Ex-mulher lembra frase de PM do Bope morto em Jacarepaguá

A morte de PM do Bope Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, levou familiares, amigos e colegas de farda ao cemitério Jardim da Saudade nesta segunda-feira. Além disso, o subtenente morreu no domingo, durante uma ocorrência em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio.

Na despedida, Aline Viana, ex-mulher do policial, recordou uma frase que ele costumava dizer: “Se um dia eu morrer, eu quero estar fardado”. Além disso, Gláucio era irmão de Heber Carvalho Fonseca, também integrante do Bope, morto há menos de um ano.

Antes do sepultamento, marcado para as 16h, um helicóptero da tropa sobrevoou o cemitério e lançou rosas brancas e vermelhas. Em seguida, policiais formaram um corredor para a passagem do caixão. “Ele sacrificou a própria vida pelos irmãos”, afirmou um colega de farda.

Morte de PM do Bope leva família a cobrar respostas

A família quer entender como policiais do 18º BPM teriam confundido uma abordagem do Bope com uma ação criminosa. A Polícia Militar investiga a hipótese de fogo amigo, enquanto a apuração também busca esclarecer como as equipes receberam a informação sobre a presença da tropa.

Aline disse que, inicialmente, a família ouviu que ninguém havia feito a comunicação. Depois, recebeu informações de que alguém teria enviado o aviso. “A gente quer entender: quem foi comunicado? Essa pessoa passou a comunicação para todo o batalhão?”, questionou.

A ex-mulher também quer saber se os agentes perceberam que estavam diante de policiais de outra unidade e em quais circunstâncias os disparos ocorreram. “Será que ninguém viu uma farda diferenciada ou não chegou mais próximo a ponto de saber o que era, já que não estava havendo troca de tiro?”, perguntou.

Última mensagem ficou sem resposta

Mesmo após o divórcio, Aline e Gláucio mantinham contato próximo. Eles costumavam conversar antes e depois das operações. Na semana da morte, ele contou que participaria de uma missão, mas não poderia revelar detalhes; os dois combinaram de se falar no dia seguinte.

Às 7h de domingo, Aline enviou uma mensagem para perguntar como ele estava e como havia sido a operação. Dessa vez, não recebeu resposta. “Eu mandei mensagem para ele: ‘Gláucio, como você está? E aí, como foi?’. E eu já não obtive mais resposta nenhuma”, relatou.

Gláucio estava na Polícia Militar havia quase 26 anos e dedicou a maior parte da carreira ao Bope. Em dezembro, completaria 26 anos de serviço. Para Aline, o policial via a tropa como parte de sua identidade e de sua família: “Eu sou caveira. Aquilo ali é a minha família”.

Dois irmãos do Bope morreram em menos de um ano

A morte de PM do Bope Gláucio ocorreu a poucos dias do primeiro aniversário da morte de Heber, um dos cinco policiais que morreram na megaoperação realizada em 28 de outubro de 2025, no Complexo da Penha. Além disso, Heber tinha o irmão mais velho como referência e entrou no batalhão seguindo seus passos.

Segundo Aline, a admiração entre os irmãos fazia Gláucio se sentir especialmente responsável pelo caçula. Ele não estava no batalhão quando Heber morreu, e a ocorrência de domingo marcaria seu retorno à unidade. Assim, a família enfrenta uma segunda perda em menos de um ano.

“Foi muito doloroso e ainda é. A gente vai se arrastando durante esse período, mas entende que aquilo ali era o amor da vida dele. E isso nos conforta”, afirmou Aline.

Como ocorreu o tiroteio em Jacarepaguá

Gláucio morreu na manhã de domingo, na Rua Guilherme Moreira, na Freguesia, em Jacarepaguá. De acordo com a Secretaria de Estado de Polícia Militar, agentes do Bope abordavam um veículo quando policiais do 18º BPM, de Jacarepaguá, chegaram ao local.

A principal hipótese é que a baixa luminosidade tenha levado os policiais do batalhão de área a confundir a abordagem com uma ação criminosa. Ao todo, seis PMs foram baleados: cinco do Bope e um do 18º BPM.

Gláucio foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas chegou morto. Os outros cinco agentes receberam atendimento; parte passou por cirurgia, enquanto os demais tiveram alta após avaliação médica.

A Corregedoria Interna da Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, e a Delegacia de Homicídios da Capital investigam as circunstâncias do tiroteio. Além disso, a tenente-coronel Cláudia Moraes, porta-voz oficial da PM, informou que não falaria com a imprensa durante a cerimônia.