas], e interpostas pessoas”, diz nota do Ministério Público.

Em nota, o MBL afirma que Alessander e Carlos Augusto nunca foram membros do movimento e diz que as atividades empresarias e familiares dos fundadores do MBL são anteriores ao próprio Movimento e não possuem qualquer vinculação. (leia a íntegra abaixo). No entanto, em 2018, o convite de uma aula pública com Luciano Ayan, nome fictício de Carlos, aparece em um folder tem o nome do MBL.

Ao todo, são cumpridos seis mandados de buscas e apreensão e dois de prisão na cidade de São Paulo e em Bragança Paulista, no interior do estado.

Na casa de Alessander Ferreira foram apreendidos R$ 37 mil em dinheiro. Também foram apreendidos documentos, computadores e HD. Na casa dos pais de Alessander, em Bragança Paulista, os policiais apreenderam mais de R$ 65 mil em dinheiro.

Os presos vão ficar detidos no 2º DP, do Bom Retiro, Centro de São Paulo.

A operação chamada de “Juno Moneta” faz referência ao antigo templo romano onde as moedas romanas eram cunhadas.

Cerca de 35 policiais civis do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) e 16 viaturas participam da operação.

Investigações

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, existe uma “confusão jurídica empresarial” entre as empresas Movimento Brasil Livre (MBL) e Movimento Renovação Liberal (MRL). O MBL disse, em nota, que “não existe confusão empresarial entre Movimento Brasil Livre e Movimento Renovação Liberal, haja vista que o MBL não é uma empresa, mais sim uma marca, sob gestão e responsabilidade do Movimento Renovação Liberal – única pessoa jurídica do Movimento”. (Leia abaixo).

A Promotoria diz que as doações não teriam sido depositadas diretamente na conta do movimento e que ocorreram de forma suspeita através de uma plataforma de pagamentos pela internet.

Segundo o MP, Alessander Monaco Ferreira é investigado por grande movimentação financeira e incompatível, além da criação e sociedade em duas empresas de fachada. Ele teria realizado doações suspeitas ao movimento através da plataforma Google.

O documento cita que Ferreira viajou mais de 50 vezes para Brasília, entre julho de 2016 a agosto de 2018 para o Ministério da Educação com objetivos não especificados. Ele foi contratado pelo governo estadual de São Paulo para trabalhar na Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa Oficial do Estado (CADA). O governo de São Paulo disse que Alessander Monaco foi empregado da Imprensa Oficial de fevereiro a dezembro de 2019 e que não tem mais vínculo empregatício. “Sua contratação foi baseada na experiência comprovada em currículo e atividades anteriores. Ele atuou em projetos de guarda digital, classificação de temporalidade e arquivamento de documentos na empresa. Os fatos até então revelados não tem relação com o Governo de São Paulo”, diz nota.

Ainda de acordo com o MP, Carlos Augusto de Moraes Afonso, conhecido como Luciano Ayan, é investigado por ameaçar aqueles que questionam as finanças do MBL e disseminação de “fake news”. Ele também teria criado quatro empresas de fachada com indícios de movimentação financeira incompatível, segundo a Receita Federal.

Em 2018, o programa Profissão Repórter mostrou que o Facebook tirou páginas do ar administradas por Luciano Ayan por fake news. Na ocasião, ele explicou o motivo do uso do pseudônimo. “O objetivo de criar o pseudônimo foi basicamente poder fazer duas coisas manter minha atuação em consultoria de ti e também poder escrever sobre teoria política que é uma coisa que sempre me fascinou”, disse.

Notas MBL

Inicialmente, o MBL divulgou a nota abaixo:

“Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso não são integrantes e sequer fazem parte dos quadros do MBL. Ambos nunca foram membros do movimento. Uma notícia veiculada de maneira errônea por um portal criou tal confusão.”

Posteriormente, o movimentou divulgou um segundo posicionamento.

“Em que pese as alegações amplamente difundidas pela imprensa e até mesmo pelo Ministério Público quanto a ligação do senhores Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Morais Afonso, vulgo Luciano Ayan com o MBL, inicialmente cumpre esclarecer que ambos jamais fizeram parte do movimento.

Importa destacar que não existe confusão empresarial entre Movimento Brasil Livre e Movimento Renovação Liberal, haja vista que o MBL não é uma empresa, mais sim uma marca, sob gestão e responsabilidade do Movimento Renovação Liberal – única pessoa jurídica do Movimento – o que é fato público e notório, inclusive posto publicamente em inúmeros litígios onde a entidade figura como autora e até mesmo Requerida.

Chega a ser risível o apontamento de ocultação por doações na plataforma Google Pagamentos, haja vista que todas as doações recebidas na plataforma públicas, oriundas do YouTube e vulgarmente conhecidas como “superchats”, significando quantias irrisórias, feitas por uma vasta gama de indivíduos de forma espontânea. Sob o aspecto lógico, seria impossível realizar qualquer espécie de ocultação e simulação fiscal por uma plataforma pública e com quantias pífias.

