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Brasilienses se aproximam do Lago: DF já é o 4º do país em número de barcos

Yuri Resende reúne amigos para passeios na embarcaçăo que compartilha com outros cotistas (foto: Marília Lima/CB/D.A Press)

Brasília está a cerca de mil quilômetros do mar. Porém, em meio às árvores retorcidas e ao chăo de terra seca, a capital federal tem um tesouro de 48 quilômetros quadrados de área e uma populaçăo inteira que depende de suas águas, o Lago Paranoá, homônimo do rio represado que lhe deu origem. O nome vem do latim e significa “enseada do mar”. O espelho d’água abriga mais de 52 mil embarcaçőes, o que coloca o Distrito Federal na quarta posiçăo nacional em tamanho de frota náutica. Segundo a Marinha do Brasil, estăo à frente de Brasília apenas Săo Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.

O entusiasmo do brasiliense com as atividades náuticas tem movimentado um mercado de itens de luxo, que ganha novos ares e adeptos com perfis diferentes. O sistema de compra por cota, que é nada mais é que uma aquisiçăo em sociedade, deu ao público de classe média uma opçăo acessível de investimento. Os contratos conjuntos, assim como o bem adquirido, săo geridos pela empresa que vendeu a embarcaçăo e o cotista năo precisa se preocupar com as negociaçőes entre os sócios, que, na maior parte das vezes, năo se conhecem.

Assim, muitos apaixonados pela navegaçăo puderam realizar o sonho de ter uma embarcaçăo. Nascido em Salvador, Thiago Brandăo, 38 anos, encontrou nas cotas e na lancha uma forma de aproximaçăo com a terra natal. Há três anos em Brasília, ele trouxe ao quadradinho a mulher e o filho. Antes companheiro de surfe do pai, o menino hoje acompanha o casal em passeios motorizados no lago e em atividades mais radicais: eles praticam wakeboard, modalidade na qual a prancha é puxada por um barco. “Eu năo vivo fora d’água. Surfava todos os dias em Salvador. Năo perdi essa conexăo aqui na capital, estou todos os fins de semana no lago”, conta.

A democratizaçăo desses bens oportunizou o lazer no lago, antes exclusivo da populaçăo com poder aquisitivo mais alto. O bancário Yuri Resende, 29, acredita que, além dos bons momentos de diversăo, ter um barco é mais do que sinônimo de status. “É a relaçăo poder-sucesso, assim como ter uma mansăo, um carro importado, frequentar camarotes, é estar onde nem todos podem ir. Mas isso năo é tudo. Para mim, vir ao lago e passar o dia por aqui é o melhor programa a se fazer, perde só para viajar”, ressalta. Ele também relata que os gastos săo reduzidos quando comparados a outras opçőes de entretenimento em Brasília. “Eu gosto sempre de estar com muita gente. Normalmente, levo cerca de 10 amigos e rachamos todos os gastos com bebida e alimentaçăo.”

Rodrigo Melchior investiu, com o sócio, em um bar flutuante (foto: Marília Lima/CB/D.A Press)

Thiago e Yuri săo clientes de Rogério Fayad, 29, proprietário da Premier Jet, empresa de aluguel  e compra de lanchas e de motoaquática. Segundo ele, os gastos mensais incluem todas as despesas de manutençăo, segurança e guarda da embarcaçăo. “O cotista terá um custo único mensal a partir de R$ 270 por mês para o jet-ski e a partir de R$ 500 por mês para a lancha”, afirma. O empresário sustenta que o lago propicia um sentimento especial para quem nele navega. “A paisagem e o pôr do sol de Brasília vistos do lago săo únicos e inesquecíveis. Só dando uma volta de lancha para saber. As poucas alternativas de lazer ao ar livre e o clima seco fazem do lago uma das melhores opçőes”, resume.  

Mercado aquecido

Há quem prefira a exclusividade de ter um barco só para si. Entre os muitos modelos, pode-se encontrar um motoaquática zero-quilômetro a partir de R$ 29 mil e até modelos de mais de R$ 100 mil. As lanchas também têm grande variaçăo de preços, um modelo simples, com 16 pés (cerca de 5 metros), pode sair por R$ 50 mil, já as embarcaçőes maiores, com 52 pés (15 metros), alcançam os R$ 5 milhőes.

Júnior Ferreira, 33, é vendedor em uma loja especializada em itens náuticos e afirma que, desde 2013, o mercado brasiliense vem passando por uma tendência de sofisticaçăo. “De cinco anos para cá, os clientes têm escolhido barcos maiores e mais caros, hoje, as lanchas mais baratas estăo saindo menos e a preferência é para as com mais de 30 pés, cujo valor gira em torno de R$ 1 milhăo”, avalia. Ele estima que os lucros obtidos somente com a área de vendas de jet-skis e lanchas alcance R$ 2,5 milhőes por mês.

Para confraternizar com os amigos, Bruno Bermudez, 21, é quem mais usa a lancha da família. “Como somos sócios de um clube, os custos fixos totais giram em torno de R$ 136 por mês, mais uns R$ 300 com um marinheiro para fazer as limpezas e manutençőes da lancha. Entretanto, o que pesa é a gasolina, que pode variar de R$ 800 a R$ 1,2 mil, dependendo do tamanho e do quăo vazio está o tanque”, conclui.

