Ex-segurança do Ninho ganha ação e terá pensão vitalícia do Flamengo

A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro manteve a pensão vitalícia concedida a Benedito Ferreira em ação contra o Flamengo. Além disso, a decisão em segunda instância elevou a indenização por danos morais; somados os valores previstos, o ex-segurança receberá mais de R$ 580 mil.

Ferreira trabalhou no clube de 2018 a 2022 e ajudou nos resgates após o incêndio no Ninho do Urubu, em 2019. Além disso, moveu duas ações contra o Flamengo. Entre as reclamações, questionou o fato de o clube não relacionar seu afastamento do trabalho ao que vivenciou no dia da tragédia junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Pensão vitalícia e indenizações na decisão

Em julho do ano anterior à decisão mais recente, a primeira instância havia determinado R$ 100 mil por danos morais e R$ 500 mil por danos materiais, além da pensão vitalícia. O Flamengo também deveria reintegrar Ferreira ao quadro de funcionários em até cinco dias, sob pena de multa. Ainda assim, o clube recorreu.

Na segunda instância, os desembargadores da Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região decidiram por unanimidade aumentar de R$ 100 mil para R$ 150 mil a indenização por danos morais. Além disso, a condenação inclui R$ 430 mil em indenização e R$ 8,6 mil em custas processuais.

Assim, a decisão publicada em 26 de outubro prevê mais de R$ 580 mil em pagamentos, além da pensão vitalícia. O valor reúne as indenizações e as custas processuais especificadas no julgamento.

Laudo descreveu transtornos e tratamento de Benedito Ferreira

De acordo com o laudo pericial, Ferreira tem transtorno depressivo, transtorno de adaptação e transtorno de pânico. Além disso, o documento descreve um quadro agravado, com presença de ideação suicida.

A Justiça do Trabalho destacou a gravidade do estado clínico do ex-segurança. Desde então, ele faz tratamento com medicamentos controlados e recebe atendimento psiquiátrico e psicológico.

Incêndio no Ninho do Urubu matou dez jogadores da base

Na madrugada de 8 de fevereiro de 2019, um incêndio atingiu o centro de treinamento do Flamengo. O fogo começou por volta das 5h, no quarto 6 do alojamento, após um curto-circuito no sistema de ar-condicionado. Ao todo, dez jogadores da base, com idades entre 14 e 16 anos, morreram, e outros três ficaram feridos.

As chamas se espalharam rapidamente porque os painéis dos contêineres usados como alojamento continham poliuretano, material inflamável. Além disso, a fumaça tóxica e as grades nas janelas dificultaram a saída dos jovens.

O alojamento funcionava de forma irregular: a Prefeitura do Rio registrava a área como estacionamento, e o local não tinha alvará para uso como dormitório. Entre os jovens feridos estava Jhonatan Ventura, que sofreu queimaduras graves em grande parte do corpo. Outros 16, por sua vez, conseguiram escapar.

As dez vítimas fatais foram Arthur Vinícius, Christian Esmério, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva Matos, Bernardo Pisetta, Gedson Santos, Athila Paixão, Rykelmo de Souza Vianna, Samuel Rosa e Vitor Isaías.

Desdobramentos judiciais do incêndio

Em outubro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro absolveu, em primeira instância, os sete réus que respondiam por incêndio culposo qualificado, entre eles ex-dirigentes do Flamengo.

Na esfera cível, o clube fechou acordos de indenização com as famílias de todas as vítimas fatais e dos feridos ao longo dos anos posteriores ao incêndio.

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