Os desembargadores da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) condenaram, por unanimidade, o Facebook e o aplicativo Lulu por danos morais causados a um homem avaliado “negativamente” por seus relacionamentos.
O autor da açăo disse que “nunca concedeu autorizaçăo para ser incluído no aplicativo” – em que constavam todos os usuários masculinos da rede social. Ele afirmou que tentou exigir a exclusăo de seu nome do cadastro, mas sem sucesso, “foi vítima de chacotas entre amigos em razăo das hashtags atribuídas a ele”.
O pedido de indenizaçăo havia sido negado em primeira instância. O homem recorreu ao Tribunal de Justiça, já que acredita que o Lulu favoreceu o bullying virtual. Além disso, ele alegou ser “indevida a atitude de empresa em permitir a disponibilizaçăo dos seus dados sem autorizaçăo”.
O homem argumentou que o Facebook “năo avisou que seus dados seriam usados por outras empresas”, e como o aplicativo só podia ser acessado por mulheres, “ficou sabendo da notícia por meio de uma colega de trabalho, aumentando sua vergonha”.
Relator do caso, o desembargador Carlos Eduardo Richinitti, do TJ-RS, esclareceu que esse aplicativo abrangia avaliaçăo de quesitos como aparência, humor, educaçăo, ambiçăo, sexo e compromisso, a partir de um questionário predefinido pelo aplicativo. A usuária poderia escolher hashtags sugeridas pelo próprio Lulu.
O magistrado destacou que várias eram ofensivas, e apesar de o Facebook argumentar que seus termos e condiçőes estabeleçam que alguns dados consistem em informaçőes públicas, neste caso, se aplica o Código de Defesa do Consumidor, no seu artigo 47.
“Veja-se que essas informaçőes públicas podem ser utilizadas dentro da rede social Facebook para que outros usuários possam encontrar amigos ou perfis que lhe interessem (lojas, ONGs, instituiçőes, eventos, marcas, etc.), mas năo por outros aplicativos ou empresas para uso irrestrito e violador de direitos e garantias fundamentais como ocorreu no caso concreto. Aliás, năo se olvide que as cláusulas contratuais serăo interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”, citou.
A condenaçăo foi de R$ 10 mil, valor a ser pago pelas empresas por danos morais causados ao autor da açăo.
Defesas
A reportagem está tentando a localizar a defesa do aplicativo Lulu e o espaço está aberto para manifestaçăo. A assessoria do Facebook informou que năo comentará a decisăo judicial.
O fundador da ONG Voz das Comunidades, Rene Silva, 24 anos, foi reconhecido como um dos negros com menos de 40 anos mais influentes do mundo, em 2018. Ele recebeu o prêmio, concedido pela organizaçăo Mipad (Most Influential People Of African Descente) na noite desta quarta-feira (3/10). em Nova York.
Nas redes sociais, René agradeceu e dedicou o prêmio aos familiares, voluntários, amigos, jornalistas e também aos moradores do Complexo do Alemăo. “Aos moradores de favelas do Brasil e aos negros que lutam diariamente para sobreviver neste país tăo racista, ainda hoje… Dedico também a todos os ativistas que lutam diariamente para que nossos direitos năo sejam violados. Temos que fazer muito mais, juntos!”, escreveu.
Rene Silva criou o jornal aos 11 anos, no Complexo do Alemăo, no Rio de Janeiro. A ideia do periódico era mostrar o que existia de bom nas favelas cariocas e os verdadeiros problemas sociais que os moradores enfrentavam no dia a dia. O destaque, no entanto, só foi ocorrer cinco anos depois, em 2010, quando Rene cobriu em tempo real a invasăo da polícia no Morro do Adeus — um das 13 que compőem o complexo de comunidades. Rene já teve seu nome listado pela Revista Forbes e pelo jornal britânico The Guardian como um dos jovens mais influentes do mundo.
O Mipad já havia divulgado a lista de influentes em julho deste ano, mas o prêmio ocorreu em 3 de outubro. Foram escolhidos 224 nomes, sendo 100 do continente africano e os demais de países que receberam imigrantes africanos. A definiçăo foi baseada na atuaçăo dessas personalidades em quatro categorias: Política e Governança; Negócios e Empreendedorismo; Mídia e Cultura; Humanitarismo e Religiăo.
