Deslizamento de encosta no Morro da Boa Esperança. Vítimas foram soterradas quando uma rocha se partiu, levando junto casas, árvores e muita lama, na madrugada de sábado (10/11) (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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A Defensoria Pública do Rio de Janeiro quer ajudar as vítimas do desabamento do Morro da Boa Esperança, em Niterói, regiăo metropolitana do Rio, a recuperar os documentos perdidos. De acordo com o defensor Flávio Lethier, essa é a prioridade da Defensoria que está no local para auxiliar na emissăo da segunda via.
“No momento nós queremos resolver as questőes dos desabrigados e da documentaçăo. Já a questăo de responsabilizaçăo é para um segundo momento”, explicou o defensor.
O deslizamento de parte da encosta do morro deixou 22 famílias desabrigadas, segundo a prefeitura de Niterói.
Hospital
Duas vítimas do desabamento ocorrido, na madrugada de sábado (10/11), permanecem internadas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, um dos homens está no Hospital Estadual Azevedo Lima e outro no Hospital Estadual Alberto Torres. Ambos têm estado de saúde estável.
Enterros
Ao todo, 15 pessoas morreram no deslizamento. Uma das vítimas, o menino Arthur Caetano Carvalho, de 3 anos, chegou a ser resgatado pelos bombeiros e ficou internado no Hospital Estadual Azevedo Lima, mas năo resistiu às lesőes e morreu na tarde desse domingo (11/11).
Arthur e sua irmă Nicole Caetano Carvalho, de 10 meses – encontrada já sem vida pelos bombeiros – serăo enterrados hoje. Além deles, mais duas pessoas serăo sepultadas nesta segunda-feira.
Jovem infrator no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Um levantamento feito pelo Departamento de Monitoramento e Fiscalizaçăo do Sistema Carcerário e das Medidas Socioeducativas do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ) sobre o quantidade de menores infratores em regime de internaçăo no Brasil apontou que existem hoje mais de 22 mil jovens internados nas 461 unidades socioeducativas em funcionamento no Brasil.
De acordo com o CNJ, desses 22 mil, 841 meninas estăo com liberdade restrita no País (excluindo os dados de Minas Gerais, Sergipe e Amazonas que năo foram entregues).
Segundo Márcio da Silva Alexandre, juiz auxiliar da presidência do CNJ designado para atuar no DMF, adolescentes do sexo masculino se envolvem mais em crimes, grande parte deles roubos, furtos e outros atos ilícitos, como tráfico de drogas.
O documento inclui apenas os adolescentes que estăo internados e năo aqueles que cumprem outras medidas, como a semiliberdade e a liberdade assistida. A internaçăo é a opçăo mais rigorosa e năo podendo exceder três anos – sua manutençăo deve ser reavaliada pelo juiz a cada seis meses.
Segundo a pesquisa, Săo Paulo é o Estado com o maior número de menores internados, mais de 6 mil, seguido pelo Rio de Janeiro. No entanto, o Estado do Acre é o que chama mais atençăo: apesar de ter apenas 545 menores internados, estes correspondem a 62,7 de cada 100 mil habitantes no Estado.
Outra Unidade da Federaçăo que chama a atençăo na conta por 100 mil habitantes é o Distrito Federal, que fica em segundo lugar, a frente de Estados bem mais populosos e considerados mais violentos, como Săo Paulo e Rio de Janeiro. Já o Estado do Amazonas possui a maior proporçăo de adolescentes internados por decisăo provisória (sem uma sentença do juiz): 44,15% do total de internados, seguido por Ceará, Maranhăo, Piauí e Tocantins.
De acordo com o juiz Márcio Alexandre, a pesquisa foi feita para obter dados do sistema socioeducativo no País, logo no início da gestăo do ministro Dias Toffoli, presidente do CNJ, e para que possam ser estabelecidas prioridades e programas no âmbito do sistema no Brasil.
“Uma das açőes será conhecer de perto a realidade de alguns Estados que possuem um número elevado de adolescentes internados provisoriamente, quando comparados com os demais, para que essas discrepâncias possam ser analisadas e, eventualmente, corrigidas”, explicou o juiz.
