No Rio de Janeiro, um falso curso de sargento da reserva do Exército facilitava a compra de armas de fogo de uso restrito. A Polícia Civil desarticulou o esquema, prendeu três pessoas e apreendeu seis armamentos, incluindo um fuzil.
Segundo as investigações, o grupo promovia aulas presenciais e provas para simular a formação de militares da reserva. Em seguida, entregava documentos falsificados que davam aparência legal à qualificação dos participantes.
Como funcionava o falso curso de sargento
A investigação começou há cerca de dois meses, após a prisão em flagrante de um homem que comprou uma pistola calibre .40 usando documentos falsos. Nesse trabalho, a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) contou com o apoio de militares da 1ª Região Militar do Exército.
A partir desse caso, os agentes examinaram outras compras de armamentos e encontraram documentos com o mesmo padrão de falsificação. Assim, as diligências apontaram um grupo que organizava os supostos cursos preparatórios e simulava a formação de integrantes da reserva.
Os participantes assistiam às aulas e faziam provas antes de receber carteiras de identidade militar e autorizações para comprar armas. Além disso, os papéis traziam assinaturas falsificadas de oficiais do Exército, que os participantes apresentavam em lojas credenciadas para iniciar as aquisições.
Depois, os envolvidos também produziam Certificados de Registro de Arma de Fogo (CRAF) falsos, necessários para retirar os armamentos nos estabelecimentos. Durante a investigação, o Exército confirmou que os documentos eram falsos e que as autorizações apresentadas não existiam.
Seis armas foram apreendidas
Até o momento, a polícia identificou a compra de cinco armas, em transações que somaram aproximadamente R$ 50 mil. Ao todo, porém, os agentes apreenderam seis armamentos: quatro pistolas Glock — três calibre .40 e uma de 9 milímetros —, uma pistola Taurus calibre .40 e um fuzil Fire Eagle calibre 5,56.
Parte das armas ainda estava nas lojas, onde os compradores aguardavam para retirá-las quando o esquema foi descoberto. Assim, os policiais impediram a entrega desses armamentos. A Justiça determinou o perdimento das armas apreendidas e poderá destiná-las ao uso da própria Polícia Civil.
Polícia busca outros envolvidos no esquema
Além da prisão em flagrante que deu início às apurações, a Justiça expediu três mandados de prisão temporária. Dois já foram cumpridos; com a prisão inicial, o total de pessoas detidas chegou a três.
A Polícia Civil informou que preservará os nomes e as imagens dos investigados nesta fase, para não comprometer as diligências em andamento. Enquanto isso, os agentes tentam identificar quem organizava os cursos e produzia ou fornecia os documentos falsificados.
A investigação também busca localizar outros possíveis participantes e esclarecer quantas pessoas obtiveram documentos militares fraudulentos. Além disso, os policiais apuram a extensão das compras de armamentos realizadas pelo grupo.