Outros nomes importantes também foram homenageados como a duquesa Meghan Markle; o ator Chadwick Boseman, que protagonizou o filme Pantera negra; Donald Glover, autor da música This is America, e Nbaba Mandela, neto de Nelson Mandela.
O objetivo da iniciativa, segundo a Organizaçăo das Naçőes Unidas (ONU), é criar uma rede mundial de líderes e influenciadores para alcançar as metas da International Decade for People of African Descente 2015-2024, década dedicada ao combate ao racismo, valorizaçăo dos afrodescendentes e defesa de seus direitos.
Em 2017, Adriana Barbosa e o casal de atores Thais Araújo e Lázaro Ramos estiveram na lista dos mais influentes no mundo. Neste ano, além de Rene Silva, outros 10 brasileiros também foram homenageados na premiaçăo pelo ativismo contra o racismo, sendo cinco mulheres. Săo eles: Kenia Maria, Érico Brás, Danilo Rosa de Lima, Djamila Ribeiro, Nina Silva, Lisiane Lemos, Paulo Rogério Nunes, Stephanie Ribeiro, Emicida e Marcos Vinícius Moreira Marinho.
Confira outros brasileiros premiados no Mipad 2018:
Ver galeria . 9 FotosEmicida é cantor, compositor, desenhista e produtor musical. Suas músicas săo politizadas e caracterizadas pela crítica social. Foto: José de Holanda/Divulgaçăo
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O tradicional reduto político terá 15 dias para desocupar o espaço (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Três dias antes do pleito, nenhum resultado de pesquisa eleitoral abalou tanto o circuito gastronômico da cidade que a ordem de despejo judicial expedida ao restaurante Piantella – tradicional reduto político –, que terá 15 dias para desocupar voluntariamente o espaço do bar, “sob pena de desocupaçăo forçada”. A ordem foi expedida nesta semana pela juíza Geilza Fátima Cavalcanti Diniz, da 3ª Vara Cível de Brasília, e dela tomou conhecimento, ainda na terça-feira (2/10), o novo proprietário da casa Roberto Peres, que recebeu recentemente o negócio das măos do irmăo, Omar Catito Peres.
“Eu estava no Rio discutindo com Catito (apelido com o qual é conhecido o empresário dono de diversos estabelecimentos cariocas e do Jornal do Brasil) os novos rumos do Piantella quando recebi a notícia”, disse Roberto Peres. Segundo ele, a situaçăo do bar é o mesmo que “morte anunciada”.
“Mudou o país, mudou o comportamento dos políticos que já năo íam mais ao bar e ele se tornou inadimplente”, justificou o restaurateur, que tentou reduzir o valor do aluguel junto ao proprietário do imóvel.
“Desde o ano passado estamos negociando os aluguéis que estavam muito altos com os donos dos três imóveis ocupados pelo Piantella, mas somente um proprietário năo concordou e exigiu a devoluçăo do imóvel que vamos fazer o mais breve”, relata Peres, responsável pelas dívidas que, segundo a sentença, somam quase 184 mil reais.
Mudança até no menu
O novo dono do Piantella reconhece que a desocupaçăo do bar — cujo piano de cauda executado por Mario Pinheiro e removido há três meses foi responsável por memoráveis e alegres noitadas – năo se dará em apenas 15 dias e irá demandar mais tempo, em funçăo da cozinha instalada no andar superior.
Muda para o primeiro andar ao lado, onde existe um espaço com a mesa cativa de Ulysses Guimarăes, contumaz frequentador da casa. “A cozinha vai ocupar apenas um terço do salăo e o restante será mantido”, informa Peres, que está mexendo também no cardápio. Os pratos tradicionais que agradam clientes há 40 anos, como o filé à moscovita e as preparaçőes com peito e coxa de pato, serăo mantidos, mas “uma demanda do mercado exige novidades”.
Duas novas pegadas estăo previstas: uma italiana com pratos assinados pelo renomado chef Luciano Boseggia e outra francesa com menu elaborado pelo chef Cassio Machado, dono do Rex Food & Drink de Săo Paulo.Quanto ao bar, vai funcionar no salăo principal, à entrada do restaurante, enquanto a varanda ao fundo vai se abrir para a degustaçăo de espumante ao ar livre.
