A disputa pelo governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo nas redes sociais. Apoiadores de Eduardo Paes, do PSD, criaram uma mobilização digital batizada de “Exército do Dudu”, com o objetivo de pressionar pela realização de um segundo turno na eleição estadual. A iniciativa ganhou força no WhatsApp e passou a reunir milhares de pessoas em torno da contestação do resultado eleitoral.
Segundo reportagem publicada pelo Diário do Rio nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o canal já ultrapassava 25 mil seguidores por volta das 13h. O movimento busca ampliar a mobilização dos eleitores, divulgar informações sobre a disputa e manter o debate sobre a possibilidade de uma nova votação para governador.
A estratégia lembra o chamado “Exército do Lula”, canal utilizado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha presidencial. Agora, a iniciativa foi adaptada ao cenário político fluminense, em um momento de tensão envolvendo o resultado da eleição estadual.
MOBILIZAÇÃO GANHA APOIO POLÍTICO
A campanha também recebeu apoio de nomes ligados ao grupo político de Eduardo Paes. Entre eles está Renan Ferreirinha, deputado federal eleito pelo PSD e ex-secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, que divulgou um vídeo incentivando a participação na mobilização.
A proposta dos apoiadores é manter o assunto em evidência nas redes sociais, estimular o compartilhamento de mensagens e aumentar a pressão pública em defesa de um segundo turno.
ENTENDA A POLÊMICA SOBRE A ELEIÇÃO
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Douglas Ruas, do PL, apareceu com 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes obteve 42,76%, segundo os números apresentados na reportagem.
Entretanto, a situação mudou após a anulação dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho. Com a retirada desses votos do cálculo, os percentuais foram recalculados, e Douglas Ruas passou a registrar 50,88% dos votos válidos, contra 44,16% de Eduardo Paes.
Com esse resultado, Ruas foi declarado eleito ainda no primeiro turno, sem necessidade de uma segunda votação.
A mudança provocou reação no campo político de Paes, que questiona os critérios utilizados para definir o resultado e defende a revisão da decisão.
DISPUTA CHEGA AO SUPREMO
O PSD levou a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que os votos de Garotinho deveriam ser considerados na base de cálculo para determinar se a eleição precisaria de segundo turno.
A legenda busca reverter o entendimento que permitiu a declaração de vitória de Douglas Ruas na primeira etapa da disputa. O desfecho, porém, depende da análise judicial.
Enquanto a questão permanece em discussão, o “Exército do Dudu” tenta transformar a insatisfação dos apoiadores em uma campanha de mobilização digital.
Apesar da movimentação nas redes sociais, é importante destacar que a criação do canal não garante a realização de um segundo turno. Até que haja uma decisão judicial definitiva sobre a controvérsia, o resultado e seus efeitos devem ser acompanhados com cautela.
A disputa, portanto, continua no campo jurídico e político, enquanto apoiadores dos dois lados aguardam os próximos capítulos de uma eleição que provocou forte repercussão no Rio de Janeiro.