O cenário político do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo de tensão nesta segunda-feira (13), após o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cumprir uma agenda em Duque de Caxias ao lado da influente família Reis. O encontro provocou desconforto dentro do Partido Liberal no estado, principalmente por envolver um grupo político que mantém aliança com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao Governo do Estado nas eleições de 2026.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, a visita não teria sido comunicada previamente aos dirigentes estaduais do PL nem ao deputado Douglas Ruas, apontado como pré-candidato da legenda ao governo fluminense. A ausência de alinhamento interno gerou questionamentos entre lideranças do partido, que esperavam uma articulação mais coordenada em um momento considerado estratégico para a construção das alianças eleitorais.
Durante a agenda na Baixada Fluminense, Flávio Bolsonaro foi recebido pelo prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB), além de participar de encontros com o deputado estadual Rosenverg Reis. A família Reis exerce forte influência política na região e controla o MDB fluminense, sendo uma das principais bases de apoio de Eduardo Paes na corrida pelo Palácio Guanabara.
Outro fator que aumentou a repercussão foi o fato de Jane Reis integrar a chapa de Eduardo Paes como candidata a vice-governadora. Já Washington Reis continua sendo uma das maiores lideranças do grupo político e peça importante na articulação eleitoral do MDB no estado.
Nos bastidores do PL, a aproximação foi interpretada por alguns dirigentes como um movimento que pode gerar ruídos na estratégia política da legenda para 2026. Integrantes do partido defendem que os principais nomes da sigla mantenham agendas alinhadas às decisões estaduais, evitando sinais que possam ser interpretados como aproximação com grupos adversários.
Além da polêmica envolvendo a agenda em Duque de Caxias, outro tema vem aumentando a pressão interna sobre Flávio Bolsonaro: a definição do candidato do PL ao Senado pelo Rio de Janeiro. A disputa pela vaga ficou indefinida após a desistência do ex-governador Cláudio Castro.
Atualmente, os nomes mais cotados dentro do partido para disputar o Senado são o do senador Carlos Portinho e o do deputado federal Carlos Jordy. A demora na escolha do candidato tem gerado inquietação entre lideranças, que defendem uma definição rápida para fortalecer o planejamento eleitoral da legenda.
Com o calendário político se aproximando e as articulações se intensificando em todo o estado, episódios como esse demonstram que a corrida para as eleições de 2026 já movimenta intensamente os bastidores da política fluminense. Enquanto as alianças começam a ser desenhadas, partidos buscam consolidar estratégias e evitar divisões internas que possam comprometer seus projetos eleitorais nos próximos meses.