O Ministro do Supremo Tribunal Federal e Presidente do Conselho Nacional de Justiça, Dias Toffoli (foto: Luiz Silveira/Agência CNJ)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Dias Toffoli, quer implementar uma série de açőes para diminuir a populaçăo prisional em até 40% na sua gestăo, que se encerra em setembro de 2020. Ao priorizar a questăo carcerária, ele pretende fazer o cadastro biométrico de todos os detentos do país, retomar mutirőes carcerários e fortalecer as audiências de custódia. Essa última medida entrou na mira do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) há dois anos, quando apresentou projeto para derrubá-la na Câmara.
“Nossa meta está baseada na decisăo do STF que declarou o estado de coisas inconstitucional (quadro insuportável e permanente de violaçăo de direitos fundamentais a exigir intervençăo do Poder Judiciário). Dando continuidade e aprimorando políticas de gestőes anteriores, no sentido de cumprir essa decisăo, vamos reforçar as audiências de custódia e os mutirőes carcerários, além de intensificar o processo eletrônico de execuçăo penal. Tudo isso aplicado de modo sistematizado, coordenado pelo CNJ, nos permite ambicionar o alcance da meta estipulada”, disse Toffoli ao jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo dados do Banco Nacional do Monitoramento de Prisőes do CNJ, em agosto de 2018 havia 602.217 pessoas no cadastro nacional de presos – os números de Săo Paulo e do Rio Grande do Sul ainda năo foram totalmente contabilizados. O mais recente levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, estimava, em junho de 2016, que havia 726,7 mil detentos no Brasil.
Ao assumir o comando do STF em setembro, o ministro Dias Toffoli acumulou a presidência do CNJ, órgăo voltado para o aperfeiçoamento do Judiciário. Ele quer retomar os mutirőes carcerários e combater a superpopulaçăo nos presídios – uma das propostas é estimular juízes a adotarem soluçőes alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica. As metas de Toffoli foram traçadas assim que assumiu o comando do CNJ, em 13 de setembro, antes de Jair Bolsonaro (PSL) ser eleito presidente da República.
Durante a campanha, Bolsonaro disse que “essa história de presídio cheio” é problema “de quem cometeu o crime”. O programa de governo do próximo presidente defende a reduçăo da maioridade penal de 18 anos para 16 (depois ele falou em 17) e o fim da progressăo de penas e das saídas temporárias – duas propostas que encontram forte resistência no STF.
Conselheiros do CNJ ouvidos pelo jornal acreditam que as “bravatas” de Bolsonaro ficaram para trás e elogiam o tom mais moderado do discurso do presidente eleito. Toffoli e Bolsonaro se reuniram na última quarta-feira na sede do STF, em encontro que serviu para “distensionar o ambiente”, de acordo com integrantes da Corte.
Controvérsia
Um dos pilares do plano de Toffoli para reduzir o total de detentos, as audiências de custódia săo contestadas pelo deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, que apresentou em 2016 proposta na Câmara para anular resoluçăo do CNJ que instituiu a medida. Essas audiências garantem a apresentaçăo do preso a um juiz no prazo de 24 horas, nas prisőes em flagrante.
Nelas, o magistrado confere eventuais ocorrências de maus tratos e avalia se a prisăo deve ou năo ser mantida – Ministério Público e Defensoria Pública também săo ouvidos. “Mutirőes carcerários e audiências de custódia já demonstraram que têm potencial, năo para provocar descalabro na sociedade, mas simplesmente para melhor selecionar aqueles que devem permanecer afastados do convívio social”, afirmou o juiz auxiliar Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalizaçăo do Sistema Carcerário e do Sistema de Medidas Socioeducativas do CNJ.
Ao encaminhar a proposta à Câmara, Eduardo Bolsonaro alegou que as audiências estabelecem uma “inversăo de valores e papéis”, em que agentes responsáveis pelas prisőes passam a ser investigados, enquanto bandidos “foram travestidos de vítimas em potencial”. Lanfredi ressalta que as audiências de custódia năo servem para colocar em liberdade estupradores ou assassinos, mas pessoas que eventualmente cometeram infraçőes de menor potencial ofensivo. Para o coordenador do CNJ, as audiências de custódia e os mutirőes carcerários ajudam a evitar situaçőes de injustiça.