Por fim cumpre esclarecer que as atividades empresariais e familiares dos fundadores do MBL são anteriores ao próprio Movimento e não possuem qualquer vinculação, haja vista que não possuem qualquer conexão ou convergência de finalidade. Com o respeito e acato ao órgão ministerial, importa esclarecer que as assertivas apontadas quanto ao MBL são completamente distantes da realidade, tratando-se de um devaneio tolo, totalmente despido de sustentação fática e legal com a única finalidade de macular a honra de um movimento pautado nos pilares da ética, da moral e da liberdade.”

ALERJ: Confira os projetos que serão votados na sessão de hoje

Esses serão os projetos que estarão em votação na ALERJ hoje:

Em redação final:

DIA ESTADUAL EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DA COVID-19 PODE SER INSTITUÍDO NO RIO

O dia 19 de maio pode ser instituído no Calendário Oficial do Estado do Rio como o Dia Estadual em Homenagem às Vítimas da covid-19. É o que determina o projeto de lei 2.511/2020, originalmente do deputado Alexandre Knoploch (PSL), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota nesta quinta-feira (09/07), em redação final.

A proposta complementa a Lei 5.645/10, que regulamentou as datas oficiais do Estado do Rio. “Infelizmente ainda veremos, mesmo que de forma decrescente, vítimas fatais dessa doença que já vitimou muitas pessoas. No intuito de homenagear esses vitimados é que propomos a inclusão da data no calendário estadual”, declarou o parlamentar. Também assina o texto como coautor o deputado Vandro Família (SDD).

 

Em discussão única:

GOVERNO PODERÁ INSTITUIR PLATAFORMA DE ENSINO À DISTÂNCIA (EAD) DOS CURSOS REGULARES DAS CORPORAÇÕES MILITARES

O Poder Executivo, através da Secretaria de Estado da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Defesa Civil, poderá ser autorizado a implementar a plataforma de Ensino À Distância (EAD) dos alunos já matriculados nas atividades de ensino e instrução dos cursos regulares das respectivas corporações militares. É o que autoriza o projeto de lei 2.134/2020, de autoria do deputado Jorge Felippe Neto (PSD), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07). Por já ter recebido emendas parlamentares, o texto poderá ser modificado durante as votações.

O ensino à distância terá validade durante o período de suspensão das aulas presenciais. O objetivo será exclusivamente transmitir conhecimento e conteúdo didático pedagógico aos militares já matriculados e/ou já cursando nas atividades de ensino e instrução dos cursos regulares das respectivas corporações, sem que haja perda de carga horária total e/ou atraso do prazo de encerramento do curso regular, já anteriormente publicado em boletim interno.

A Secretaria de Estado da Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Defesa Civil, ficarão encarregadas de promover todos os atos necessários para a implementação da plataforma de ensino à distância (EAD). As despesas correrão por dotação orçamentária própria, suplementadas se necessário.

RELIGIOSOS PODERÃO TER ACESSO A UNIDADES DE SAÚDE PARA PRESTAR ATENDIMENTO RELIGIOSO

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07), o projeto de lei 2.145/2020, de autoria do deputado Marcio Gualberto (PSL), que garante aos religiosos de todas as denominações o acesso à toda rede de saúde, privada ou pública, mesmo durante o período de vigência de pandemia, para prestar atendimento religioso aos internados, com o consentimento do paciente ou de sua família. Por já ter recebido emendas parlamentares, o texto poderá ser modificado durante a votação.

Os religiosos chamados a prestar assistência nas unidades de saúde devem acatar as determinações legais e normas internas de cada instituição, bem como a todo regramento jurídico referente ao estado de calamidade pública decorrente de epidemia ou pandemia, a fim de não pôr em risco as condições do paciente ou a segurança das redes de saúde. Além de respeitar as exigências sanitárias necessárias para não agravar o quadro do paciente, na prática de suas liturgias.

“A Constituição Federal garante, em seu artigo 5º, o acesso de religiosos aos enfermos acamados. É fundamental que, nestes tempos de pandemia do coronavírus, ou em qualquer outro tempo de grave crise, esse direito permaneça assegurado. É muito importante a assistência espiritual àqueles que sofrem nestes momentos de dor e muitas vezes de solidão”, afirmou Gualberto.

ABASTECER VEÍCULO EM LOCAL FORA DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL AUTORIZADO PODERÁ SER PROIBIDO

O abastecimento de veículo em local que não seja o posto de combustível poderá ser proibido no estado. A determinação é do projeto de lei 1.592/19, de autoria dos deputados Max Lemos (PSDB), Carlos Minc (PSB), Gustavo Tutuca (MDB), Thiago Pampolha e Martha Rocha (ambos do PDT). A proposta será votada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em discussão única, nesta quinta-feira (09/07).

O texto também proíbe a venda de combustível realizada por meio de aplicativo, ou qualquer meio eletrônico, e que tenha como finalidade o abastecimento de veículo em local definido pelo consumidor.

