“Eu me senti muito mal, com muito medo, achando que eu ia morrer”. É assim que o professor Thiago dos Santos Conceiçăo descreve os momentos logo após ser agredido por alunos durante uma aula de português no Ciep Municipal Mestre Marçal, em Rio das Ostras, cidade da Regiăo dos Lagos do Rio.
Na última terça-feira (18/9), estudantes humilharam o professor enquanto ele começava a aplicar uma prova. Um vídeo gravado no local por um aluno mostrou as cenas e viralizou nas redes sociais. Na filmagem, um dos adolescentes aparece rasgando as avaliaçőes e ameaçando o docente de morte. Até mesmo uma pochete, que atingiu o quadro branco, foi lançada na direçăo do professor.
“Eles já vieram agitados de casa. Năo sei o que aconteceu, estou até agora tentando entender o comportamento. Eu já tinha sofrido agressőes antes, mas apenas de cunho verbal”, explica.
O educador conta que os alunos săo indisciplinados, têm dificuldades de obedecer a comandos e costumam ser agressivos com outros professores. “Os vídeos săo prova de que eu fui agredido, sofri diversos insultos e preconceito racial. Fiquei em pânico”, conta.
Thiago afirma, entretanto, que năo deixará de dar aulas de português por acreditar no poder da educaçăo. “A mensagem que eu falo para os outros professores é: resistam”
Pedido de desculpas
Depois do episódio e da repercussăo da gravaçăo, o estudante que arremessou o objeto contra o quadro gravou um vídeo de desculpas. Ele se diz arrependido e afirma que agrediu o professor no “embalo”.
O educador disse que ficou sabendo do vídeo com o pedido de desculpas por meio das redes. “Eu aceito, mas entendo desculpa como mudança de atitude. Eu quero que eles mudem”, ressalta.
Medidas
No mesmo dia das agressőes, o professor procurou a Secretaria de Educaçăo de Rio das Ostras porque năo se sentia mais em condiçőes de lecionar para os mesmos alunos. Segundo ele, a secretaria se dispôs a estudar a possibilidade de realocaçăo.
Em nota, a Secretaria de Educaçăo do município disse que tomou as providências cabíveis e que oferecerá orientaçăo jurídica e apoio psicológico ao professor. Além disso, uma reuniăo para definir a troca de escola será feita ainda hoje.
Também em nota, a secretaria afirma que foram tomadas medidas disciplinares com relaçăo aos alunos.
Inquérito
Thiago dos Santos também registrou uma denúncia na Polícia Civil. Segundo a polícia, um inquérito foi instaurado e os alunos que aparecem nas filmagens, bem como o que fez a gravaçăo, já foram identificados.
A Polícia Civil informou ainda que a vítima e as testemunhas serăo ouvidas nos próximos dias e que o material de gravaçăo já foi encaminhado para perícia.
As agressőes aconteceram em uma turma do 9ș ano (foto: Reproduçăo
)
Um professor foi agredido e humilhado por alunos dentro de uma sala de aula do Centro Integrado de Escola Pública (Ciep) Mestre Marçal, em Rio das Ostras, na Regiăo dos Lagos do Rio de Janeiro. O caso aconteceu na terça-feira, 18, durante a realizaçăo de uma prova. As agressőes foram filmadas por um dos alunos da turma, e o vídeo circula pelas redes sociais.
O vídeo tem cerca de três minutos. Nele, é possível ver um dos estudantes arremessando uma pochete em direçăo ao professor. Em determinado momento, um aluno rasga uma das provas. O professor de Língua Portuguesa Thiago dos Santos Conceiçăo, de 31 anos, também é empurrado e xingado.
As agressőes aconteceram em uma turma do 9º ano. À Inter TV, o secretário de Educaçăo de Rio das Ostras, Maurício Henriques Santana, afirmou que os pais dos alunos estăo sendo chamados. Disse ainda que o professor, que se diz muito abalado, será transferido para outra turma dentro do próprio Ciep. Ele também está recebendo apoio jurídico e psicológico.
À TV Globo, Thiago Conceiçăo, que leciona há dez anos, disse que as agressőes eram constantes.
“Eu desejo continuar com a minha profissăo, mas temo pela minha vida”, declarou. “Hoje eu me sinto frustrado. Triste por năo ter conseguido mudar aquela situaçăo. Por năo ter deixado aquele legado para os estudantes. É humilhante estar no seu trabalho e ter que renunciar a isso.”
