A Coreia do Norte voltou a provocar preocupação internacional após surgirem informações de que o regime de Kim Jong-un teria incluído em sua Constituição uma cláusula que prevê uma resposta nuclear automática caso o líder norte-coreano seja assassinado ou fique incapacitado.
Segundo relatos divulgados por veículos internacionais e repercutidos por autoridades ligadas ao governo da Coreia do Sul, o novo texto estabelece que, se o sistema de comando nuclear do país sofrer ameaça direta de “forças hostis”, um ataque atômico poderá ser iniciado de forma “automática e imediata”.
A medida chamou atenção por lembrar o chamado sistema “mão morta”, criado pela antiga União Soviética durante a Guerra Fria. Esse mecanismo tinha como objetivo garantir uma retaliação nuclear mesmo que toda a liderança do país fosse eliminada em um ataque inimigo.
De acordo com reportagens internacionais, a alteração constitucional teria sido aprovada em março pela Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, mas só ganhou repercussão global agora, em meio ao aumento das tensões militares no cenário internacional.
Especialistas apontam que a decisão pode representar uma tentativa do regime norte-coreano de reforçar sua política de dissuasão nuclear e demonstrar que qualquer tentativa de eliminar Kim Jong-un poderia desencadear consequências catastróficas.
Apesar da repercussão mundial, diversos pontos ainda permanecem cercados de dúvidas. A Coreia do Norte é considerada um dos países mais fechados do planeta, o que dificulta a verificação independente de informações relacionadas ao governo e às forças armadas.
Além disso, até o momento, Pyongyang não divulgou oficialmente o texto completo da suposta alteração constitucional. Grande parte das informações disponíveis vem de serviços de inteligência estrangeiros, especialmente da Coreia do Sul, além de análises de especialistas em segurança internacional.
Outro detalhe que gera cautela é que parte da repercussão veio de tabloides e veículos conhecidos pelo tom sensacionalista, embora a notícia também tenha sido publicada por meios de comunicação mais tradicionais.
Mesmo assim, analistas avaliam que o simples surgimento desse tipo de informação já aumenta a tensão global e reforça o temor sobre o avanço do programa nuclear norte-coreano, considerado uma das maiores ameaças geopolíticas da atualidade.