Em uma revelação chocante, Ronnie Lessa, ex-policial militar, através de um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, apontou dedos a figuras proeminentes dentro da estrutura policial e política do Rio de Janeiro, envolvendo-as diretamente no planejamento e execução do assassinato da vereadora Marielle Franco. Segundo informações obtidas pela coluna de Juliana Dal Piva, Rivaldo Barbosa, que ocupava o cargo de chefe de Polícia Civil do Rio na época do crime, não só teria facilitado a execução do ato como garantido a impunidade dos envolvidos.
A operação deflagrada neste domingo, uma ação conjunta da Polícia Federal, Procuradoria Geral da República, e do Ministério Público do Rio de Janeiro, resultou na prisão de figuras notáveis como Domingos Brazão, membro do Tribunal de Contas do Estado; Chiquinho Brazão, deputado federal; e Rivaldo Barbosa, o ex-chefe de Polícia Civil agora acusado de coautoria no crime.
Interessantemente, Rivaldo Barbosa foi empossado na chefia da Polícia Civil apenas um dia antes do fatídico evento, nomeação feita pela cúpula da Intervenção Federal na segurança pública do estado, liderada pelo general Walter Braga Netto. Desde novembro de 2019, o nome de Barbosa esteve atrelado ao caso, quando um relatório confidencial da PF indicou sua possível recepção de R$ 400 mil em propina para sabotar as investigações.
Ainda há muito a desvendar sobre as motivações por trás do crime, mas as evidências apontam para interesses relacionados à expansão territorial de milícias no Rio de Janeiro. Lessa, detido desde 2019 por sua suposta participação direta no assassinato, forneceu detalhes cruciais sobre os mandantes do crime, descrevendo-os como um grupo político influente com amplos interesses nos setores estaduais.
Este acordo de colaboração premiada promete ser um marco nas investigações, potencialmente desvendando as camadas de corrupção e violência que tem assolado a política e a segurança pública do Rio de Janeiro.