Em nota, a Secretaria de Educaçăo de Rio das Ostras informou que “segundo a direçăo da escola, a turma é formada por alunos que vieram transferidos de outra unidade de ensino, e muitos deles săo indisciplinados”. “No entanto, ainda năo tinham sido registrados episódios como os ocorridos nesta semana.”
A pasta declarou ainda que todos os envolvidos foram suspensos e que outras medidas socioeducativas estăo sendo analisadas.
Metralhadora possui 1,68 metro de comprimento e pesa 38 quilos (foto: Divulgaçăo/ Polícia Civil
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Policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) do Rio apreenderam nesta quarta-feira (19/9), uma metralhadora Browning .50. A arma, que mede quase 1,7 metro e pesa nada menos que 38 quilos, é capaz de furar blindagem de carro forte e de aeronaves. A metralhadora tem capacidade de disparar de 400 a 600 tiros por minuto. Trata-se do maior armamento já apreendido no Estado do Rio de Janeiro.
A ponto 50, como é conhecida, é uma arma de guerra. Ela estava com dois homens que, segundo os policiais da força especializada, estavam negociando a sua venda, na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste da capital fluminense. Os dois foram presos, mas seus nomes năo haviam sido divulgados até a publicaçăo desta matéria. Năo há informaçőes sobre os compradores.
Publicaçőes ganham selos segundo a veracidade. ‘É uma questăo de saúde pública’, diz coordenadora (foto: Portal Ministério da Saúde/Reproduçăo
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Seis meses após iniciar um monitoramento específico de boatos e informaçőes falsas nas redes sociais, o Ministério da Saúde já identificou 185 focos de fake news na internet, ou seja, temas de saúde que têm sido alvos de diversas publicaçőes com dados incorretos ou evidências científicas inexistentes. Preocupado com o impacto dessas mentiras para a saúde pública, o órgăo anunciou nesta quarta-feira, 19, novas açőes no combate aos boatos.
A primeira é uma campanha cuja veiculaçăo começa nesta quinta-feira, 20, nas páginas do ministério no Facebook e no Twitter, com vídeos e peças gráficas mostrando os riscos de acreditar em informaçőes repassadas pela internet. A campanha tem como alvo os pais que estăo deixando de vacinar os filhos por causa de boatos repassados na rede sobre supostos riscos dos imunizantes.
Segundo Gabriela Rocha, coordenadora de redes sociais do ministério, as vacinas foram os principais alvos de fake news entre todas as publicaçőes monitoradas pela equipe da pasta. Cerca de 90% dos focos de mentiras identificados pelo órgăo tinham como alvo a vacinaçăo. Tem destaque nesse grupo boatos sobre os supostos riscos da vacina contra o HPV, que protege contra o vírus que causa o câncer de colo de útero.
“Combater as fake news é uma questăo de saúde pública. Sabemos que entre os fatores que influenciaram a queda na cobertura vacinal no País estăo essas informaçőes erradas disseminadas pela internet”, disse.
Reconhecido internacionalmente, o programa de imunizaçăo brasileiro viu doenças como sarampo e poliomielite voltarem a ameaçar o País neste ano após os índices de cobertura vacinal caírem em 2017. O quadro motivou uma campanha iniciada em agosto e finalizada na última sexta-feira.
Fazem parte ainda da lista das fake news mais difundidas: supostos alimentos “milagrosos” contra doenças, falsa cura para o diabete e formas bizarras de transmissăo de HIV, como o consumo de bananas contaminadas, o que é inverídico.
A equipe do ministério monitora 7 mil publicaçőes diariamente em busca de fake news. Além do acompanhamento iniciado em março, o ministério criou, há um mês, um canal de WhatsApp que recebe consultas de cidadăos que buscam saber se determinada notícia divulgada é verdadeira ou falsa.
A informaçăo é verificada e devolvida ao usuário com um dos dois seguintes selos: se for falsa, ganha o aviso: “Ministério da Saúde adverte: isto é fake news! Năo divulgue”. Se a informaçăo estiver correta, o selo traz a seguinte mensagem: “Ministério da Saúde adverte: esta notícia é verdadeira. Compartilhe!”