Pichard cobriu parte das manifestaçőes realizadas no dia seguinte à morte de Marielle (foto: Reproduçăo/Guy Pichard)
As imagens feitas por um fotojornalista de manifestaçőes e atos em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e ao motorista Anderson Gomes, mortos no dia 14 de março quando voltavam de um evento no centro do Rio de Janeiro, estăo em exposiçăo na estaçăo Pontchaillou do metrô de Rennes, na França.
O fotógrafo Guy Pichard e seu trabalho foram citados pelo “Bom Dia Brésil”, um site em francês sobre diversos assuntos relacionados ao Brasil. As fotos fazem parte da exposiçăo “ReportImages”, organizada pelo Clube de Imprensa de Bretanha, no oeste da França, que conta com 104 imagens de 13 trabalhos de fotojornalistas. As obras ficarăo expostas até o dia 28 de outubro em quatro estaçőes de Rennes: Poterie, Fréville, République e Pontchaillou.
De acordo com informaçőes do “Bom Dia Brésil”, Pichard cobriu parte das manifestaçőes realizadas no dia seguinte à morte de Marielle quando estava no Rio de Janeiro e registrou o sentimento de inconformismo de muitos brasileiros com o crime.
Ainda segundo o site, além da comoçăo desencadeada pela morte de Marielle – um crime que até hoje permanece sem respostas – as fotos contam a história de crianças que vivem em um aterro sanitário na Índia, de um resgate de imigrantes no Mar Mediterrâneo, entre outros.
Ver galeria . 8 FotosA vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, do PSOL, foi morta a tiros na noite de quarta-feira (14/3), dentro do carro em que seguia para casa
(foto: Mauro Pimentel/AFP )
No distrito de Paracatu de Baixo, marcas de lama começam a se apagar, mas moradores ainda năo têm certeza de compensaçăo (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)
Mariana – De um lado, os atingidos pela maior tragédia socioambiental do país comemoraram, ontem, o fechamento de um acordo firmado entre o Ministério Público, a Samarco e suas controladoras (BHP Billiton e Vale) na Justiça. Conquistaram direitos contra situaçőes que os afligiam, como a interrupçăo do prazo legal de prescriçăo das indenizaçőes, a garantia de uma reparaçăo sem teto monetário e a individualizaçăo de seus processos. Porém, qualquer pagamento năo ocorrerá antes de, no mínimo, um ano e meio, segundo os termos da própria negociaçăo. Ou seja: as primeiras vítimas da maior tragédia socioambiental da história do país năo colocarăo a măo no dinheiro para tentar reconstruir suas vidas e rotinas antes de quatro anos e meio da tragédia – na estimativa mais otimista.
O resultado recebeu críticas dos advogados do escritório anglo-americano SPG Law, que preparam açăo na Justiça britânica em busca de indenizaçőes compatíveis para as vítimas do desastre. Eles veem no acordo celebrado com as mineradoras um instrumento de protelaçăo, que adia a reparaçăo digna para as quase 500 mil pessoas atingidas pelo rompimento da Barragem do Fundăo, tragédia que há quase três anos devastou, a partir de Mariana, toda a Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Como o Estado de Minas mostrou com exclusividade, o escritório estrangeiro vai ingressar em nome dos atingidos com açăo nas cortes da Inglaterra e do País de Gales para requerer uma indenizaçăo à BHP Billiton, controladora da Samarco, que pode chegar a 5 bilhőes de libras (cerca de R$ 28 bilhőes).
As quase 12 horas de embates entre advogados das gigantes da mineraçăo Vale, BHP Billiton (anglo-australiana) e Samarco (controlada pelas demais) levaram os atingidos que compareceram à audiência na Segunda Vara Cível, Penal e de Execuçőes do Fórum de Mariana a se verem no meio de uma guerra jurídica. “Eu vi advogado pedindo tempo para ligar para a Austrália, o outro ligando para Londres para ver se aceitavam termos como ‘obrigaçăo’ ou entăo ‘compromisso’. Perguntei para o doutor (o procurador de Justiça) se năo era a mesma coisa e ele disse que năo”, relatou o comerciante Mauro Marques da Silva, de 49 anos, que vivia no distrito arrasado de Bento Rodrigues e hoje dorme numa casa temporária, alugada pela Fundaçăo Renova – criada pelas mineradoras para lidar com os efeitos da tragédia.