Em 2017, disputas de facçőes em presídios levaram a massacres com mais de 120 mortos em Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu intervençăo federal no sistema prisional de Roraima, por riscos de colapso.
Meta otimista
Especialistas em segurança pública afirmam que a meta do ministro Dias Toffoli de reduzir o número de presos no Brasil é “muito otimista” e dificilmente será cumprida até 2020. Para eles, a eficiência dependerá do aprimoramento dos mutirőes carcerários, além de investimentos como a compra de tornozeleiras eletrônicas, pouco provável diante da crise econômica.
Ex-diretora de políticas penitenciárias do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Valdirene Daufemback lembra que mutirőes foram feitos em gestőes anteriores, mas só resultaram em soluçăo pontuais. O grosso das decisőes acabou emperrado na burocracia do Judiciário. “Se houver uma renovaçăo, com mais participaçăo direta dos juízes e processos informatizados, entăo há chance de ser eficiente”, diz Valdirene.
A ex-diretora também cita pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), de 2016, que aponta que 40% dos presos provisórios no País poderiam estar cumprindo medidas cautelares – ou seja, năo precisariam estar em sistema fechado. “A meta é otimista, mas é possível se houver um esforço conjunto em relaçăo a esses preso provisórios.”
Penas alternativas. Rafael Alcadipani, professor da Escola de Administraçăo de Empresas de Săo Paulo (Eaesp), da Fundaçăo Getulio Vargas (FGV), acredita que a meta é “audaciosa e dificilmente será cumprida”.
Para ele, é preciso investir em penas alternativas. “Hoje, a possibilidade de execuçăo de medidas cautelares é baixíssima no Brasil: falta até tornozeleira eletrônica. Cada preso deve cumprir uma pena adequada ao crime ou estaremos promovendo um perdăo judicial”, diz.
De acordo com o especialista da FGV, outra dificuldade seria política: “Na eleiçăo, a populaçăo votou no inverso do desencarceramento”. As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.
Subiu para 15 o número de mortos em um deslizamento de terra e pedras na madrugada de sábado, 10, em Niterói, regiăo metropolitana do Rio. Outras 10 pessoas ficaram feridas. Equipes do Corpo de Bombeiros seguem trabalhando no local. Năo há registro de que ainda haja desaparecidos, informou a assessoria de imprensa da corporaçăo.
Inicialmente, 11 pessoas foram resgatadas com vida, mas o menino Arthur Caetano Carvalho, que estava internado em estado gravíssimo, faleceu às 12h59 deste domingo, informou a Secretaria de Estado de Saúde. É a quarta criança a morrer devido a tragédia, incluindo um bebê de 10 meses. Equipes do Corpo de Bombeiros seguem trabalhando no local, mas năo há registro de que ainda haja desaparecidos, informou a assessoria de imprensa da corporaçăo.
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o menino Arthur apresentou “piora de seu quadro clínico e consequente parada cardíaca, com múltipla falência dos órgăos”. Atingido pelo desabamento de sua casa, Arthur, de 3 anos, “esteve gravíssimo nas últimas horas”. “Todos os procedimentos para reverter o quadro foram adotados, porém năo houve resposta clinica do paciente”, diz a nota da secretaria. Nicole, irmă de Arthur, de apenas 10 meses, foi resgatada já morta.
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), decretou luto oficial de três dias e prometeu atualizar as informaçőes sobre risco de deslizamento nas favelas da cidade, mas voltou a afirmar que o Morro da Boa Esperança, onde houve o deslizamento, năo apresentava risco elevado.
Segundo Neves, técnicos da prefeitura apontaram o deslizamento da madrugada de sábado como “uma situaçăo realmente muito imprevisível”. As condiçőes geológicas do local năo demandavam obras de contençăo de encosta.
“Tínhamos um maciço, num lugar bem no alto da comunidade. Uma grande montanha de rocha coberta por vegetaçăo, por mata. O que houve foi o deslocamento de um enorme maciço, de algumas milhares de toneladas nessas oito casas”, afirmou o prefeito, em entrevista coletiva neste domingo.