Em caso de descumprimento o infrator pagará multa diária no valor de 10 mil a 50 mil UFIR-RJ, nos 30 primeiros dias, o equivalente a R$ 35.550,00 a R$177.750,00. A partir do 31º dia, ou em caso de reincidência, a multa diária será no valor de 100 mil a 500 mil UFIR-RJ, o equivalente a R$ 355.500,00 a R$ 1.777.500,00, além do cancelamento da inscrição estadual. Os recursos arrecadados com as multas serão revertidos para o Fundo Especial para Programas de Proteção e Defesa do Consumidor (Feprocon).

ACADEMIAS DE GINÁSTICA TERÃO QUE SUSPENDER COBRANÇA DE MENSALIDADES DURANTE QUARENTENA

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07), o projeto de lei 2.314/2020, de autoria do deputado Carlos Macedo (REP), que suspende a cobrança de mensalidades e pacotes contratados por alunos de academias de ginástica e de outras atividades esportivas, durante o período de isolamento social estabelecido pelo decreto estadual n° 46.973, de 16 de março de 2020.

O texto suspende também as cobranças através de débito automático em conta corrente ou em cartão de crédito, enquanto perdurar o fechamento das academias de ginástica e de outras atividades esportivas. Fica postergado a data final de utilização dos pacotes adquiridos por alunos de academias de ginástica e de outros esportes, pelo período em que as mesmas estiveram fechadas. O descumprimento acarretará a aplicação de multas nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

GOVERNO PODERÁ INSTITUIR PROGRAMA ‘REMÉDIO EM CASA”

O Poder Executivo poderá instituir o programa “Remédio em Casa”, com o objetivo de distribuir medicamentos em residências durante a epidemia do coronavírus. É o que autoriza o projeto de lei 2.220/2020, de autoria dos deputados André Ceciliano (PT), Martha Rocha (PDT), Giovani Ratinho (PTC), Subtenente Bernardo (PROS) e dos ex deputado Carlo Caiado. O texto será votado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em discussão única, nesta quinta-feira (09/07).

Durante epidemias ou pandemias em que haja recomendação de isolamento social pelos órgãos sanitários de saúde os medicamentos deverão ser entregues nas residências de pessoas idosas, pacientes com dificuldade de locomoção, em tratamento de câncer ou com doenças crônicas. A Secretaria de Estado de Saúde deverá disponibilizar em seu sítio eletrônico todas as informações relativas ao programa, como nome de medicamentos distribuídos, municípios atendidos, número de usuários atendidos, entre outras informações relevantes.

GOVERNO PODERÁ SER AUTORIZADO A IMPLEMENTAR UTILIZAÇÃO DE TERMÔMETROS DIGITAIS SEM CONTATO

O Governo poderá implementar a utilização de termômetros digitais com sensor infravermelho em hospitais das redes pública, privada, em Terminais Rodoviários, Hidroviários, Metroviários, Ferroviários, Heliportos e Aeroportos durante o período de surto do coronavírus. É o que autoriza o projeto de lei 2.337/2020, de autoria do deputado Marcelo Do Seu Dino (PSL), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07).

Segundo o texto, deverão ser adquiridos, preferencialmente, os termômetros digitais com sensor infravermelho sem contato, aprovados e recomendados pelo Conselho Federal de Farmácia, pois possuem mensuração rápida, leitura de fácil visão, comodidade para sua utilização e eficaz na higiene. A medição deverá ser realizada por profissionais da área de saúde ou de medicina do trabalho.

Caberá ao Poder Executivo, providenciar a aquisição do equipamento assim como a proteção necessária para cada profissional que realizar a medição. Aos gestores dos Hospitais Particulares caberá providenciar a aquisição do equipamento assim como a proteção necessária para cada profissional que realizar a medição. Os gestores das Redes Pública e Privada deverá encaminhar de forma sigilosa ao setor competente, as pessoas que estiverem com a temperatura elevada, de forma a propiciar que a doença seja detectada e evitada.

PODE SER PROIBIDO USO DE DADOS PESSOAIS DE PLATAFORMAS DE ENSINO À DISTÂNCIA PARA FINS COMERCIAIS

O uso de dados pessoais, dados sensíveis e de metadados dos usuários de plataformas virtuais que ofereçam o ensino à distância para fins de exploração comercial poderá ser proibido no estado. A determinação é do projeto de lei 2.279/2020, de autoria da deputada Dani Monteiro (PSol), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07).

A disciplina da proteção de dados pessoais tem como princípios: o respeito à privacidade; a autodeterminação informativa; a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião; a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem; os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personalidade, a dignidade e o exercício da cidadania pelas pessoas naturais.

A proibição aplica-se às operações realizadas nas plataformas virtuais de ensino à distância das instituições públicas ou privadas, referente ao ensino na educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e universidades. Em caso de parceria com empresa privada para oferta de serviços de ensino à distância também fica proibida a coleta e uso de dados pessoais, sensíveis e metadados para fins comerciais, independente da natureza da empresa.

