Familiares de pacientes do Pedro II, em Santa Cruz, denunciam demora em cirurgias e falta de informações
Hospital municipal Pedro II tem muitas reclamações de familiares de pacientes
Paulo Roberto Nunes Júnior, de 27 anos, foi diagnosticado com esquizofrenia há cerca de cinco anos. Há duas semanas, em meio a uma crise da doença, se jogou do apartamento onde vive com os pais, no quarto andar de um prédio em Santa Cruz, na Zona Oeste. Na queda, fraturou a lombar, e foi socorrido para o Hospital municipal Pedro II, no mesmo bairro. Depois de 15 dias internado, teve alta sem passar por cirurgia, e a família agora luta para que o procedimento seja realizado.
— De início ele ficou na sala vermelha, e mandaram um laudo para gente dizendo que ele estava esperando risco cirúrgico para operar a coluna. Uns dias depois eu vim aqui e ele tinha sido mandado para a psiquiatria. Ele tem problema psiquiátrico, mas não bateu em ninguém, não fez nada de errado, o problema é que ele caiu e se machucou — questiona o pai do jovem, Paulo Roberto Nunes, de 52 anos.
Paulo explica que o último laudo entregue pela unidade para a família dizia que Júnior aguardava risco cirúrgico para cirurgia na coluna, por conta da fratura na lombar. Apesar disso, ele teve alta sem nenhuma perspectiva de quando o procedimento será realizado.
— Esse laudo saiu só depois de uma semana dele internado aqui. Ninguém nunca conversou com a gente, nenhum ortopedista. Ele entrou e saiu sem ninguém falar com a gente. Só o psiquiatra, que foi quem deu a alta — explica a mãe, Eliane da Conceição André.
Os dois pés de Júnior não desincharam desde o acidente. Ele consegue colocá-los no chão, mas não tem forças para andar. Em casa, se arrasta ao se apoiar nos punhos, que já estão doloridos pelo esforço. Para descer os oito lances de escada do prédio, que não tem elevador, é o pai que o carrega nos braços. A família precisou desembolsar R$ 400 em uma cama ortopédica para o filho, e conseguiu com um vizinho uma cadeira de rodas usada.
— Não estávamos preparados para nada disso, mas tivemos que dar um jeito. Ele reclama de muita dor – desabafa a mãe dele, Eliane da Conceição André, de 56 anos: — Viemos aqui hoje para tentar atendimento com o ortopedista e saber da cirurgia. A recepção enrola, que tem que esperar, que não tem médico, para descartar a gente logo porque sabe que ele saiu daí de dentro. Estão fazendo sujeira com a gente.
Quem é quem:
Além da demora, falta de informação
Desde o último dia 26, Simone da Silva Savarege, de 47 anos, vai de duas a três vezes por dia para a porta do Hospital Municipal Pedro II para tentar informações do estado de saúde da mãe, Iranir da Silva Savarege, de 70 anos, internada com coronavírus, mas encontra uma recepção “blindada”. Segundo ela, funcionários da unidade não atualizam os familiares sobre como os pacientes estão, e as notícias só chegam por mensagens de aplicativo no fim do dia.
— Desde o dia 26 eu venho para cá e não tenho informação. Só falam pelo WhatsApp. Ontem, o laudo do quadro dela chegou 00h10. Isso é hora? A gente fica o dia inteiro sem saber nada. Eu não confio — diz.