Empresário de Campo Grande morre após tratamento interrompido e caso gera indignação contra plano de saúde

Empresário de Campo Grande morre após tratamento interrompido e caso gera indignação contra plano de saúde

 A morte do comerciante e empresário Patrick Sotero, morador de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, vem causando comoção profunda entre familiares, amigos e moradores da região. Conhecido por ser um pai dedicado, marido amoroso, filho exemplar e uma pessoa querida por todos ao seu redor, Patrick teve sua história marcada por uma dura batalha contra o câncer e, segundo familiares, por uma sequência de negativas e cancelamentos feitos pelo plano de saúde contratado pouco antes de sua doença ser descoberta.

De acordo com o relato da família, em janeiro deste ano Patrick contratou um plano de saúde e passou por todos os procedimentos exigidos pela operadora, incluindo assinatura de contrato e videoconferência de avaliação. Na ocasião, não foi identificada qualquer irregularidade ou problema de saúde. Segundo familiares, ele levava uma vida saudável, fazia caminhadas regularmente, praticava atividades físicas e jamais apresentou sintomas ou qualquer desconforto físico que indicasse uma doença grave.

No dia 19 de fevereiro, porém, tudo mudou drasticamente. Patrick acordou apresentando uma hemorragia intestinal severa e foi imediatamente levado ao Hospital Rocha Faria. Posteriormente, acabou transferido para o Hospital Pedro II, onde passou por exames e uma colonoscopia detectou um tumor no intestino.

Já no dia seguinte, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência, onde médicos retiraram cerca de 15 centímetros do intestino comprometido. A recuperação inicial foi considerada positiva, com boa alimentação, repouso e evolução clínica satisfatória. No entanto, no dia 28 de março, chegou o resultado da biópsia: câncer em estágio 2.

Foi neste momento que começou, segundo a família, um verdadeiro pesadelo. Após a consulta com o oncologista, exames complementares começaram a ser solicitados para iniciar o tratamento adequado. Porém, de acordo com a denúncia, o plano de saúde teria passado a negar exames, procedimentos e autorizações médicas fundamentais para o tratamento, mesmo se tratando de uma doença grave.

Sem outra alternativa, a família buscou ajuda no Instituto Nacional de Câncer (INCA), referência nacional no tratamento oncológico. Patrick iniciou quimioterapia no dia 4 de maio, utilizando o protocolo CAPOX, combinação de tratamento venoso e oral.

Pouco tempo depois, começaram as complicações. No dia 17 de abril, Patrick apresentou forte fraqueza e intensos episódios de diarreia. No INCA, médicos diagnosticaram mucosite, uma inflamação severa na mucosa, consequência comum em tratamentos agressivos de quimioterapia. Ele recebeu medicação, hidratação e foi liberado.

Mas no dia seguinte o quadro piorou rapidamente. Devido à proximidade, familiares o levaram a uma UPA, onde ele apresentou suor intenso, extrema fraqueza e chegou a desmaiar dentro da unidade. Após exames, foi novamente liberado. Horas depois, retornou ao INCA com o quadro ainda mais grave.

Segundo os familiares, o estado clínico evoluiu rapidamente para extrema gravidade. Patrick sofreu seis paradas cardíacas consecutivas, um infarto agudo do miocárdio e precisou ser colocado em coma induzido, entubado e monitorado na tentativa de estabilização.

Infelizmente, no dia 19 de abril, Patrick Sotero não resistiu e faleceu.

A família afirma que a morte poderia ter tido outro desfecho caso o plano de saúde tivesse garantido continuidade ao tratamento no momento correto. Além de supostamente negar procedimentos, a operadora também teria cancelado não apenas o contrato de Patrick, mas também os planos da esposa e dos filhos menores.

Diversas reclamações foram registradas junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas segundo familiares, nenhuma providência efetiva foi tomada.

Agora, enquanto parentes e amigos convivem com a dor da perda, o caso segue sendo levado à Justiça. A família espera responsabilização e faz um alerta para que outras pessoas analisem cuidadosamente contratos de planos de saúde antes de confiar que estarão protegidas em momentos de emergência.

Hoje, a saudade toma conta de todos que conviveram com Patrick Sotero. E entre lágrimas, familiares seguem repetindo apenas uma palavra: Justiça.