Aluguel social
O prefeito também disse que 22 famílias atingidas pela tragédia receberăo aluguel social e terăo prioridade na entrega de casas populares a serem inauguradas em 20 de dezembro pela prefeitura local.
Ainda no sábado, relatos de moradores apontaram que a Defesa Civil municipal já havia interditado casas na favela, que fica na chamada regiăo oceânica de Niterói, mais afastada do Centro da cidade.
Neves também justificou o fato de năo haver, no Morro da Boa Esperança, sistema de alerta de deslizamento por meio de sirenes. O sistema foi instalado em cerca de 30 favelas de Niterói após a tragédia no Morro do Bumba, em abril de 2010, quando um deslizamento provocado por fortes chuvas deixou 48 mortos. Conforme o prefeito, que assumiu o primeiro mandato em janeiro de 2013, as sirenes foram instaladas pelo governo do Estado, em 2013 e 2014, com base num levantamento de risco, feito em 2012.
“Nenhum órgăo das três esferas de governo havia identificado essa comunidade tecnicamente como área de alto risco. Por isso, năo tinha nem obra de contençăo de encostas para ser feita nessa regiăo. Conversamos com o DRM (Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio) e vamos fazer um convênio para atualizar as informaçőes em relaçăo a todas as comunidades de Niterói”, afirmou Neves.
Apesar das informaçőes da prefeitura, moradores relataram deslizamentos no Morro da Boa Esperança em 2010 e 2016. Rsandra da Silva, que perdeu um neto e a ex-sogra na tragédia, contou ao portal G1 que deixou a favela porque teve a moradia interditada após o deslizamento de 2010. Ainda assim, ela năo conseguiu nem receber o aluguel social nem ser cadastrada em filas de espera para receber uma unidade de moradia social.
“Eles năo davam prioridade por năo ter tido vítimas, foi o que a moça me alegou. Estavam dando prioridade, na época do Bumba, aos que tinham perdido famílias e perderam tudo. Nós perdemos a metade da casa, mas estávamos em situaçăo difícil. Corríamos risco”, disse Rsandra ao G1.
Ex-cunhada de Rsandra, Amanda Rezende, de 20 anos, que estava numa casa atingida pelo deslizamento, sobreviveu, mas perdeu o sobrinho e a avó, disse que nenhuma autoridade ofereceu soluçőes para o problema. “Eles năo falavam nada, só que o pessoal que morava ali tinha que sair. E aquela pedra nunca ia acontecer o que aconteceu ontem, que no máximo só ia ter deslizamento de barro”, afirmou Amanda ao G1.
Já săo dez os mortos na tragédia em Niterói. No início da noite deste sábado (10), os bombeiros recolheram o décimo corpo, vítima do deslizamento ocorrido hoje na Comunidade Boa Esperança, em Piratininga, Niterói, regiăo metropolitana do Rio de Janeiro.
Os nomes dos mortos ainda năo foram revelados.
Os trabalhos de resgate terăo prosseguimento neste domingo.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que, além dessas vítimas, 11 pessoas foram resgatadas com vida. Ao longo desta semana, choveu muito no Rio de Janeiro e em Niterói, o que pode ter contribuído para o desastre.
Um deslizamento de terra e pedras deixou pelo menos dez mortos e 11 feridos na madrugada de sábado em Niterói, regiăo metropolitana do Rio. O número de vítimas pode ser maior, pois os trabalhos de resgate seguem no local. Da noite de quarta-feira até sexta-feira, fortes chuvas atingiram o Estado do Rio, incluindo a regiăo metropolitana, mas năo houve registro de acidentes graves em outras localidades além de Niterói.
Pelo menos seis casas foram atingidas pelo deslizamento, no Morro da Boa Esperança, na chamada regiăo oceânica de Niterói, mais afastada do Centro da cidade. Moradores relataram ao canal GloboNews que o acidente ocorreu por volta das 4 horas da manhă. O Corpo de Bombeiros do Rio foi acionado às 5h08, segundo a assessoria de imprensa do órgăo.