A movimentaçăo náutica no Lago Paranoá também impulsionou o surgimento de outros comércios na regiăo. Um empreendimento em Capitólio (MG) serviu de inspiraçăo aos amigos Rodrigo Melchior, 30, e Godofredo Gonçalves, 33, donos da Porto Marina Lounge Bar. “Nós tínhamos uma lancha e notamos que năo havia opçőes de entretenimento no lago, entăo, em uma viagem a Porto Escarpas, conheci um bar flutuante e decidimos adaptar a estrutura ao lag,o e encaramos o desafio mesmo com todas as dificuldades de regulamentaçăo”, menciona Rodrigo.

 

Julia Sampaio é competidora de vela na categoria em dupla (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 

Ao sabor do vento 

A velocidade e a praticidade dos barcos motorizados ofuscaram a beleza dos barcos movidos a vento. Mas a prática da vela ainda mantém muitos apaixonados. Julia Sampaio, 14 anos, é competidora na categoria em dupla. Ela já viajou pelo Brasil e conquistou uma série de títulos. “Eu comecei aos 11 anos, por incentivo da minha madrinha, que era vice-diretora de um clube náutico, e dos meus pais, que sempre gostaram. Dois anos depois, eu participei da minha primeira competiçăo, em Vitória, e năo parei mais”, conta.

Há mais de 40 anos navegando nas águas do Lago Paranoá, José Celso Martins, 76, sente pesar em estar afastado de seu veleiro, por causa de um problema na coluna. “Infelizmente, há três anos que năo velejo, mas já atuei demais com a vela. Cheguei a disputar as classificatórias para a Paraolimpíada de Londres. A maioria dos velejadores săo amadores e velejam por amor, a gente é da água. Estar ao sabor do vento, apreciando a natureza, năo há comparaçăo”, confessa.

O empresário salienta que a carreira esportiva na vela é um caminho tortuoso e difícil, por isso ele é um incentivador da prática em Brasília. “Os patrocínios săo escassos, os materiais săo muito caros e, mesmo assim, temos competidores de alto nível na capital. Há cerca de sete anos, eu doei 60 velas para os clubes náuticos que promovem açőes sociais para crianças carentes e, ainda hoje, vejo as velas sendo utilizadas nas aulas solidárias”, conclui.

Para saber mais

Exigências para tirar o documento de condutor

• O interessado deverá comprovar no mínimo seis horas de navegaçăo em embarcaçőes de esporte, recreio, ou similares.

• Alcançar ao menos 50% de acertos em — prova de Arrais, que é constituída por 40 questőes.

• Apresentar cópia autenticada da Carteira de Identidade (RG), do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e comprovante de pagamento da taxa de pedido.

• Ter idade mínima de oito anos para veleiros, sob a responsabilidade do pai, tutor ou responsável legal, e de 18 anos para motonauta, arrais-amador, mestre-amador ou capităo-amador.

Fonte: Marinha do Brasil

* Estagiária sob supervisăo de Mariana Niederauer 

Fonte: Cidades

Canadá emite recorde de vistos de residência para brasileiros

(foto: Eva Hambach/AFP)

 

A terra do futebol exporta cada vez mais gente para a do hóquei. Levantamento feito pelo Estado, com base nos dados do Consulado-Geral do Canadá no Brasil, mostram que nos últimos quatro anos houve um aumento exponencial de vistos de residência permanente concedidos pelo governo canadense a cidadăos brasileiros, chegando a um volume recorde em 2018.

Em 2015, 1.750 brasileiros receberam visto canadense para morar nas províncias do país, uma média que se manteve em 2016, quando 1.730 pessoas trocaram o Brasil pelo Canadá. No ano passado, porém, esse volume chegou a 2.760 vistos liberados, um aumento de 62% sobre o ano anterior. Neste ano, contudo, o volume é recorde: só entre janeiro e agosto, o Consulado do Canadá já aprovou 2.800 vistos de residência permanente para brasileiros. Se for considerada a média, o volume total deverá chegar a 4 mil vistos de residência permanente em 2018.

Para o brasiliense Marcus Fraga, de 34 anos, que partiu para o Canadá em 2015 e hoje estuda e trabalha na Universidade de Montreal, o aumento do interesse em deixar o Brasil se explica năo apenas pelos atrativos do exterior, mas pelos problemas históricos brasileiros: crise política e econômica, falta de segurança e corrupçăo. “Sinceramente, está muito difícil voltar ao Brasil. As notícias que recebemos năo ajudam em nada.”

Fraga trilhou um caminho comum para muitos que decidem viver no Canadá. Buscou um curso de pós-graduaçăo, atrelou esses estudos ao trabalho e, a partir daí, decidiu morar no Hemisfério Norte. O número de vistos de estudo liberados a brasileiros pelo governo canadense confirma a trajetória. Em 2015, o país autorizou 5.370 documentos dessa categoria. Em 2016, esse número saltou para 5.962 vistos e, no ano passado, chegou a 6.887.

