O panorama da segurança pública no Rio de Janeiro sofreu uma drástica transformação após a decisão do Supremo Tribunal Federal em 2020 que limitou drasticamente as operações policiais nas favelas cariocas. O relatório bombástico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou consequências alarmantes: o Comando Vermelho, notória organização criminosa, não apenas manteve, mas expandiu seu poderio territorial de forma agressiva. Segundo o documento, que analisou meticulosamente os dados das polícias estaduais, essa escalada ocorreu post-ADPF nº 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.
Essa normativa, que visava a redução de operações durante a pandemia de COVID-19, parece ter aberto novos caminhos para que o Comando Vermelho consolidasse ainda mais sua influência, especialmente na zona oeste do Rio de Janeiro, uma região até então dominada por milícias. Com restrições às atividades policiais, o grupo encontrou um ambiente menos hostil para avançar e dominar.
Os detalhes do relatório são chocantes: desde a implementação da ADPF 635, os confrontos por território não apenas persistiram, como intensificaram. O Comando Vermelho, agora com menos resistência operacional, avançou sobre áreas historicamente controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), incluindo locais estratégicos como o Complexo de São Carlos e o Complexo do Fallet-Fogueteiro-Turano, corações pulsantes do centro do Rio.
Este relatório do CNJ, fruto de um grupo de trabalho que imergiu no cotidiano das forças de segurança e do sistema judiciário do Estado, pinta um retrato sombrio da realidade atual das favelas cariocas. “A situação é alarmante. O Comando Vermelho está utilizando a restrição das operações policiais como uma oportunidade de ouro para expandir suas operações e maximizar seus domínios territoriais”, declara o documento.
As consequências dessas expansões são vastas e preocupantes. Com o CV fortalecido e mais territorially abrangente, os riscos para a segurança pública se multiplicam, elevando o perigo para os moradores dessas áreas, frequentemente coagidos ou envolvidos contra sua vontade nos conflitos internos dessas organizações criminosas.
Este levantamento também traz à tona a necessidade urgente de revisão das políticas de segurança pública, especialmente em como as operações policiais são conduzidas e reguladas em áreas de alta tensão criminal. Com a divulgação destes dados ao Supremo Tribunal Federal, espera-se que novas diretrizes possam ser estabelecidas para equilibrar a necessidade de combater o crime com a proteção dos direitos humanos dos moradores das favelas.
A expansão do Comando Vermelho é um claro indicativo de que as estratégias atuais podem estar falhando. A necessidade de uma abordagem mais robusta e eficaz é evidente, e o relatório do CNJ serve como um sinal de alerta para as autoridades competentes. A população carioca aguarda, ansiosa e preocupada, por respostas que possam trazer paz e segurança de volta às suas comunidades.