“Choveu muito nos últimos dois dias. Niterói estava em estágio de atençăo e alerta de acordo com a área e as comunidades estavam avisadas dessa situaçăo, com recomendaçăo para buscarem locais seguros”, disse à GloboNews o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Roberto Robadey Costa Júnior.
Sete equipes de cinco quartéis do Corpo de Bombeiros, num total de 80 homens, atuam no resgate a feridos. Moradores do local se juntaram às equipes para ajudar, voluntariamente, no trabalho de resgate. Conforme o comandante Robadey, o trabalho de remoçăo dos escombros e resgate das vítimas ou busca por mortos poderia levar até 48 horas.
Entre os mortos estăo duas mulheres entre 50 e 60 anos e um homem de 37 anos. Entre os feridos, pelo menos duas pessoas foram resgatadas com estado de saúde estável, um homem de 43 anos e uma menina.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, seis vítimas foram para o Hospital Estadual Azevedo Lima. Duas das vítimas săo crianças – uma está em estado grave e a outra, estável. Entre os quatro adultos, dois já receberam alta e dois permanecem estáveis. Já o Hospital Estadual Alberto Torres recebu um paciente vítima do deslizamento – um adulto que apresenta estado estável.
Segundo Claudio dos Santos, que se apresentou como presidente da associaçăo de moradores do local, algumas das casas atingidas pelo deslizamento já estavam interditadas pela Defesa Civil há cerca de um ano, mas seus donos se recusavam a deixá-las.
“As casas estavam isoladas pela Defesa Civil. Só que os moradores săo complicados, năo querem sair. Ontem (sexta-feira) mesmo a gente estava preocupado com essa chuva”, disse Santos à GloboNews. Em entrevista o “RJTV”, da TV Globo, uma moradora confirmou a interdiçăo de algumas casas e acusou a Prefeitura de Niterói de năo ter agido.
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), negou que houvesse casas interditadas e descreveu o acidente como uma fatalidade, pois năo se tratou de um deslizamento de encosta que poderia receber obras de contençăo. “Foi a ruptura de um maciço, năo foi deslizamento de encosta”, afirmou Neves, por telefone, em entrada ao vivo no “RJTV”. Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que “investiu mais de R$ 150 milhőes em obras de contençăo em 50 encostas da cidade”.
O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, lamentou, em nota, as mortes decorrentes do deslizamento de terra hoje (10) em Niterói, regiăo metropolitana do estado.
“[Ele] recebeu com pesar a informaçăo do falecimento de três pessoas na Comunidade da Boa Esperança, em Niterói, em virtude do deslizamento de terra, por causa das chuvas”, informa o texto. Witzel se solidarizou com as famílias e amigos das vítimas.
Atendimento
O Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca, em Niterói recebeu seis vítimas do deslizamento de terra na comunidade Boa Esperança, em Piratininga, Niterói, regiăo metropolitana do Rio.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde entre as pessoas atendidas estăo duas crianças, uma em estado grave e outra estável. Também foram para o hospital quatro adultos, todos em estado estável, sendo que um já teve alta.
Uma outra vítima foi levada para o Hospital Estadual Alberto Torres, um adulto, que apresenta situaçăo estável.
Antes do segundo turno, houve manifestaçőes contra a política do presidente eleito Jair Bolsonaro para os povos indígenas (foto: Ed Alves/CB/D.A Press
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Lideranças indígenas temem que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, coloque em prática uma promessa repetida por ele ao longo da campanha: năo demarcar mais terras indígenas. “Se eu assumir, índio năo terá nem 1cm de terra”, disse ele em fevereiro, ao se reunir com empresários de Dourados (MS). “Vamos acabar com a indústria de demarcaçăo de terras indígenas. Índio năo quer ser latifundiário”, repetiu, em outubro, à tevê Bandeirantes.
Hoje, 306 territórios estăo em processo demarcatório, e outros 537, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), săo reivindicados por comunidades indígenas, mas ainda năo começaram a ser estudados pela Fundaçăo Nacional do Índio (Funai). Garantida na Constituiçăo, a homologaçăo das terras indígenas é feita por decreto presidencial. Da mesma forma, o presidente pode, teoricamente, anular demarcaçőes — Bolsonaro, contudo, jamais ameaçou reverter áreas regularizadas.