Em caso de descumprimento a instituição responsável pela administração da plataforma estará sujeito à advertência e multa.

EMPRESAS DE TRANSPORTES DE VALORES DO ESTADO DEVERÃO ADOTAR MEDIDAS SANITÁRIAS

Empresas de transportes de valores deverão adotar medidas sanitárias para prevenir a contaminação de seus funcionários pelo coronavírus. A determinação é do projeto de lei 2.581/2020, de autoria do deputado Coronel Salema (PSD), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07).

As empresas deverão efetuar diariamente a sanitização dos seus veículos blindados e dos instrumentos de trabalho. Caberá às empresas, durante o período de pandemia, disponibilizar máscaras, luvas e álcool gel aos seus funcionários.

CONDOMÍNIOS E ASSOCIAÇÕES DE MORADORES DEVERÃO FIXAR CARTAZES SOBRE ATENDIMENTO A MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

Condomínios residenciais e comerciais, conjuntos habitacionais, associações de moradores e outras organizações deverão fixar cartazes sobre os serviços de atendimento às mulheres em funcionamento durante a pandemia de coronavírus. A determinação é do projeto de lei 2.491/2020, que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07).

“Apenas nos dez primeiros dias de quarentena, o Plantão Judiciário da Justiça do Rio de Janeiro registrou um aumento de 50% nos casos de violência doméstica no estado. Ao mesmo tempo, muitas mulheres têm relatado dificuldade de buscar socorro, uma vez que a circulação social está limitada devido a pandemia do coronavírus”, declarou Mônica Francisco (PSol), autora original da proposta.

Os cartazes deverão ser fixados em locais de fácil visualização contendo os seguintes termos:

Nós estamos em quarentena, os serviços de atendimento às mulheres NÃO!

Ouviu ou sofreu uma violência?

Ligue 180 (24 horas)

A violência está ocorrendo agora?

Ligue 190

Em caso de estupro, lesão corporal, tentativa de feminicídio e ameaça, as delegacias de atendimento às mulheres seguem em funcionamento.

Para outros casos, registre a ocorrência pelo site:

www.policiacivilrj.net.br/dpam.php

A Defensoria Pública está atendendo casos de violência contra a mulher através do e-mail: nudem.defensoriarj@gmail.com ou telefone (21) 972268267 (capital). Para outros municípios consulte.

Em caso de dúvidas envie mensagem para 974735876 Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

O Poder Executivo disponibilizará o conteúdo dos cartazes na internet. Em caso de descumprimento, o projeto determina advertência para que a lei seja cumprida em até trinta dias, seguida de multa no valor de R$ 355,50. O valor das multas será aplicado em programas e campanhas estaduais de prevenção à violência contra a mulher.

Também assinam o texto como coautores os deputados Vandro Família (SDD) e Franciane Motta (MDB).

CORONAVÍRUS: ALERJ PODE RECONHECER CALAMIDADE PÚBLICA EM DUAS BARRAS E IGUABA GRANDE

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, em discussão única, nesta quinta-feira (09/07), o projeto de decreto legislativo 48/2020, que reconhece a calamidade pública nos municípios de Duas Barras, na Região Serrana, e Iguaba Grande, na Região das Baixadas Litorâneas, por conta da pandemia de coronavírus. O prazo inicial do estado de calamidade vai até 31 de setembro, podendo ser estendido até 31 de dezembro pelas próprias prefeituras. Caso aprovada, a medida não precisa da sanção do governador Wilson Witzel e será promulgada pelo presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), e publicada no Diário Oficial do Legislativo nos próximos dias.

Como explicou Ceciliano, que é o autor original do projeto, o reconhecimento do estado de calamidade permite que as prefeituras agilizem procedimentos sem cumprir, temporariamente, determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal, como por exemplo limite de despesas com pessoal. “Com a implementação do isolamento social, o inevitável aumento dos gastos com saúde e equipamentos de proteção e tratamento ao coronavírus, além da previsão de uma crise financeira de efeitos ainda incertos, a calamidade pública tornou-se a única saída para estes municípios”, completou. A Alerj já reconheceu a calamidade pública de outros 84 municípios do estado.

HOSPITAIS DEVERÃO PRIORIZAR ATENDIMENTO A PESSOAS COM IMUNODEFICIÊNCIAS, TRANSTORNOS MENTAIS E AUTISMO

Os hospitais públicos e privados do Estado do Rio serão obrigados a priorizar o atendimento de urgência e emergência aos pacientes que tenham imunodeficiências, hemoglobinopatias, transtornos mentais e autismo. A determinação é do projeto de lei 859/19, que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota, nesta quinta-feira (09/07), em discussão única.

A medida também valerá para clínicas e consultórios de qualquer natureza, ambulatórios, laboratórios, bancos de sangue, de órgãos, de leite e congêneres, acupuntura, veículos para transporte e pronto atendimento de pacientes e postos de saúde, dentre outros. Segundo o texto, a prioridade no atendimento de urgência respeitará a classificação de risco de vida, após avaliação médica inicial, conforme as regras de funcionamento do Sistema Único de Saúde. O controle do tempo de atendimento será realizado pelo prestador do serviço, utilizando-se, para este fim, sistema de registro de atendimento em papel ou meio eletrônico.