Em apenas um mês de existência, o WhatsApp do ministério, que funciona como um fact-checking, já recebeu 1.597 consultas, das quais 310 traziam publicaçőes identificadas como fake news. Além de textos com erros e links de notícias falsas, estăo entre as mensagens fraudulentas áudios enviados por alguém se passando por médico ou enfermeiro e divulgando informaçőes sem embasamento.
As consultas ao WhatsApp Saúde Sem Fake News podem ser feitas por meio do número (61) 9-9289-4640. Todos os boatos desmentidos podem ser acessados no site saude.gov.br/fakenews.
Segundo Gabriela, o próximo passo da força-tarefa contra as mentiras será criar uma lista de distribuiçăo no WhatsApp para difundir de forma massiva as checagens feitas para todos que se inscreverem no canal e năo apenas para quem enviou a consulta. A lista será criada após as eleiçőes, pois a lei eleitoral impede que órgăos públicos divulguem informaçăo espontaneamente no período de campanha.
Alerta mundial
Os danos das notícias falsas para a saúde pública năo preocupam apenas as autoridades brasileiras. Nos EUA, o Centro de Controle de Doenças investe em publicaçőes nas redes sociais e numa rede de alertas de saúde voltados para médicos. A cada novo evento em saúde relevante, como um surto, os profissionais de saúde recebem um comunicado curto por e-mail alertando sobre o fato e, quando possível, com orientaçőes do que fazer. “O importante é agir constantemente, trabalhando com parceiros: desde os médicos até líderes comunitários ou religiosos que tenham credibilidade nos seus determinados grupos e possam disseminar a informaçăo correta”, disse Amy Rowland, líder de mídia e relaçőes públicas do Centro de Saúde Global do CDC.
Para Luiza Silva, professora da Faculdade de Comunicaçăo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), as autoridades sanitárias no mundo estăo começando a ficar mais alertas para os riscos das fake news para a saúde pública e a enxergar que năo basta combatê-las apenas com notas nos sites oficiais ou comunicados técnicos. “É um passo excelente que os órgăos despertem para esse caráter de epidemia que as fake news têm. Assim como as doenças, essas informaçőes erradas viralizam, contagiam e precisam ser combatidas com rapidez.” As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.
Policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) apreenderam nesta quarta-feira, na Barra da Tijuca, uma metralhadora Browning ponto 50. A arma mede 1,70 metro e pesa 40 quilos e é capaz de furar blindagem de carro forte e aeronaves.
Arma é capaz de derrrubar aeronaves Foto: Divulgação/Polícia Civil
Segundo a Polícia Civil, essa é a maior arma já apreendida no Estado do Rio e estava sendo negociada por traficantes. Duas pessoas foram presas no local.
Arma e munição apreendida Foto: Divulgação/Polícia Civil
Calibre é o mesmo usado para matar traficante brasileiro no Paraguai
O armamento é do mesmo usado na embocascada cinematográfica que resultou na morte do traficante brasileiro Jorge Rafaat Toumani, conhecido como Rei da Fronteira, em julho de 2016. O bandido foi morto em Pedro Juan Caballero, cidade do Paraguai que faz fonteira com o Brasill.
O armamento bélico, que tem capacidade para abater aeronaves, foi adaptado para ser usado de dentro de uma Toyota Hilux, numa emboscada para executar o narcotraficante.
Rafaat estava em uma Hammer que, apeser blindagem não resistiu ao grosso calibre do armamento e foi perfurado.
Segundo o Supremo, năo será necessário vestibular para o ingresso da classe nas instituiçőes (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (19/9) que servidores públicos civis e militares que forem transferidos de cidade, por determinaçăo da administraçăo pública, podem ingressar sem vestibular na universidade pública caso a regiăo de destino năo tenha instituiçăo de ensino particular equivalente a do município de origem.
O entendimento também vale para os dependentes dos servidores. o relator do caso, ministro Edson Fachin, avaliou que o Estado deve garantir o direito a educaçăo dos envolvidos, por conta da transferência ter ocorrido por interesse da administraçăo pública.
O ministro Marco Aurélio Mello foi o único contra o voto do relator. Ele entendeu que “o ingresso sem vestibular do servidor retira a vaga de quem estudou para ingressar na instituiçăo”. Haviam 74 processos no Supremo aguardando o desfecho deste julgamento.