O consultor jurídico do Cimi, Rafael Modesto, explica que, para concretizar as declaraçőes de campanha, o presidente eleito pode seguir dois caminhos: enviar ao Congresso um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que vise impedir novas demarcaçőes, ou cruzar os braços e năo homologar mais territórios, mesmo os já declarados. “Ele pode ser omisso, como tem ocorrido nos últimos dois anos”, diz. No governo Temer, nenhuma terra foi demarcada. “Mas, nesse caso, cabem açőes judiciais do Ministério Público Federal contra a Funai e o próprio presidente”, pondera.
A ativista Márcia Wayna Cambeba, da aldeia Cambeba, na Amazônia, diz que as falas do presidente eleito assustam os indígenas, năo só da regiăo, mas de todo o país. “Nos grupos de WhatsApp de lideranças de várias regiőes, há medo e insegurança. Ele diz que năo vai demarcar mais nem 1cm, mas nós vamos lutar por cada milímetro de terra garantida pela Constituiçăo”, promete.
Outra preocupaçăo de Márcia é com a intensificaçăo da violência contra povos indígenas. “Estamos recebendo muitos relatos de ataques e ameças”, revela. “Sempre houve racismo e preconceito contra os índios, mas tememos que as pessoas, agora, sintam-se mais legitimadas pelo discurso de ódio”, concorda Rafael Modesto.
No último dia 28, logo após o resultado das eleiçőes presidenciais, a única escola e o único posto de saúde de atendimento ao povo Pakararu, da aldeia Bem Querer de Baixo, em Pernambuco, foi incendiado. Lideranças indígenas afirmaram desconfiar de que se tratava de uma retaliaçăo por parte de 12 famílias de posseiros que tiveram de sair da terra, por determinaçăo judicial. “Hoje, nosso povo acorda com uma escola e um posto de saúde da família destruídos pelo fogo do ódio, do preconceito e da intolerância”, disseram, em nota. A Polícia Civil fez perícia no local e afirmou que está investigando o caso.
O presidente da Federaçăo das Organizaçőes Indígenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, preocupa-se também com outra promessa de campanha de Jair Bolsonaro, a de liberar a exploraçăo do subsolo em terras e reservas, atividade prevista pela Constituiçăo, mas que ainda carece de regulamentaçăo.
O discurso do presidente eleito é o de que os próprios índios seriam responsáveis pela exploraçăo e os lucros. Barroso, porém, năo acredita que os indígenas seriam beneficiados. “O discurso de Bolsonaro é o de ruralistas e de mineradores. A regiăo do Alto Rio Negro é bastante cobiçada e hoje há mais de 500 pedidos de concessăo para pesquisas de lavra. A Constituiçăo e a Convençăo 169 da Organizaçăo Internacional do Trabalho estabelecem que as comunidades estejam de acordo com a exploraçăo, mas nós nunca somos ouvidos”, explica.
O secretário nacional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Gilberto Vieira dos Santos, afirma que a exploraçăo do subsolo sempre trouxe prejuízos aos índios. “Um exemplo é a contaminaçăo por mercúrio por garimpo na terra dos Yanomami”, alega. Santos torce para que Jair Bolsonaro recue nas ameaças de acabar com as demarcaçőes. “Apesar das sinalizaçőes ruins, esperamos que a Constituiçăo continue sendo cumprida. Preferimos acreditar que seguiremos em um Estado onde o direito continua válido.”
Para saber mais
Caso o presidente eleito Jair Bolsonaro interrompa as demarcaçőes, 291 terras indígenas e 15 reservas que se encontram em alguma fase do processo serăo prejudicadas. Sobrariam 419 territórios e 35 reservas já homologados e regularizados.