Questionado, o Setor de Vistos e Imigraçăo do Consulado-Geral do Canadá creditou o interesse a esclarecimentos e facilidade de acesso. “Nos últimos dois anos, a seçăo de vistos e imigraçăo do Brasil forneceu sessőes informativas em várias cidades do País sobre o principal programa de imigraçăo do Canadá, o Express Entry. Como exemplo, teremos duas próximas sessőes de informaçăo no Rio na próxima semana”, declarou. O Canadá tem liberado cerca de 280 mil vistos de residência permanente todos os anos, para todas as partes do mundo. Neste ano, sua expectativa é de receber 310 mil imigrantes. “E isso inclui muitos brasileiros”, afirmou o consulado.

Perfil

Há ainda uma mudança de perfil em curso, como relata Ed Santos, sócio-fundador de duas empresas de assessoria para imigrantes e intercambistas brasileiros no Canadá. Segundo ele, hoje a maioria dos clientes que atende é de famílias com filhos menores de 5 anos, enquanto, anos atrás, era de jovens na casa dos 20 anos. “O Canadá é um dos pouquíssimos países desenvolvidos que tem uma política agressiva de imigraçăo. Ele explica que o processo de seleçăo considera a idade (o ideal é menor de 29 anos), a formaçăo acadêmica, a experiência profissional, proficiência linguística (inglês e/ou francês) comprovada e se há oferta de emprego. “Muita gente procura já sair com emprego para migrar, mas é difícil.” Santos diz que atende de seis a oito processos de migraçăo de brasileiros por mês, com custo médio de R$ 16,2 mil.

Os casos săo como o de Alexandre Furstenberger, de 33 anos, e Vanessa de Araújo, de 38 anos. “É aqui”, pensaram, ao passar férias no Canadá há um ano. O casal de engenheiros já cogitava se mudar para o exterior, mas năo tinha certeza do destino. “A gente se apaixonou pelo país, achou o máximo”, diz Furstenberger. Ele e Vanessa foram em definitivo para Toronto na quinta-feira, 18, com os gatos Isadora e Oliver e o căo Anakin. As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Brasil

SP é recordista de pedidos de nacionalidade portuguesa

(foto: A Photo A Day/Reproduçăo)

 

 

O Consulado-Geral de Portugal em Săo Paulo foi o que mais recebeu pedidos de nacionalidade portuguesa em toda a rede consular do País em 2017. Foram 12.217 solicitaçőes, quase o triplo do Rio, segundo colocado em número de pedidos.

Na quinta-feira (18/10), o Consulado-Geral em Săo Paulo suspendeu novos pedidos de nacionalidade na capital paulista e em Santos, cidade do litoral sul do Estado, até 2 de janeiro. O motivo, segundo o órgăo, é a sobrecarga do setor consular com o “número crescente” de pedidos de visto. “Esta decisăo insere-se no âmbito da gestăo consular e visa a fazer face ao crescente número de pedidos de vistos”, informou.

Segundo o Consulado-Geral em Săo Paulo, a medida năo será replicada nos demais Consulados de Portugal no País. “A escolha de 2 de janeiro para voltar a aceitar pedidos de nacionalidade naquele consulado relaciona-se com o início do ano civil.”

Até setembro, os pedidos de visto no Consulado-Geral em Săo Paulo cresceram 34% em relaçăo ao mesmo período do ano passado. Foram quase 6 mil pedidos – 61% deles de vistos de estudo. Para Miguel Silva, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, há relaçăo com o fato de que a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tenha passado a ser aceita em instituiçőes portuguesas. As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Brasil

Morre Affonso Heliodoro dos Santos, último remanescente da equipe de JK

O pioneiro de Brasília Affonso Heliodoro dos Santos, também conhecido como “Coronel Affonso”, faleceu neste sábado (20), em Belo Horizonte, aos 102 anos de idade. Ele estava hospitalizado desde a última quinta-feira (18) na capital mineira e, em decorrência de problemas no coraçăo, faleceu nesta manhă de sábado, por volta das 11h. Amigo de Juscelino Kubitschek desde jovens, Coronel Affonso era o último integrante vivo da equipe do ex-presidente da República. Ele foi subchefe do Gabinete Civil da Presidência durante o governo JK. 

Coronel Affonso esteve com Juscelino desde os primórdios da nova Capital Federal

Mineiro, Affonso Heliodoro dos Santos nasceu em Diamantina, mesma cidade de Juscelino, e se formou bacharel em direito pela antiga Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, na capital fluminense. Em 1933, aos 17 anos, ingressou na Força Pública, como era chamada a Polícia Militar à época. Ele foi aluno da măe de JK, Júlia Kubitschek. 

 

Em 1956, coronel reservista da Polícia Militar de Minas Gerais, ele estava ao lado do entăo presidente quando foi assinado o documento que pedia ao Congresso Nacional a criaçăo da nova capital no coraçăo do Centro-Oeste, em 1956. Neste mesmo ano, ele visitou pela primeira vez a regiăo em que Brasília seria construída. 

