O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta sexta-feira (14), durante uma nova fase da Operação Sem Refino, investigação que apura suspeitas relacionadas ao grupo Refit, do setor de combustíveis. Agentes realizaram buscas em endereços ligados ao político e a outros investigados.
Esta é a segunda vez que Castro aparece entre os alvos da operação. Na primeira fase, realizada em maio, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do ex-governador e apreendeu equipamentos eletrônicos. Agora, a investigação avança sobre possíveis conexões entre agentes públicos, empresários e pessoas ligadas ao grupo econômico.
A Operação Sem Refino investiga suspeitas de um esquema envolvendo crimes fiscais e financeiros. Entre as linhas de apuração estão possíveis práticas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, ocultação patrimonial e crimes contra a ordem econômica. A PF também apura possíveis irregularidades relacionadas à concessão de licenças ambientais para empreendimentos ligados ao setor de combustíveis.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, um dos imóveis alvo das buscas fica em Petrópolis. O endereço está registrado em nome de outra pessoa investigada, mas, de acordo com a apuração, seria utilizado por Castro. A situação é analisada pelos investigadores dentro da hipótese de eventual ocultação patrimonial. A defesa do ex-governador afirma que ele apenas alugava o imóvel e declarou desconhecer os detalhes da nova operação. (
A investigação também alcança outros nomes ligados à administração pública e ao setor empresarial. Entre os alvos estão ex-secretários estaduais e pessoas apontadas como próximas ao ex-governador. A Polícia Federal busca esclarecer se houve articulação entre agentes públicos e empresários para favorecer interesses privados ou facilitar decisões administrativas.
A primeira fase da operação, em maio, teve autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e determinadas outras medidas judiciais. A investigação também atingiu o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, que teve prisão preventiva decretada e passou a ser procurado pelas autoridades.
A defesa de Cláudio Castro nega irregularidades e sustenta que os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais. Os advogados também afirmam que o governo estadual atuou para cobrar dívidas da Refit, incluindo valores que chegaram perto de R$ 1 bilhão.
Apesar da nova ofensiva, é importante destacar que as suspeitas investigadas pela Polícia Federal ainda precisam ser esclarecidas no curso do procedimento. Ser alvo de busca ou investigação não significa condenação ou comprovação de crime.
A nova fase da Operação Sem Refino pretende reunir mais elementos para identificar responsabilidades e esclarecer o possível papel de cada investigado no esquema sob apuração.