Para o promotor de Justiça de Mariana, Guilherme de Sá Meneghin, o acordo foi uma vitória em vários aspectos. “As pessoas atingidas se encontram numa situaçăo extremamente vulnerável. Tudo o que tinham foi destruído pela lama. Para elas demonstrarem, entăo, aquilo que detinham, seria muito penoso e difícil de provar. Portanto, conseguimos inverter o ônus da prova. Agora, a (Fundaçăo) Renova é que deve provar que uma pessoa năo tinha ou năo vivia daquilo que declarou”, disse. A Renova foi criada em 2016, pelo Termo Transacional de Ajustamento de Condutas (TTAC) entre governos estaduais, federal, seus órgăos e as empresas que controlavam a Barragem do Fundăo, em Mariana, para executar a reparaçăo dos danos do desastre.
O promotor destacou outros pontos em favor dos atingidos. Um dos que mais afligiam essa comunidade era o prazo de prescriçăo legal das indenizaçőes, que poderia ser alcançado em 5 de novembro, quando o desastre completa três anos. Essa contagem acabou interrompida na Justiça, em Mariana, até que a assistência técnica da entidade Cáritas, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), termine os cadastros de atingidos. “Todas as pessoas que foram lesadas pelo desastre serăo indenizadas, individualmente. Se discordarem da Renova, a Defensoria Pública entrará com uma contestaçăo, fiscalizada pelo Ministério Público”, informou o promotor de Mariana.
“Năo estăo considerando todas as pessoas (que se sentem atingidas), nem todos os prejuízos, e sequer há uma estimativa de valores envolvida nesse acordo de reparaçăo (indenizaçăo final), três anos depois de uma tragédia dessas. Tudo o que ouvi é aquela mesma antiga retórica de novo, de que a Renova vai indenizá-los completamente”, observou o advogado inglês Tom Goodhead, um dos sócios do escritório. “Mais uma vez, se confia demais na negociaçăo com aqueles que provocaram tudo. E se você năo concordar com o acordo, invariavelmente terá de se dirigir ao tribunal para lutar por quantos anos mais? Pelo que posso ver, desde o início da tragédia, após três anos de negociaçăo, as pessoas se encontram praticamente na mesma posiçăo do início”, avalia.
Para Goodhead, o prazo para se chegar a um valor para a reparaçăo já teria se excedido além do tolerável. “Imagine quem teve uma morte entre as 19 vítimas, ou quem ficou mutilado ou quem lutou desesperadamente e tem ainda as cicatrizes de sua batalha para escapar da lama? Năo é razoável que até hoje essas vítimas năo tenham, sequer, uma oferta da Renova para indenizá-las. Em vez disso, o que vemos é a humilhaçăo de pessoas respondendo a cada dia um novo questionário de prejuízos, com centenas de páginas, e nada mais”, considera o advogado inglês.
Por meio de uma comparaçăo que demonstraria como a Justiça brasileira é morosa, outro sócio do escritório, o norte-americano Glenn Phillips, avalia como é a açăo contra as multinacionais no sistema brasileiro. “Suponha que você teve um prejuízo de US$ 1 mil, mas lhe oferecem US$ 100. Você briga e no acordo querem te dar US$ 200. Você precisará contratar um advogado, entrar na Justiça e lutar, por, quem sabe, 10 anos, para conseguir mais US$ 800. Pergunte-se, verdadeira e honestamente, se isso é realmente Justiça?”, questionou.
O promotor Guilherme Meneghin informou que, por enquanto, é impossível ter uma noçăo do valor das indenizaçőes, restando aguardar o fim dos cadastros feitos em Mariana pela assistência da Cáritas. Ainda de acordo com o representante do Ministério Público, as pessoas que ainda năo foram cadastradas no âmbito da Açăo Civil Pública, pela Cáritas, devem fazê-lo no prazo de 60 dias. “Todas as pessoas que entrarem na açăo serăo defendidas individualmente, năo ficando desamparadas”, garantiu.