Caso o paciente solicite cópia do boletim de atendimento médico, prontuário ou registro equivalente, este deverá ser fornecido em até 48 horas, contendo também a qualificação profissional dos que o atenderam. O fornecimento poderá ser feito por e-mail e aplicativos de mensagens.

Os estabelecimentos deverão fixar cartazes nas suas dependências informando sobre o conteúdo desta norma. Em caso de descumprimento, as unidades de saúde privadas poderão sofrer sanções previstas pelo Código de Defesa do Consumidor. No caso das unidades públicas, os dirigentes e servidores poderão ser responsabilizados administrativamente.

A medida é de autoria dos deputados Dr. Deodalto (DEM), Giovani Ratinho (PTC), Vandro Família (SDD) e Franciane Motta (MDB).

ALERJ INTENSIFICA REGRAS DE PREFERÊNCIA PARA IDOSOS EM BANCOS E LOTÉRICAS DURANTE PANDEMIA

Os idosos (pessoas maiores de 60 anos) terão ainda mais prioridade nos bancos privados e lotéricas durante a pandemia de coronavírus. A determinação é do projeto de lei 2.283/2020, que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vota nesta quinta-feira (09/07), em discussão única.

Segundo o texto, esses estabelecimentos deverão disponibilizar acesso preferencial aos idosos em todos os caixas, por representarem um grupo de risco maior ao coronavírus. Essa parcela da população deverá ser atendida em, no máximo, 30 minutos. De acordo com o texto, todos os caixas deverão ser preferenciais, inclusive para serviços de saques e validação de senha e cartão. Os atendimentos com os gerentes de contas também deverão ter senhas separadas só para idosos, inclusive diferente das senhas já preferenciais. Dentre os idosos, a prioridade especial é dos maiores de 80 (oitenta) anos. Os bancos que realizarem pagamento salarial dos idosos também deverão adotar medidas que evitem filas e aglomerações, segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O descumprimento da norma acarretará na aplicação de multa no valor de 20 mil Ufir-RJ, aproximadamente R$ 71 mil, a ser revertida para o Fundo Especial de Apoio à Programas de Proteção e Defesa do Consumidor (Feprocon), aplicada em dobro no caso de reincidência. Esses estabelecimentos também poderão sofrer sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

“Vale ressaltar que as pessoas idosas são as que mais precisam desse atendimento presencial nos bancos e lotéricas, pois a grande maioria não é familiarizada com as inovações tecnológicas e muitos moram sozinhos”, declarou o deputado Marcelo Cabeleireiro (DC), que é o autor original da proposta.

Em segunda discussão:

CRIMES CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES PODERÃO TER PRIORIDADE DE INVESTIGAÇÃO

Os crimes cometidos contra a vida de crianças e adolescentes podem ter prioridade nos trâmites de procedimentos investigatórios, observando as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). É o que propõe o projeto de lei 1.622/19, das deputadas Dani Monteiro e Renata Souza (ambas do Psol) e Martha Rocha (PDT). A medida será votada, em segunda discussão, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quinta-feira (09/07). Caso receba emendas parlamentares, a proposta sairá de pauta.

De acordo com o texto, os procedimentos investigatórios e as comunicações internas e externas referentes aos procedimentos investigatórios deverão conter o seguinte aviso escrito: “Prioridade – Vítima Criança ou Adolescente”. Na justificativa da proposta, as autoras relembram casos como o da menina Ágatha Félix, morta após ser atingida por tiros de fuzis nas costas. Dos oito casos citados pelas parlamentares, apenas um teve inquérito concluído.

“Isso confirma uma tendência de aumento de casos de crimes contra a vida de crianças e adolescentes. É essencial a elucidação desses crimes, pois partimos da compreensão de que a prioridade na investigação, no processamento, no julgamento e na efetiva responsabilização dos autores desses crimes incrementa o caráter preventivo da tutela penal”, justificaram as deputadas autoras do projeto.