Brícia Helen começou a carreira cantando em barzinhos do Distrito Federal (foto: Instagram/Reproduçăo)
Măe de dois filhos e dona de uma voz marcante, Brícia Helen, 22 anos, nasceu na Ceilândia e começou cantar ainda criança, no coral da igreja. As primeiras apresentaçőes em um palco, porém, foram na escola, quando cursava o ensino fundamental, e em festivais de música, na cidade-natal. Aos 16 anos, a artista começou de verdade a carreira ao ser convidada para ser vocalista na banda de um amigo, a Brasiliana. Assim vieram as apresentaçőes profissionais. “Cantava em barzinhos da cidade”, relembrou.
Na época dos shows, Brícia conciliava a vida dos palcos com o estágio que fazia em um banco. Após o fim do contrato, a cantora percebeu que dava para viver de música. “Vivo disso até hoje”, garante. Apaixonada pela língua inglesa, Brícia chegou a cursar letras, mas trancou no segundo período. “Năo conseguia conciliar com a carreira. A música acabou puxando mais. Tem sete anos que trabalho com isso e vivo exclusivamente da música”.
Brícia teve o contato com a língua inglesa na infância, mas o que despertou o interesse realmente foi observar a tia conversando com o marido norte-americano, durante as visitas na residência dela. “Eu os via falando inglês e me apaixonei”, lembra. Brícia sempre gostou de música internacional, e hoje leva a referência pop como ferramenta de trabalho.
The Voice Brasil
Foi em 2015, aos 19 anos, que cantora concorreu a uma vaga no The Voice Brasil, no qual representou o Distrito Federal. “Foi a segunda vez que me inscrevi. Foi incrível”, aponta. Com a música Nobody’s Perfect, da cantora britânica Jessie J, que Brícia Helen garantiu uma vaga na atraçăo, competindo pelo time de Michel Teló. Na segunda apresentaçăo, na etapa Tira-Teima, a artista mudou para o grupo da cantora Cláudia Leitte, que a garantiu a participaçăo até a semifinal. “Eu năo achei que chegaria tăo longe assim. Pensei que participaria de dois programas, no máximo”.
Brícia define a participaçăo como “inesquecível”. “Aquele palco é mágico. O sonho parecia muito distante para mim”, afirma. Depois do The Voice Brasil, muita coisa mudou para Brícia. “Hoje, eu consigo viver de música levando meu nome, além de pessoas do país inteiro que acompanha a minha carreira”.
Comparada com o timbre de Jessie J, Brícia foi convidada para interpretar a cantora no programa Máquina da Fama, no SBT. Para o futuro, ela pretende expandir a carreira. “Eu quero me arriscar: ir para Săo Paulo, Rio de Janeiro e até mesmo fora do país. Eu preciso explorar o meu estilo de música”, diz a artista. Atualmente, está lançando covers nas plataformas digitais, mas năo descarta de lançar um EP no futuro.
Leonardo Jacob, (esquerda) se entregou à polícia nesta quinta-feira (8/11) (foto: Divulgaçăo/Alerj)
A exoneraçăo do presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro, Leonardo Jacob, interrompeu na manhă de hoje (9) a emissăo de documentos que dependen da assinatura eletrônica dele, como o documento de identidade e a Carteira Nacional de Habilitaçăo. Jabob foi exonerado porque foi preso ontem (8/11) na Operaçăo Furna da Onça, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
A investigaçăo apontou um esquema de compra e venda de votos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e indicou o loteamento de cargos públicos e măo de obra terceirizada por deputados estaduais no Departamento de Trânsito. Ao todo, 22 pessoas foram presas, incluindo parlamentares.
Na manhă desta sexta-feira, o governador Luiz Fernando Pezăo publicou, Diário Oficial do Estado, a exoneraçăo de Leonado Jacob da presidência do Detran, o que impediu a emissăo dos documentos.
Em nota, o governo informou que já designou a diretora administrativa do Detran, Fernanda Curdi, para responder interinamente pelo expediente do órgăo. Segundo a assessoria de imprensa do Detran, a questăo já foi resolvida pela nomeaçăo.
“A emissăo de documentos de habilitaçăo e identificaçăo já está normalizada e a de veículos, na segunda-feira. Os usuários que năo conseguiram retirar o documento poderăo retornar à unidade em que foram atendidos, a partir da próxima segunda-feira (12)”, informa nota divulgada pela assessoria de imprensa do Detran.