Nos últimos anos, o jornalismo esportivo brasileiro viu nomes brilharem e se consolidarem como verdadeiras autoridades em suas áreas. Entre esses nomes, Everaldo Marques sempre esteve no topo quando o assunto era NFL e NBA. Dono de uma narração vibrante, conhecimento técnico afiado e carisma natural, Everaldo se tornou uma das vozes mais respeitadas da ESPN, ganhando reconhecimento não só no Brasil, mas também internacionalmente. Porém, o que deveria ser uma trajetória de prestígio contínuo acabou se transformando em um exemplo claro da falta de visão e planejamento estratégico da Rede Globo.
Neste Carnaval, espectadores e fãs de esportes foram surpreendidos ao ver Everaldo Marques escalado para cobrir os desfiles das escolas de samba. A cena provocou perplexidade e indignação nas redes sociais. Como é possível que um narrador de calibre internacional, referência máxima em esportes americanos no Brasil, seja deslocado para uma cobertura de Carnaval, um evento que sequer faz parte do seu histórico ou especialidade?
Esse movimento da Globo escancara uma crise de identidade dentro da emissora. Em busca de audiências instantâneas e tentando manter uma programação de apelo popular, a emissora tem jogado seus talentos em tarefas aleatórias, ignorando completamente suas especialidades e suas trajetórias de sucesso. Everaldo é empregado, sim, e seguir trabalhando é sempre importante. Mas qual o custo desse rebaixamento simbólico para a sua carreira e para o respeito do público?
Carnaval é uma festa cultural gigante e merece cobertura de qualidade. No entanto, há uma distância enorme entre cobrir o Super Bowl e cobrir a Marquês de Sapucaí. São linguagens, públicos e dinâmicas completamente diferentes. Jogar um narrador especializado em esportes americanos nesse caldeirão é expor um profissional respeitado a um desgaste desnecessário e a uma desconexão evidente com seu público original.
Esse tipo de decisão não é inédita, mas é um retrocesso. Há anos não se via narradores renomados sendo empurrados para eventos fora de seu escopo com tanta falta de critério. A Globo, outrora referência em formar talentos e explorar o melhor de cada um, hoje parece perdida em sua própria soberba e má gestão. Como bem apontado por internautas, são os “Jestores” – com Jota mesmo – que conduzem esse Titanic rumo ao iceberg da irrelevância.
A crítica vai além do carinho por Everaldo Marques. Ela expõe um padrão de decisões equivocadas que dilapidam carreiras e desgastam a relação da emissora com seu público. O resultado? Um produto com baixa audiência, desinteresse crescente e uma imagem de desrespeito ao próprio talento que ainda habita a casa.
A situação lembra os versos de Cazuza: “Tem sempre um aiatolá pra atola Alá. Tá cada vez mais down in the high society.” Everaldo, que já esteve no topo narrando finais épicas da NFL, agora está “down” nos bastidores de uma festa que não é a sua.
Que fique a reflexão: quando grandes talentos são tratados como peças de reposição, a conta chega – e ela sempre vem alta.