Droga desconhecida foi apreendida pela Coordenaçăo de Repressăo às Drogas (CORD), no Conic (foto: PCDF/Divulgaçăo)
Um rapaz de 18 anos foi preso em flagrante, no começo da tarde da última terça-feira (2/10), com 250 microsselos de uma nova droga, ainda năo identificada pela polícia. Durante investigaçăo, os policiais da Coordenaçăo de Repressăo às Drogas (CORD) identificaram o jovem com atitudes suspeitas no Conic. Após a abordagem, encontraram os entorpecentes.
De acordo com o delegado da CORD, Luiz Henrique Sampaio, inicialmente, pensava-se que a droga fosse LSD. O rapaz pegou as substâncias com um fornecedor e iria revender por R$ 1,6 mil. “Os peritos estăo analisando e já sabemos que se trata de um novo entorpecente. Temos uma suspeita de qual é a droga, mas os efeitos ainda săo desconhecidos”, afirmou. O nome da droga só será divulgado após a conclusăo do laudo feito pelo Instituto de Criminalística (IC).
O delegado disse, ainda, que a droga está sendo comercializada como LSD e ainda năo foi inserida na relaçăo de entorpecentes proibidos pelo Ministério da Saúde. “Eles usam dessa artimanha achando que, quando pegos, năo serăo enquadrados por tráfico de drogas”, explicou Luiz Henrique Sampaio. A suspeita é de que a substância estela sendo trazida para o Brasil da Europa e há indícios de que ela seja comercializada na Holanda. Como săo fáceis de transportar, os selos săo trazidos de aviăo.
O traficante, K.U.Q., é réu primário e confessou o crime. “Ele disse que já tinha feito outras entregas e que iria receber menos de R$ 100 reais por essa venda. As negociaçőes aconteciam por Whatsapp e Facebook”, acrescentou Luiz Henrique Sampaio. Em audiência de custódia, a justiça determinou que ele deve permanecer preso preventivamente. As investigaçőes agora se concentram em capturar o suspeito, já identificado, de fornecer a droga para o rapaz.
Memória
Outra droga rara chamada de N-etilpentilona foi a responsável pela morte da universitária Ana Carolina Lessa, 19 anos, em 25 de junho deste ano. De acordo com os investigadores, a jovem ingeriu o entorpecente junto com uma bebida alcoólica, durante uma festa rave. Os efeitos foram intensos e horas depois de ela ter várias alucinaçőes, o coraçăo ficou sobrecarregado e Ana năo resistiu a duas paradas cardiorrespiratórias.
Além da jovem, o entorpecente foi o responsável por mais uma morte. Em dezembro de 2017, Carlos Henrique Santana Oliveira, 32, também passou mal ao fazer uso da substância em uma rave. Desta vez, o caso ocorreu no Rio Grande do Norte. Além de provocar efeitos como pupila dilatada, olhos arregalados, paranoias e alucinaçőes, a N-etilpentilona interfere nos batimentos do coraçăo e a sobrecarga pode ser fatal.
Até o dia 1º de outubro, 1.935 casos de sarampo foram confirmados no Brasil – sendo 1.525 no Amazonas e 330 em Roraima. O Amazonas contabiliza ainda 7.873 casos em investigaçăo e Roraima, 101. Casos isolados foram registrados em Săo Paulo (3), no Rio de Janeiro (18), Rio Grande do Sul (33), em Rondônia (3), Pernambuco (4), no Pará (14), Distrito Federal (1) e em Sergipe (4).
Ainda de acordo com a pasta, dez mortes por sarampo foram confirmadas, sendo quatro em Roraima (3 estrangeiros e 1 brasileiro), quatro no Amazonas (todos brasileiros, sendo 2 em Manaus e 2 no município de Autazes) e dois no Pará (indígena e venezuelano).
Campanha
Balanço divulgado hoje (3/10) pelo ministério aponta que 97,7% das crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos foram vacinadas contra o sarampo, enquanto 97,9% receberam a dose contra a poliomielite. Até o momento, 15 estados atingiram a meta de 95% de cobertura para as duas vacinas.
Alerta
O Brasil tem até fevereiro de 2019 para reverter os surtos de sarampo registrados em diversas áreas do país – sob pena de perder o certificado de eliminaçăo da doença, concedido pela Organizaçăo Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016. O alerta foi feito pela assessora regional de Imunizaçőes da entidade, Lúcia Helena de Oliveira, durante a 20ª Jornada Nacional de Imunizaçőes, no Rio de Janeiro.
