A Polícia Civil do Rio de Janeiro intensificou uma investigação que pode revelar um dos maiores escândalos envolvendo recursos públicos destinados à educação infantil no município. A vereadora Gigi Castilho, filiada ao Partido Liberal (PL), e seu esposo, Luciano Castilho, passaram a ser alvos centrais de um inquérito que apura um suposto esquema de fraude, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas envolvendo creches conveniadas à Prefeitura do Rio.
De acordo com informações reveladas pelo telejornal RJTV 2ª edição, novos depoimentos colhidos durante a investigação trouxeram elementos considerados graves pelas autoridades. Entre as suspeitas levantadas estão a falsificação de contratos de aluguel e a criação de chamados “alunos fantasmas”, mecanismo que teria sido utilizado para inflar artificialmente o número de estudantes matriculados e, assim, garantir o recebimento contínuo de repasses milionários vindos dos cofres públicos municipais.
As denúncias não são recentes. Em junho do ano passado, uma reportagem exibida pela TV Globo já havia mostrado indícios de irregularidades envolvendo unidades educacionais ligadas à parlamentar e seu marido. Segundo a apuração, cerca de R$ 1,7 milhão em recursos públicos foram utilizados para contratar empresas que, supostamente, pertenciam a familiares ou pessoas próximas ao casal.
Entre os estabelecimentos que receberam pagamentos estavam padarias, hortifrutis e até confecções de roupas. O que chamou ainda mais atenção dos investigadores foi a constatação de que muitas dessas empresas sequer existiam fisicamente nos endereços registrados oficialmente junto à Receita Federal, levantando fortes indícios de empresas de fachada utilizadas para movimentação irregular de dinheiro.
As investigações avançaram e, em novembro do ano passado, a Polícia Civil realizou uma operação de busca e apreensão em diversos endereços ligados à vereadora. A ação teve como objetivo recolher documentos, contratos, computadores e outros materiais que possam ajudar a esclarecer o suposto esquema criminoso.
A repercussão do caso levou a Prefeitura do Rio a agir rapidamente. No mês seguinte à operação, a administração municipal anunciou a suspensão imediata dos convênios mantidos com as creches comunitárias ligadas ao grupo investigado, interrompendo temporariamente os repasses financeiros destinados às unidades.
Um dos pontos que mais chamam atenção no inquérito é o volume total de dinheiro público movimentado pelas instituições investigadas. Desde o ano de 2019, as creches vinculadas ao esquema receberam aproximadamente R$ 72 milhões em recursos provenientes dos cofres públicos municipais.
Agora, a Polícia Civil segue aprofundando a investigação para identificar a extensão do suposto esquema e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o caso pode resultar em denúncias criminais graves, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro, fraude documental e organização criminosa.
O caso vem causando forte repercussão nos bastidores políticos do Rio de Janeiro e pode gerar novos desdobramentos nos próximos meses, à medida que novas provas forem sendo analisadas pelas autoridades.
A investigação continua em andamento.