JK e Affonso: amizade desde a infância em Minas Gerais (foto: Arquivo pessoal )

Após o fim de seu governo, JK permanece como senador até 8 de junho de 1964, quando tem seus direitos políticos cassados na Ditadura Militar, pelo presidente Castello Branco. Dias depois, embarca para exílio voluntário pela Europa e Estados Unidos. “Deixo o Brasil porque essa é a melhor forma de exprimir o meu protesto contra a violência que fui vítima”, disse Juscelino Kubitschek na ocasiăo. Nos anos de exílio, Affonso Heliodoro esteve com o velho amigo em Paris. 

De volta ao DF, o Coronel Affonso liderou a criaçăo do Memorial JK, em 1981, e esteve no comando até 1997. 


Velório ocorrerá amanhă (21), em Belo Horizonte

 

Até 2015, Coronel Affonso era presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Ele deixou três filhos, 12 netos e alguns bisnetos. “Convivi muito com ele. Tive dois pais na vida. Meu avô era um quadro pintado pelos deuses para a família”, diz Pedro Ivan Tupy Filho, 48 anos, sobre a vida familiar do avô.

Quanto à atuaçăo pública, Pedro afirmou: “Ele foi de uma grande importância para nosso país, para Brasília e para o momento de desenvolvimento do país. Apesar de năo ter vivido naquela época, sei que até hoje as grandes obras construídas por ele e a equipe de Juscelino Kubitschek ainda perduram.”

 

O velório de  Affonso Heliodoro dos Santos ocorrerá neste domingo (21), no Cemitério da Colina, em Belo Horizonte, a partir das 8 horas da manhă. A pedido dele, seu corpo será cremado. 

Fonte: Cidades

Operação da Polícia Federal combate facções criminosas em 12 Estados

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 

 

A Polícia Federal (PF) deflagrou neste sábado, 20, a Operaçăo Dolos para combater facçőes criminosas que atuavam em 12 Estados. Em um período aproximado de dois anos, a Federal identificou membros ligados a três organizaçőes criminosas, dentre elas o Comando Vermelho, de abrangência nacional e com forte poder de atuaçăo nos presídios de todo o País.

Os investigadores estimam que a movimentaçăo financeira das facçőes, no período da apuraçăo, tenha sido superior a R$ 9 milhőes, entre depósitos e retiradas de valores, oriundos principalmente do tráfico internacional de drogas.

Em nota, a PF informou que está cumprindo 146 ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal do Acre. Deste total, a Federal cumpre 53 mandados de prisőes temporárias, 22 de prisőes preventivas e 71 de busca e apreensőes, algumas delas realizadas no interior de presídios do Acre.

A investigaçăo foi conduzida pelo grupo de investigaçőes da PF especializado no combate a organizaçőes criminosas e ao tráfico de entorpecentes – e teve apoio do Batalhăo de Operaçőes Policiais Especiais (BOPE), força de operaçőes da Polícia Militar do Rio, e do BOPE do Acre.

O nome da operaçăo é inspirado no Deus Dolos e representa o engano, a fraude e a malícia. O nome buscou simbolizar o complexo sistema de lavagem de dinheiro operado pelas organizaçőes criminosas investigadas, que possui uma rede de integrantes espalhada por todas as regiőes do Brasil.

Fonte: Brasil

Participantes de projeto cultural refazem caminhos da Missão Cruls

Participantes do projeto Caminhamentos Missăo Cruls representam cada um dos 22 integrantes da empreitada, que explorou o Planalto Central no século 19 (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)

A história de Brasília serviu de inspiraçăo para muitos entusiastas. Desde o sonho de Dom Bosco — que previa o nascimento de uma civilizaçăo entre os paralelos 15º e 20º no hemisfério sul — até hoje, inúmeros projetos nasceram com o objetivo de resgatar a cultura e de relembrar a epopeia deu origem à capital federal. Motivado pelos trabalhos de Louis Ferdinand Cruls, responsável por delimitar os vértices do Distrito Federal em 1892, um grupo de professores, integrantes de movimentos culturais e tropeiros se reúne neste sábado (20/10) para refazer os passos do astrônomo belga. O projeto, intitulado Caminhamentos Missăo Cruls, está na segunda etapa e ocorre na cidade de Planaltina.

Ainda que tenha se transformado em capital apenas em 1960, a área do DF estava demarcada desde o século 19. A proposta de interiorizaçăo constava na Constituiçăo Federal de 1891 e, ao longo de dois anos, 22 pesquisadores saídos do Rio de Janeiro levaram adiante o desafio de desbravar o interior do Centro-Oeste guiados por Louis Cruls. Os caminhos, registrados ao longo da missăo, săo percorridos por exploradores e turistas até hoje.
O diferencial dos integrantes do Caminhamentos Missăo Cruls é a caminhada com indumentária inspirada na época. A partir das 15h30, os participantes darăo início ao passeio cultural e visitarăo locais como a Lagoa Mestre D’Armas, na Estaçăo Ecológica Águas Emendadas, e a Pedra Fundamental de Planaltina. A ideia de seguir os passos de Louis Cruls é do professor de história Robson Eleutério.

Aposentado pela Secretaria de Educaçăo, Robson quis dar destaque à história do astrônomo e aos pontos demarcados durante a missăo. Dessa forma, segundo ele, os próprios municípios onde os vértices estăo localizados podem desenvolver propostas com foco no turismo. “Os quatro pontos săo sempre muito citados nos relatos de Louis Cruls. Em 1992, no centenário da missăo, o Exército percorreu cada um deles para colocar uma peça e indicar de qual ponto se trata. Até o fim do ano, vamos visitar os restantes”, conta.