Habeas corpus de Queiroz vai ao STJ e pode ser decidido por presidente da Corte

Brasília – A desembargadora Suimei Cavalieri, do Tribunal de Justiça do Rio, encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) os habeas corpus apresentados pela defesa de Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar. Ele está preso desde o dia 18 de junho; ela, foragida desde então. O processo chegou ontem à noite a Brasília.
Suimei compõe a 3ª Câmara Criminal do TJ e foi voto vencido ao decidir pela manutenção do Caso Queiroz na primeira instância. Ou seja, entendeu que Flávio Bolsonaro não tem direito a foro especial na segunda instância por ser deputado estadual na época em que os crimes teriam sido praticados.
No entanto, como os demais desembargadores deram o benefício ao hoje senador, Suimei entendeu agora que, já que o caso vai para o segunda instância, cabe ao STJ, que está acima do Órgão Especial do TJ fluminense, julgar os pedidos de habeas corpus relativos a ele. O documento está nas mãos do presidente João Otávio de Noronha, único ministro que não está de recesso.
Como o Estadão mostrou no mês passado, Noronha tem perfil governista: em decisões individuais, atendeu aos desejos da Presidência da República em 87,5% dos pedidos que chegaram ao Tribunal.
Queiroz é amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro e, segundo o Ministério Público, atuava como operador financeiro do suposto esquema de desvios liderado pelo filho ‘01’ do presidente.
O ex-assessor foi alvo de prisão preventiva há cerca de três semanas. Ele é acusado de praticar obstrução de Justiça ao longo do processo. No habeas corpus, a defesa pede a conversão da prisão preventiva em domiciliar.
Os advogados citam o estado de saúde de Queiroz e o contexto de pandemia, além de criticarem fundamentos da medida autorizada pela Justiça.
O caso estava prestes a ter a primeira denúncia apresentada quando os desembargadores do Rio mudaram o foro de Flávio. O MP entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal para que a investigação volte para a primeira instância. A expectativa é de que os ministros analisem o pedido em agosto, quando voltarem do recesso.

 

Líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo é cotado para o MEC

O líder do governo na Câmara,  deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), é o mais novo cotado para assumir o Ministério da Educação.

O presidente Jair Bolsonaro  fez a primeira sondagem em um telefonema neste domingo (5). Bolsonaro também convidou Vitor Hugo para um almoço, nesta segunda (6), no Palácio do Planalto. O assunto foi a educação no país.

Vitor Hugo confirma, apenas, ter sido sondado pelo presidente sobre a possibilidade de assumir o ministério.

“Ele me perguntou se eu toparia, caso ele me escolhesse, e eu disse que sim”, afirmou.

Desde a  saída de Abraham Weintraub, Bolsonaro chegou a indicar Carlos Alberto Decotelli, que ficou apenas cinco dias no cargo e  sequer tomou posse devido a inconsistências no currículo.

Depois, Bolsonaro chegou a convidar o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, que, ao ser bombardeado pela ala ideológica do governo, anunciou pelas redes sociais que recusara o convite. Agora, o presidente busca uma solução que contenha possíveis reações da ala ideológica.

Preocupações

Nas conversas, o presidente tem demonstrado especial preocupação com o ensino básico e com o ensino profissionalizante.

A ideia dele é ampliar o atendimento a estudantes nos 38 Institutos Federais e também nas Cefets, para beneficiar um maior número de alunos. O presidente quer também maior atenção ao ensino básico.

Bolsonaro tem demonstrado preocupação com os resultados obtidos pelo Brasil no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Bolsonaro disse a interlocutores que “fica ruim para o Brasil” estar nos últimos lugares no Pisa. Em 2018, o Brasil ficou em 59º. lugar entre 79 países que participaram da prova.

Ministério Público Federal pede afastamento do cargo do ministro Ricardo Salles

Doze procuradores da República pediram à Justiça Federal, em Brasília, nesta segunda-feira (6), o afastamento do cargo do ministro do Meio Ambiente,  Ricardo Salles. O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ministro de improbidade administrativa, pelo o que consideram “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”. A ação tramita na 8ª Vara da Justiça Federal.

“Por meio de ações, omissões, práticas e discursos, o Ministro do Meio Ambiente promove a desestruturação de políticas ambientais e o esvaziamento de preceitos legais, mediante o favorecimento de interesses que não possuem qualquer relação com a finalidade da pasta que ocupa” afirmaram os procuradores.

Ministério do Meio Ambiente  (MMA) disse, em nota, que “a ação de um grupo de procuradores traz posições com evidente viés político-ideológico em clara tentativa de interferir em políticas públicas do Governo Federal. As alegações são um apanhado de diversos outros processos já apreciados e negados pelo Poder Judiciário, uma vez que seus argumentos são improcedentes”.

O MPF aponta que os atos de improbidade foram praticados em quatro frentes:

  • Desestruturação normativa
  • Desestruturação dos órgãos de transparência e participação
  • Desestruturação orçamentária
  • Desestruturação fiscalizatória

A desestruturação normativa ocorreu com a edição de decretos, despachos e portarias. Já a desestruturação dos órgãos de transparência e participação ocorreu pelo “desmonte” do Conama, das informações da página do Ministério do Meio Ambiente; pelo constrangimento ao INPE e pela “censura da comunicação institucional” do  Ibama  e do  ICMBio.

A desestruturação orçamentária se deu a partir da redução de recursos para a fiscalização do Ministério do Meio Ambiente. Por fim, a desestruturação fiscalizatória ocorreu pelo “desmonte” da fiscalização ambiental, explicam os procuradores.

Os procuradores citam na ação a reunião ministerial do dia 22 de abril deste ano, no Palácio do Planalto (veja vídeo acima). No encontro – divulgado em 22 de maio no âmbito do inquérito do STF que investiga se houve interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal – o ministro falou em “passar a boiada” – ou seja, aproveitar o período da pandemia do coronavírus para mudar atos e normas relacionados ao meio ambiente.

