Nos últimos anos, Eduardo Bolsonaro foi um dos principais críticos de Jean Wyllys, ex-deputado federal que deixou o Brasil após receber ameaças reais de morte. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro rotulou Wyllys de “covarde” e “fujão”, alegando que ele teria abandonado o país sem motivo legítimo. No entanto, a história agora se volta contra Eduardo, que deixou o Brasil alegando perseguição do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ironia desse episódio é evidente. Jean Wyllys saiu do Brasil em 2019, após uma série de ameaças concretas contra sua vida, motivadas por sua atuação política e sua defesa de causas progressistas. Wyllys chegou a relatar que foi aconselhado por autoridades e por organizações de direitos humanos a deixar o país, dado o risco real que corria. Na época, Eduardo Bolsonaro fez questão de ridicularizá-lo, insinuando que ele apenas buscava fugir de suas responsabilidades.
Agora, a situação se inverte. Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil recentemente alegando ser alvo de perseguição por parte do STF, específica e falsamente do ministro Alexandre de Moraes. No entanto, não há nenhuma ordem judicial contra Eduardo Bolsonaro que justifique sua fuga. Diferente de Jean Wyllys, que comprovadamente recebia ameaças de morte, Eduardo simplesmente decidiu sair do país baseando-se em uma narrativa infundada de vitimização.
Essa diferença fundamental entre os dois casos evidencia a hipocrisia do deputado. O mesmo homem que zombou de Jean Wyllys e o acusou de covardia agora se encontra na mesma posição, mas sem qualquer justificativa plausível. Ao longo dos anos, Eduardo Bolsonaro se consolidou como um dos maiores defensores da tese de que políticos da esquerda exageram os riscos e se fazem de vítimas. Agora, ele assume exatamente esse papel, tentando criar um discurso de perseguição inexistente.
A reviravolta também revela algo maior sobre a postura da extrema-direita brasileira. Muitos dos que passaram anos acusando adversários políticos de vitimismo agora se colocam como perseguidos quando enfrentam as conseqüências de suas próprias ações. A estratégia de fugir do Brasil sem provas concretas de perseguição real apenas reforça que Eduardo Bolsonaro se encaixa perfeitamente no perfil de “fujão” que ele tanto criticava.
A situação também levanta questionamentos sobre o próximo passo do deputado. Se sua intenção é realmente se exilar, como Jean Wyllys fez, ou se ele apenas busca chamar atenção para se manter relevante entre seus apoiadores. De qualquer forma, sua atitude escancara sua contradição e evidencia que, ao final, a coerência nunca foi seu forte.