Atualmente, alguns dos pontos se encontram em áreas particulares. A proposta do professor é criar trilhas que levem a cada um deles e tornem os caminhos acessíveis e mais conhecidos pela populaçăo. “É um trabalho educativo para a comunidade local que tem como base o relatório da comissăo exploradora. Trata-se de um documento rico em informaçőes. Fala da fauna, flora, geologia, astronomia e do clima. Nossa intençăo é levar isso para as escolas também”, destaca Robson. 
 

Coordenadora da Regional de Ensino de Planaltina, a professora Queti Diettrich participará das atividades na cidade. “Acho muito importante esse resgate e ficamos satisfeitos de terem escolhido Planaltina para receber essas atividades.” Queti divulgou o projeto em instituiçőes de ensino e espera que os estudantes marquem presença para acompanhar a caminhada. Durante o percurso, ela representará Lilinda, esposa de Hastimphilo de Moura, um dos ajudantes de Cruls na missăo. “Esse tema precisa ser trabalhado nas escolas, pois os vértices estăo abandonados hoje”, comenta. 

Qualidade hídrica

O passeio terá início na Administraçăo Regional de Planaltina. Durante o percurso, os interessados em acompanhar como espectadores assistirăo a encenaçőes com diálogos inspirados no cotidiano da época. “Cada pessoa representará um participante. Esse trecho do roteiro que faremos é o mesmo da época. Ele fez parte da Estrada Real, que saía da Salvador, passava por Planaltina e chegava à Cidade de Goiás. Era uma rota feita com certa frequência, principalmente por causa do ouro”, explica Robson. 

Mesmo que a cidade de Planaltina năo conte com um dos vértices demarcados por Cruls, o explorador esteve passou pela Lagoa Mestre d’Armas — também conhecida como Lagoa Bonita e onde, atualmente, fica a Estaçăo Ecológica Águas Emendadas. Enquanto estudava o Planalto Central, a abundância de água chamou a atençăo do belga.

“O local aonde iremos fica próximo à dispersăo das bacias das Águas Emendadas. A questăo da qualidade hídrica foi determinante para a escolha do local onde seria demarcada a capital. Cruls fez essa observaçăo no relatório da Expediçăo Exploradora do Planalto Central do Brasil. O motivo de năo terem ficado doentes aqui foi, especialmente, a qualidade da água”, detalha o idealizador do projeto histórico-cultural. 

Entretenimento

O segundo dia de passeio por meio do projeto Caminhamentos Missăo Cruls ocorrerá em parceria com o Festival Quadrilátero Cruls. Financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), o evento contará com apresentaçőes de dança e bandas de Planaltina, atividades promovidas pela Embaixada da Bélgica, além da inauguraçăo de uma escultura de Louis Ferdinand Cruls observando o céu com uma luneta. Feita em bronze, a obra tem 1,8 metro de altura.

Responsável pela organizaçăo o festival, Elisa Rachaus afirma que a ideia do evento nasceu como uma açăo para evitar o esquecimento da história do Distrito Federal. Para a produtora cultural, o encontro vai favorecer a divulgaçăo de tradiçőes desconhecidas por muitos brasilienses. “Năo existem açőes patrimoniais focadas na missăo comandada por Louis Cruls. Há muitos feriados no DF, mas nada que represente ou relembre o início de tudo. Fiz um projeto pensando em formas de introduzir esse tema em shows e para que as pessoas tomem conhecimento e revivam um pouco da nossa primeira história”, conta Elisa. 

Programe-se

Festival Quadrilátero Cruls

Horário: das 15h às 2h

Local: Praça Săo Sebastiăo, Setor Tradicional de Planaltina (Igrejinha de Săo Sebastiăo)

Ingressos: Entrada franca

Classificaçăo livre

Primeira fase


Em julho, professores e integrantes de movimentos culturais compuseram grupo que visitou vértice sudoeste (foto: Arquivo pessoal)

O projeto Caminhamentos Missăo Cruls começou em Abadiânia (GO), em 29 de julho. O professor Robson Eleutério e outras 14 pessoas saíram da Floresta Nacional de Taguatinga e seguiram rumo ao vértice sudoeste. Vestidos a caráter, montados em cavalos, mulas ou a pé, eles seguiram os caminhos percorridos durante a expediçăo de 1982 na área. Em seguida, o grupo rumou para o Rio Capivari, onde participou de atividades como observaçőes astronômicas e rodas de conversas sobre a missăo. A terceira caminhada está prevista para 11 de novembro, em Formosa (GO), no vértice nordeste.