A polêmica teve inicio após um militar do Rio de Janeiro, que estudava direito em uma universidade particular e foi transferido para o Rio Grande do Sul, ingressar com açăo na Justiça para ter sua vaga garantida na Fundaçăo Universidade Federal de Rio Grande (FURG).
Năo havia curso de direito em instituiçăo particular na regiăo onde o servidor passou a morar. O Tribunal Regional Federal da 4ª Regiăo (TRF-4) concedeu decisăo favorável ao servidor e a universidade contestou.
O entendimento dos ministros do STF difere do processo de transferência facultativa, onde qualquer estudante de faculdade particular pode realizar processo seletivo para continuar a graduaçăo no ensino superior público. De acordo com a decisăo do Tribunal, que tem repercussăo geral reconhecida, năo será necessário a participaçăo em processo seletivo.
Uma mulher foi esfaqueada pelo ex-marido na Rua Salvador Sabaté, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, quando voltava da igreja, na tarde desta quarta-feira. Kamila da Silva de Oliveira, de 30 anos, está internada em estado grave no Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro. Ela se separou recentemente do companheiro, que era usuário de drogas.
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Alessandro Silva foi preso com a faca usada no crime horas depois do ataque todo ensanguentado e desorientado, segundo policiais do 14º BPM (Bangu). Kamila morava há três dias no bairro após se separar do ex, que tinha problema com drogas. Ele chegou a se internar em uma clínica de reabilitação, mas não largou o vício e a companheira decidiu terminar o relacionamento. A vítima tem duas filhas com o acusado.
Kamila deu entrada inicialmente na UPA Jardim Novo e depois foi transferida para o Hospital Albert Schweitzer. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, seu estado é grave.
Um homem matou o pai e a irmã, que tinha sido reconhecida pelo genitor recentemente, por não aceitar ter que dividir a herança com ela. O caso ocorreu na noite da terça-feira (18/9) em São Bento do Sul, a 252 quilômetros de Florianópolis. As informações são da página do jornal Extra na internet.
Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, o autor do duplo homicídio, Osmar Unisesky Júnior, de 34 anos, também não teria aceitado o divórcio litigioso de seus pais.
A jovem Francielle Jelisnky, de 19 anos, viu o pai, Osmar Unisesky, de 61 anos, ser baleado e conseguiu entrar na empresa de transportes dele para pedir socorro ao telefone de emergência 190, mas quando o operador atendeu, ela foi atingida por disparos. Ambos não resistiram aos ferimentos.
No momento em que os policiais militares chegaram ao local, o homem de 34 anos estava no interior de sua residência, localizada ao lado da empresa do pai, onde estava seu filho de 3 anos. A PM tentou convencê-lo a sair, mas não obteve resultado.
Diante da situação, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bobe) foi acionado, entrou na casa, onde a criança estava sozinha no andar superior. Foram apreendidos um revolver calibre 38, uma pistola, e uma espingarda calibre 12, além de munição. A PM continua a realizar buscas pelo autor do crime.
A advogada Valéria Lúcia dos Santos, que foi algemada e presa durante audiência no Fórum de Duque de Caxias – (foto: Fernando Frazăo/Agência Brasil
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Três vídeos que circularam pelas redes sociais fizeram o caso de Valéria Lúcia dos Santos se tornar conhecido em todo o país. No primeiro deles, a advogada está sentada na sala de audiência ao lado de sua cliente e diz à juíza leiga Ethel de Vasconcelos que só vai se retirar quando chegar o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no 3º Juizado Especial Cível, em Duque de Caxias, onde ocorria a audiência.
Neste mesmo vídeo, a juíza rebate que a audiência já havia terminado e que ela deveria esperar do lado de fora. Valéria mantém sua posiçăo e a juíza afirma que vai chamar a polícia.
Em outro vídeo, Valéria está de pé e questiona a decisăo de expulsá-la da sala. Ela reivindica que tem o direito a “ler a contestaçăo e impugnar os pontos da contestaçăo do réu”. “Isso está na lei. Năo estou falando nada absurdo”, fundamenta ela.
Nesse vídeo, já aparece o primeiro policial militar, que afirma que “se ela tiver que sair, ela vai sair”. Valéria questiona que a juíza está atropelando a lei e rebate reclamaçőes de colegas que aguardam suas audiências.
