A comercialização de álcool líquido 70% em supermercados e outros estabelecimentos comerciais no Brasil está com os dias contados. A partir do dia 30 de abril, esse produto, que se tornou um grande aliado da população durante a pandemia da Covid-19, não poderá mais ser encontrado nas prateleiras. Essa mudança drástica vem como um reflexo direto das novas diretrizes impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma medida que promete impactar significativamente o cotidiano dos brasileiros.
Importante frisar, entretanto, que a proibição se aplica exclusivamente ao álcool 70% na sua forma líquida. A venda do álcool em gel 70%, largamente utilizado para higienização das mãos e superfícies, permanece inalterada, podendo ser adquirido sem restrições. Esse detalhe é crucial para que a população não entre em pânico, pensando que está perdendo completamente um de seus principais recursos de combate à disseminação de vírus e bactérias.
A história da comercialização de álcool líquido 70% no Brasil é marcada por idas e vindas. Por mais de duas décadas, a venda desse produto foi estritamente proibida, tendo como principal argumento a sua alta inflamabilidade, que representava um risco significativo de acidentes domésticos. No entanto, diante da emergência sanitária causada pela pandemia da Covid-19, a Anvisa decidiu flexibilizar essa regra, permitindo a venda direta ao consumidor. Essa medida temporária tinha como objetivo facilitar o acesso da população a um desinfetante eficaz, capaz de eliminar o vírus em superfícies, contribuindo assim para a redução da transmissão do coronavírus.
Segundo comunicado da Anvisa ao g1, a liberação temporária que permitia a comercialização do álcool líquido 70% direto ao consumidor tinha um prazo de validade até 31 de dezembro de 2023. Contudo, os estoques existentes nos estabelecimentos comerciais poderão ser vendidos até o próximo dia 29 de abril, após o qual a proibição será efetivamente reinstaurada.
A decisão da Anvisa de reverter a flexibilização da venda do álcool líquido 70% gera uma série de reflexões. Por um lado, entende-se a importância de retomar medidas de segurança que minimizem o risco de acidentes domésticos relacionados à sua inflamabilidade. Por outro, há uma preocupação quanto ao impacto que essa medida terá no acesso da população a produtos de limpeza eficazes, especialmente em um momento em que a higiene pessoal e a limpeza de ambientes são fundamentais para prevenir não apenas a Covid-19, mas também outras doenças infecciosas.
Diante desse cenário, é crucial que a população busque alternativas seguras e eficazes para a desinfecção de ambientes, mantendo as práticas de higiene pessoal que se tornaram hábitos durante a pandemia. Ainda que o álcool líquido 70% esteja saindo de cena, a luta contra vírus e bactérias não pode parar.