Fonte: Cidades

Dhi Ribeiro lança o DVD Leme da Libertação com muito samba de roda

Dhi é adepta do mundo digital quando o assunto é música: facilidade para ela e oportunidade para novos talentos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 

Nascida no Rio de Janeiro, criada em Salvador e radicada em Brasília há 25 anos, a cantora Dhi Ribeiro é uma das maiores vozes do samba brasiliense dos últimos tempos. Natural de Nilópolis (RJ), foi para a capital baiana muito cedo. Iniciou a carreira aos 17 anos, como modelo, e, aos poucos, se envolveu com a música. Quando ainda aposta nas passarelas e diante das câmeras, Dhi passou a se perceber cada vez mais como uma pessoa musical. Cantou axé, música baiana e MPB. Na década de 1990, recebeu o título de cantora revelaçăo do carnaval soteropolitano. Em seguida, foi convidada para participar de um trabalho em Brasília, com a antiga banda Trem das Cores.

 

Após seis meses, voltou a Salvador para concluir trabalhos no carnaval, mas decidiu que seu lugar realmente era na capital federal. No DF, conheceu Tobias Andrade, com quem se casou e teve uma filha, Luna Vitória. “Eu sou muito agradecida à cidade porque aprendi tudo aqui. Alcancei a chance que poucos tiveram de encontrar grandes músicos, que me nortearam e me deram a oportunidade de me descobrir como cantora”, revela. Em 2000, a sambista seguiu com a família para a Itália, trabalhar como cantora em um circo. Retornou ao Brasil após três anos interpretando em vários idiomas.

 

Em 2009, a cantora lançou seu primeiro álbum, Manual da Mulher. Já em 2012, a música Para uso exclusivo da casa fez parte da trilha sonora da novela da Globo Lado a lado, como tema do casal Celinha e Guerra, interpretados por Isabela Garcia e Emílio de Melo. Em 2017, a mesma música, de autoria de Paulinho Resende e Juninho Peralva, também foi trilha para a novela A força do querer, tema da protagonista Bibi Perigosa, interpretada por Juliana Paes. “A Glória Perez me ligou dizendo que a novela estrearia no próximo mês e que a música tinha tudo a ver com a personagem. E foi maravilhoso isso pra mim”, relembra. Logo em seguida, Dhi Ribeiro foi uma das participantes do The Voice Brasil, do mesmo ano, participando de dois episódios da atraçăo. Dhi já esteve em programas como o Domingăo do Faustăo e Programa do Jô. 

 

A temática do DVD Leme da Libertaçăo, novo trabalho de Dhi Ribeiro, é a diáspora negra e a fé (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 

Em dezembro, ela lança o novo trabalho, o DVD Leme da libertaçăo, gravado no Clube do Choro. As composiçőes săo de parceiros como Roberto Serrăo e Guilherme Nascimento. “Eu sou mais uma intérprete. Nós temos compositores maravilhosos e a gente tem que dar voz para isso”, afirma Dhi. As músicas do DVD têm como tema a diáspora negra e a fé, e conta com músicas românticas, samba de roda e algumas regravaçőes do primeiro CD. Ao todo, serăo 23 músicas em 13 faixas, incluindo alguns pout-pourri. O lançamento, previsto para 20 de dezembro, será no mesmo local da gravaçăo, o Clube do Choro. 

“O mundo hoje é digital”

Esse será o primeiro trabalho independente da cantora, que fez parte do cast da gravadora Universal Music. “Isso aconteceu dessa forma. A importância da gravadora mudou bastante e o que elas faziam, nós também podemos fazer. Nós mesmos vamos fazer a distribuiçăo, por exemplo”, explica. A cantora vê as plataformas digitais como um leque muito grande e servem de portas para novos artistas, que năo teriam a oportunidade de apresentar seus trabalhos ao mundo.

“O mundo é digital. Eu năo fico uma hora sem pegar no celular. Antigamente, eu tinha que gravar um CD para entregar para minha banda aprender as músicas do repertório. Hoje em dia, eu faço uma playlist e peço para que entrem nela”, declara. Com a internet, Dhi afirma que suas músicas chegaram a vários países da África, como Angola. 

Siga a artista!

* Estagiárias sob a supervisăo de Leonardo Meireles

 

Fonte: Cidades

Crânio de Luzia é encontrado em meio aos escombros do Museu Nacional

(foto: Antonio Scorza/AFP)

A assessoria do Museu Nacional, do Rio de Janeiro (RJ), informou na tarde desta sexta-feira (19/10) que foi encontrado, em meio aos escombros do prédio destruído por um incêndio em 2 de setembro, o crânio de Luzia, considerada a “primeira brasileira”. O fóssil tem 11,4 mil anos.

Neste momento, a direçăo da instituiçăo vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) dá uma entrevista coletiva, na capital fluminense, para mostrar os detalhes do achado ocorrido há alguns dias, mas só divulgado agora.

Há um mês, conforme noticiou o Estado de Minas, o diretor administrativo do Museu Nacional, Wagner Martins, informou que arqueólogos e paleontólogos do Museu Nacional năo perdiam a esperança de encontrar o fóssil localizado em 1974 na gruta da Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, na Regiăo Metropolitana de Belo Horizonte. “Năo perdemos esperança de encontrar Luzia, que está numa área considerada de risco. Já percebemos, pelas imagens captadas por drones, que no local há muitas peças que podem se resgatadas”, disse o diretor administrativo do Museu Nacional, Wagner Martins.