“Depois vocês querem reclamar de político que rouba, que faz tudo errado. Se vocês, que săo advogados, năo estăo respeitando a lei”.
Em um terceiro vídeo, Valéria está sentada no chăo, algemada por policiais militares. A advogada repete que está trabalhando e que tem direito a isso, como mulher e negra. “Eu quero exercer meu direito de trabalho. É o meu direito”.
(foto: Fernando Frazăo/Agência Brasil
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As imagens causaram indignaçăo entre advogados e levaram a seccional fluminense da OAB a pedir puniçăo máxima para os policiais e a juíza leiga. Também a pedido da OAB, a audiência foi tornada sem efeito, e será realizada novamente amanhă (18), dessa vez sob a conduçăo do juiz titular Luiz Alfredo Carvalho Júnior.
Relato do incidente
Valéria explicou porque questionou a decisăo da juíza leiga. “Era um dia normal de audiência, a causa era sobre uma cobrança indevida. Como năo houve acordo, eu teria que ver a contestaçăo da ré, algo simples. A juíza negou esse pedido, entăo saí em busca de um delegado de prerrogativas da OAB”, conta ela.
No retorno, Valéria disse que se deparou com a audiência encerrada. “Por isso, minha resistência para năo sair da sala, para que o delegado visse as violaçőes que estavam ocorrendo. É meu direito como advogada impugnar documentos. A juíza chamou a força policial, e me mantive na resistência, nas prerrogativas profissionais”.
Museu Nacional tinha centenas das mais diversas coleçőes de fósseis humanos (foto: Mauro Pimentel/AFP)
Segundo a Diretora da Organizaçăo das Naçőes Unidas para a Educaçăo, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, o Museu Nacional, que teve a maior parte da estrutura destruída por um incêndio neste mês, tem um backup atualizado em fevereiro de todo o acervo, o que permitirá que, mesmo que năo seja possível de ser recuperado, possa ser reproduzido com a ajuda de novas tecnologias – como impressoras 3D.
A informaçăo foi dada durante apresentaçăo da missăo oficial da Unesco, que veio ao Brasil em missăo de emergência para auxiliar na recuperaçăo do Museu Nacional. O grupo ainda visitará outros seis museus no Rio de Janeiro nesta semana para avaliar a situaçăo de risco em que se encontram seus acervos. O objetivo é elaborar recomendaçőes ao governo federal e às instituiçőes responsáveis por eles para que sejam evitadas tragédias e degradaçăo ou perda de objetos e documentos.
A missăo visitará o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional. As outras quatro instituiçőes ainda serăo selecionadas. “Outra parte da nossa missăo inclui a investigaçăo rápida de outros museus no Rio para averiguar riscos e para, eventualmente, lançar um projeto que seja mais inclusivo e para prevenir situaçőes como esta”, afirmou a chefe da Missăo de Emergência da Unesco para o Museu Nacional, Cristina Menegazzi.
“A ideia é aplicar a metodologia de análise de riscos que a gente já vem aplicando no setor do patrimônio cultural e nos permite avaliar de forma abrangente os riscos que afligem o patrimônio cultural”, completou o consultor do Centro Internacional de Estudos para a Conservaçăo e Restauro de Bens Culturais (ICCROM), José Luiz Pedersoli Junior.
Ele e Menegazzi chefiam a missăo de emergência no Brasil, que é composta ainda por dois especialistas alemăes em recuperaçăo de objetos em situaçőes como a do Museu Nacional. A missăo visitou o Museu Nacional na semana passada fez recomendaçőes para açőes prioritárias, como a cobertura do prédio para evitar que o sol e a chuva prejudiquem o que está sob os escombros.
Recuperaçăo lenta
Menegazzi afirmou que a recuperaçăo do museu deverá levar anos, principalmente pela complexidade do incêndio. A dificuldade é conseguir separar o que é escombro do que tem valor histórico e científico. “Será um trabalho praticamente de arqueologia”, definiu Pedersoli. As informaçőes săo do jornal O Estado de S. Paulo.
Ver galeria . 17 FotosO Museu Nacional do Rio de Janeiro foi criado por Joăo VI, em 1818
(foto: O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi criado por Joăo VI, em 1818 )