No entendimento do MPF, a declaração “escancarou os propósitos de sua gestão e o desvio de finalidade nos atos praticados”.

“Ao alvedrio da legalidade e da lealdade à instituição que chefia, Ricardo de Aquinno Salles está buscando desmontar as estruturas institucionais e normativas dos órgãos federais de proteção ao meio ambiente (MMA, IBAMA, ICMBio), para fazer “passar a boiada”, na expressão utilizada pelo requerido na reunião ministerial de 22/04/2020″, completam.

Os procuradores querem que a Justiça condene o ministro em penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa – entre elas, perda de função pública e suspensão de direitos políticos. Também argumentam que o afastamento de forma cautelar é necessário para evitar o “aumento exponencial e alarmante do desmatamento da Amazônia”.

“Caso não haja o cautelar afastamento do requerido do cargo de Ministro do Meio Ambiente o aumento exponencial e alarmante do desmatamento da Amazônia, consequência direta do desmonte deliberado de políticas públicas voltadas à proteção do meio ambiente, pode levar a Floresta Amazônica a um ‘ponto de não retorno’, situação na qual a floresta não consegue mais se regenerar”, concluíram.

Renato Feder agradece convite, mas diz que não aceitará cargo de ministro da Educação

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, avisou que não vai ser ministro da Educação após convite do presidente Jair Bolsonaro. Conforme o Estadão revelou, o chefe do Planalto foi pressionado pela ala ideológica do governo e por militares para não colocar Feder no comando do MEC.

“Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro, por quem tenho grande apreço, mas declino do convite recebido. Sigo com o projeto no Paraná, desejo sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação”, escreveu Renato Feder em suas redes sociais. Ele relatou que recebeu o convite de Bolsonaro para ser ministro na noite da última quinta-feira.

Conforme o Estadão publicou, alas ligadas ao escritor Olavo de Carvalho e aos militares no governo pressionam o presidente Jair Bolsonaro a reverter o convite feito ao secretário. Com isso, ele ficou de fora antes mesmo de ser anunciado oficialmente e é o segundo cotado da pasta que cai sem nunca ter sido ministro efetivamente.

A pasta do MEC está sem titular desde a saída de Abraham Weintraub, no último dia 18, após o governo ser pressionado a fazer um gesto de trégua ao Supremo Tribunal Federal (STF). Assim O ex-ministro chamou integrantes da Corte de “vagabundos” em uma reunião ministerial. Bolsonaro chegou a escolher o economista Carlos Alberto Decotelli para a pasta. O governo, porém, pediu que ele deixasse o cargo após questionamentos a seu currículo.

Reação

Antes de anunciar o “não” ao convite de Bolsonaro, o secretário Renato Feder usou as redes sociais para reagir à pressão de alas ligadas ao escritor Olavo de Carvalho e aos militares no governo federal.

Pelo Twitter, o paranaense publicou uma série de mensagens neste domingo, 5, com seu currículo e se defendeu de ataques que recebeu.

Uma das respostas dadas por ele foi à suposta divulgação de livros com “ideologia de gênero” – um tema caro a bolsonaristas – no Paraná. “Não existe nenhum material com esse conteúdo aprovado ou distribuído pela Secretaria”, escreveu.

Os militares também foram surpreendidos com o convite do presidente e querem um nome ligado a eles. Dessa forma, a nomeação de Renato Feder era uma dúvida no Palácio do Planalto.

Neste domingo, o paranaense escreveu no Twitter que gostaria de ser avaliado pelos índices da Educação no Paraná, e não por manifestações feitas no passado. Em 2007, Feder escreveu um livro defendendo a extinção do MEC e a privatização da rede de ensino no Brasil.

Ao Estadão, ele havia dito que não acredita mais nessa visão e, pelas redes sociais, reforçou o posicionamento mais uma vez. “Escrevi um livro quando tinha 26 anos de idade. Hoje, mais maduro e experiente, mudei de opinião sobre as ideias contidas nele.”

Na mesma sequência de mensagens, o secretário de Educação comemorou um dado incomum: a transferência de alunos de 10 mil famílias das escolas particulares para o ensino público no Paraná. Assim a migração foi um efeito da pandemia de covid-19 e da crise econômica que se intensificou neste ano. Para o secretário, porém, “não existe melhor prova do que isso de que estamos em um bom caminho.”

Advogado Wassef abandona defesa do senador Flávio Bolsonaro

 

O advogado Frederick Wassef não faz mais a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Segundo informou o parlamentar pelo Twitter, a decisão foi do advogado. 

“A lealdade e a competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis. Contudo, por decisão dele e contra a minha vontade, acreditando que está sendo usado para prejudicar a mim e ao presidente Bolsonaro, deixa a causa mesmo ciente de que nada fez de errado”, disse Flávio Bolsonaro na postagem.

