EMPRESÁRIOS PREPARAM MANIFESTO E PEDEM AFASTAMENTO DE AUTORIDADES INVESTIGADAS NO CASO MASTER

 

Um grupo de empresários brasileiros prepara para esta quarta-feira, 9 de setembro, a divulgação de um manifesto cobrando medidas diante dos desdobramentos do caso Banco Master. A iniciativa, revelada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, pede o “afastamento cautelar” de autoridades que venham a ser formalmente investigadas no episódio.

Segundo a publicação, o documento também defende uma apuração “completa, célere e independente dos fatos e responsabilidades”, além da criação de um código de conduta vinculante para cortes superiores e para órgãos responsáveis por investigação e acusação. O manifesto não apresenta nomes específicos entre os alvos das reivindicações.

Nos bastidores, porém, o movimento é interpretado como uma reação de integrantes do setor empresarial à crise institucional provocada pelas recentes revelações relacionadas às investigações do Banco Master e às tensões envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal. A reportagem aponta que o empresário Fabio Barbosa, presidente do conselho de administração da Natura, está entre os responsáveis por articular apoios ao documento e procurar outros executivos interessados em subscrevê-lo.

O texto sustenta que as informações já tornadas públicas sobre o caso prejudicam a confiança da população nas instituições e defende que eventuais suspeitas envolvendo decisões judiciais, policiais ou de órgãos de controle sejam esclarecidas com independência. Entre as três principais propostas estão investigação ampla, afastamento preventivo de autoridades formalmente investigadas e adoção de regras de conduta mais rígidas.

A mobilização ocorre em meio a uma série de manifestações de entidades jurídicas e representantes da sociedade civil sobre o caso. Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil também passaram a defender medidas cautelares e investigações independentes. A OAB do Paraná, por exemplo, pediu o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em processos relacionados ao Banco Master.

É importante destacar, entretanto, que o manifesto dos empresários, conforme antecipado pela imprensa, não declara culpa de nenhuma autoridade. O pedido se refere especificamente a pessoas que sejam formalmente colocadas sob investigação, e o afastamento defendido teria caráter cautelar, ou seja, preventivo, enquanto os fatos fossem apurados.

A iniciativa empresarial também coincide com discussões mais amplas sobre mecanismos de transparência no Judiciário. Empresários e juristas têm organizado encontros para debater reformas institucionais e formas de reforçar a credibilidade das cortes. Nesse ambiente, o manifesto surge como mais um elemento de pressão para que as instituições apresentem respostas rápidas, preservando o devido processo legal, a presunção de inocência e a independência das investigações.

Até a noite desta terça-feira, 8 de setembro, a divulgação oficial do manifesto estava prevista para quarta-feira. Por isso, detalhes como a lista completa de signatários, o número de empresários participantes e eventuais alterações na redação final ainda dependem da publicação do documento.

A informação sobre a preparação do manifesto, portanto, procede e foi publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira. O episódio amplia a pressão pública por respostas institucionais no caso Master, que continua produzindo repercussões políticas, jurídicas e empresariais em Brasília e no restante do país.