O critério adotado pela entidade para conferir transmissăo sustentada é que o surto se mantenha por um período superior a 12 meses. As autoridades sanitárias brasileiras, portanto, correm contra o tempo, já que os primeiros casos da doença no Norte do país foram identificados no início do ano.
“Sabemos que os casos no Brasil săo de importaçăo, lamentavelmente, pelas condiçőes de saúde em que vive a Venezuela. Mas só estamos tendo casos de sarampo no Brasil porque năo tínhamos cobertura de vacinaçăo adequada. Se tivéssemos, esses casos viriam até aqui e năo produziriam nenhum tipo de surto”, destacou a assessora da Opas.
(foto: Governo Bolivariano da Venezuela/Direitos reservados)
Na Argentina, cresce o movimento para mudar o nome das ruas, dos edifícios e dos monumentos, batizados de Nestor Kirchner em homenagem ao ex-presidente, que morreu há oito anos. As reaçőes ocorrem em meio às denúncias do escândalo dos “Cadernos da Corrupçăo”, que resultou na prisăo de empresários, políticos e ex-funcionários do governo argentino.
A ex-presidente argentina e senadora Cristina Kirchner foi acusada de integrar uma associaçăo ilícita para cobrar propinas em troca de contratos de obras públicas. Ela é alvo de um processo na Justiça. Mas como tem imunidade parlamentar está resguardada, por enquanto.
O escândalo na Argentina é comparado, por analistas, à Operaçăo Lava Jato, do Brasil. O governo do Equador retirou um busto de Nestor Kirchner que estava num parque, no norte da capital, Quito. As autoridades municipais explicaram que a medida foi para “a preservaçăo do espaço público”.
O Congresso do Equador também pediu ao presidente equatoriano, Lenin Moreno, que remova outra estátua de Kirchner do prédio da Uniăo de Naçőes Sul-Americanas (Unasul), criada em 2008. Nestor Kirchner foi o primeiro secretário-geral do organismo regional, que agora está sendo questionado por vários países, entre eles o Brasil.
Polêmicas
Na Argentina, tramitam mais de 15 iniciativas para acabar com os vestígios da era kirchnerista da paisagem urbana. Nestor Kirchner governou quatro anos (2003-2007), antes de ajudar a eleger como sucessora Cristina Kirchner (2007-2015). A controvérsia começou em 2013, quando Cristina Krichner retirou a estátua de Cristóvăo Colombo da praça atrás da Casa Rosada – o palácio presidencial.
A decisăo gerou protestos da numerosa comunidade italiana, que há 90 anos tinha presenteado a escultura ao governo argentino. A estátua de Colombo foi transferida para a margem do Rio da Prata, próximo ao aeroporto de Buenos Aires, Jorge Newberry.
No lugar do monumento em homenagem ao descobridor das Américas, que, segundo a ex-presidente da República, representava o “imperialismo”, foi colocada uma escultura de Juana Azurduy (1780-1862) – uma guerreira indígena, nascida no que hoje é a Bolívia, que combateu os colonizadores espanhóis. Ela foi doada pelo presidente boliviano Evo Morales.
Soluçăo
Porém, a estátua da guerreira indígena de Azurduy ficou pouco tempo no quintal da Casa Rosada. Assim que assumiu o governo, em 2015, o presidente Mauricio Macri, que é descendente de italianos, resolveu a disputa deixando a praça sem estátuas.
Azurduy foi colocada em frente ao Centro Cultural Kirchner, inaugurado por Cristina, no que era a antiga sede dos Correios argentinos. Foram apresentadas várias iniciativas para mudar o nome do prédio, conhecido como CCK, para Centro Cultural do Bicentenário.
A reconstruçăo do Museu Nacional do Rio deverá custar de R$ 50 milhőes a R$ 100 milhőes, segundo o diretor da instituiçăo, o paleontólogo Alexander Kellner. Nesta terça-feira (2/10), um mês depois do incêndio que destruiu boa parte do Palácio Săo Cristóvăo e praticamente todo o acervo do museu, Kellner contou que já conseguiu entrar nos escombros e tem esperanças de conseguir recuperar intactas algumas peças preciosas que foram “protegidas” pelo colapso de partes do prédio.