Flavio Bolsonaro

@FlavioBolsonaro

A lealdade e a competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis. Contudo, por decisão dele e contra a minha vontade, acreditando que está sendo usado para prejudicar a mim e ao Presidente Bolsonaro, deixa a causa mesmo ciente de que nada fez de errado.

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Wassef defendia o senador na investigação sobre movimentações financeiras suspeitas quando Flávio era deputado estadual no Rio, mas resolveu sair do caso depois que o ex-assessor do parlamentar, Fabrício Queiroz, foi encontrado na casa do advogado, em Atibaia, na última quinta-feira (18).

Segundo a assessoria do senador, Rodrigo Roca e a advogada Luciana Pires passam a atender o senador.

 

Crivella decide neste domingo se flexibiliza o isolamento na cidade do Rio

O Prefeito Marcelo Crivella vai se reunir hoje com o comitê científico e seu conselho de crise para decidir se as regras de flexibilização decretadas anteontem pelo governador Wilson Witzel terão efeito na capital. O novo plano de retomada pelo governo estadual liberou grande parte da economia fluminense, mas, para o prefeito do Rio, traz “insegurança jurídica”. Apesar disso, Crivella avalia que algumas atividades podem ter a reabertura antecipada, caso recebam aval dos técnicos. Ontem, no primeiro dia após Witzel afrouxar as regras, foi percebido um movimento maior nas ruas e, mesmo com o tempo nublado, nas praias.

O secretário estadual de Governo, Cleiton Rodrigues, explicou que os prefeitos têm autonomia para, caso prefiram, manter regras mais rígidas. O que não podem fazer, diz, é ultrapassar a flexibilização anunciada.

O novo decreto de Witzel causou dúvidas entre os empresários, que não sabiam qual determinação seguir. Pelas regras do estado, os shopping centers e centros comerciais poderiam funcionar das 12h às 20h, com limitação de 50% da capacidade, garantindo fornecimento de álcool em gel 70%. O mesmo valeria para bares e restaurantes, mantendo a regra de 50% da capacidade. No plano municipal, por exemplo, a reabertura dos shoppings está prevista apenas para uma segunda fase e os bares, para uma terceira.

— Eu vi o decreto do governador, mas o do prefeito diz outra coisa. Fiquei confuso sobre qual seguir, sobre se eu poderia colocar minhas mesas e cadeiras. Na dúvida, coloquei só os banquinhos. Espero que o prefeito se manifeste para a gente ter uma resposta — disse Oscar Oliveira, dono do Bar Seco, em Botafogo.

Prefeito não prevê multas

Crivella afirmou que o município irá fiscalizar o comércio, que receberá apenas uma orientação para fechar, sem a aplicação de multas.

Em Copacabana, no Leme e em Ipanema, pessoas foram flagradascaminhando e estendendo cangas para ficar na areia, mesmo com a permanência na praia proibida pelo decreto estadual. Apesar de não disponibilizarem mesas e cadeiras, quiosques aglomeravam grupos de até sete pessoas, sem máscaras. Tudo isso a poucos metros de policiais militares, que se dividiam em duplas nos calçadões.

Crivella criticou o decreto de Witzel e disse concordar apenas com a abertura de igrejas e templos religiosos, proibida por uma ordem judicial.

— Não podemos liberar tudo de uma vez pois muda o cenário. Temos que identificar uma tendência antes que se torne uma realidade. Quem está na linha de frente da Covid-19, que comprou equipamentos e montou hospitais de campanha, tem mais condições de avaliar normas mais restritivas — afirmou.

Segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde divulgado ontem, o Rio tem 166 novos óbitos por Covid-19. No total, 6.639 fluminenses já morreram em decorrência do coronavírus. Também foram diagnosticados mais 1.467 com a doença, totalizando 64.533 casos. O número oficial de pessoas já recuperadas é de 48.783.

O procurador do município Marcelo Marques vai cobrar do governo estadual um estudo que justifique as novas medidas:

— O laudo não estava acompanhado do decreto. Solicitamos que, se houver, nos apresentem para expormos no comitê científico.

Governador do Rio diz em vídeo “Peço Desculpas Porque Errei Em Apoiar Bolsonaro”.

Governador do Rio diz em vídeo “Peço Desculpas Porque Errei Em Apoiar Bolsonaro”.

Em um vídeo gravado para o Dia do Trabalhador nesta sexta-feira, o governador do Rio, Wilson Witzel, pediu desculpas aos seus eleitores por ter acreditado “num projeto com o presidente Jair Bolsonaro”, a quem chamou de irresponsável.
“Aproveito, neste primeiro de maio, para pedir desculpas ao povo. Porque eu errei. Erramos. Escolhemos um presidente que é irresponsável, que não entendeu a responsabilidade do cargo que ocupa. Ele, hoje, só pensa nas eleições de 2022 e não exerce aquilo que esperávamos que ele exercesse, que é governar, fazer as reformas necessárias que o Brasil precisa”, disse Witzel.