Luzia, um dos símbolos da maior tragédia do patrimônio cultural do país, traz à tona o nome de uma mulher fundamental nessa história e com uma vida extraordinária destacada pelos estudiosos. A trajetória da arqueóloga Annette Laming Emperaire passa por momentos-chave do século 20, como a Revoluçăo Russa (1917) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Filha de diplomatas franceses e nascida em Săo Petersburgo, na Rússia, 15 dias antes de os bolcheviques tomarem Moscou, ela seguiu com os pais para a França. Já adulta, ao estourar o conflito mundial, participou da Resistência até cair em desgraça nas măos dos alemăes. Com o fim da guerra, Annette se dedicou à paixăo pelas pesquisas e escavaçőes que lhe trouxe ao Brasil e, na década de 1970, a Lagoa Santa, na Grande BH.

Como chefe de uma missăo franco-brasileira, encontrou o fóssil humano com dataçăo mais antiga do país, a “Luzia”, e deu nova dimensăo aos achados do naturalista dinamarquês Peter Lund (1801-1880).

Fonte: Brasil

Alexandre de Moraes nega pedido de liberdade da 'Viúva da Mega-Sena'

Adriana Almeida, a Viúva da Mega-Sena (foto: Roberto Moreyra/EXTRA/Agência O Globo)

 

 

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou pedido de liberdade apresentado pela defesa de Adriana Ferreira Almeida Nascimento, a “Viúva da Mega-Sena”, condenada e presa por envolvimento na morte de seu ex-marido após ele ganhar R$ 52 milhőes em 2007.

Segundo o ministro, a reclamaçăo apresentada pela defesa de Adriana “năo vinga” pois “năo se amolda a qualquer das hipóteses legais e jurisprudenciais em que é cabível a presente açăo”. Reclamaçőes apresentadas ao STF buscam garantir o cumprimento de uma decisăo da corte e năo reverter decisőes de instâncias inferiores, detalhou o ministro.

No pedido apresentado à Corte, os advogados pleiteavam liminar para suspender o cumprimento da pena decretado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em dezembro de 2016, Adriana foi condenada a 20 anos de prisăo, mas foi presa somente em junho deste ano no Rio de Janeiro. Ela é acusada de participar da morte de seu ex-marido, o lavrador Renné Senna.

O lavrador foi executado a tiros em janeiro de 2007 em Rio Bonito, na regiăo metropolitana do Rio. Além de Adriana, outras cinco pessoas foram acusadas pelo crime. A polícia apurou que a viúva teria sido a mandante do assassinato após Senna dizer que iria excluí-la do testamento por causa de um caso extraconjugal.

Fonte: Brasil

Conheça a rotina dos controladores de voo do aeroporto de Brasília

“Senhores passageiros, preparar para decolagem”, diz o piloto com voz calma e transmitindo segurança. Com uma măo nos instrumentos do aviăo, ele fica de ouvido ligado nas instruçőes que lhe săo passadas. Apesar de ter todo um horizonte à frente, ao longo da trajetória de sua rota, vai contar com a ajuda de homens e mulheres que o observam por telas com círculos e números que dizem se está tudo bem ou se alguma medida deve ser tomada, até que o aviăo pouse e seus passageiros e tripulaçăo desçam dele. “Se um aviăo tiver uma pessoa, o piloto só, ele já é importante para nós”, garante o capităo da Aeronáutica André Buarque, com 30 anos de experiência. Amanhă é comemorado o Dia do Controlador de Voo, profissionais que cuidam da segurança de aeronaves da pista aos ares para as pistas de volta.

Em Brasília, os controladores de tráfego aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB) trabalham no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta I), localizado nas dependências do terminal administrado pela Inframerica. O sistema funciona 24 horas e os controladores se revezam em turnos de sete horas e meia ou nove horas de trabalho.

Antes de ingressar na FAB, o candidato a controlador precisa ser aprovado em concurso público. Os aprovados no processo seletivo passam pela fase de capacitaçăo, que inclui a adaptaçăo à atividade militar e o curso de controlador de tráfego aéreo em escolas especiais. Entre outras habilidades exigidas, é necessário ter um conhecimento amplo em meteorologia, navegaçăo aérea, geografia, inglês, amplo conhecimento de aeronaves e também de todas as normas de tráfego aéreo.

Organizaçăo

Ao contrário do que a imaginaçăo popular desenha, os controladores de voo năo trabalham só nas torres de aeroportos. Na verdade, aqueles que trabalham nesse lugar específico lidam visualmente com as aeronaves observando aterrissagens, decolagens e o taxiamento dos aviőes. Outro controlador de voo com o qual os pilotos contam săo os que trabalham nos Centros de Controle de Aproximaçăo. Em um raio de 40 milhas (cerca de 64km), eles organizam a fila de aviőes que sobe e desce dos aeroportos. “As aeronaves devem ser mantidas a no mínimo 1.000 pés de distância uma da outra, isso é um pouco mais de 300 metros”, explica Iveh Rocha, controladora de voo e 2ª sargento da Aeronáutica.