“Estou muito esperançoso”, afirmou Kellner. “Năo sou particularmente otimista, mas acho que vai dar para recuperar muita coisa.” Segundo o diretor, algumas áreas do museu foram parcialmente poupadas do fogo por conta de desabamentos. Com isso, acredita, materiais năo inflamáveis, como ossos, por exemplo, podem ter resistido. O fóssil de Luzia, de 11 mil anos, o mais antigo das Américas, estava numa dessas áreas colapsadas. A chance de ossos maiores – como os da preguiça gigante – terem resistido é ainda maior.
O trabalho de escoramento do palácio começou no último dia 21 de setembro e tem por objetivo dar segurança para que agentes da Polícia Federal possam trabalhar na investigaçăo das causas do incêndio e as equipes técnicas comecem a revirar os escombros em busca do que restou do acervo. Técnicas de arqueologia e paleontologia serăo empregadas para recuperar os fragmentos.
“Conforme as áreas forem sendo isoladas, vamos entrando para fazer esse trabalho de recuperaçăo do acervo”, afirmou o diretor. “No momento, o mais importante é garantir a segurança.”
O contrato assinado entre a UFRJ (responsável pela administraçăo do museu) e a Concrejato no dia 21 de setembro para obras emergenciais tem prazo de 180 dias e inclui, além do escoramento do imóvel, a instalaçăo de um teto provisório para proteger os escombros.
“Vamos escorar as paredes, colocar um teto provisório e retirar o entulho”, explicou Kellner. “Mas para a recuperaçăo do prédio, precisamos de uma dotaçăo orçamentária, algo de pelo menos R$ 50 milhőes.” Para ele, em cerca de três anos, já será possível reabrir uma pequena parte do museu. “Talvez uma salinha”, disse.
Para o novo acervo, Kellner quer receber doaçőes internacionais. “Nos últimos trinta dias criamos uma comissăo internacional para interagir com museus do mundo e buscar novos acervos e doaçőes”, contou o reitor da UFRJ Roberto Leher.
Ver galeria . 17 FotosO Museu Nacional do Rio de Janeiro foi criado por Joăo VI, em 1818
(foto: O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi criado por Joăo VI, em 1818 )
Incêndio que destruiu o Museu Nacional completa um mês (foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Um mês após o incêndio, o diretor do Museu Nacional, Alexandre Kelnner, e o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, estăo pleiteando junto ao Congresso Nacional uma verba que seja colocada ainda no orçamento deste ano para iniciar as obras de reconstruçăo do prédio que fica em Săo Cristóvăo, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Segundo Wagner Martins, diretor administrativo do museu, mesmo que o dinheiro seja liberado, eles năo acreditam que será suficiente para fazer a reconstruçăo completa, por isso, algumas outras possibilidades estăo sendo colocadas em pauta. “Existe uma discussăo sobre uma possível ajuda internacional, como da Unesco, mas săo questőes ainda muito embrionárias. O objetivo agora é conseguir uma dotaçăo junto ao Congresso também para 2019 e que se tenha uma continuaçăo de verba para 2020”, afirma o diretor administrativo.
O Ministério da Educaçăo liberou quase R$ 9 milhőes para obras emergenciais, que começaram em 21 de setembro e devem durar 180 dias. Essas obras consistem em fazer uma cobertura e escorar paredes para garantir a segurança de todos que trabalham neste momento no museu, inclusive a Polícia Federal, que năo pode acessar todas as áreas do prédio, pois ainda há o risco de desabamento em alguns locais.
Para Martins, é importante planejar com atençăo o projeto de reconstruçăo e restauraçăo do museu. “O prédio é tombado e, por isso, mesmo antes do incêndio, já haviam limitaçőes para obras. Năo cabe mais usar os mesmos materiais. Com a reconstruçăo, há uma negociaçăo com o IPHAN para incorporar novos materiais e evitar problemas semelhantes no futuro”, comenta.
Três departamentos que estavam fora do Palácio foram totalmente preservados, mas a perda de acervos foi muito grande. A parte mais frágil é aquela que sofre com a exposiçăo ao sol e à chuva.