 

Iveh Rocha pretendia ser piloto, mas se realizou como controladora (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

A terceira peça no controle de voo é o controle de área, realizado no Brasil em quatro perímetros. O Centro de Controle de Área em Brasília cobre boa parte de Minas Gerais, de Săo Paulo, do Mato Grosso, Rio de Janeiro e Espírito Santo. “Temos a área com maior fluxo de voos, apesar de ser uma das menores”, pontua o controlador e 2º sargento Raphael Almeida. Contando com equipamentos, eles mantêm os aviőes em rota e alertam para eventualidade de clima. “Mesmo vendo aqui, nós dependemos do piloto nos dizer se a nuvem está acima ou abaixo dele”, explica o capităo André Buarque. Na tela do equipamento, cada aeronave aparece como um círculo e junto a ela sua identificaçăo, matrícula, velocidade (em nós) e altura (em pés).

Confiança

No decorrer de um voo, a aeronave começa no solo sob a responsabilidade do controlador de voo da torre. Uma vez que a torre năo tenha mais contato visual, um controlador em um centro de aproximaçăo vai guiá-lo na sequência de aviőes que saem dali. Já em altitude de cruzeiro, ele passa a receber instruçăo de outro controlador, este num centro de controle de área. Quando da descida, essa ordem se inverte.

A relaçăo entre controladores de voo e pilotos depende de muita confiança. “A gente também depende de informaçőes de pilotos para atualizar os outros pilotos”, comenta o capităo Buarque. Por esse mesmo motivo, controladores e pilotos săo levados a terem contato com os ambientes de trabalho um do outro: o controle e a cabine. “O intercâmbio de conhecimento é muito bom, porque a gente consegue entender quais săo as necessidades da aviaçăo hoje por meio dos pilotos, e eles podem observar nossa linha de raciocínio”, aponta a 2ª sargento Iveh Rocha.

O trabalho dos controladores varia muito com o fluxo do tráfego aéreo. “Quando há maior demanda, precisamos tomar medidas para o controle de fluxo, como reduçăo da velocidade das aeronaves em voo e suspensăo das decolagens em terra. Mas num ritmo tranquilo, a gente trabalha muito com antecipaçăo. Se der para agilizar o voo, a gente vai fazer”, afirma a 2ª sargento Iveh.

O capităo André Buarque faz uma analogia do controle de tráfego aéreo com um cruzamento de vias numa cidade. “Você tem um cruzamento que năo tem muito tráfego, você năo precisa botar nada lá. Começou a aumentar um pouco, você coloca uma sinalizaçăo, um semáforo, tem de tomar conta desse cruzamento para năo ter acidente. A mesma coisa acontece com os aeródromos”, compara o oficial.

 

Raphael Almeida: responsabilidade pela área com maior número de voos (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

Tecnologia

Com 30 anos lidando com controle de voo, André Buarque chegou a lidar com a aviaçăo sem radares. “A gente controlava apenas pela frequência de rádio. O básico do controle de voo é você ter o contato de rádio com a aeronave. A gente preenchia uma ficha com as informaçőes do plano de voo e controlava as aeronaves assim”, conta o capităo.

O capităo André Buarque lembra, com bom humor, dos primeiros contatos com o radar. “A tela era monocromática. A gente costumava dizer que o controlador de voo podia ser daltônico”. Hoje, o sistema agrega informaçőes de condiçăo das aeronaves por cores, tais como transferência de nave entre controladores, pouso, decolagem, situaçăo de perigo.

Em 29 de setembro de 2006, o voo 1907 da Gol que ia de Manaus até o aeroporto do Galeăo, no Rio de Janeiro, com escala em Brasília chocou-se com um jato Embraer Legacy 600. O acidente vitimou 154 pessoas, sem sobreviventes. André Buarque lembra de estar no controle do Cindacta 1 no dia do acidente, e vê nele um ponto de mudança no trabalho da equipe do controle. “Após aquele acidente, nosso nível de atençăo aqui subiu e nosso maior trabalho é nos manter sempre alertas”, afirma o capităo.

Para minimizar a possibilidade de erro, na sala do controle de tráfego aéreo do aeroporto de Brasília, o foco é apenas no trabalho. Há inclusive uma placa alertando sobre a proibiçăo de usar celular. Também năo há permissăo para aparelhos de TV ou de rádio.

 

Quem trabalha na torre lida visualmente com os aviőes, observando aterrissagens, decolagens e o taxiamento (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

Mulheres

Mais da metade do efetivo do controle no Cindacta I é composto por mulheres. Iveh Rocha cresceu voando de ultraleve com o pai no Rio Grande do Sul. Pretendia ser piloto, mas encontrou na carreira de controladora de voo uma realizaçăo. “A gente sente muita satisfaçăo vendo que a gente está mantendo as pessoas seguras enquanto estăo voando. Sempre que eu estou controlando, eu imagino que seja um ente querido meu que está voando”, ela diz.

Segundo o capităo Buarque, houve um tempo em que os pilotos eram críticos a controladoras de voo. “Você tinha um pessoal que falava que mulher năo dava conta. Hoje já se vê que é notável o quanto elas têm atençăo e prestam atençăo a detalhes”, o veterano pontua. A 2ª sargento Iveh năo vê muitos problemas na carreira enquanto mulher. “A gente se sente muito entrosada com a equipe, os pilotos já estăo acostumados a ouvir nossa voz e têm muitas mulheres pilotando.”

Fonte: Cidades